Angra do Heroísmo. Uma carta para ti

Angra do Heroísmo, 19 de Outubro de 2008



Gostava de morrer só para saber o que escreviam de mim. Se for pecado escrever isto, peço perdão. A morte dá relevo às notícias, faz como que ressuscitar do "anonimato" passageiro deste mundo de inúmeros talentos. Fica-se com a sensação que a urna é um pedestal. Os anjos elevam-no tão alto que parece passar além do limite, do infinito.



Os que vivem admiram-se, surpreendem-se com a "urgência" da morte duma pessoa, seja ela qual for, que se habituam a ver no dia-a-dia, mesmo que a dita não lhes diga nada em alta-voz, mas tão somente no silêncio dos dias iguais.



Não se sabe o dia nem a hora mas sabe-se que dela ninguém está fora. A morte nunca será triste se o bem está pela proa. Só que do bem sabe Deus quem.



Juro! Só queria "morrer" para saber o que escreviam de mim, com o sentimento verdadeiro do que se lê nas entrelinhas de uma vida. Talvez morresse e "ressuscitasse" alegre. É muito triste a ideia de que sou a solidão das linhas, sem perícia alguma.



Peço a ti que me lês, uma carta para eu ler em vida e levar comigo para a urna. É pena não poder levar um computador J Não me deixem só na urna. Coloquem os rascunhos. Tenho medo da solidão.



Ah, como gostava de ter minha última morada num pouco do chão serretense! Foi a Serreta que me fez escrever tanto, tanto... e já fiz com que surgissem mais olhares atentos a novos escritos de lá e para lá.



Há personalidades, poetas, amigos, familiares e os que vou conhecendo e que me vão conhecendo. Vou colocar alguns nomes conforme me vão surgindo na mente, aleatoriamente, e por quem tenho elevada consideração:



Álamo de Oliveira, Victor Rui Dores, Diniz Borges, Katharine Baker, José Ávila, Germano Silva, Sidónio Bettencourt, Pedro Moura, Luís Castro, Sónia Bettencourt, Humberta Augusto, Felix Rodrigues, Daniel Arruda, Jorge Gonçalves, Luiz Fagundes Duarte, Paula Belnavis, Maria João Brito de Sousa, Clarisse Barata Sanches, Euclides Cavaco, Jorge Vicente, Luís Nunes, Mariana Matos, Bernardo Trancoso, Victor Santos, Hélio Costa, Luís Bretão, Gabriela Silva, Miguel Azevedo, Anita Azevedo, Alberto Flores, Agostinho Silva, Carlos Henriques, Ângela Monforte, Paulo Roldão, Francisca Silva, Francisca Dias, Salomé Alves, Carla Oliveira, Dionísio Sousa, André Bradford, Pedro Arruda, Nuno Barata, Duarte Bettencourt, Fernando Alvarino, Donato Parreira, Fátima Albino, Paulo Póvoa, Rosália Sousa, Carlos Silveira, João Marcelino, Humberta Silva, Frederico Freitas, Luís Carlos Borges, Aida Alexandra Borges, Paulo Filipe Borges... etc. e aqueles que me conhecem desde Abril de 2004.



Fiquem sabendo que eu escrevo com o que me dita (ou ditava) minha mãe. Foi esse o desafio que me condicionou uma nova forma de vida, nesta caminhada mais feliz.



Remato com um pedido (já que tenho fama de pedinchona): quem me concede a honra de ter a colecção de livros de Dias de Melo? É pedir o impossível, eu sei, mas era um Homem do Pico e do Pico era o meu pai. Aprendi a amar aquela ilha tal como amo a ilha Terceira, mátria do meu sentir.



Aquele abraço. Estou feliz.



Rosa Maria Silva



5 comentários:

  1. Não amiga Rosa nada de pensar na morte, pense antes no que dirão em vida que é mais bonito.Obrigada por meu nome constar por aí também, por aqui este novo espaço, mas nada de nomes quero assim, um dia quem sabe me identifico até lá continuo assim, se for pela página e percorrer um pouco verá quem sou.Beijinhos, espero que esteja tudo bem.Uma ilha

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  2. Morrer só para saber o que escreviam de ti?? Acho que estás "passada" por completo :(
    Pois eu digo-te e enquanto estás viva, que é isso que interessa, és uma amiga fantástica com escritos que unem...mas hoje, tiveste direito (e só hoje) a um mau momento ;)
    Detesto a "sentença de morte" que paira na cabeça de todos nós...prefiro saudar (e honrar) a vida, e quanto a "Homenagens" que as façam enquanto somos vivos.

    É assim que eu penso.

    Beijinhos e abraços

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  3. Porquê ter medo de falar da morte? É tão natural como nascer. Mas eu até nem estou triste, nem fico triste por saber que a morte é a sentença de cada um.

    Mas eu hoje estou muito contente.

    E sei quem tu és. :)

    Beijnhos

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  4. Parece que não percebeste a minha mensagem. É que geralmente quando uma pessoa morre é que escrevem mais sobre ela. Eu não quero chamar a morte, mas é o que temos mais certo.

    Quando morre alguém é que há uma chuva de homenagens. Em vida há bem poucas. Mas eu até nem estou "passada", estou é muito feliz hoje, em especial.

    Sou pelas homenagens em vida.

    Beijinhos e abraços

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  5. Amiga Azor,
    Agradeço-te o facto de o meu nome constar na tu lista de pessoas que consideras! Tu também fazes parte da minha, como deves calcular!
    Eu percebo perfeitamente a tua mensagem. Realmente quando a morte vem e que se fazem todos os elogios, todas as homenagens, e que se dizem as palavras de carinho e apreço acerca de pessoa que já cá não esta para as ouvir. E injusto! Nisso tens toda a razão!... Mas gora "per favor" "melher ", não vamos pensar ainda na morte. Eu sei que e uma coisa natural e aceito-a como tal, só que não gosto de falar nem pensar nela. Tenho cá para mim esta coisa que se pensar muito nela ela começa a rondar-me a porta... Vamos e falar nA vida, e nos sonhos, nos projectos e nas ideias!...
    Understand what ! mean ?! ;)
    Bj da Jo

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