Paraíso insular
Cantiga de maresia
No Caldeirão ao luar
Corvino de poesia.
Capital de um concelho
De uma mesma freguesia
Que se vê ao espelho
Das Flores que aprecia.
E tem uma só matriz
De todos a Virgem Mãe;
Tem padroeira feliz
À que na Serreta tem.
De habitantes em suma
Contam menos de quinhentos
Tal como a terra bruma
Onde tive os aposentos.
Rosa Silva ("Azoriana")
Corvo, ilha ave
Sonhar...
Na Serreta eu me criei
E voltava com vontade
Se trocasse o que herdei
Bem mais perto da cidade.
Um teto vale o que vale
Sobretudo na lembrança
Para mim é um postal
Dos meus tempos de criança.
Em S. Carlos vivo agora
E não me sinto de lá...
Voltava a "Nossa Senhora"
Mas não sei se ainda dá.
Tanto penso numa casa
Com vista p'ró oceano
Onde a paz não se atrasa
No verde quotidiano.
Rosa Silva ("Azoriana")
Jose Avila e a Cultura
Mote:
Sua casa é um museu
Com a arte em figura
Tudo aquilo que é seu
É um Fundo da Cultura!
Glosa:
Aprecio tantos valores
Que alguém os concebeu
Porque conheço as cores
Sua casa é um museu
Não importa o que eu diga
Mas o digo com ternura
É tema para um cantiga
Com a arte em figura
A sorte seja a dobrar
Na glosa do verso meu
Com o mote a encimar
Tudo aquilo que é seu
E quando daqui se for
Tudo chega a essa altura
Digo com terno fulgor:
É um Fundo da Cultura!
24/01/2022
Rosa Silva ("Azoriana")
P. S. Inspirada na imagem publicada por Jose Avila.
Recordação
Mãe hoje te agradeço
Tanta inspiração
É sempre um recomeço
A parte do refrão
É hora de o povo ler
O que quiseste ter
Como recordação.
Mãe se é despedida
Das letras lilases
Zela pela vida
Das odes que fazes
Assim, ficará na luz,
A Mãe que te seduz
Em versos eficazes.
Mãe não deixes ruir
Numa prateleira
O que te quis construir
Para a vida inteira
Além dele ser teu
O livro fez-se meu
Da Serreta e Terceira.
Refrão
Veio, veio para mim
Porque a rima é sim
Uma liberdade.
Que a edição termine
E o mundo domine:
Fé, força e amizade!
16/01/2022
Rosa Silva ("Azoriana")
Postal da Mata
Foste para aqui chamado
Fontanário de gosto
Lembra a Ponta do Queimado
Que no mar está deposto.
Tua forma original
Que dizem do Posto Santo
Torna a Mata um local
Que me atrai com espanto.
És leme da natureza
Da água um paraíso
Património de beleza
Que respira o improviso.
És do olhar pedestal,
És do sonho pedra-arte,
És da Mata o postal
Que tanta gente reparte.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: inspirada numa foto da autoria de Eduardo Costa Costinha