Crise financeira...

Oh! Senhores da minha alma,

Prestem bastante atenção:

Está tudo a perder a calma?!

Acho que até tem razão.



Um euro, duzentos escudos!

Os preços sempre aumentar.

Ouçam e não sejam mudos:

Urge tudo emendar.



Revejam todos os preços,

Baixem, então, a despesas,

Se forem a isto avessos,

Ficam as carteiras tesas.



Se desistem da poupança,

Para tudo remediar,

A crise geral avança

E ninguém a vai parar.



Agora está a aparecer

A crise descontrolada

E se nada se fizer

Virá grande derrocada.



Basta olhar para as casas

Com tabuletas à venda

'stão todos a bater asas

Sem ter volta ou emenda.



Quem concerta esta crise?

Quem revê o panorama?

Façam contas, sem deslize,

Cortem o mal pela rama.



Quando se "brinca" aos saldos,

Toda a gente vai comprar;

Abaixem também os caldos

Para a gente puder jantar.



Estamos todos endividados,

Até nos caem pestanas,

Oxalá não sejam fechados

Bancos em poucas semanas.



Eu não sou ave agoirenta,

Nem tenho dom de profeta;

Vai ser uma morte lenta

P'ró mundo em linha recta.



Mas os grandes jogadores

A crise não vão sentir,

Tem poderio de valores

E ouro p'ra se cobrir.



Se quiserem aprender

Como se fazem poupanças

Aprendam com a mulher

Que trata suas finanças.



Pois essa mulher sou eu,

Que faz um auto-controle;

Ainda ninguém morreu

Mas a bolsa fica mole.



E se fosse a cantar,

Isto que aqui já lestes

Concerteza não ia dar

Nem p'ra mudar minhas vestes.



Rosa Silva ("Azoriana")

Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigada pela visita! Volte sempre!