Angra princesa

Angra é uma delícia
Para quem a visitar...
De trabalho com perícia,
Perfumada pelo mar.

Angra do mar é polícia
Fortaleza a vigiar
Para que haja notícia
Da cidade de encantar.

Ó cidade imortal,
Sobredotada e leal,
Patriota e portuguesa.

Cada vez que eu te vejo,
Nasce, em mim, novo desejo
De louvar-te sã Princesa!

Rosa Silva ("Azoriana")

À minha prima Rosa Maria Sá Pereira

Mote:

Sou feliz com tão pouco
E do pouco que eu tenho
Faz o pensamento louco
Para ver se o mantenho.

Glosa:


Há uma vida com tudo
E anda o mundo oco
O meu lema é contudo:
Sou feliz com tão pouco.

Há muita guerra atroz
Por herança sem tamanho
Sou feliz pelos avós
E do pouco que eu tenho.

Há quem não pense enfim
Ou fale até ser rouco;
Ha uma doença ruim
Faz o pensamento louco.

Vamos partilhar beleza
Natural como um desenho...
Ao juízo dar destreza
Para ver se o mantenho.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sol de lirismo

Marina de redondel
Protetora de veleiros
Dourada com o pincel
Dos raios de sol tinteiros.

Marina nobre painel
De Angra e marinheiros
Que ancoram o batel
De perto ou de estrangeiros.

Uma roda pequenina
Serve de nossa Marina
Dourada de heroísmo.

Dou de mim tudo o que posso
Por amar o bem que é nosso...
E à Marina dou lirismo!

Rosa Silva ("Azoriana")

O meu terço

o meu terço


Até ao último suspiro
O meu terço é de versos
Que surgem de mim dispersos
E que muito mais admiro.

O meu terço não retiro
Dos sonetilhos inversos
No meu coração submersos
E de lá eu os transfiro.

Já não sei rezar por mim
Na colateral do fim
De uma data invisível.

Tenho medo... medo atroz,
Da vida que é veloz...
De âncoras impossível.

Rosa Silva ("Azoriana")

Um cálice de penas

Sempre que um homem chora
É pena tão maculada
Não se pode fazer nada...
Finda quando vai embora.

O choro também decora
Uma rima assim bordada
De penas (a dor dobrada)...
[Não sei se a morte demora].

Visto versos como vento,
Tenho pena de os deixar
No cálice de aquém-mar.

Tenho duplo sentimento:
Viver tem partes amenas...
Só a morte veste penas.

Rosa Silva ("Azoriana")

19/02/1927 Lembro-me dela... (Clarisse Barata Sanches - RIP)

Dela não se faz teatro?!
Se viva, ontem, faria
Os seus noventa e quatro
Lembro, hoje, quem diria?!

Sanches, Clarisse Barata
Grande verso eu queria,
Numa rima muito exata,
Mas só ela a contaria.

Tinha versos como flores
E rima de grande conta,
Que mandava p'rós Açores
Sempre de alegria pronta.

Minha boa, grande amiga,
Poetisa lá no Céu,
Oxalá que ela consiga
Da mãe receber troféu.

Tanto que dela falava,
E da minha que lá tenho;
Só que jamais esperava
Não ver mais o seu empenho.

Clarisse, meus parabéns,
Neste dia adiante,
Os teus livros são os bens
Que guardo na minha estante.

Festeja com teu irmão,
E tua jovem sobrinha,
Aos outros que lá estão
Festeja como rainha.

Se vires o meu olhar,
E violetas à janela,
São as rimas de além-mar
A louvar a festa bela.

Rosa Silva ("Azoriana")

Clarisse Barata Sanches

A Árvore Mãe (dedicatória a Maria Fagundes)

a árvore mãe

Eis a Árvore Mãe
Com braços abertos
Estantes desertos
Que beleza têm.

Maria também
Nos lugares certos...
Sentidos despertos
Que sempre convém.

