«Chuva de rimas» - Azoriana e Cagarra

Como tudo começou:

1
A chuva que nos invade
Caindo em turbilhão
Não sei como é que há-de
Consolar esta ocasião.
2
Na rua e na minha alma
Caem versos em solitário
E p'ra vencer esta calma
Chovem ais neste diário.

27/11/2007
Azoriana

E assim continuou:

1ªs Cantigas: Da Cagarra

3
"Chovem ais neste diário"
Porque queria muito cantar?
Está a correr ao contrário
Sem ninguém a ripostar
4
Mas eu, de passagem
Por esta Ilha Terceira
Juntei palavras e coragem
Para dar resposta à maneira
5
Nestes dias que passam
Dois meses já lá vão
São tempos que esvoaçam
E fica a saudade no coração
6
Nova vida, trilhos que desconheço
Mas como guerreira que sou
Quero menos que mereço
E aventurar-me por aqui eu vou
7
Vou lançar-me ao mar
Sem promessa e sem jura
Ausente do medo de naufragar
E de cair em amargura
8
Quero dar sem receber
E preencher todo o vazio
Vou lutar contra o sofrer
E aquecer este teimoso frio.

29/11/2007
A Cagarra

1ª Resposta: Da Azoriana

9
À friorenta Cagarra
Agradeço sem demora
À boa quadra se agarra
E me visita nesta hora.
10
Visitante de viagem
Pela nossa ilha Terceira
E nas quadras de passagem
Vem a rica cantadeira.
11
O que faz cá pela ilha
A Cagarra amistosa?
Gosta e vejo que partilha
Os versos em vez de prosa.
12
Veio conhecer a saudade
Aprendeu a cá voltar
Nasce sempre amizade
Ao passar neste lugar.
13
E na secreta missiva
Planta o lado cantador
À luta não se esquiva
E ao mar encantador.
14
Nossa ilha tem mais encantos
Sabe dar e bem receber
Embrulhamos nossos prantos
Pra sorrir ao amanhecer.

Obrigada! Volte sempre.
29/11/2007
Azoriana

2ªs Cantigas - Da Cagarra

15
Há muito que conheço a Saudade
Fruto da distância e separação
Na vida temos de seguir a vontade
E partir ao serviço da vocação
16
Passagem me trás por cá
Mas estou a fazer que permaneça
Minha bagagem quero pousar já
E que este meu trabalho apareça
17
Meu "ilhéu" banhado por mar
É lindo por natureza
Praias, sol e bom ar
Esperam por si com certeza
18
Pouco tenho de Cantadeira
Sou alguém que canta a dor
Contagiada pela terceira
Terra de tanto Cantador
19
Vinda de outra até à sua Ilha
Trago em mim imensa amizade
Na união a essência da partilha
E talvez a suposta felicidade
20
O seu "volte sempre" agradeço
Gosto de me sentir Bem-Vinda
Vamos a ver se mereço
Sua hospitalidade tão linda
21
Quando eu tiver de parar
Por favor, avise-me logo
Será um pedido a respeitar
Porque é a dona deste blog.

30/11/2007
A Cagarra

2ª Resposta - Da Azoriana

22
Outrora uma revelação
Fez parar um bom rimar
Vou perder a tentação
De pedir p'ra se revelar.
23
Faço gosto na cantoria
Que corre e ao seu dispor
Canta-se em qualquer dia
Agora com mais fervor.
24
Siga a sua vocação
Por trilhos que acalenta
Na maior satisfação
E na forma que apresenta.
25
Espera felicidade
No mar, terra e ar,
Na ilha a amizade
Ocupa um bom lugar.
26
Seu trabalho de certeza
Merece a nossa atenção:
"Canta a dor" dá tristeza
De resto não faz menção.
27
Respeito a sua vontade
Gosto da sua presença,
E p'ra dizer a verdade
Peço que não seja doença.
28
"Volte Sempre" eu insisto,
Cante com grande emoção
Do Desafio não desisto
Rimar é minha vocação.

30/11/2007
Azoriana

3ªs Cantigas - Da Cagarra

29
Descansada pode ficar
Porque não é doentio
Inspira-me um bom rimar
Quando no interior há vazio
30
As palavras me confortam
E o gosto de escrever
São melodias que não voltam
E trazem sonhos ao entardecer
31
Nostalgia ao peito erguida
Coração sempre apaixonado
Desejo e vontade contida
Num presente quase passado
32
Mas deixemos de lamúrias
Para dar a si resposta
São pequenas luxúrias
De uma alma bem disposta
33
Eu fiquei sem saber
Se na minha ilha acertou
Não me deu a conhecer
Se sabe de onde sou
34
Uma coisa que me intriga
É que nunca mais postaram
Nem mais uma só cantiga
Os outros comentaram
35
Nem o "Galeriacores" nica,
Nem o "Ilhas" vem ao contrário,
Nem o "Ideias&Ideais" dá pica,
Como este pobre comentário?
36
Talvez me possa ensinar
Com experiente explicação
O modo de funcionar
Deste meio de comunicação.

