Quarta-feira 28/10/2020

28102020

Olho para estas paredes
Que coloco nestas redes
E vejo-te ó mãe querida
Por tanto que já passei
Foi de ti que hoje lembrei
Dezassete anos de partida.

Foi em outubro é certo
Que em mim ficaste perto
E de lembranças tamanhas
Fiz tanta quadra a rimar
Para unir a Terra ao Mar
Bem como outras façanhas.

Desde então eu colori
Os meus versos que vivi
Com maior intensidade
Corri mundo no pensamento
E debrucei-me no evento
Serreta na intimidade.

Adeus mãe até um dia
Que se encontre a alegria
De juntas irmos cantar
Perto do céu e das estrelas
Que, sem ti, não quero tê-las
No meu peito a iluminar.

Eras Matilde Correia
Que reúne a plateia
Para agora me escutar
Nem que seja um só ouvinte
Será sempre um requinte
Nesta arte de pautar.

Minha alcunha ("Azoriana")
Insular e açoriana
Regional e terceirense;
Da bravura é uma chama
Da cultura se inflama
O valor a Deus pertence.

28/10/2020

Quarta-feira (nasci numa quarta-feira)

Rosa Silva ("Azoriana")

Agradecimento ao Dr. Raul Rodrigues, HSEIT e todos intervenientes

Águeda Melo é do Pico
E do Pico foi pró Faial
Na Terceira onde fico
Veio ela muito mal.

Socorrida no Hospital
Da nossa ilha Terceira
Uma doente renal
Ressuscitou pioneira.

Nos Cuidados Intensivos
Esteve ela mais que um dia
Se hoje está entre os vivos
Foi graças à Urologia.

Um rim lhe foi tirado
Para bem de se salvar
Dr. Raul muito obrigado
Deste ato irá lembrar.

Não sei de todos os detalhes
Vou sabendo por contatos:
"Ó Águeda tu não me falhes,
Prima cuida dos novos atos".

É verdade que ressuscita
A vida de uma mulher
E ainda se acredita
Diga-se o que se disser.

Obrigada a tanta gente
Que da saúde nos trata
Obrigada tão somente
Pela glória desta data.

Um abraço reconhecido
Ao médico e pessoal
Que por bem tem socorrido
Os doentes no Hospital.

Rosa Silva ("Azoriana")

Mês de folhas caídas

Hoje foi um daqueles sábados mais horizontais que verticais. Pausei afazeres e rendi-me aos "pesadelos" de sonhos fora de horas próprias para o sono purificador.
Sobressaltei-me. Muda a hora para termos as "noites imensas": escurece cedo. Rendo-me à "caseirice" da atualidade que tende a prolongar-se...
Entretanto, descubro, por estas redes, que há partidas de "mortes anunciadas". Fico a pensar que um qualquer dia/noite será a minha/nossa vez. Que seja natural e sem ruído. Detesto que se fale muito no ato de velar. Hoje não deixam ajuntarem-se em grande número. A partida é como a chegada: só com os mais chegados...
Eu só queria saber, antecipadamente, (coisa minha) se deixava saudades a alguém?! Em vida é que devia saber, não após.

Dia 26/10/2020 faz quatro anos que partiu a minha sogra.
Dia 28/10/2020 faz 17 anos que partiu a minha mãe.
Outubro será sempre um mês de folhas caídas e lembranças sentidas.

Rosa Silva ("Azoriana")

Musical rotunda sancarlense

rotunda sancarlense

É musical monumento
De Tomás Borba rotunda,
De João Dutra talento
Que bela Clave se funda.

Violoncelo atento,
Piano tecla profunda,
Que valoriza o momento
Da visita que os inunda.

É arte p'ra freguesia
Que conserva a melodia
Em rotunda escultural.

É prazer admirável
Clave de Sol impecável,
De outubro a ideal.

Rosa Silva ("Azoriana")

A Liduino Borba

Não sei que diga e faça
Num verso que satisfaça
Para louvar um amigo
Também a nossa Região
Pode fazer ovação
A quem honra o antigo.

