| (1-rosquilha na pá-1977) | (2-massa no forno de lenha-1977) |
(3-massa-sovada untada com manteiga-1977) |
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Ainda sou do tempo...
Há muitos anos, no tempo que eu era menina, tivemos a visita de uns primos vindos da América. O trabalho redobrou para os meus familiares, mas a felicidade foi tal que houve até massa-sovada, para todos.
A mestra da massa-sovada era a minha avó. Ela tinha uma paciência, sabedoria e delicadeza, diria até, um amor a esta arte. Sim, trata-se de uma arte culinária especial. Dava gosto ver as suas mãos, calejadas, a preparar as folhas de jarroca onde acomodava a rosquilha (1) que era talhada com todo o pormenor. Ela não admitia falhas nesta operação delicada.
Depois de ir para o forno, ela ficava atenta para não passar do ponto, isto é, a massa tinha de ficar cozida e ao mesmo tempo com uma cor suave apetecível (2) e o solo muito bem rendilhado. Era um desgosto se alguma fugia a esta regra.
Com a pá, tirava-se a massa-sovada do forno e dispunha-se em cima de mesas para ser untada com manteiga. Para esta nova operação, utilizavam-se uns pedaços de pano, alvo de neve, recheados com bocados de manteiga que, ao tocar a massa quente, derretia e dava a cor envernizada às rosquilhas, brindeiras e bolos de massa-sovada (3). Lembro-me perfeitamente do cheiro delicioso que emanava das mesas. Nesta ocasião, eu era assídua à prova de um naco do bolo que a minha avó decidia ser o primeiro a ser partido. Geralmente era o que, no entender dela, tinha algum pequeno defeito. Escusado será referir que eu não notava qualquer defeito: deliciava-me com aquelas provas quentinhas e muito gostosas.
Infelizmente, não herdei esta arte, mas há na família quem a herdou e continua a encantar com seus dotes culinários.
Na freguesia da Serreta, da ilha Terceira, há artes culinárias que ficarão na história, nem que seja na minha história e que jamais esquecerei.
Como era lindo o sorriso da minha avó... Ela sorria para a sua arte. Que saudade! Ainda bem que encontrei esta recordação, pese embora desbotada pela humidade muito característica desta freguesia.
Ainda sou do tempo... Mas este não volta mais... Apenas a doce miragem.
Rosa Silva ("Azoriana")
Azoriana, eu também sou do tempo... em que no norte da Madeira mais propriamente em S. Vicente as minhas tias faziam precisamente esse tipo de pão caseiro no forno a lenha e a que nós, eu e os meus irmãos chamávamos de "pão doce". Só não sei se os ingredientes eram os mesmos mas o aspecto era tal e qual esse que mostras nessas fotos. O seu interior era amarelo parecendo pão de gema de ovo. Essa tradição perdeu-se na minha família pois vivendo no Funchal recorreram sempre ao pão normal das padarias infelizmente! Saudações blogosféricas.
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