Nomeação

Sim! Salve-se o que Deus cria
Na morada natural
Retalho ocasional
Que de outrem não seria.

Que a imagem de harmonia
Seja presente real
Na estante do quintal
Junto da Virgem Maria.

Olho a flor de tom azul
Que se apresenta a sul
Minha capela profana.

Chamam de "coroa de rei"
Mas o nome que lhe dei
É a flor d'Azoriana!

Rosa Silva ("Azoriana")

Saímos das trevas para a luz


Saímos das trevas para a luz
Da tempestade para a bonança
O sol em plenitude nos alcança
Bela magia na ilha de Jesus.

E ao folguedo a ilha nos conduz
Num certo apelo ao que não nos cansa
Para a tourada de vizinhança
Sem ser o touro o que nos seduz.

É esta paz de virtude amena
Que a mim vai de encontro à cena
Do colorido sempre tão desperto.

É ver a ilha toda em reboliço
Que te anima sem dares por isso
E ficas tu... lindo sol aberto!

Rosa Silva ("Azoriana")

Maio (é de tudo o que se faz)

tudo o que se faz
O mês quase que termina
Em colorido de flores:
Brancas, rubras, outras cores,
E o verde que me domina.

Ao redor de mim germina
Um paraíso, sem dores,
Em São Carlos, dos Açores,
Que tão só se determina.

Se não fosse a atenção,
O zelo da minha mão,
Nada disto acontecia...

Quem ama aquilo que faz
E a mais não é capaz
Não faz mais do que fazia.

Rosa Silva ("Azoriana")

Fazem-me falta...

Bodo Serreta
Faltam-me risos d'outrora,
[Cantinho de emoções]
Sinto que Nossa Senhora
É das melhores soluções.

Fico aquém da festa agora,
Folia e sãs tradições,
Quem me vê já não ignora
O final de tantas missões.

Tu, minha mãe, da terrena,
Freguesia mais pequena
E de longas estadias...

Faz o milagre que é
Renovar a minha fé
E renovar os meus dias.

Rosa Silva ("Azoriana")

Santíssima Trindade

Vinde Deus omnipotente
Visitar a nossa gente
Sénior e tenra idade;
Doentes nos hospitais
E os que sofrem demais
Em qualquer localidade.

Ó Deus misericordioso,
De verdade, tão bondoso,
Por inteiro e não metade
Reine em nossos corações
Em tantas coroações
No domingo da Trindade.

Tanta gente que trabalha
E nas tarefas não falha
Para a divina função;
Cada ilha é um regaço
Que se une em santo laço
Nos Bodos da Região.

Olha o rosto infantil
E também o juvenil,
De alegria jovial;
Muitos na Banda a tocar
Para o Hino ecoar
Lindo, lindo sem igual.

Rosa Silva ("Azoriana")

Góis musical (dedicatória)

É a mistura inventiva
Atracada a um sistema
A musa que dá o tema
É a moda sempre viva.

É um som que nos cativa
Não importa qual dilema
Faz-nos lembrar um poema
Que na tecla é voz ativa.

Se recolhe ao seu "buraco"
Na certa sem dar cavaco
Se for para o exterior.

Esta invenção do rapaz
É o show mais eficaz
De ser Góis, bom criador!

Rosa Silva ("Azoriana")

Repouso

Há repouso que se quer
Há repouso obrigatório
Seja homem ou mulher
O segundo é purgatório.

A dor quando é ligeira
Até que se sofre bem
Quando não é passageira
Só Deus sabe o mal que tem.

Quando a dor é medicada
E continua a doer
A pessoa adoentada
É custosa de sofrer.

O sofrimento descerra
Uma tremenda agonia
E quando em nós aterra
Faz-se longa a estadia.

Quem sofreu maiores dores
Para nossa salvação
Foi o Pai dos pecadores
E a Ele peço perdão.

Perdão, perdão e perdão!
Convicto e verdadeiro,
Dará alívio, então,
Se o mal for passageiro.

