Vem Amigo! (Para Euclides Álvares & seguidores)

Caro Amigo emigrante,
Que de nós 'inda recordas,
Nessa terra tão distante
Onde mais cedo acordas.

Quero pedir com afinco,
De voltares ao teu lar,
Em dois mil e vinte cinco
Vem a tempo de louvar.

Louvar quem te deu o ser,
Quem um dia te chorou,
E quem havia de ver
A beleza que gerou.

És belo de coração,
Quando abres tua alma,
E quando apertas a mão
A quem teu choro acalma.

Vem Amigo, vem!
À ilha da cortesia,
Vem Amigo, vem!
À Terceira d'Alegria!

Rosa Silva ("Azoriana")

E agora? Talvez um fado? O Amor

O amor não se dissolve
No rosto da alegria
E tantas vezes se resolve
Com a graça de um dia.

Já tanto Amor cantei
Sem abrir a voz ao mundo
E dos olhos derramei
Tanta palavra sem fundo.

Tanta vida por viver
Tanto sol de encontro à lua
Tanto que eu queria ver
Se teu Amor continua
Ninguém sabe podem crer
Nem precisa de saber
Da vida que não é sua.

Rosa Silva ("Azoriana")

Uma questão de sorriso (ou ainda não)

Em plena Praça Velha
Sentada no banco primeiro
Nada comigo se assemelha
Nem "polícia sinaleiro".

Anos da minha afilhada
Marca um dia diferente
Antes estava desdentada
Agora já vejo o dente.

Tanto tempo sem os ter
Que a gengiva foi penando
Agora só de os ver...
Até me estou estranhando.

Oxalá que eu continue
A sorrir como sorria
E que a eles me habitue
E ter maior alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")

Os preparos da Função

Muito se come por cá
À hora da refeição...
Ai o trabalho que dá
Os preparos da Função!

Se há coisa que se gosta
É mexer em carne e pão...
E para a família Costa
Faz parte da tradição.

Neste ano e com afinco
Me consolo em ajudar,
Maio, dois mil vinte cinco,
Faço por bem lhes rimar.

A rima é uma semente
Que germina desde o peito
Não agrada a toda a gente
Mas em alguém faz efeito.

Que alguém hoje me cante
Se eu cantar de alegria
E de hoje em diante
Dê asas à cantoria.

A cantar o que nos vem
Com ares de improviso
Porque o canto nos faz bem
E o serão se faz em riso.

Rosa Silva ("Azoriana")

Jardim do Duque e de Garrett

A Paz é fita em dueto
Fita azul e amarela
Só assim eu gosto dela
Porque o verde é soneto.

Pombas há neste quarteto
Gritos de criança bela
Que não é a Cinderela
Só que é livre - amuleto!

Quem pudesse ser a boda
Das rosas da gente toda
Que florescem quase em suma...

Quem pudesse moldurar
A beleza deste olhar
À proa da minha bruma.

Rosa Silva ("Azoriana")

No amor

Tenho suspensos ideais
Prisioneira dos diferentes
Para tantos são normais
Para mim... bravos e carentes.

Tive crises de ciúme
Que aprendi a não ter
Eram dilema e queixume
Que turvam o bom viver.

Aprendi que ao luar
Se aquece a paciência
E na mudança de lar
Há nova sobrevivência.

É ser ilha altruísta
Pousada num oceano
Que a verve se conquista
Com o timbre açoriano.

Ser quadra em ovação
Ser verso é tudo ser
É perfil da Região
Que amei do berço ter.

É milagre em floreado,
Do retábulo insular,
À Mãe do Santo sagrado,
Que abençoa cada altar.

É ter o céu e a terra,
Unidos em tom de anil,
É bordar a bruma da serra
Na manhã primaveril.

É Amor?! É sim senhor!
É alma plo corpo fora,
É saber que é por Amor,
O Amor que louvo agora!

Rosa Silva ("Azoriana")

Dia de chuva, mas com luva...

Agradeço, reconhecida,
Pela via que é global,
Por ter ganho hoje vida
E limpeza do quintal.

A chuva estava teimosa,
Mas teimosa também sou,
Ou eu não me chame Rosa,
Desde que o nome ficou.

Antes foi tal acartar,
Para ficar mais a jeito,
Depois da Câmara contactar
Fizeram final perfeito.

