A minha resposta deixada no comentário do blog "samueldabo" foi assim:
Gosto de alguns desafios e outros nem tanto. Engraçado que este bloqueou a minha mente. Não sei por onde começar, continuar e acabar na frase ou dito marcante. (...).
P.S. Tomei a decisão de não nomear nenhum bloguista em particular. Aquele que se sentir encorajado em seguir o desafio faça favor e deixe o seu link no comentário. Adoro surpresas e esta faz-nos reviver o passado.
Tal como frisei no blog referenciado, sinto-me feliz por ter conseguido recordar o passado por intermédio deste bloguista amigo, na véspera do meu benjamim fazer a sua Profissão de Fé. Deus continua o mesmo de sempre, eu é que mudei tanto...
Rosa Silva ("Azoriana")
Gosto de alguns desafios e outros nem tanto. Engraçado que este bloqueou a minha mente. Não sei por onde começar, continuar e acabar na frase ou dito marcante. (...).
- Convivi desde sempre com a minha avó materna. Não cheguei a conhecer o meu avô que faleceu quando eu tinha 2 meses. Cheguei a questionar como era ele e diziam-me que era boa pessoa, correcto nos seus negócios e que tocara cornetim na Filarmónica da Serreta, freguesia que deixei há vinte e dois anos. Diziam-me que quando eu nasci foi o primeiro a notar que o meu choro era afinado, mas não cheguei a cantora como talvez ele tivesse gostado.
A minha avó era uma senhora linda (e penso que nunca lho disse). Tinha uns olhos azuis, muito claros; um cabelo alvo ondulado encoberto por um lenço preto que carregava todas as suas memórias de lutos intermináveis; um terço velhinho de tanto contar Avé-Marias e rosários de alegrias e tristezas, de abalos e trovoadas, de ventos e calmarias, enfim, tudo o que a fazia ora chorar ora sorrir, mas sempre carregando a sua devoção a Deus e a Nossa Senhora dos Milagres. Sim, isso lhe talhava um sorriso grande e sincero. Tanto tinha de sorriso como de solitude. Era uma viúva sempre de preto ou preto e branco. Os aventais eram a sua peça fundamental por cima dos trajes rurais quando os afazeres tomavam o seu dia-a-dia. É que minha mãe adoecera muito nova e era a minha avó que se sentia no dever de nos ajudar a todos.
Ainda lembro quando casei e fui para outra freguesia, de me dizerem, que ela ficava à janela na hora da urbana passar porque pensava que eu ia descer e voltar para casa, como sempre o fazia nos tempos de estudante.
Um dia, ela foi fazer-me uma visita, e única (que me lembre) à minha nova residência e ficámos o dia inteiro conversando e recordando coisas e ela queria rosas no meu jardim que estava despido de flores. Foram as rosas que vingaram durante uns tempos e eram a marca fiel deste encontro da avó com a neta. Foi então que me arrependi das vezes que a fizera sofrer (ou talvez não porque certamente entendia serem coisas de criança e jovem acorrentada às restrições de uma geração diferente) com as novidades que tentava a todo o custo implementar no seio familiar após ir tomando conhecimento da evolução do mundo para além do meu quarteirão.
Que pena que deixei de ser quem era e perdi aquele olhar azul que sempre dizia antes de deitar e levantar:
Com Deus me deito, com Deus me levanto, com amor e graça do Divino Espírito Santo...
Fim
A minha avó era uma senhora linda (e penso que nunca lho disse). Tinha uns olhos azuis, muito claros; um cabelo alvo ondulado encoberto por um lenço preto que carregava todas as suas memórias de lutos intermináveis; um terço velhinho de tanto contar Avé-Marias e rosários de alegrias e tristezas, de abalos e trovoadas, de ventos e calmarias, enfim, tudo o que a fazia ora chorar ora sorrir, mas sempre carregando a sua devoção a Deus e a Nossa Senhora dos Milagres. Sim, isso lhe talhava um sorriso grande e sincero. Tanto tinha de sorriso como de solitude. Era uma viúva sempre de preto ou preto e branco. Os aventais eram a sua peça fundamental por cima dos trajes rurais quando os afazeres tomavam o seu dia-a-dia. É que minha mãe adoecera muito nova e era a minha avó que se sentia no dever de nos ajudar a todos.
Ainda lembro quando casei e fui para outra freguesia, de me dizerem, que ela ficava à janela na hora da urbana passar porque pensava que eu ia descer e voltar para casa, como sempre o fazia nos tempos de estudante.
Um dia, ela foi fazer-me uma visita, e única (que me lembre) à minha nova residência e ficámos o dia inteiro conversando e recordando coisas e ela queria rosas no meu jardim que estava despido de flores. Foram as rosas que vingaram durante uns tempos e eram a marca fiel deste encontro da avó com a neta. Foi então que me arrependi das vezes que a fizera sofrer (ou talvez não porque certamente entendia serem coisas de criança e jovem acorrentada às restrições de uma geração diferente) com as novidades que tentava a todo o custo implementar no seio familiar após ir tomando conhecimento da evolução do mundo para além do meu quarteirão.
Que pena que deixei de ser quem era e perdi aquele olhar azul que sempre dizia antes de deitar e levantar:
Com Deus me deito, com Deus me levanto, com amor e graça do Divino Espírito Santo...
Fim
P.S. Tomei a decisão de não nomear nenhum bloguista em particular. Aquele que se sentir encorajado em seguir o desafio faça favor e deixe o seu link no comentário. Adoro surpresas e esta faz-nos reviver o passado.
Tal como frisei no blog referenciado, sinto-me feliz por ter conseguido recordar o passado por intermédio deste bloguista amigo, na véspera do meu benjamim fazer a sua Profissão de Fé. Deus continua o mesmo de sempre, eu é que mudei tanto...
Rosa Silva ("Azoriana")
Amiga.
ResponderEliminarA sua prosa poética delicia quem a lê.
E a sua humildade transcendente, espalha aos ventos para que se expanda entre os humanos, um humanismo redentor de muitas vaidades que por esse mundo se pavoneiam.
A história está um mimo, na exaltação das raízes que nos projectaram neste mundo.
Tudo de bom, amuga