Dia da Freguesia da Serreta 2024 - Mata da Serreta

Onde o verde é legião
Onde a água é natural
A Mata na estação
Do encontro cordial.

Hoje o Dia se apresta
À ventura de gozar
O seu retalho de festa
Num convívio salutar.

Rosa Silva ("Azoriana")


Os filhos da Serreta estão reunidos na mansa Mata da Serreta da ilha Terceira, Açores honrando o Dia da Freguesia.
Podem até ser menos os residentes, mas a alma serretense espalha-se pelo mundo.

Mergulho

Desprendo-me das amarras dos sentidos

Abraço o azul menor

Rio-me de tanto azul encharcado

Agito o sossego e sigo a onda do olhar que faz parte de julho anil.

Rosa Silva ("Azoriana")

A vida como ela é

Mote:

Ao trabalho me entreguei
P'ra viver à força toda
Do muito que já sonhei
Nem por isso fiz a boda.



Glosa:

Foi por forma de contrato
Seguindo a força da lei
Sempre cuidando do trato
Ao trabalho me entreguei.

Ia e vinha como tantos,
Até areia vira ioda,
Me escondia entre prantos,
P'ra viver à força toda.

Muito aprendi então,
Nada no mundo inventei,
Só fiz bem à Região
Do muito que já sonhei.

Se o mal pode advir,
De nos pôr cabeça loda,
Afugentei, deixei ir,
Nem por isso fiz a boda.

Rosa Silva ("Azoriana")

O brinde

Amigos de cá ou lá
Eu sei que podia ter
Na América, Canadá,
Bem mais que pudesse ser.

Visitar também queria,
Levar o dom que Deus deu,
Celebrar a Cantoria,
Ao peito do verso meu.

Mas tenho a dor maior,
De não ser aventureira,
De me render ao pior,
Que é "atar-me" à cadeira.

Uma cadeira de ilusões,
De amores e de penares,
De medos e frustações,
De risos e menos esgares.

Sobretudo a inveja,
Quero de mim afastar,
E não haja quem se veja,
Na pele do meu lugar.

E viva mais quem por bem,
Se abeire por ser querido,
O dobro tenha também
Do que tenha em sentido.

Um beijo e um abraço,
A quem me queira salvar,
De ver flores no regaço,
Pelo que possa doar.

A ti, que ora me lês,
Com gosto ou nem por isso,
Não contes mais do que vês,
Só conta o bem por serviço.

Rosa Silva ("Azoriana")

Festa, férias e dias santos... (para Carla Félix)

Em maio foi Espírito Santo,
Em junho Sanjoaninas,
Em julho de calor tanto
Há festas pelas "vitrinas".

Vitrinas da nossa ilha
Que logo se envaidece
De tanto que se partilha
De tanto que não se esquece.

São foguetes a estalar,
São brindes de "fogo preso",
São palmas que vão p'ró ar
E ninguém se sente leso.

Rios de gente no mar,
Sorrindo, também gritando,
Uns porque sabem nadar,
E outros talvez pensando.

E as estrelas ao luar,
Convidam a ir à rua,
Em cada festa e lugar
A vontade se acentua.

Os toiros de ganaderos,
De novos e mais antigos,
Se marram serão severos
Mas jamais terão castigos.

O povo vai porque quer,
Enfrenta tal toiro bravo,
Até se vê que a mulher
Toureia, prova o que gravo.

Só é pena que os carros,
Inundem nossos folguedos,
Valiam os autocarros,
Outrora lindos enredos.

Importa que haja festa
A Santos e Padroeiros,
Quem muito se manifesta
São risos pelos terreiros.

Os motes p'rá Cantoria,
Encantam os Cantadores,
Em quadras que são magia
Nas ilhas destes Açores.

E agora p'ra não maçar,
Um discurso sem final,
Só sei que quero Amar
Para sempre o Carnaval.

A alma do terceirense,
Se expande em qualquer lado,
A quem a voz também vence,
Terá palco estrelado.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sorriso de loiça

Anda o povo tão encantado
No bom festejo em cada canto
E nesta ilha que gosto tanto
Anda o verso engalanado.

