Sem autocuidado

Não me conhecem avulsa
Nem de xaile transparente,
Nem em rama que expulsa
O que não se vê ardente.
Ardente são as fogueiras,
Com o fogo enaltecido,
Que, de todas as maneiras,
Tem desejo apetecido.
Nesta luta em surdina,
Para quem vê, sem ouvir,
Borda sempre uma doutrina,
Bem difícil de seguir.
Quero vales e rochedos,
Quero mãos entrelaçadas,
Quero ricos arvoredos,
Nas paredes e nas salas.
Quero a barra do meu ser,
Vestida de Amor inteiro,
Sem que alguém possa ver
A saudade do nevoeiro.
Rosa Silva ("Azoriana")

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