A véspera

Não me deixes só
Eu te peço agora
Sonho em ser avó
Espero essa hora.

E não tenham dó
De não ir p'ra fora
Eu tenho a mó
De Nossa Senhora.

Dos Milagres é
Nobre Padroeira
Nela tenho fé...

São Carlos me deu
Um lar na Terceira
E bem me acolheu.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ó meu querido Santo Amaro

Obrigada senhor Faria
Pela viagem que fez
Fui na sua companhia
A emoção veio outra vez.

Cada casa e caminho
Estão todos bem cuidados
Sô falta mesmo o carinho
Dos seres antepassados.

Que lindo está o mar
Que lindo está o chão
Quem pudesse lá voltar
Abraçar os que lá estão.

Santo Amaro é a raiz
Do meu pai que aí nasceu;
Também fui muito feliz
E jamais me esqueceu.

Dos Barcos é suma vida
Do peixe que nem cardume
É a freguesia querida
Quem lá vai traz o perfume.

Perfume de mar tão perto
E as ondas sempre a cantar
Do silêncio eu desperto
Só para a todos louvar.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ti' João Ângelo

Ti' João, bom Ti' João,
De quem se gosta e quer bem,
Que bela foi a audição:
"Lembro a "velha" minha mãe!"

Honesta simplicidade,
Homem de bom coração,
Grandiosa humildade,
Um mestre da inspiração.

Lembro que ele não conhecia
Esta Rosa "Azoriana",
No Pezinho que ele seguia,
Há anos, de minha mana.

A partir dessa altura
Vi seus olhos a sorrir;
Com a máxima doçura
Eu gosto de retribuir.

Este cantador é nosso
É por todos conhecido,
Elogio sempre que posso
Tudo o que dele tenho ouvido.

Há cantadores bastantes
Com cantigas sem defeito...
Ti' João agora e antes
Traz a cantiga ao peito.

Bem-haja!

Rosa Silva ("Azoriana")

A Eva-Dimas Avila e...

Atafona é um local
Que traz consigo a arte
Nas Doze original
Quem me dera visitar-te.

Doze Ribeiras vizinha
Da terra onde nasci
Serreta que era minha
E dela um dia desci.

Caro Ávila que é dono
De uma beleza real
Com São Jorge por patrono
Cavaleiro especial.

Na telescola andei
No centro da freguesia
E bem perto eu fiquei
Dessa nobre estadia.

Cada quadra que lhe faço
Com doçura e maneiras
É como se desse abraço
A si e às Doze Ribeiras.

Casa linda de verdade
Que recebe o verso meu
A delícia da saudade
Que dá nome de Museu.

Rosa Silva ("Azoriana")

Açores Astúrias - Um Mar de Poesia


Alegria! Alegria! Há Poesia!

Baladas do Salvador
Pulsam o mundo de amor.
Aquém mar a onda avança
Para coroar de esp'rança.

De azul se fez a cor,
Num coração portador,
Da joia de letra mansa
Que novos olhos alcança...

O mundo só é bonito
Neste enlace cordial
Com grato verso ideal.

O verso é laço infinito...
Seu perfume me extasia:
É "Um Mar de Poesia"

Rosa Silva ("Azoriana")


Março.2021. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores.

Poesia (e Rosa Silva com 1 ano de idade)

1 ano de idade


É teu dia
Quem diria?!
Tudo vale
Sem igual.

Fantasia,
Utopia?!
Um sinal
Afinal...

É sorrindo
Que vou indo
Tentativa...

Fiz do sonho
O que ponho
Emotiva.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ouve...

O silêncio cantante
Da ilha vem à noite:
É um som crepitante
E do ouvido açoite.

Ouve ó nosso emigrante
O som é teu e foi-te
Na saudade constante
Que faz mossa e rói-te.

Mas não seja por isso
Ouve esse som feitiço
Que te faz recordar...

É canto de cagarro,
Que ao ouvido agarro,
Com prazer de acordar.

Rosa Silva ("Azoriana")

14/03/0940. Parabéns Mãe!

Matilde e Rosa


Fiz pouco por ti, é verdade,
Nem coragem para ver,
Os males do padecer,
Ferem sensibilidade.

Pedi a Deus com sã vontade,
Que parasse o teu sofrer
No Céu pudesses viver
Com maior felicidade.

Por isso ambas cantamos,
Sinal de que nos amamos,
Na rima que me delira.

Faço de conta que és vida,
Na bela terra querida,
E musa da minha lira!

Rosa Silva ("Azoriana")

O Troféu "Milhas & Trilhas (Malucos aventureiros)"

O trofeu Milhas & Trilhas


Imagem da autoria de Duarte Diniz

"Milhas & Trilhas"

Eu nasci em fonte incolor
De musgo verde bordada
Por valados adornada
Sempre bramindo sem dor.