Posso agora descansar,
Não vem mal algum por isso...
Dois homens quero louvar,
Por fazerem bom serviço!

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: não referi nomes porque não soube, mas eles [dois] sabem quem são, inclusive quem coordena ou rege a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo . Mais uma vez, muito obrigada.

Ao Carlos Leal Kalkitos

Olá! Vou-te dizer agora
Com um verso sorridente
Para ti que estás fora
Podes vir ter com a gente.

Recebemos com carinho,
Como se parente fosse:
Temos carne, pão e vinho,
Temos massa e arroz doce.

Temos Coroas no altar,
Na casa da mordomia,
Podes também colaborar
Com trabalho por um dia.

E lavar louça e talheres,
Copos, jarros e travessas,
Não fazes se não quiseres,
Mas ajudas as promessas.

Quem promete ter o Divino,
Com Bandeira, Cetro e Coroa,
Dá foguete e ouve o Sino,
Serve a Terceira Pessoa!

Pai, Filho, Esp'rito Santo,
A Santíssima Trindade,
Quem reza, reduz o pranto,
Por inteiro ou por metade.

Rosa Silva ("Azoriana")

Carla Félix

Carla Félix

A poetisa do mar
Do oceano de linhas
A marulhar.

Uma donzela no ser
Sereia de escrever
Ao colo da maresia
As vagas da Poesia!

Beijinho

Rosa Silva ("Azoriana")

Coração dos Barcos (ao luar do Padroeiro)

É assim que eu te vejo
Longe e perto tanta vez
Coração de maio mês
E da cor do meu desejo.

Dos Barcos és bom ensejo,
Coração que sai e vês,
Pela costa do teu freguês,
Santo Amaro que eu beijo.

Sim! Vives à tona da costa,
Para chamar o que gosta,
Do calor do teu estaleiro.

Porém, gosto mais de ti,
Desde o tempo que te vi,
Ao luar do Padroeiro!

Rosa Silva ("Azoriana")

Terceira, ilha de afeto

Já iniciei a estatística das melodias de Joe Fagundes , o acordeonista fiel à sua origem serretense, cuja ligação permanece nos legados autodidatas musicais.


Terceira, ilha de afeto

Um ouvido como o teu
Da pauta nem se abeira;
Com a graça do que é seu
Teve berço na Terceira.

E não canto mais que isto
Por ser da mesma maneira:
Somos da ilha de Cristo
Cujo nome foi Terceira.

Junto o seio regional
Nosso mote predileto:
Terceira de Portugal
Primeira do nosso afeto (bis).

Rosa Silva ("Azoriana")

Tourada e tradição

Quando vires uma placa
Num poste a identificar
O toiro (não uma vaca)
Pensa bem alto ficar.

Quando ouvires um estoiro
Do foguete a alertar
Indica que o bravo toiro
Na rua vais encontrar.

Fica em paredes altas,
À frente, se vê melhor,
Mas vê lá se tu não saltas
Pois a corda é bem pior.

Quando termina a corrida
Dois estoiros vais ouvir
A corda foi recolhida
E a porta fecha a seguir.

O toiro fica trancado,
Pode agora descansar
Depois de desembolado
Nenhum mal irá causar.

São quatro da mesma forma,
Grande pausa, no segundo,
Sempre foi assim a norma,
Pra se ver o copo a fundo.

Se comes, bebes igual,
Pra renovar energia,
E seguires o arraial
Até quase ao fim do dia.

Ó que maravilha é esta!
Dito assim e com razão:
Viva, viva a Brava Festa,
Viva, viva a Tradição!

Rosa Silva ("Azoriana")

Poema de prova... e dentição!

Nem tudo é fácil quando os dentes vão à segunda volta…
Mas se a boca reclama, o coração rima - e lá se vai sorrindo, mesmo quando o espelho nos desafia!
Partilho convosco este desabafo rimado, com humor e verdade.
Porque rir de nós é uma arte... e escrever também consola.
👇 Leiam, sintam, comentem - vale para todas as idades!
(Com carinho de quem ainda acredita no dentista e no poema!):


Boa tarde para quem a tiver
Com chuva ou águas correntes
Venha de lá o que vier
O pior é não ter dentes.

A idade não nos renova
Digo isto muito a sério
Fui hoje à segunda prova
Dos dentes... ai tal mistério!

