I
Neste mundo em que vivemos
Cada vez mais só sofremos
Desespero infernal;
Já não sei o que fazer
P'ra tentar sobreviver
No canto de Portugal.
II
Está tudo a aumentar
A carteira a falhar
O euro é uma ilusão;
A receita, pouca abunda
A despesa mais afunda
E não se vê solução.
III
Às tragédias naturais
Juntam-se as anormais
E a guerra traiçoeira;
Tanta gente a passar mal
Cá e além Portugal
Que não é brincadeira.
IV
Pego nos versos então
P'ra disfarçar a tensão
Que vivo neste momento.
Eu não bebo e não conduzo
Não fumo e tudo reduzo
Resta este entretimento.
V
Deus está em toda a parte
E se me deu esta arte
Foi p'ra me fazer feliz.
Tenho que Lhe agradecer
E deixar transparecer
Tudo aquilo que me diz.
VI
Estava eu só a chorar
Na cama de papo ao ar
Sem sequer ver os lençóis;
Algo me chama então
E venho logo à pressão
Ler a mensagem de Góis.
VII
Era da minha madrinha
Que não me deixa sozinha
E comunga o bem querer;
Trouxe-me lindo sorriso
E sossegou meu juízo
P'ra não pensar em morrer.
VIII
No seu agradecimento
Vi o seu olhar atento
A Angra do Heroísmo;
Eu sem sair da Terceira
Fui aos Cânticos da Beira
P'ra selar nosso baptismo.
IX
Os Murmúrios do Ceira
Que ela tem à sua beira
Dão-lhe mais inspiração;
Eu por cá tenho o mar
Que também faz inspirar
Baladas do coração.
X
Ó meu Deus olha por quem,
Vive triste sem vintém...
Aos velhinhos e crianças
Aos homens e às mulheres
Fazei tudo o que puderes,
Dai a todos esperanças!
AS ROSQUILHAS DAS ILHAS
ResponderEliminar(À boa Amiga Rosa Maria (Azoriana)
Agora, sim, aprendi
E no Blogue já vi
Uma tradição da Ilha.
Minha vontade era louca...
E cresceu-se água na boca
Ao ver ali a rosquilha...
Rosquilha tão amarela.
Pareceu-me coisa bela,
E a fazè-la uma senhora.
Estava longe e não podia
Eu ir aí, neste dia,
Navegar pelo mar fora!
Neste nossso Continente
Também vive muita gente
Mal, que até nos causa dó.
Gostei de ver as rosquilhas...
Serão essas maravilhas
Que aqui chamam pão de ló?
Sim o Euro vale pouco
E o pobrezinho anda louco
Sem Euros, sem alegria!
E há ricaços aos montões
Bem cheinhos de milhões...
Que tosca "democracia"!
Que a Santíssima Trindade
Tenha de nós piedade
e ponha e vida melhor,
Nem que tenha de ir ao cerne...
E haja quem nos governe.
Dando a todos Paz e Amor!
Clarisse Barata Sanches - Góis - Portugal
Querida amiga,
ResponderEliminarPenso que as rosquilhas não são o pão de ló, pelo menos o que vejo nos mercados por cá não tem nada a ver com as rosquilhas de massa sovada. Chama-se massa sovada porque é doce e muito bem amassada com as mãos ou com máquinas. O segredo está precisamente na leveza da massa que, quanto a mim, quase se come crua mesmo :)
A senhora que viu na foto era a minha avó materna que era especialista em rosquilhas. Nunca vi nenhuma ficar mal e toda a gente adorava provar as rosquilhas da tia Alexandrina Cota, da Serreta. A sua "vaidade" era essa: fazer massa sovada da melhor. Quem adquiriu a sua sapiência foi a minha irmã. Eu nunca fiz sequer um pão fará uma rosquilha :) A rosquilha é a arte máxima da culinária da tradição regional. Não é qualquer pessoa que se aventura a fazê-la. Nunca comi igual à massa da minha avó.
Quanto aos milhões... Eu só queria um euro de cada pessoa que está sentada no Estádio Nacional de Lisboa hoje... no dia da final da Taça de Portugal. :) Mas nem um cêntimo me chegará.
Beijinhos e obrigada pelo poema, sempre rico e perfeito.