Há um fogo interior

Quadras cuja fonte inspiradora tem o título: "A Irmandade do Divino Espírito Santo de S. Carlos", Victor Alves. Julho de 2007.

Ver "Nota" explicativa no fim do artigo.

Advertência: Se gosta das nossas tradições culturais e religiosas siga na leitura das 21 quadras e 1 sextilha.

Pode emocionar-se, tal como eu, que sinto que...


 


Há um fogo interior

Sabem porque cá navegam
Fé, Louvores, Cantorias?!
Porque são elas que esmagam
Fumo, tremores, agonias.

São Carlos disso entende,
Lugar que volveu do fumo;
Da prece de quem defende
Irmandade nesse rumo.

Há uma Festa constante,
No Império do Divino,
Do remoto p'ra diante
Setembro é mês cristalino.

Em ilhas grassam tremores,
Catástrofes de assustar;
Nos Impérios dão louvores
E Deus vem nos acalmar.

A Coroa do Divino
É rica de simbolismo;
Dá ao Povo manso Hino
Na revolta de um sismo.

As tochas das Procissões
Que de lava se acenderam
Provaram que os vulcões
Nos Biscoitos revolveram.

Padroeiros e as Coroas
Juntam-se nas devoções;
O coração das pessoas
Une-se nas Procissões.

Geralmente os abastados
Ergueram do cinza-chão,
"Monumentos" coroados
Pela fé da ocasião.

Um-sete-seis-um, unidos,
Dá o ano da tragédia:
Os votos foram cumpridos
Num "Teatro", sem comédia.

E num estrado de madeira
Presidiu, por Excelência,
Imperador dessa obreira
Festa em louvor e clemência.

"Estrado", "Teatro", Altar,
Capela de bom critério,
Com a função de brindar
E que se chama Império.

Quem passa por tal martírio
Entende o nosso Cantar:
Não é fruto do delírio
É a fé que faz rimar.

Rimar abranda noss'alma
Cantando dupla oração:
Um lírio ou uma palma
Bordam a inspiração.

Por isso nunca se calem
Os Cantadores da ilha;
São eles que muito valem
Numa quadra ou sextilha.

Se a mulher já não avança
Para o centro do Terreiro:
Há que ter nova 'sperança
De sair do "cativeiro".

Venham mulheres cantar,
«Cantigas ao Desafio»,
Darão meiguice ao ar
Como outrora bem se viu.

"Não há mal que sempre dure",
É provérbio que sabeis;
Este bem que se apure
Oralmente ou em papéis.

A pressa é inimiga
E destrói a perfeição
Mas o dom de uma cantiga
É dado de repelão.

P'la boca dos cantadores,
Que existem nesta terra,
Do improviso Senhores,
Nenhuma quadra emperra.

Esta dádiva agradeço
Que a mim também ataca:
Junto ao Império, eu peço
Que a rima não seja fraca.

Há um fogo interior
Que dá força à Cantoria:
O que é feito por amor
É sempre uma mais-valia.

E se um dia cá vierem
Gentes de outros lugares
Digam lá o que quiserem
E fixem nossos olhares
As insígnias vos imperem
Com a Divindade dos ares!




Rosa Silva ("Azoriana")
2008/07/23


Nota:

Os versos são da minha autoria mas a fonte inspiradora, onde fui beber avidamente todos os parágrafos de um texto com "cabeça, tronco e membros", é da autoria de Victor Alves, datado de Julho de 2007. Faz agora um ano.

Neste dia, 23 de Julho de 2008, eu entreguei outra inspiração, voando, à esposa de um senhor, pelo qual tenho uma admirável consideração: o senhor Luís Bretão, que reside em São Carlos, concelho de Angra do Heroísmo, da ilha Terceira, Açores.

Este é mais um sinal que recebi dos céus. Terminaram as minhas hesitações. Minha mãe canta no céu. Tudo isto porque ela "me chamou", através de algumas pessoas e locais, há uns dias a esta parte. "Sem falar" deu-me luz num rumo novo para o percurso da minha vida. Por ela cantarei.

Por ora, vou voando em "papel", via tecnológica.

O silêncio diz-me: «Nunca é tarde para amar» e contigo vir a cantar. Trata-me por "Cagarra da Terceira".

1 comentário:

  1. Muito bonito.
    O verdadeiro sentir de um Ilhéu.
    ADOREI
    Parabéns.
    Muitos bjinhos.
    Lala

    ResponderEliminar

Obrigada pela visita! Volte sempre!