Querida Rosa Maria,
Sinto-me muito grata pelo teu empenho em levar-me até a Serreta em setembro. Acompanhei passo a passo os teus esforços. Com a net isto torna-se fácil.
Fiquei deveras contente quando o amigo Paulo Cunha sugeriu a minha ida à Serreta para cantar o humilde hino com que homenageio a Nossa Senhora dos Milagres da Serreta durante o festejo de setembro. Igualmente me alegrei quando a Comissão da Festa aprovou o projeto. Mais feliz fiquei ainda quando a mãe do José Gabriel ofertou a sua casa para acolher-me, e José Arlindo e o Hélio Costa dispuseram-se a passear comigo e a mostrar-me a ilha.
Eu sou descendente de portugueses e por um ramo familiar, de açorianos mesmo.
Sempre amei Portugal como minha segunda pátria. Talvez isto se deva a força do sangue ancestral que me corre nas veias.
Quando comecei as minhas pesquisas sobre a origem açoriana de grande parte dos habitantes da Baixada Maranhense e comparei os costumes, vi que Açores era uma presença bem viva em nosso dia a dia, afinal, temos aqui também os trabalhos de tear, as rendas, os queijos, os doces de espécie, as touradas a corda, a viola terceirense, as procissões, as festas do Espírito Santo, de São João, Bailes de São Gonçalo, e tantas outras marcas culturais tão próprias daí, mormente da Terceira e de São Jorge, como certos vocábulos que somente são usados aí e aqui... Mas, foi quando vi fotos dos prados de hortênsia que me apaixonei de vez.
Então, já vês que ir até aí para cantar na festa, mesmo a título gracioso, seria para mim a realização de um sonho. Mas, no momento não posso custear isso. E vejo que tudo está muito difícil e complicado. Por isso, quero te pedir uma coisa. Pares com a campanha pela minha ida, pois agora já acho que não há mais tempo para fazer-se nada a contento.
Por Nossa Senhora, para louvá-la com a minha voz, para agradecer-lhe e divulgar a graça por mim recebida, bem como para conhecer essa linda ilha de onde vieram alguns dos meus ancestrais, para estar com os terceirenses, eu estava disposta a cancelar meus compromissos e afazeres aqui, e até a faltar ao trabalho. Por Ela qualquer compromisso ficaria para depois.
Já havia até mesmo negociado dias de trabalho com outros colegas e providenciado quem me substituísse em algumas audiências marcadas para setembro, pois, como sabes, sou advogada e estou recomeçando a trabalhar em minha profissão.
Entretanto, a demora da resposta aos teus apelos, o silêncio dos agentes governamentais no que toca ao patrocínio da passagem, são como que a confirmação de que ainda não é a hora da minha ida à Serreta.
Se eu dispusesse de recursos neste momento, custearia a viagem e estadia do meu próprio bolso, sem pena, para honra e glória de Nossa Senhora e alegria minha.
Mas, agora não tenho condições para tal, pois que, por problemas de saúde, passei cinco longos anos sem poder trabalhar. E não quero causar sacrifícios para ninguém.
Entretanto, Rosa, não deves ficar triste, tudo acontece na hora certa, e um dia, estarei sim, ao teu lado na Serreta glorificando Nossa Senhora dos Milagres.
Agradeças por mim ao Mário, ao José Gabriel, ao José Arlindo. Agradeças à mãe do José Gabriel pela generosidade de oferecer-se a hospedar-me; ao membro da comissão das festas e ao Presidente da Junta de Freguesia pelos esforços empreendidos neste nosso projeto de melhor glorificarmos a Mãe do Céu. Agradeças ao Jorge Gonçalves, da Graciosa, que se mostrou muito empenhado em chamar a atenção das autoridades com suas publicações e comentários da importância para os devotos da Santa Mãe de Jesus em abrilhantar ainda mais o seu festejo, e também à Chica Ilhéu e o Luís Nunes por suas intenções em formarem uma "comissão" de boas vindas.
Senti-me acolhida pelos terceirenses através do carinho teu e destas pessoas tão gentis.
Que Deus vos abençoe pela generosidade!
Espero que muito brevemente Jesus e Nossa Senhora dos Milagres me concedam a bênção de poder ir até vós e ao santuário da nossa Mãe.
Um abraço a todos e um beijo no teu coração, desta tua amiga
Gracilene do Rosário Pinto
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Publico na íntegra uma carta URGENTE (17:55)
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Linda e sentida carta!
ResponderEliminarQue pesar sinto...mas acho que ela está com a razão. Parar por aqui, pois o tempo urge, e se não deram resposta até agora, já não o fazem.
Mas digo-te: Grande falta de educação e de protocolo. Toda a carta merece resposta!
É como a Gracilene diz: -Ainda não chegou a hora de ela vir à Serreta...
Continuemos a pedir à Senhora dos Milagres com fervor e é...talvez um dia mais tarde se realize este Sonho, que já é de muitos.
Beijos
Chicailheu
Li a carta da Gracilene e devo dizer que fico triste com a decisão tomada mas, por outro lado, sei que ela agiu bem e está a ser realista. Partilho integralmente do mesmo ponto de vista do comentador anterior. A falta de protocolo e insensibilidade humana por parte das entidades regionais sobre esta matéria deixa-me verdadeiramente desolado e sem palavras adequadas que possam de alguma forma expressar a minha pena e solidariedade.
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