O Natal
O Natal começa a doer-me e porquê?
Porque toda a gente, a partir de agora, entra no frenesim de comprar, comprar e falar do comprado. E eu? Vejo-me envolta só no espírito porque o resto está vazio.
Começo a não gostar do Outro espírito do natal que é exactamente o que eu não consigo exaltar. Não é inveja que eu sinto em relação à euforia dos outros, é tristeza pelo que a minha (euforia) se tornou: um frio de doer, um gelo inquebrável. E tenho de sair desta minha calamidade para que os meus filhos, e outras pessoas que me são queridas, não percebam o meu estado. Eu queria tanto dar-lhes alegrias neste Natal mas preferia o cheiro do Natal de outros tempos que se cingia a um presépio “vivo”, a uma melhor graça que até dava colorido divino às “leivas”, isto é, os verdes que eu ia apanhar aos valados das terras serretenses.
Hoje, não sei o que se passa, não sei o que me aconteceu, nem sei até quando isto vai durar… Só sei que não gosto destes natais de agora e muito menos da pobreza que vejo em mim e ao redor de mim, nas gentes que estão sem emprego, sem pão para dar aos filhos, sem roupa para vestir, sem sapatos para andar… Talvez esteja a exagerar, talvez esteja muita fria… Talvez um dia consiga um presépio dourado e aí não me sentirei nada melhor que hoje.
É dos pobres e dos que nada têm que Deus Adora e Ama, por isso, as minhas lágrimas quentinhas irão cobri-Lo todo na sua manjedoura para Ele ficar quentinho e assim suportarei os meus frios. É assim que eu vou viver o meu Natal.
Antes que chegue o dia da vinda do Menino Jesus estou a preparar-me para vos desejar as Boas Festas e também um Feliz Ano Novo pois apenas falta um mês e pouco mais para o levantar do pano neste palco imenso.
Que todos e as vossas famílias sorriem no Natal e se alguém derramar lágrimas que sejam quentinhas…
Feliz Natal hoje e sempre!
Sem comentários:
Enviar um comentário
Obrigada pela visita! Volte sempre!