Escritos

Na certidão de nascimento tem a história de uma vida - a minha: Não nega que trago os ares da freguesia da Serreta, desde as 13 horas do dia 1 de Abril de 1964, que me casei e que, entretanto, divorciei.



O engraçado é que meu pai me declarou no Posto da Serreta a 24 de Abril de 1964 e a 24 de Janeiro de 2007 eu estava a desatar as amarras de uma vida (42 anos=4+2=6 anos que levei à espera deste novo dia). Ainda não percebi porque me apanhei a chorar hoje... Se foi o facto de me lembrar da felicidade de meu pai noutro tempo (porque neste tempo já cá não está); se por me encontrar na véspera do quinto aniversário da morte da minha mãe; se a névoa paira na minha existência e uma dor me trespassa sempre que toco nos papéis moribundos do passado para comprovar que:



Nunca se sabe o futuro

Sem passar pelo presente

O passado é o apuro

Do que nos sobra p'la frente.



Esta é uma das quadras, nos meus escritos instantâneos, que podia colocar junto da assinatura de um novo papel: uma escritura...



Hoje, era suposto ser um dia especial... Espero que o seja. Tenho que ter fé porque a fé é que nos salva. Para trás ninguém volta, por isso há que seguir em frente. Nossa Senhora me guie como me guiou até aqui.



Rosa Silva ("Azoriana")

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