Carta de estrofes

Angra do Heroísmo, 2 de Outubro de 2008



Carta para uma amiga



Antes que a morte nos leve

De onde não se vai sair,

Se a amiga se atreve

Algo há-de conseguir.



Vim duma reunião,

Que pesa na consciência

Fui saber da informação

Preparada com prudência.



Agarremos a esperança,

Agarremos nossos valores,

Trilhemos com confiança,

Aguentemos nossas dores.



A percentagem diminuta

No caso de “ventania”

Torna escura qualquer gruta

Torna a vida mais vazia.



Mas há que ter muita fé

Não devemos alarmar,

Com Nossa Senhora ao pé,

Havemos de conformar.



De uma coisa tenho pena,

Se vier grande atropelo,

É de não ver cada cena,

Editada com desvelo.



No poupar está o ganho,

Sempre se ouviu dizer,

Depende é do tamanho

E do valor que vai ter.



Estou crente no que escrevo,

Com toda a dedicação,

E nada disso eu devo,

Porque está na vocação.



Cada qual tem o seu dom,

Que nos é dado por Cristo,

Para mim, é muito bom

Saber que ainda existo.



E quanto maior a dor,

Tristeza ou desalento,

Mais o dom é escritor

E acalma o sofrimento.



Distraio as minhas dores,

Com quadras de pura essência,

Eu, na ilha dos Açores,

Tenho a Divina clemência.



«Serreta na intimidade»,

É meu livro de eleição,

Outro, nosso, tem Amizade,

Colhida do coração.



Não lhe posso dar resposta,

Sendo eu de fracos dotes,

Ai, tanto que a gente gosta

De trilhar os nossos motes!



Termino já minha carta

Nos moldes da Cantoria,

De pedir já estou farta,

Vou esperar por melhor dia.



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