O canto da desfolhada

Desfolhei o tempo

Com a vontade mansa de ti,

Amor macio

No cio.

Desfolhei a graça da vida,

Na dobra da manhã

De mim, coração festivo,

Onde me privo.

Cantei as frases colhidas

No ventre da solidão

Onde entrei, vez em quando,

Sem comando.

Fui pétala ferida

Nas horas perdidas

Entre a margem sonhada

Da madrugada.


Sou alma voadora

No corpo que ressoa

O canto, alva felicidade,

No avesso da tempestade.

Sou... ilhoa...

No canto das palavras

Que jorram inteiras

Por mim, numa doce melodia,

Dor e fantasia.

Os sons abraçam-se e

Perpetuam a minha ânsia

De cantá-los.

As palavras bailam no sonho

Que se adivinha tristonho...

Mas é na tristeza que as palavras

Soltam o calor do ser.

As palavras que quase se calaram,

Na nova estação de alegria,

Pausadas no eco da noite

Que, creio, virá com a toada

Do canto da desfolhada.


7 Janeiro de 2009

Rosa Silva ("Azoriana")

2 comentários:

  1. Uma outra maneira de escreve e muita agradável de ler, continue assim que até gosto mais.Tudo debom para este ano para si e família.Salomé

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  2. Bom Ano amiga, e obrigada!

    Por mim gosto muito mais da minha verdadeira forma de rima. Esta não me agrada nada mas, de vez em quando, sai-me sem eu perceber bem o porquê. São ondas que me tomam e eu vou obedecendo. Gostar mesmo é de quadras.

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