Faz hoje 30 anos que faleceu o poeta, escritor e intelectual de origem açoriana que se destacou como romancista, autor de Mau Tempo no Canal, e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Na Wikipédia encontrarão muita informação sobre o génio terceirense da literatura portuguesa.
(...) " que os sinos tocassem o Aleluia em vez do dobre a finados" - de acordo com uma das suas últimas vontades.
E agora escolho um dos seus poemas:
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A concha
A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.
E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.
A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.
Vitorino Nemésio
Nota: Peço que me expliquem o nome que se dá ao estilo deste verso - "O sal que os santos esboroou nos nichos."
ResponderEliminarAmiguinha, esse senhor foi só uma das maiores cabecinhas intelectuais do seu tempo.
Uma devida homenagem prestada por si, a este grande SENHOR.
Uma linda semana
Bjinho amigo
Mario Rodrigues