Ouço chamar e respondo:
- Quem é?
- "Sou eu."
- Eu, quem?
Nisto, o telemóvel dá-me o "canto das cagarras" e fico sem saber quem me chama intimamente.
Deixo-me ficar. Espero o chamamento de novo. Espero. Espero. Nada. Calou-se. Fecho os olhos e vejo-me num deserto de palavras. Sonho.
Finalmente ouço dizer:
- "Está perto. Faltam 15 dias. Vamos para a..."
Interrompo... - Ainda é cedo...
- "Achas cedo?"
- Acho. Até lá, ainda pode acontecer muita coisa...
- "Sim. Mas é tempo da preparação..."
- Claro. Sabes que tive um daqueles sonhos? Sonhei que eles vinham à Festa, que ficavam em Angra do Heroísmo e depois iam lá ter... Seria uma bela de uma surpresa! Sei que são de longe mas tudo vale a pena quando há o "chamamento". A morte leva tudo e em vida deve fazer-se aquilo que se pode por Ela.
- "Então pede a Ela. Se Ela quiser, eles vêm..."
- Estou a pedir...
- "Achas que há condições favoráveis?"
- Há sempre. É preciso é vontade. Já se contam as passadas que nos levam até lá...
- "Sim... A pé são muitas..."
- Essas passadas não doem, sabias? São passadas de amor por Ela.
- "Gostas muito Dela, não gostas?"
- Sim. Porque a chamo de Mãe...
- "Uma Mãe não se deixa só, não é?"
- Pois... Por isso é que já conto as passadas dos dias que demoram a chegar.
- "Já sabes o que se vai passar por lá?"
- Ainda não... Mas o Hino é sempre lindo: Salvé Nobre Padroeira!
Adorei este texto. PARABÉNS AMIGA
ResponderEliminarQuando estava ai, palmilhava todos os anos essas passadas que não doem... Em Dezembro, se Ela permitir, lá irei vê-La com toda a certeza!
ResponderEliminarBj da Jo