Se a alguém pedir conselho
Natural é não o ter
Os dentes vi ao espelho
Mais valia não os ver.

É diferente a sensação
Da boca estar muito cheia
E a nova dentição
Nos lados até escasseia.

Falta osso para aguentar:
Está raso, diz o dentista,
E quando manda trincar
Só na frente é que faz vista.

E agora vem novo dia
Para a prova renovada...
Ó meu Deus, como temia,
Ficar velha desdentada.

Não vale é ser pessimista
Num dia de chuva assim
Vou ter fé no meu dentista
Pra não desgostar de mim.

A culpa não vai ser dele,
Porque faz tudo por bem,
Nem sequer deste ou aquele
É minha e de mais ninguém.

Tivesse eu tratado bem
Os dentes originais
São os bens que gente tem
E valem cada vez mais.

Não importa o que se diga
Tem de ser é a verdade
Tudo serve de cantiga
Pra lembrete da saudade.

Rosa Silva ("Azoriana")

Matilde

Coroa a segunda vez
Aos três anos de idade
Manteve a serenidade
Que lindo trabalho fez.

No semblante e sua tez
Há doçura e humildade
Toda ela é, na verdade,
A resposta, sem porquês.

Vossa filha, minha neta,
Sempre atenta e discreta,
Tão feliz na Coroação.

Quem a Coroa aprecia
Ao bom Deus dá alegria
Recebe a sua bênção.

Rosa Silva ("Azoriana")

Pontificados desde o meu nascimento (1964)

Paulo VI (1963-1978) - Já era Papa.
João Paulo I (1978) - Foi Papa por apenas 33 dias.
João Paulo II (1978-2005) - Um dos pontificados mais longos da história.
Bento XVI (2005-2013) - Renunciou ao cargo, algo raro na história da Igreja.
Francisco (2013-2025) - O Papa Francisco faleceu no dia 21 de abril de 2025, aos 88 anos, na sua residência na Casa Santa Marta, no Vaticano. A causa oficial da morte foi um acidente vascular cerebral (AVC) seguido de insuficiência cardíaca, segundo fontes na internet.
"Com o seu falecimento, a Igreja Católica entrou no período de sede vacante, e o conclave para eleger o novo Papa teve início em 7 de maio de 2025.
O Papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio, foi o primeiro pontífice latino-americano e liderou a Igreja Católica desde 2013. Seu legado inclui uma ênfase na humildade, justiça social e diálogo inter-religioso. Foi sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, conforme seu desejo, em uma cerimónia simples, refletindo seu estilo de vida modesto."

Celebração do 19.º Aniversário do Santuário Diocesano de Nossa Senhora dos Milagres - Serreta

Hoje, 7 de maio de 2025, a freguesia da minha alma celebra com fé e emoção o 19.º aniversário do Santuário Diocesano dedicado à Virgem dos Milagres, nossa Mãe e Protetora. Em honra deste dia especial, deixo um sonetilho que brotou do coração, como prece e homenagem - um pequeno altar de palavras para a Santa da minha terra.
Imagem: igrejaacores.pt/Serreta-12_25


Sonetilho ao 19.º Aniversário do
Santuário Diocesano de Nossa Senhora dos Milagres - Serreta

Peregrinos em Romaria
Foram dextros na contagem
Ao serviço e homenagem
Da Virgem Santa Maria.

Eis que chega novo dia
De rever a Sua Imagem
Munidos de sã coragem
Partilhar da Eucaristia.

É no Templo do Amor
Que graça a Santa da Flor
Com título adequado.

Dos Milagres sempre foi
E do Filho, nosso herói:
O Seu Filho muito Amado.

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: A Virgem, conhecida por muitos como "Santa da Flor", segura um raminho de flor de laranjeira na mão - símbolo de pureza e espiritualidade, presente também nas Coroas do Divino Espírito Santo.

Versos ao cair da noite, num sofá ilhéu

☆☆
A noite vai subindo a ladeira
Trazendo a escuridão consigo
É assim que a bel’ilha Terceira
Se despede do dia amigo.
☆☆
Minha quadra na serenidade,
Traz consigo bom "adeus" ao dia,
Tarde taurina festividade,
Após Coroação da empatia.
☆☆
No sofá - minha pacata sala,
Vai crescendo cada quadra viva,
"Direto" com tourada de gala,
De Bruno Rocha que nos incentiva.
☆☆
No fim, dedico as três quadras feitas,
Sem pensar em terem introdução,
Somente assim, elas estão sujeitas,
À prova da brava população.

