
Conheci o Victor de novo
Um excelente rapaz;
Pelo seu dom eu já louvo
Belas criações que faz.
A doença bateu-lhe à porta...
Da América voltou à ilha,
Mas Deus também o conforta:
Sua ciência é maravilha!
Vânia te dá lá do Céu
Momentos de inspiração:
É como se fosse o troféu,
Dos Milagres, em ação.
A tremer te vejo agora,
Custa muito ver-te assim:
Peço a Nossa Senhora
Que te dê alívio... Sim!
Nossa Senhora está perto
Do teu Jardim natural;
O teu engenho está certo
Falta Imagem ideal.
Com um lírio na mão,
Direita, olha o Altar,
O Menino ao coração,
Na outra mão, pode estar.
A madeira de roseira
É jeitosa para moldar...
E o génio da Terceira
Bem a pode moldurar.
A Imagem se sair
Conforme a tua ideia
Venha Ela a bom sorrir
E terás a casa cheia.
Um rosário de "penas"
Coloca ao seu pescoço;
E um manto de "açucenas"
Na feliz cor do esboço.
A Imagem se benzida
Pela mão de um Reitor,
Poderá ter longa vida,
Para orares com Amor.
A Vânia tanto gostava
De comentar minha rima;
Sei que ela te adorava,
A minha querida prima.
Nos Céus é anjo feliz,
Em sorriso vespertino.
O que hoje ela te diz?!
Cuida bem do que é Divino!
Rosa Silva ("Azoriana")
A resposta do Victor Teixeira, que muito me encantou:
"Rosa Silva
Poetisa Terceirense
Orgulho Serretense
Dona da sua vocação
Uma musa da rima
Sem esforço a sublima
Dando voz ao coração
Só tenho a agradecer
Pois sinto-me honrado
Do que acabou de escrever
Rosa, muito obrigado
Minha vida assombrada
Pela doença malvada
Que ofusca minha luz
Não sou melhor que ninguém
E cada um sabe bem
Todos temos nossa Cruz
Fazer uma estatueta
Da Padroeira da Serreta
Prometo dar meu melhor
Algo para concretizar
Nem que tenha de deixar
Meu sangue e suor!
Mais uma vez obrigado
Victor Teixeira"
Etiquetas
A Victor Teixeira, da Serreta
Lindas grutas
Andámos tanto apressados
Nesta vida de labuta
Que nem tidos nem achados
Na grandeza de uma gruta.
A gruta é fascinante
Moldada p'la natureza
Mesmo oca de ocupante
No fundo é uma beleza.
Gostava de desfrutar
À gruta numa viagem
Mas se ela me ofuscar
Não há volta... só miragem.
Sempre fui mulher de "medos":
Águas, fogo, alçapão,
Ventania e rochedos,
Sol a mais, escuridão.
Rosa Silva ("Azoriana")
A Duarte Gonçalves Rosa
A vida dedica a Deus.
Admiro ser como é:
Trinta e quatro anos seus
Com a grandeza da fé.
Parabéns nos versos meus,
Meu fervor, minha maré,
Na minha maneira até
Se convertam os ateus.
Canta a Rosa para o Rosa
Pauta da arte bondosa
Nos coros angelicais.
Seja o terceto florido
Por tudo o que tem vivido
Em horas sacerdotais.
Rosa Silva ("Azoriana")
Mural de cor
São Carlos e São Mamede,
Nos Folhadais, da Canada,
Onde refiz a morada,
Minha rima, minha sede.
Quando a Serreta me pede,
Minha mãe, minha amada,
No seu altar adorada,
Em Seu sorriso me quede.
Luís Bretão, sancarlense,
Amigo que me convence
A sorrir para o meu lar.
Todavia, em mim, conservo,
O luar, que não observo,
Colorindo Terra e Mar!
Rosa Silva ("Azoriana")
Angra minha flor

Angra é menina do mar
É princesa do Verão
Perfume na escuridão
Na brisa do seu trajar.
É moça bela a dançar
Na noite de São João
Com o seu par dando a mão
À sereia só de olhar.
É a festa nobre em suma
Que sorri por cousa alguma
Na calçada do seu pé...
É florida em cada poste
E dela há quem mais goste
Do Alto, Jardins e da Sé.
Rosa Silva ("Azoriana")
São João (2021)

Vespertina sanjoanina
[Porque o dia é a seguir]
Da sardinha a conseguir
Ser brasa mais pequenina.
Já se acerta a concertina,
O balão não vai fugir...
E o povo vai prosseguir
Na festa até ser matina.
"Angra nas Asas de um sonho"
É mesmo o que nos parece
Quando pouco hoje acontece.
Que se ate um ar risonho
Na noite mais popular:
São João baila no lar!
Rosa Silva ("Azoriana")
22/23 de junho de 2021

Mão lesa de cumprimento;
Saudade lança picadas,
Por razões muito caladas,
Longe e perto do tormento.
São como folhas ao vento,
As saudades prolongadas,
Da visão estão fechadas
E o sono em desalento.
Onde andas? Ou já não vens?
Ou andas em contramão,
Na senda da ocasião?!
Eu, aqui, dou parabéns
A quem vê o teu sorriso
E o abraço que preciso...
Rosa Silva ("Azoriana")
angrosfera 2021- o site multifacetado de divulgação, de Angra do Heroísmo

