No conforto de rimar
Entra o consolo da paz
Sinto que estou a voar
Na ode que sou capaz.
Bendita e louvada seja
A grande inspiração
A alguns ela sobeja
A outros nem faz pensão.
Não se lese nem reprima
Quem faz da ode seu canto
Nem quem eleva a rima
Ao altar que nem é santo.
Pode haver outro caminho
Pode haver outro pensar...
Voar sem sair do ninho,
Só nas asas de rimar.
Rosa Silva ("Azoriana")
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Asas de rimar
A Verdade
Matilde era o alto coro
De chamar por tantas vezes
Lembro mais dos seus revezes
E do riso, seu tesouro.
*
Matilde em tom sonoro
Redobra em novos meses
É dito por portugueses
É um nome que decoro.
*
Matilde digo a verdade,
Preciso pedir perdão,
Por não ter cuidado mais.
*
Matilde é eternidade
É estrela, é meu cordão,
É Luz de versos jograis.
*
Rosa Silva (“Azoriana”)
Quero que a Matilde seja...

Sempre o Amor da avó,
Rosa... sim, que neta queria,
Em vontade não está só,
E que a vida lhe sorria.
Matilde Alexandra é
O reviver de outra era
Na paz de nova maré
E na flor de primavera.
O meu Amor por ela é tal
Que nem se pode descrever
É como voltar a ter igual
O colo onde vi a mãe crescer.
Aqui reside o que irás ler
Na tela de Amor tecida
Porque assim tenho prazer
De deixar o poema em vida.
Rosa Silva ("Azoriana")
Estamos perto...
É tão simples e linear
Projeto de pouca monta
Apenas para que o meu lar
Tenha Deus em boa conta.
Que o Natal seja a rodos
Uma linha de esperança
E que traga para todos,
Uma maior confiança.
Sejam felizes a eito
Sem a descriminação
E que produza efeito
A quem governa a Nação.
Para bom contentamento
Saúde e satisfação
Que se dê a todo o momento
Um abraço de irmão.
E abraços mando agora
Para quem me quiser bem
E o dobro sem demora
Para outros que invés tem.
Creio na Virgem Maria,
Em José e Deus Menino,
E creio que chegue o dia
Do Bem ter o são destino.
Rosa Silva ("Azoriana")
Letra sem papel
Cai-me a alma da letra
Tão vazia de papiro
Parei... ó mas que tetra!
Sem papel já me admiro...
Se me faltar douta via
Como esta que aqui vedes
Manca fica ode-mania
De letrar por estas redes.
Quem, sem a letra de brio,
For registo oxigenado,
Nem sabe se conseguiu
Que ele seja folheado.
Porque livro, meus amores,
É a letra coroada,
Com a alma dos Açores,
Ao sabor do cais talhada.
Rosa Silva ("Azoriana")
A corrida sobre o tempo

Se vos digo, nem vos minto,
Que a vida é contratempo;
Hoje, aqui, neste recinto,
Amanhã vamos no tempo.
O tempo?! Só ele fica,
À margem de todos nós,
Porque não se identifica
Se é vida curta ou veloz.
Só os que estão na real
Calculam cada distância;
A idade temporal
Só começa na infância.
Ao tempo se dá afeto
Quer acreditem ou não,
O tempo nasce com o feto
Que surge do embrião.
Rosa Silva ("Azoriana")
Foto: Rosa Silva (nem sei com que idade).
Criada na ilusão (uma obra que podia ser de arte)
Olho os prados circundantes
Na mira de bandos sóis,
Como se fossem viajantes
Os olhos de girassóis.
*
Nascida em berço cru
No alto cimo do mar
Onde o rosto vem a nu
E o corpo a soluçar.
*
Canto de serra entoado
(Só tu me dizias ter)
Valsa de sol temperado
Sem o mundo puder ver.
*
Na tela, sonho de couro,
Ternura de mansidão,
Sou museu, tecido de ouro
Criada fui na ilusão.
*
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: sonho por um desenho de artista, cuja arte seja a vista. A propósito de uns livros de arte, lindos, lindos, de muito valor, que me foram oferecidos.
Os lados da Fé