Vejo redondilha
De folhas em quilha
Bel'ilha Terceira.

Vejo quanto baste
Do bem, que herdaste,
Que enlaças certeira.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ao Carnaval 2021 (Fontinhas)

Parabéns com uma vénia!

Que maravilha de voz
Ecoa em qualquer lugar
Em companhia ou a sós
Merece em rima louvar.

Em nome da nossa Cultura
E das boas tradições
A sua voz é doçura
Que brilha nos nossos salões!

As Fontinhas nos consola
Com uma voz de ouro
O violão desenrola
O valioso tesouro.

Sejam estas quadras minhas
As flores que de mim dou
Num bouquêt para as Fontinhas
Pelo que Hildeberto cantou.

E também ao bom papel
Que se juntou ao seu
Ao sr. José Gabriel
Que um verso mereceu.

Eu estou emocionada
Cheia de felicidade
Por ouvir vossa toada
No Kanal da amizade.

Rosa Silva ("Azoriana")

Dança, dança comigo! (Zé Nandes)

Zé Nandes


Ó Zé Nandes faz cantiga
Aqui para a tua amiga
Que afinal também é prima
Este ano é anormal
Mas festeja o Carnaval
Com a delicada rima.

Não importa onde estejas
Só quero que tu me vejas
Como Rosa de aventura
E no regaço uma flor
Que é sonho de valor
Que rima a sã Cultura.

És grão-mestre da Terceira
No que toca à brincadeira
Mesmo entre os demais
Faz com que haja sorriso
No palco do improviso
Nestas redes sociais.

Minha prece aqui vai
Como a oração ao Pai
E à Mãe que a todos quer;
Esteja no Céu a tua
E a minha que me atua
Doce rima de mulher.

Fica a Rosa mesmo agora
Olhando o lado de fora
Onde o sol veio com vento...
Será que trouxe recado
De um beijo recheado
Com tua fé e talento.

Se voltares à nossa beira
Volta e beija a Bandeira
Do Divino Espírito Santo;
A coroa e cetro então
Te recebam em união
E vem ver-me no meu canto.

S. Carlos, nos Folhadais,
Entre os muros e os ais
Fico eu mais inspirada;
Em verso estou cantando
Como quem está orando
Frente à Virgem, nossa Amada.

Espero de ti a resposta,
Por ventura, bem disposta,
Vinda com grande alegria;
Esquece um pouco a ideia
De não ver a casa cheia
Mas ver fora a pandemia.

É impossível deixar
De nesse vírus falar
Mesmo com mais desagrado,
Quero é seguir em frente,
Louvar tanto, tanta gente,
Que trata o adoentado.

Zé Nandes eis que no fim:
És o cravo, és alfenim,
És o canto d'esperança;
Faz reinar à tua altura
Uma voz sã e segura
Como se fosses a Dança!

Rosa Silva ("Azoriana")

Bodas de Ouro Carnavalescas: A João Mendonça

João Mendonça
Foto da direita da autoria de Fernando Pavão


Da Agualva ao Porto Judeu
E mais longe tudo é teu
Homem de arte e cultura
Muito mais que a tua altura.

Homem que honra o que é seu
E já muito ao mundo deu
Com graça, dom e ventura,
Saber fazer com estrutura.

Viva, viva bom João,
Filho d'ilha e região,
Que amou a vida inteira...

É de ouro a sua Boda
Que reúne a verve toda
Em aplausos na Terceira.

Rosa Silva ("Azoriana")

À Maria Costa e marido

Felicidades!


Ó que linda a flor que brilha
No rosto da mocidade...
Sorrindo à felicidade
Que comunga da partilha.

Mulher é flor é maravilha,
Nas mãos da tranquilidade,
No amor e na amizade
Que se faz em redondilha.

O amor quando se vive,
Porque unido já estava
Na flor que a mão levava.

Faz brilho que sobrevive
No lar de apaixonados,
Felizes e enamorados.

