Sensibilidade



Escondi a sensibilidade no cinzento da bruma
desfraldei os sentidos
nas vagas de um mar de silêncios
deixei-me quedar no espaço
entre aqui e o além.

Orei no deserto das palavras
calcorrei na areia do meu corpo
deixei o olhar preso numa gota de orvalho
e apenas vi
palavras escritas
nas palmas da mão do vento.

Ofereço-te
nada do que escrevo é meu
mas sim pertença de almas despertas
no regaço da palavra.

Eu ofereço-te uma rosa limpa
para a depores no altar da vida
percorre o pó de onde vieste
mas não deixes os espinhos presos
na cintura da tua alma.

Chora!
assim baixo
como os trinados da guitarra
deixa que da tua alma se soltem os murmúrios
que só tu conheces
deixa que o mar toque as margens do teu corpo
te beije a alma
te lave as chagas
e só depois
caminha
porque para além dessa linha
há um mundo que te espera
e uma voz que te diz
solta as palavras
que te beijam a alma.

© E. Vieira

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