Rosa Silva ("Azoriana")

Mãe é Celebração

Mãe é colo que te ampara,
Mesmo quando está cansada.
É quem dá justiça rara,
É abrigo, é madrugada.

Mãe é prece que declara
O Amor, sem dizer nada,
De forma simples e clara
Como a Estrela bordada.

No silêncio do seu dia,
Tanto choro e tanta alegria,
São a luz do seu condão.

Pode ser de sangue ou alma,
Mãe é milagre que acalma
E se dá em celebração.

Feliz Dia da Mãe!

Rosa Silva ("Azoriana")

Sábado do "Picado" - Preparando a Coroação

Hoje é sábado do "picado" - que até rima com pecado -, mas aqui não se peca: apenas se prepara a carne picada, com o coração do animal bovino, para a Função de amanhã, domingo de excelência da Coroação de família, com convidados e amigos de H&J.
Tudo é planeado e executado com abundância de mãos ativas. A juventude impera: nas conversas, nas gargalhadas, nas tarefas partilhadas. Cresce a Amizade, enraizada no serviço em nome do Divino Espírito Santo.
Deus está no comando!
Ele planta em nós um olhar radiante, uma amizade importante. E mesmo que haja uma zanga breve, ela dissolve-se quando nos recordamos: Cristo está no meio de nós!
Quadra inspirada no momento:


Que se quer mais do que isto?
Como fazer de outra forma?
Bem-haja a Jesus Cristo
Que jamais se mude a norma.

A norma do Cristianismo
Existe em nome da Paz,
E a graça do lirismo
É somente pra quem faz.

E o Amor onde andará
Estará também presente?
Sim! Claro que Ele está cá
No palacete da gente!

E não há grande mistério,
Porque o Mistério é comum,
No Cantinho, no seu Império,
O seu canto é apenas Um!

Glória a Deus nas Alturas!
Pai Nosso que estás no Céu!
Abençoai as criaturas,
Abençoai o Povo Ilhéu!

Rosa Silva ("Azoriana")

Briança (ou Pezinho) - Cantinho 01/05/2025

O Pezinho [ou a Briança]
É ponto forte de união
Produz sorrisos e alcança
Rimas da nossa devoção.

Há o perfume de carinho,
Há a taça da amizade,
E no Império do Cantinho,
Há a Santíssima Trindade.

Rosa Silva ("Azoriana")

Briança à moda da Serreta da ilha Terceira, Açores

Hoje foi dia da Briança
Que conhecem como Pezinho
E fui cantar com confiança
Junto ao Eliseu pelo caminho.

Artur Miranda e Valentim,
Tiveram sempre ao nosso lado,
Oxalá fosse sempre assim
Doravante canto animado.

Do José Ivo e da Humberta,
E do Saulo, meu afilhado,
Qualquer musa fica desperta
E rima com o maior agrado.

Este registo fica feito,
E estou risonha de carinho,
Meu canto pode nem ser perfeito,
Mas tem garantia no Cantinho.

Rosa Silva ("Azoriana")

Dia do trabalhador 2025

Não é dia de trabalho
Mas é do Trabalhador
Não fiz nenhum "espantalho"
Mas cá dentro é promissor.

Vejam só a rapariga
Que engendrou a folia
Mesmo sem fazer cantiga
Já me fez gaitadaria.

Minha neta tem mania
De usar sempre a saia
E a avó Rosa Maria
De costureira ensaia.

Faz parte de meninice
Dar a boa educação
Por vezes uma tolice
Afina a recordação.

E aos pais digo agora:
Deixem os filhos felizes,
Quando a avó se for embora
Melhor lembram das raízes.

A raiz da minha infância,
Com minha avó eu a tive,
Não lhe dava importância
Porém, em mim sobrevive.

Reza a história também
De quem não viu avós
A falta que deles têm
Surge quando estão sós.

E olham para os demais
Brincando como petizes...
Que até parecem iguais
Ao tempo de aprendizes.

Rosa Silva ("Azoriana")