3/12/2007
A Cagarra

3ª Resposta - Da Azoriana

37
Descansada já eu estou
E pronta p'ro desafio
Porque aqui nunca cantou
Cagarra com tanto brio.
38
Vou abrir a nova sala
Pra mudar os comentários
Porque agente não se cala
Enchendo estes diários.
39
Sua ilha eu não sei
'Inda não levantou o véu
Em Santa Maria pensei
Valha-me esta Mãe do Céu.
40
Para além desse "ilhéu"
Devem haver mais belezas
Vá tirando o chapéu
Para me dar mais certezas.
41
Sua alma é bem disposta
Inda me vai contagiar
"Cagarra" também aposta
Neste modo de blogar.
42
Se eu passar para artigo
As cantigas neste tom
Aposto que algum amigo
Vai comentar nosso dom.
43
Vou numerar as cantigas
Como fiz noutra ocasião
Estas linhas são amigas
São ecos d'inspiração.
44
Eu lhe posso ensinar
A blogar deste meu jeito
"O modo de funcionar"
Virá todo a preceito.
45
Um e-mail irá criar
Junto do SAPO amigo
E depois já pode entrar
Na edição de um artigo.
46
Pense um título p'ro blogue,
Seu rumo p'ra navegar
Depois disso então jogue
A rima nesse lugar.
47
Importa o endereço
Ser algo fácil e são
Depois eu já não esqueço
Far-se-á revelação.
48
Aconselho nome curto
De fácil memorização
De cantá-lo não me furto
Prestar-lhe-ei atenção.
49
Cagarra e Azoriana
Uma dupla imbatível
A rima já não engana
Faz a vida apetecível.
50
De mim sabe quase tudo
De si não sei quase nada...
Daqui até ao Entrudo
Saberei sua 'morada'?

3/12/2007
Azoriana

1 comentário:

  1. Quando há resposta dada
    Apresso-me em a ler
    E fico entusiasmada
    Pronta para responder

    Aumentaram as maravilhas
    De tanto cantar inspirado
    Com a companhia do "Ilhas"
    Isto fica ainda mais animado

    Mas isto hoje foi uma cruz
    Para eu entrar no desafio
    Com vários cortes de luz
    Complicou-me o envio

    Bingo! Santa Maria
    A ilha dos meus amores
    Aquela que foi um dia
    A porta aberta dos Açores

    Em Sta Maria nasci
    Em Sta Maria me criei
    E a maior dor que senti
    Foi no dia que a deixei

    Não vejo a hora a passar
    Com a pressa que eu queria
    Para a duas semanas chegar
    O dia de voar p'ra Sta Maria

    Os meus pensamentos se soltam
    Neste desejo sem vaidades
    Abraçar os que como eu voltam
    Uns dias a matar saudades

    Beijar irmãos, pai e mãe
    Porque para mim são aqueles
    Que sofreram tanto também
    Por estar jovem longe deles

    Tenho que me conformar
    Ao tempo tudo se habitua
    Pois se eu quiser trabalhar
    Tenho que vir para a rua

    Depois de tanto estudar
    O trabalho hoje é uma aposta
    Muito difícil de acertar
    A habilitação com o que se gosta

    O trabalho, a vocação
    À Terceira me trouxeram
    Não havendo outra colocação
    Aproveitei o que me deram

    É a mais comum história
    Duma jovem que quer vida activa
    Por enquanto é provisória
    Deus queira se torne definitiva

    Na minha terra por agora
    Hipóteses eu não terei
    Porque ainda não se labora
    A "especialidade" que tirei

    Ausente e com saudade tamanha
    Procura-se às vezes no computador
    Qualquer coisa que entretenha
    E encontrei suas rimas de valor

    Assim que marquei presença
    No blog com esta escrita
    Felizmente não foi por doença
    Mas por trabalho e de "visita"

    Se algum dia puder ficar
    Nesta terra (ou outra maior)
    Irei sempre lembrar
    Esta conversa no computador

    Também terei sempre presente
    Que em cada uma cantiga
    Deste meu tempo ausente
    Encontrei uma palavra amiga

    Oxalá possa continuar
    Esta conversa consigo
    Enquanto a rima faltar
    Isto será um porto de abrigo

    Só conheço de si ainda
    Que é Terceirense e que adora
    A Serreta, freguesia linda
    E Santuário de Nossa Senhora

    Perguntei aqui a uma pessoa
    Quem era a Trulú que estão falando
    Disseram-me que foi uma boa
    Artista improvisando

    Como disto eu nada sabia
    E é um tema de valor
    Quando fôr a Sta Maria
    Verei se temos algum Cantador.

    A Cagarra

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