Rosa Silva ("Azoriana")

Carnaval 2021 (em casa)

Para meu contentamento,
Eis a prova de ternura:
Deixo voar a candura
De uma rima de alento!

Que o povo fique atento,
À saúde mais segura,
Mantendo fé na cultura
Que virá noutro momento.

Minha rima assim possa
Minimizar a saudade
De não ir à Sociedade.

Para bem da gente nossa,
Deixamos nossos salões
P'lo palco em televisões!

Rosa Silva ("Azoriana")



 

Carnaval ao peito

Quem ama em especial
A diversão terceirense
Vai sentir que o Carnaval
Que agora não lhe pertence.

É como onda anormal
Maior e que tudo vence
Uma enchente afinal
Faz parar quem nela pense.

Não há riso no salão
Só frente à televisão
"Fanca-te-em-casa" a eito.

Só quem ama outra moda
Dá em louco e anda à roda
Com o Carnaval ao peito.

Rosa Silva ("Azoriana")

Nota: Gravado para Rádio Portugal USA

"O cheque amaricano"

Amigos que aqui estão
E os que podem vir a estar...
Hoje ri com uma questão
Que tenho de vos contar.

Um cheque internacional
Tinha eu pra depositar;
Como estamos em Carnaval
Bem podia dança dar.

Com o cheque num vaivém
Sem aceitarem o dito...
Recorri a outro alguém
Que agora é meu favorito.

Ainda dei umas gaitadas
Porque o tal cheque "voou"
Com "comiss(ch)ões" descontadas
E o troco ainda não chegou.

Três meses tenho de espera
Para ver o tal tostão?!
Começo a ficar severa...
Que tristeza esta então.

Se o meu banco não o quer
Vou eu para outro lugar:
Fiz rir homem e mulher
Que o quiseram aceitar.

Dava assunto para dança
Ou então algum Bailinho;
A mãe fraca de finança
E o dinheiro "noutro cantinho".

Já ficam bem avisados,
Que cheques do estrangeiro...
Podem ficar arrumados
Pois demora a ver dinheiro.

Nestas trocas e andanças
À procura de um trilho
Tive que dar as "poupanças"
Para a conta de um filho.

Se em dois mil e vinte dois
Quiserem aproveitar
Podem no enredo depois
Fazer rir o que faz chorar...

Rosa Silva ("Azoriana")

Tempo sem tempo

03-02-2021


Tanto que se faz à pressa
E parece uma eternidade
Há trabalho que começa
Com amor e com vontade.

Seja lento ou apressado
O trabalho que nos cabe
Pode ser mais apreciado
Para quem entende e sabe.

Dentro e ou fora de portas:
Gabinete, quarto ou cozinha,
Vale é como te comportas
Mesmo que fales sozinha.

Isto tudo para apontar
No caderno do pensamento
Que amo tanto trabalhar
No quarto onde me assento.

Os dias são como o mar
Tingido de azul e branco
As noites dão que sonhar
Mas o sonho já é manco.

Foi-se embora a juventude
O riso que de mim saía;
A alegria é virtude
E com saúde vivia.

O pior que pode haver
Mesmo que a gente não veja
É o riso escurecer
Se alguém tiver inveja.

A inveja é quando sentes
O coração apertado
Quando queres mostrar os dentes
E o riso sai calado.

Virando o disco em dó
120 vou contar
Amanhã a minha avó
Se viva ia celebrar.

Rosa Silva ("Azoriana")

Voo d'Água

foto de Maria Fagundes


(Dedicatória a Maria Fagundes)

Água com asas,
Cauda de peixe,
[Unem-se em feixe]
Agora arrasas.

Não te atrasas
[Ninguém se queixe,
Alguém te deixe]
Longe das casas.

Vai ver a mãe:
A natureza,
Força, beleza.

Maria tem...
Sem qualquer mágoa
O Voo d'Água!

Rosa Silva ("Azoriana")