Sorridente a Virgem Mãe,
Destra, que é à direita,
Mais triste é o que advém,
Da esquerda, que é feita.
Já vos disse em outra hora
Deste dueto que vejo
A nossa linda Senhora
Renasce com novo ensejo.
Mas o Rosto não se pode
Refazer de outra maneira
Porque nasceu para ode
Dos que chama à sua beira.
Tanto se vai agradecer
Uma graça alcançada;
Mas se triste lhe parecer
Deve a oração dobrada.
Rosa Silva ("Azoriana")
Festiva

Ornamento da mesa do jantar de S. Martinho, no Império do Cantinho, da Vila de São Mateus da Calheta
Minha ilha que te enfeitas
De multi festividade
E que te levantas e deitas
Sem dormir quase metade.
Minha ilha tão divertida
De vozes bem entoadas
Que partilhas destemida
O labor das madrugadas.
Digo minha, mas és nossa,
És mesmo de toda a gente,
E linda para que possa
Ser um lar alegre e quente.
A ilha é e com razão
Valsa de duas cidades
Terceira é um coração
É flor de festividades.
Rosa Silva ("Azoriana")
09/11/2024. O desenho da neta


Dia da pintura feita pela minha neta, exposta na parede do meu quarto preferido.
Ficou tão feliz com a ideia da avó que até deu pulos de contente.
Com tanto que a gente quer
Tão pouco há para dar
Mas no traço que se fizer
Há tanto amor singular.
Beijos, Matilde Alexandra, amor da avó Rosa.
Arte visual
Poderia ser tão bela
A "menina dos meus olhos"
Para ver através dela
A beleza dos teus folhos.
*
Folhos de água e de luz,
Cor de pele e tom de rosas,
Que a miragem conduz
A valas maravilhosas.
*
Tens no olhar um queixume,
Com nuance dos cabelos,
Que me fere quase a lume
O sonho [em atropelos].
*
Não me olhes com desdém
Porque de ti não desdenho...
Fala mais aquele que tem
Do que eu que não te tenho.
*
Rosa Silva ("Azoriana")

Quem tivesse...