Trilha a vida o novo fado
[Um não sei quê de um não sei quanto]
Faz brilho à valsa em corpo santo
Que nos batiza bem ao seu lado.

Somos de mar que dá a lição
A pauta viva da Região
No tom que'inda cá nos balouça.

Um mar de risos, acrobacia,
Pasma o povo de alegria...
À proa vai, que Deus o ouça!

Rosa Silva ("Azoriana")

Ainda há tempo

De ver a luz
De ver o belo
De Te ver sempre com alguém de mãos-postas como a chaminé em desvantagem
E o cântaro mantém a veste barrenta
O Livro da Palavra augusta mantém a fita do dia a marcar o hiato da voz
Eu... ó, eu?! Espero, espero até que outras vontades cheguem... desespero.

Rosa Silva ("Azoriana")

Na busca do silêncio

Fugi do murmúrio das águas
Saí da algazarra juventina
Deixei a conversa seca de virtudes
Rumei a outro lado invertido de sul
Busquei o silêncio em vão
Achei o "acroarte" do ofício de renovação
A terra quedou-se silenciosa, o instrumento de trabalho não
Revi o passeio de menina, saudei o tapete rubro
Mas onde está o silêncio?
Apenas no meu ouvido direito se mantém surdamente só
Quero silêncio, mas ele teima em se ausentar
Que mais posso fazer para voltar aos braços da paz, quietude e presença de bem-querer?!

Onde estão teus beijos de mar?!

Onde estão teus carinhos de eucalipto?!

Onde estão teus lírios felizes?!

Talvez um dia vos encontre na arena dos sorrisos... aqueles sorrisos que acumulam os risos que já perderam a alvura...

O sino toca às horas... mais um que não foge ao silêncio das toadas do chá... das cinco.

Rosa Silva ("Azoriana")

Por um dia (18/07/2024)

Em 46 fitas existem Ervas Finas que dão para 12 pratos de papel. A mesa está mentalmente posta. Agora fico à espera de ser realidade.


Por um dia (18/07/2024)

Não gosto de agonias
Nem de comida fazer
Mais vale as sopas frias
Do que caldo a ferver.

Não gosto de correrias
A pressa faz esquecer
Nem me deem melancias
Que na certa vou desfazer.

Passa o tempo que passar
Interessa é aguentar
A vida com seu destino.

Tenha ou não alguma sorte
Quem aguenta já é forte
Com conduta do Divino.

Rosa Silva ("Azoriana")

Queria...

... o que sempre quis
E não tive...

O mar a bailar no meu corpo
O sol a dourar a minha pele
A lua ao meu colo
Com um colar de estrelas cintilantes...

Rosa Silva ("Azoriana")

À ilha Terceira dos Açores

És bonita quando cantas
Tua quadra literária
E quando na alma plantas
Toda a verve necessária.

És da graça popular
No terreiro da alegria
És o brilho do altar
Grata por um novo dia.

E és tudo para mim
Como é meu coração
Tudo em ti é um jardim
Com a lilás c'roação.

Por vezes também floresces
Com a cantiga de verão
E ao fundo também desces
Espevitando o vulcão.

És o cume do folguedo
És retalho de folia
Da brisa do arvoredo
Sai mote p'ra melodia.

De tanto que já escrevi
Neste papiro ardente
Só quero ser para ti
O que és p'ra nossa gente!

- TERRA AMADA -

Rosa Silva ("Azoriana")

José Eliseu (o Cantador, o campeão)

Eu vi hoje no ecrã meu
O histórico Eliseu
A falar do desafio
Logo tive a impressão
Que sem dúvida é campeão
Desde início que se viu.

Fico eu aqui sentada
Com a alma bem escura
Que pena eu não dar nada
Nem mesmo da sua altura.

Rosa Silva ("Azoriana")

RTP Açores no "Conversas com Ciência", de Armando Mendes.

Rimas de festejo (Festa/Tourada da Cova da Serreta 2024)

Bela paisagem amena
Onde reina o paraíso
No verde que nos acena
A tecer o que é preciso.