Site multifacetado
De Angra do Heroísmo
Com laços de altruísmo
Um tanto por todo o lado.
Constante atualizado
Angrosfera [sem bairrismo]
Com o trevo do civismo
Património selado.
Vem a Angra virtual
Rede patrimonial
Que merece amor sem fim.
Uma via sem barreira
Na bela ilha Terceira
Faz nascer versos de mim.
Rosa Silva ("Azoriana")
Riqueza não é ter
Dei de mim tudo o que pude
E na volta nada tenho
Somente o pouco engenho
No que peço nada mude.
Produzi nova atitude
Disfarcei algum desenho
Conduzi-me algum empenho
E fui quebrando amiúde.
Só a alma é imortal
O corpo é funcional
Entre penas mais histórias.
Meio século consegui...
Do que fiz muito aprendi
Só eu sei quantas memórias.
Rosa Silva ("Azoriana")
CORPO QUENTE
A Terra treme,
Água ondeia;
O Ar é leme
Que nos norteia.
O Fogo teme,
A quem ateia;
Cinza, se creme,
Tinta semeia.
Quero pintar,
Com gosto dar,
Os tons da mente.
De norte a sul,
Cinza e azul,
Em corpo quente.
Rosa Silva ("Azoriana")
Pico (meia costela)
De uma costela sou tua
Porque assim se diz metade
Sob o manto da saudade
Que em mim sempre atua.
Saudade da gente e rua,
Do porto, e mais que há de
Ter nova realidade
No perfume que flutua.
Vou do Cais a Santo Amaro
Que me é tão lindo e raro
No estaleiro de eleição.
Sol dos Barcos, capital,
És concha regional,
Paraíso de mar chão.
Rosa Silva ("Azoriana")
Palavras para ver
Olhando a imagem
Peito, rosto, chapéu,
Florida folhagem
Do nosso ilhéu.
Coração de Angra
É mesmo o centro
E o meu 'inda sangra
Por nela estar dentro.
E não é um fardo
Apenas um molho
Que deu o Ricardo
Às flores que eu olho.
São flores vestidas
Para a festa grande
Alegres, floridas,
Que a palavra expande.
Com asas eu sonho
Mesmo sem as ter
E a ti mais proponho
Palavras para ver.
Palavras eu faço
Com peso e medida
Nelas um abraço
Na cor mais garrida.
Rosa Silva ("Azoriana")
Um dia após ser vacinada
Após um grande trabalho
O descanso da guerreira
Com rede de agasalho
Há frescura quanta queira.
Estou perto da cozinha
Para o lanche arrecadar;
Do outro lado a linha
Onde a roupa vai secar.
Boa tarde aos meus amigos
E a quem apenas passa
Para ler os meus artigos
Ou algo da minha traça.
Cada qual tem distração
Na maneira que quiser;
Por mim tenho atração
P'lo silêncio que fizer.
Rosa Silva ("Azoriana")
Agradecimento público (de inspiração instantânea)
Um beijo de gratidão
Não termina a validade
Quando dado de vontade
Tem forma de coração.
Quando tenha lentidão
Transpõe porta d'amizade
Ou outra intimidade:
Beijar é nova estação.
Mas cuidado com um beijo
Que esse eu jamais desejo
A amigo ou inimigo.
É o beijo traiçoeiro,
Com olhar de nevoeiro,
Sobe ao cume do castigo.
Rosa Silva ("Azoriana")
Feitura do Arco da Praça
(Imagem in "Azores Touch")
Em setembro é na Serreta
Que a festa tem frescura:
A hortência faz moldura,
Cedro do mato vedeta.
No Arco tudo se meta:
Desde o verde, sem tintura,
Mais flores de formosura,
Tudo serve de estafeta.
Se a Procissão vai à rua
O Arco não deixa nua
A via da freguesia.
Há quem o veja sem pressa,
E quando cumpre a promessa,
Ao Arco faz cortesia.
Rosa Silva ("Azoriana")
Minha linda Cidade

Que linda a minha Cidade.
Eu por ti me apaixono
Tens o Salvador por dono,
Nobreza e a lealdade.
És secular na idade,
Branda, vives no meu sono...
Tens o Mar como teu trono
Na Baía da saudade.
Ó Angra da minha vida!
Por ti, estou encantada,
No Monte dos militares.
Ó Angra és tão garrida!
Por ti, sou rima dourada,
Alteza, se me abraçares.
Rosa Silva ("Azoriana")
Beijo d'Água

(Foto da autoria de Alfredo Lemos, gentilmente cedida e inspiradora da minha dedicatória)
Menina de olhar presente
Serena de paz morena
Sobranceira e ou pequena
À vista de nobre gente.
Lábios de anseio quente
Numa tela tão amena;
Lábios (a lua acena!),
Frios de água corrente.
Menina fresca da Mata,
Fonte que o Posto acata,
Por Santo, ter sido, então.
Menina que é honrada,
Por bem ter sido levada
Ao canto de um pulmão.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ao 3º aniversário de «Maré de Poesia»
Há marés de solidão,
De alegria e movimento,
As de Poesia são
Grandiosas de talento.
Há marés de adoração,
De ventura e de alento,
As de Poesia são
Aquelas onde me invento.
Parabéns a toda a gente
Que na Maré está presente,
Celebrando a trajetória.
Parabéns com alegria
À Maré da Poesia
Que na Praia faz História!
Rosa Silva ("Azoriana")