... Emigrante,
Tu que estás distante
Num sonho constante
E no teu semblante
A saudade mora;
... Emigrante,
Que deixaste mãe,
Pai, irmãos também,
E o torrão que tem
A Virgem Senhora;
... Emigrante,
Volta ao luar,
E ao marulhar
Deste vivo mar
Que 'inda te ancora.
... Emigrante,
Por terras maiores
Longe destas cores
Que são teus amores
Pela vida fora.
... Emigrante,
Volta mais um dia,
Porque é fugidia
O que a sorte cria
E logo evapora.
... Emigrante,
Olha p'ro retrato
Verás que de facto
Voltar é num jacto
Morte é toda a hora.
... Emigrante,
Vem cantar comigo
Ouve o que te digo
Na canção de amigo
Que canto agora.
Rosa Silva ("Azoriana")
P.S. Este desabafo serve para quem está longe do seu torrão natal e sente saudades. Mas quando o escrevi estava a pensar, também, no meu filho que não consigo ver se não daqui a grandes meses. A maior tristeza disto tudo é eu não ter meios para o trazer de volta. Agora entendo o que sofrem as mães cujos filhos emigram e nunca mais se vêem. É uma dor tão grande que é impossível descrever por palavras.
Um dia alguém me acusou de ser "pedinchona" e outros termos que olvidei. Calo-me, então. Os filhos são-nos doados por Deus. Ao vê-los crescrer e encaminhar-se na vida sentimos um misto de alegria à mistura com essa palavra tão regional - SAUDADE!
A vida vai torta, jamais se endireita...
Azor, agora com esta e que deste cabo de mim!!! Esta coisa de Emigrante e mães longe dos filhos e filhos longe das mães... Ai amiga... Só quem sente como nos!!
ResponderEliminarBj da Jo
Perdoa, não te queria fazer nem te partir mas saiu-me este desabafo bem do fundo do . Isto é e sempre foi assim. É o ciclo da vida. Não há nada a fazer. Peço a Deus e Nossa Senhora que nas escolhas todos sejam felizes mesmo que a Saudade seja a dama de companhia.
ResponderEliminarBeijinhos e canta em veres de leres.
Em vez de "canta em veres" deve ler-se "canta em vez".
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