Eu teço versos de paz
Irmanados em carinho
Para ver se sou capaz
De manter o meu caminho.

Um caminho de saudade
Coroado de alegria
No tempo da mocidade
Tão contente eu me via.

De outrora me afastei
E segui outra proeza
Felizmente retornei
A este chão natureza.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sim, é por amor...

planta


Ficam os filhos nos braços
No aconchego da mãe
Com coração em pedaços
Pela tristeza que tem.

Finda o pai ou o marido
Para nunca mais se ver
Ficando o lar reduzido
Sem norte do que fazer.

Mas há mães que são valentes
Enfrentam o natural
Por vezes relhando os dentes
Na luta por ser normal.

Depois da treva passar
Vem o Sol com sua chama
Para novo alento dar
À mãe que seus filhos ama.

Rosa Silva ("Azoriana")

Minha filha e o irmão


Gosto de vê-la vestida
De tão bela rubra cor
Minha filha tão querida
Uma pérola de amor.

Um rostinho acolhedor,
Tem a graça garantida.
É a cor que dá a vida
Valha-nos Nosso Senhor.

Na Serreta foi tirada
Recordação tão amada
Segura por uma mão...

É imagem que admiro
Muito mais quando a prefiro
Amparada pelo irmão!

Rosa Silva ("Azoriana")

Cantadores da ilha Terceira

Havia uma moda antiga
Feita de uma seleção
Eruditos da cantiga
Da primeira divisão.

Hoje já está parecido
Conjunto de ocasião
Por demais bem conhecido
Numa nova geração.

Tudo é o que se faz
Tudo é o que se dita
Só vence quem é capaz
De a fazer bem bonita.

Neste chão açoriano
Que tem o que é preciso
É o homem veterano
De cantar de improviso.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ó tempo!

Ó tempo vai devagar,
Ou sou eu que devo ir?!
Não há tempo para o mar,
Nem há tempo pró devir.

Prende o tempo de sonhar,
Deixa o tempo conseguir,
Graça o tempo de chegar,
Lesa o tempo de partir.

Entre partidas e vindas...
Há um mar de coisas lindas,
Há falésias de pranto.

Só me atrai o tempo são,
Em que se honra a estação
Do tempo que mais te canto.

Rosa Silva ("Azoriana")

Casa arrumada

Casa arrumada, sem gente
Que brinque prá desfazer,
É como ter o presente
Sem nada para viver.

E ter a roupa dobrada,
Um prato para comer,
E mesmo assim achar nada,
E nada é tudo se ter.

A vida não é segredo,
Se torna como brinquedo,
Onde o nosso olhar balança.

Porém, se segredo for,
Se dê muito mais valor
À fase de ser criança.

Rosa Silva ("Azoriana")

Virgem Santa da Serreta


Virgem Santa da Serreta
Que iluminas nosso Povo
Dá graça à minha faceta
Porque sabes que vos louvo.

Um louvor de quando em vez
Sem sair do vosso Altar
É o salmo português
De uma rima a lutar.

A lutar sem qualquer arma
Só alegre nos costumes,
Na tradição que bem desarma
Alicerce de queixumes.

Minha Mãe, minha Rainha,
Meu Rosário, minha Estrela,
Ouve esta prece minha
E sorri, por mim, ao vê-la!

Rosa Silva ("Azoriana")

Dedicatórias a Manuel Eduardo Vieira - o Rei da Batata Doce


Encontrei, por acaso, passados uns anos... e sempre válida a dedicatória minha ao grandioso Manuel Eduardo Vieira e ao grande feitor de estátuas Rui Goulart.


Maré de altruísmo (Manuel Eduardo Vieira)

Que linda e bem talhada
A estátua em vida
De uma pessoa adorada
E também muito querida.

Quem faz o bem sem medida,
Seja qual for a altura,
Merece louvor em vida
Não além da terra dura.

Na terra só fez o bem
Sabendo que dela é,
Mas no mundo não há quem,
Siga a sua grande maré.

Uma maré de caridade,
Uma maré de altruísmo,
Que conheci, de verdade,
Em Angra do Heroísmo.

Rosa Silva ("Azoriana")