Estranha sensação

Na dolência das ondas
do ser,

Onde a minha alma espreita

O silêncio das horas paradas

Inertes dos ares festivos,

Deixo-me ficar,

Quase adormecida

Do eco da terra lavrada,

Que a tarde me aconchegou...


Lanço um olhar tenebroso,

Ao ventre da natureza

Desenhado na mente escarlate

Tingida pela cortina de afectos

Que se erguem pela proa

Dos monumentos da tarde.


E ninguém dá por mim...


Sinto necessidade de comunicar

Com o mundo que deixei de ver;

Teima a fraqueza de alcançá-lo...


E ninguém o vê em mim...



No balançar remoto das rosas

A estranha sensação de um paraíso por abrir,

Na saudade lacrada no meu rosto de mulher

Que te deixou de ver sucumbir devagar,

E que hoje, especialmente hoje,

Oculta palavras douradas de afecto

Nas trindades que voaram de ti...


Onde será que pairas que ninguém te vê

Nem eu

Aqui...

Nesta estranha sensação de lume vazio de palavras.


Rosa Silva ("Azoriana")

2 comentários:

  1. Estou a ver e a sentir alguma tristeza por estar um pouco isolada.Isto de não ter nem net e televisão é como estar parado no tempo que se vê e não se sente.Está a ficar colorido por aqui falta um bocadinho de música para alegrar um pouco.Adorava poder ajudar com alguns elementos que tiro da terra pois no resto também estou rota mas estou tão longe.Beijinho amiga.
    ps dê um abraço e um beijinho por mim à amiga Jô

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  2. Pois é... O longe que nos separa. Mas perto está o facto de sermos ilhas de afecto. Pese embora as milhas náuticas, o coração bate mais forte entre ilhéus. Tenho saudades dos produtos da terra picoense e das mãos que os cozinham fantasticamente: linguiça e salsicha com inhames sabe melhor aí; o molho cru para o peixe sempre fresco, que vai por cima da boa batata branca; o doce de grozelha; o amor das gentes... Meu pai era da linda freguesia de Santo Amaro e hoje não está para a cantar (fazia os seus anos). Estou nostálgica porque já não o ouço dizer: vamos ao Pico?
    Queria eu, antes desta meta final, voltar ao lugar que também me embalou e amou. Eu também não esqueço a ilha do Pico e o seu Santo Amaro (a freguesia do meu pai).

    Quanto à Jo... Estou inquieta para a ver e abraçar. Depois darei conta deste encontro tão desejado. Falta pouco. É já ao virar do dia. De ti também levarei o abraço e o beijinho.

    Beijinhos

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