Há um tempo que nos levanta
E há outro que nos tomba
Mas enquanto a gente canta
Não haja o tempo que zomba.
Estou quase a chegar a vinte
Anos de escrita minha
Desde então tive o requinte
De voar em cada linha.
O voo da inspiração
Não tem dia nem tem hora
É fruto da ocasião
Volta e meia vai embora.
Vi-me em tempo de paragem
Nesta resma de rimar
Foi só mesmo uma passagem
Voltei ao tempo de A(mar)!
O tempo não se engana
E a mim também pertence
Não fosse eu açoriana
Não fosse eu a terceirense.
Trouxe dos ares da serra
Um tempo de fantasia
Trouxe paz, não trouxe guerra,
E fiz mais do que podia.
Digo agora e com prazer
A quem de mim 'inda gosta
A Rosa sempre há de ter
Uma rima sempre exposta.
Que a guardes sem tirar
A linha da assinatura
Nem a dês sem partilhar
A origem da cultura.
Rosa Silva ("Azoriana")
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