Tinha água em corredor,
Ribeira joia vidrada,
Tão pura, imaculada,
Pela graça do Senhor.

Vivam os aventureiros
Que me parecem veleiros
Navegando só por alguém...

"Milhas & Trilhas" saúdo,
Por gosto percorrem tudo...
Mesmo a Ribeira d'Além!

Rosa Silva ("Azoriana")

10 anos de uma capa...

10 anos

Seja o que for que continue a ser (10 anos - Serreta na intimidade)

Serreta na intimidade

Seja o que for que continue a ser
Que não se engasgue no entardecer
Que fique solto à prova de tudo
E deixe vivo sempre seu conteúdo.

Seja o que for que ande a percorrer
Qualquer distância sem o anoitecer,
Fique no olhar, no ser sobretudo,
De quem gostou sem o deixar mudo.

Agradeço tanto a quem o adornou
A quem me deu aquele solavanco
E em cada estrofe não o deixou manco.

A pena maior que, por mim, se tornou...
Não está vazia a primeira edição
Mas está cheia a glória da missão.

11/03/2011 a 11/03/2021

Rosa Silva ("Azoriana")

A(prender) Saudade

Com saudade não se brinca
Nem sequer nos traz o riso
Muitas vezes ela nos trinca
E desfaz-nos o sorriso.

Ai! Saudade que nos vinca
O verso do improviso
E numa dor nos afinca
Mais verso do que é preciso.

Há o Fado da Saudade
Que em Coimbra se canta
Com um nó preso à garganta...

Nas ilhas ela nos invade:
Saudade fundo nos grita
E se a(prende) na escrita.

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: Faltam 3 dias para o aniversário da minha falecida mãe - a musa dos meus poemas. Se fosse viva fazia 81 anos. Partiu com 63, em 28/10/2003, vai fazer 18 anos.

Agradecimento a Liduíno Borba

Agradeço ao bom amigo
Pelo gesto eloquente
Porque já tenho comigo
A Família Contente.

Eis a minha gratidão
Que vejo com grande lógica
E vou dar mais atenção
À árvore genealógica.

Deve haver boa maneira
De em Excel se construir
Uma família inteira
Sem erros se produzir.

Só é minha desventura
Ingressar na construção
O Dr. João Ventura
É mestre nesta função.

Ascendentes e descendentes
Devem todos aparecer
Na família dos Contentes
São folhas do verbo encher.

Perco-me até nos meus
Que são tantos amiúde
Quem faz árvore dos seus
Que Deus dê boa saúde.

Rosa Silva ("Azoriana")

Bela recordação. Obrigada a José Ávila, de Modesto - Califórnia

Capa Tribuna Portuguesa de julho 2006

Um dia eu dei por mim,
Sem rosto, mas com poema:
O Divino era o tema
Que moldou a capa assim.

A Rainha era alecrim,
A beleza de um emblema,
A luz tão dourada o lema,
Na passadeira carmim.

Há gestos que surpreendem.
E sei que muitos entendem
O valor de uma moldura.

Dou gratidão por valor,
Ao que escrevo tenho amor
Por Angra e pela Cultura.

Rosa Silva ("Azoriana")


 

Ilhéu da Baleia (ilha Graciosa - Açores)

A baleia é Graciosa
Forma assim jamais se viu
Nem dela houve desvio
À tona é tão formosa.

Serve a quadra desta Rosa
Para o ilhéu em pousio
Seja com calor ou frio
É imagem fabulosa.

Diz ser Ilhéu da Baleia
Que à ilha chamateia
Mesmo sem nela entrar.

Mas quem entra e lá passa
A ventura lhe trespassa
Por Baleia se amostrar.

Rosa Silva ("Azoriana")

Coro regional

Nascer, viver e ficar nos braços da ilha
Explorar, conhecer e amar a beleza
Da fada maior que é a natureza
De vales, montes, grutas em serr'ilha.

Encher o peito de amor e partilha
Que cresça e transpareça de beleza
E jamais magoar a alma desta realeza
Que é ser lilás ilha... maravilha!

Só o prazer de estar em sossego
Nos braços verdes do arvoredo
Numa visão fixa intemporal...

É um prazer a que nutro apego
É esse o meu puro segredo
De ser ilha em coro regional.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ao senhor António Faria

Ao senhor António Faria
Não esperava a reação
Por causa do arroz doce
Até chora de emoção
E plo sabor encantou-se.

Fui fazer-lhe a surpresa
Por tanto que ele faz:
Filma gente e natureza,
Louvá-lo eu sou capaz.

Meu arroz é favorito
Já disseram muita vez
Ele até ficou bonito
No primeiro deste mês.

Março é um mês lembrado
Nasceu quem me deu à luz...
E Faria acarinhado
Na Terceira de Jesus.

Em 1/3/2021

Rosa Silva ("Azoriana")