Quem tivesse a nobre sorte
De me ver antes da morte
Em lugares passageiros:
Sair numa asa branca
Nem que fosse de tamanca
Sem lugar para ponteiros.
**
Vestir a alma de festa
Que a hora já se apresta
Para ser o que então sou:
Uma mulher sonhadora,
De mais versos fundadora,
Profecia do avô.
**
Manuel Gonçalves Correia,
Que me ouviu volta-e-meia,
No choro des(afinado):
Certamente não pensou
Na volta que ele levou...
Condão de me ter amado.
**
Venha daí quem quiser
Ter a rima da mulher
No invólucro renhido,
Há de haver quem já consiga
Ter uma tela amiga
Com traço de Amor tecido.
**
Rosa Silva ("Azoriana")
Parabéns, Saul Vicente!
Hoje é do Saul Vicente
Melo, tem de apelido,
Que celebre bem contente
O dia de ter nascido.
Quem nasce na terra mãe
A leva consigo ao peito
Quando volta sabe bem
Que é seu amor-perfeito.
Mas se a volta não dá
Nem pode fazê-la agora
Que festeje o Canadá
Pela sua vida fora.
Canadá a nova terra,
Que floresce sua vida,
Normalmente não encerra
Terceira, terra querida.
Rosa Silva ("Azoriana")
O Amor é tão difícil
Nada na vida é eterno
Nem eterno é o Amor
Mesmo que se ande terno
Por vezes falta o humor.
*
Há quem passe toda a vida
A voar no pensamento
Sonha com palavra querida
Mas no real é cinzento.
*
As cores que são mais quentes
Encobrem sempre as frias;
Não basta ser sorridentes
Para fingir-se alegrias.
*
Difícil é a gente rir
Quando o choro transparece
Mais tarde vão descobrir
Que a noite nos amanhece.
*
Tentemos manifestar
O condão de ser verdade
Mesmo que seja a chorar
De alegria pla amizade.
*
A amizade duradoura
Não se quebra com ausência
Se a base fundadora
Deu a mão à Providência.
*
06/11/2024
Rosa Silva ("Azoriana")
Residente em São Carlos (pela segunda vez, desde novembro de 2008), da freguesia de São Pedro, da ilha Terceira, dos Açores.
Que linda é... (a ilha Terceira)
Que linda é a ilha
Que canta e que brilha
Pelo mundo fora
Que abre o sorriso
No seu improviso
Que cria na hora.
Que linda é a voz
Que canta veloz
Em tom arrojado.
Que leva a cantiga,
De bravos amiga,
Ao povo emigrado.
Que linda é a fama
Da gente que ama
Ter brio na festa
E na noite longa
A ceia prolonga
No valor que presta.
Ó ilha Terceira,
Mote na Bandeira
Heroica e leal,
Da serra ao mar
E à volta a rodar
Tens um festival.
Prendada e garrida
Tens amor à vida
No verso guião
Enfrentas o perigo
Fazes um amigo
Na ocasião.
Atalhas a mente
E o coração sente
Vibrar a cultura
Que está sempre viva
E a todos motiva
A saudade futura.
Rosa Silva ("Azoriana")
Foi Deus que me acalmou
*
Deixei Deus entrar
No meu coração
Para me ensinar
De novo a oração.
1
Uma oração de paz
Para hoje me animar
Que, de novo, então faz
A minha mente pausar.
2
Embrenhada no que fui
Mesmo estando esquecida
E o que mais me influi
Pró resto da parca vida.
*
Deixo Deus entrar
E peço-Lhe perdão
Por não triunfar
Junto aos que meus[Teus] são.
☆
Rosa Silva ("Azoriana")
O hino da natureza
Queres ser meu "companheiro"
Numa relíquia sem par
- A densa de nevoeiro,
Serreta que é solar -.
Solar da Virgem Maria,
Que se vestiu de novo,
E de obras que um dia
Fascinarão nosso povo.
A Serreta de onde vim
De um denso nevoeiro
Lembro do que foi pra mim
Em oitenta, de janeiro.
Foram muito duras cenas
Para tantos moradores
Por entre as dores e as penas
Enalteço os seus valores.
E quem me dera 'inda ver
A limpeza em redor,
Da Estalagem, para ter
Uma vista bem melhor.
Tanto que a gente faz,
Recorrendo a quem pode,
Porque não voltar atrás
E o trabalho que rode.
Envolver o voluntário
Envolver digna pessoa
Por dar beleza ao cenário
Que do alto o hino entoa.
Rosa Silva ("Azoriana")
A Serreta antiga (dedicatória a Guilherme Reis Toledo)

Tem valores de outrora
[Que estou certa ainda há]
E que nos diz sem demora
O que se passava por cá.
☆
O sr. Guilherme Toledo
Fala com José M. Gabriel,
Foi e é homem sem medo
Que bem fez o seu papel.
☆
Moinhos, palheiros e eiras,
Gente, obras e artigos,
Homem de boas maneiras
Que conduziu amigos.
☆
Do Farol (que foi "casino"),
Filarmónica primeira,
Do aço que deu destino
Aos arados prá "biqueira".
☆
As lembranças tão reais,
Dos ingleses e americanos,
E de nossos que são pais
De tantos açorianos.
☆
Nado em S. Sebastião,
Essa relíquia oral,
Veio pra ser nosso "irmão",
Órfão de pai natural.
☆
Lembro que a sua esposa,
Me dizia alegremente,
Que meu pai, que já repousa,
"Tava lá no meu nascente.
☆
Avisado que eu nascia,
Naquele dia de petas,
Em abril se descobria
Uma verdade sem tretas.
☆
Digo, no fim, em primeiro,
Porque em vida é um presente:
Um abraço verdadeiro,
Ao motorista competente.
☆
É relíquia do Bem,
Aquilo que faço e posso...
É Amor o que se tem,
Por tudo o que é tão nosso!
☆
Rosa Silva ("Azoriana")