Rosa Silva ("Azoriana")

Viva, viva! Insígnia da SFRS

Com forte satisfação
Vejo a insígnia receber
Sociedade que quer ser
Orgulho da Região.

Serreta é de união
Firme por engrandecer
A glória que há de ter
Para a nova geração.

Estamos hoje do teu lado,
Recordando o teu passado
Com a justa resistência.

A Senhora também está
Feliz por saber que há
Honra, fé e excelência.

Rosa Silva ("Azoriana")

Dia da Região 2024 (na cidade da Horta)

Garante a simbologia
Das Estrelas que te guiam
A firmeza do teu Dia
Ademais os que te criam.

Garante a Divina Pomba
Solene festiva ação
Que do Alto não se tomba
Só voa no coração.

Do basalto e das marés
Dos Bravos também tu és
Emblema do Povo vosso.

Povo unido é Povo justo,
Que mesmo seguindo a custo
Festeja o que é tão nosso.

Rosa Silva ("Azoriana")

Pentecostes ilhéu

Por toda a ilha Terceira
Há um rescaldo de Fé
Coroa, Cetro e Bandeira
Vão na frente e vão à ré.

Lembro eu, de outra era,
Que fui na coroação,
E hoje, ai quem me dera,
Ir mais aqueles que vão.

Bem-aventurado quem diz:
Salve, salve o Divino!
Que seja muito feliz
Quem gosta deste destino.

O destino de ser ilhéu
É de branda poesia...
Espírito desce do céu
Para coroar este dia.

É um dia de partilha,
Trabalho e dedicação,
À roda de toda a ilha
O Amor é boa ação.

Rosa Silva ("Azoriana")

Bodo da Ribeirinha 2024

Brindeira de Pentecostes
É a dádiva de valor
Oxalá que também gostes
De Jesus Nosso Senhor.

Ribeirinha flor da ilha
Com a chave da união
És Estrela da Partilha
Que anda de mão em mão.

Debaixo de sol formoso
Vai o Povo em doação
E o Divino é mais bondoso
Pra quem lhe dá oração.

Dos meus olhos lacrimais
Só sobressai a bondade
Dói por não te fazer mais
No Domingo da Caridade.

Bem-haja a nossa gente
Que trabalha sem temer
Meu louvor é evidente
À Ribeirinha podem crer.

E também a quem nos dá
A imagem tão vistosa
Um abraço vai de cá
Com os lírios desta Rosa.

Estes versos cordiais
São mais que uma oração
São da Canada dos Folhadais
Onde tenho o coração.

E pró mundo que nos vê
E percebe a nossa Fé
Chegue o louvor que se crê
Vos faça melhor maré.

Rosa Silva ("Azoriana")

Rosa - nome de flor

primeiras rosas
Pouco a pouco vão abrindo
As rosas dos seus botões
Parecem estar sorrindo
Às minhas saudações.

Pouco a pouco vão subindo
Na melhor das estações...
E no lar sempre bem-vindo
Quem me deu as impressões.

Impressões de bem-querer
Numa vida podem ser
Verdadeira maravilha.

Cada pétala perfeita
Dá sempre ar de que é feita
Para rimar sã partilha.

Rosa Silva ("Azoriana")

Lírios


Uma força de viver
Me impele para o dia
Que cruza sã alegria
De sempre a crescer te ver.

Pode o verbo não me querer
Nas asas da poesia
Só o foco que irradia
Lava a alma de bem ser.

Ai, a falta que me fazes
Mãe querida lá no céu
No rasgo de terno véu.

Ando no chão de lilases
Bramindo versos de vento
De[lírios] em pensamento.

Rosa Silva ("Azoriana")

Viva a gente!

Entro assim tão de repente
Conforme é o meu desejo:
Boa tarde a toda a gente
Que neste arraial eu vejo.

Convosco também esteja
A alegria que abunda...
Pico da Urze festeja
A tourada da segunda.

Domingo foi do Império
A segunda da tourada
De nada se faz mistério
Quando tudo nos agrada.

E agora pra não maçar
Quem nos está a seguir
Só pretendo elogiar
Quem está a transmitir.

Finda assim mais uma vez
A remessa de louvores
Para o povo português,
Os de longe e dos Açores.

Um abraço pró estrangeiro
Para quem é emigrante
Com saudade até do cheiro
Que deixou aqui distante.

Para quem é meu parente
Atento ao bem que se faz
Um abraço no presente
Forte de saúde e paz.

Volta à ilha do teu pai,
De tua mãe tão querida,
E visita quem te vai
Levar à festa colorida.
Rosa Silva ("Azoriana")

AA - Postal (Aida Alexandra)

Que lindo foi o teu dia
Na doçura de nascer
Quando olhei para te ver
Cresceu em mim a alegria.

Em maio veio a magia
Num dia de bem-querer
Na berma de anteceder
Nossa Mãe Virgem Maria.

Linda Aida, filha querida,
Primeira vogal unida
Faz teu nome capital.

E na capital moraste
E por tudo o que passaste
És a flor de um postal.

Rosa Silva ("Azoriana")

Imitação

O céu fica radiante
Pela perfeita união
À laia de imitação
Entre o cá e o distante.

A Coroa sem semblante,
Sem ser em coroação,
Graciosa encenação,
Da matriz é lindo instante.

Mas o céu quis apressar
O mote pra embelezar
A história d'encanto.

É que maio é de Maria,
E do trio em harmonia
Padre, Filho, Espír'to Santo.

Rosa Silva ("Azoriana")

Desespero

Há um franco desespero
Se Deus não é companhia
Foge a paz e a alegria
Grassa a vida sem tempero.

Há um cravo em atropelo
Sem a rosa em euforia
E do espinho irradia
A "sirene" de um rabelo.

Vem ó Deus sacramentado
Vem e fica deste lado
Que se enerva muito à toa.

Vem secar grossas marés
Que molham demais os pés
No cais de mansa pessoa.

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: este escrito é metafórico, mas pode coincidir com a realidade de qualquer criatura. Há muito desespero nas famílias e suas carteiras.

Versos de Ó!

Versos de Ó!


Ó beleza imaginada,
Ó certeza do que é belo,
Ó ternura cortejada,
Ó altura de castelo!

Ó graça esverdeada,
Ó doçura de amarelo,
Ó frescura engalanada,
Ó prazer nunca singelo!

Ó medida, leque inteiro,
Ó encanto verdadeiro,
Ó gratidão que conquista!

Ó corte, gentil desenho,
Ó que feliz desempenho,
Ó capa de douto artista!

Rosa Silva ("Azoriana")

Fez 2 anos as rimas à minha neta

Matilde Alexandra
Eu agradeço ao Senhor
Por me ter dado uma neta
Além de linda é Amor
Que a vida me completa.

Eu agradeço a Maria
Virgem Santa Protetora
Que me deu a alegria
Da nova progenitora.

Sete meses em abril
É mesmo uma aventura
E beijos são mais de mil
Com a imensa ternura.

Matilde, da bisavó,
É o nome especial,
Que é tudo por si só,
É palavra essencial.

M-a (com til e d) - e = Mãe.

30/04/2022

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: A Aida Borges colocou a imagem que melhor acolhe as quadras que acabaram de sair da manjedoura do cérebro da avó Rosa Maria.

Primeiro de maio

Dá-nos a ânsia de rimar
Em dia de mais folguedo
Que o toiro vai encimar
A tarde do dia, sem medo!

É mesmo maio a chegar,
E as touradas, sem segredo,
Quando o foguete estalar,
Convém afastar do dedo.

A Fonte toda se enfeita
De gente que grita "olé"
Quando o capinha se ajeita...

E há que perceber, ainda,
Quando o pastor bate o pé
A corda esticada é linda!

Rosa Silva ("Azoriana")