Abraçou tanta Cultura
Com sua desenvoltura
Em livros de dimensão
Valor e patriotismo
Vitória e Heroísmo
Escritos por sua mão.

Em vida a homenagem
É grata e de coragem
Para bem do ser humano
É com graciosidade
E sincera amizade
Que louvo este açoriano.

Liduino é digno autor
Por vezes com co-autor
Fonseca, o lisboeta;
Por ambos sou admiradora
E dos versos autora
Com raízes da Serreta.

Grande abraço

Rosa Silva ("Azoriana")

Berço de heróis (Santo Amaro da ilha do Pico)

A saudade não tem cheiro
Nem a luz de um farol
Que ilumina o marinheiro
Na despedida do sol.

A saudade... é nevoeiro,
Densa, negra, também mole;
Quem seria o primeiro
Que a matou sem anzol?!

"Terra dos Barcos" - saudade,
Que nos prende de verdade
Aos antigos imortais.

Sei que é berço de heróis
[Muitos, tantos, mais que dois],
Bons construtores navais.

Rosa Silva ("Azoriana")

Construção naval

Quem constrói com seu trabalho
Obra pra bem navegar
Dizê-lo aqui não falho
Um dia vai lá chegar.

Mesmo de baixa maré
Ou água pelos cabelos
Chegará sempre com fé
Navegando em atropelos.

Não digo a correr mágoa,
Nem sei andar na água
Como anda uma canoa.

Só sei que um marinheiro
Faz do construtor primeiro
Leme da sua pessoa.

Rosa Silva ("Azoriana")

Quebras

Quebra-se o sono
Quebra-se a vontade
Quebra-se o dono
Quebra-se a verdade.

Quebra-se a paz
Quebra-se a vida
Quebra-se e faz
Quebra-se a lida.

Quebra-se a sorte
Quebra-se o dano
Quebra-se o forte
Quebra-se o ano.

Quebra-se a hora
Quebra-se o dia
Quebra-se outrora
Quebra-se a via.

Só não quebramos
O que em nós existe
E quando amamos
O amor persiste.

Rosa Silva ("Azoriana")

30 (Trinta dias) *

Num ápice... ao fim chegou
A "pausa" que eu merecia...
Não saí... pouco mudou...
Amanhã venha outro dia.

Recomeçar com apreço,
Assim Deus me ajude,
A saúde não tem preço...
Portanto... haja Saúde!

"Adeus" até para o ano
Se houver vida e houver paz
Com o melhor que se faz.

"Adeus" termo açoriano
Como a saudade nos finta
E num ápice se foi trinta...

Rosa Silva ("Azoriana")


* férias com dias úteis, tolerância e fins de semana.

Que haja uma tarde feliz

Que haja uma tarde feliz
Em cada ser ou lugar.
(Lembro de tanto infeliz
Que se vê longe do lar).

Que haja menos doença
E saúde a despontar
(Por quem sofre só se pensa
Que venha a recuperar).

Ó Deus onde é que estás
Nesta hora e momento?!
Como a nuvem se desfaz,
Faz o mesmo ao pensamento.

Tira de mim uma tristeza,
Tira de mim uma amargura,
Sei que estás na natureza
Que me inspira a ver ternura.

Rosa Silva ("Azoriana")

O entardecer

Eu não sou madrugadora
Nem vejo o sol nascer
Sou apenas sonhadora
Numa tarde a crescer.

Vai-se o sol para o poente
Sereno e em calmaria
E eu no quintal somente
À espera do fim do dia.

Falta pouco ou quase nada
Para este sonho acabar
Abrirei com a madrugada
Pró trabalho começar.

Mesmo em férias vou olhando
Se há algo para fazer
Pelo povo e até quando
Possa ver o entardecer.

Rosa Silva ("Azoriana")

Outubro novo

Ó querido Deus obrigada
Por me dares a saber
Em sinais que sinto ter
Vossa Mão abençoada.

Ó querido Deus sou nada
E do nada dou meu ser
Que eu possa fortalecer
A cor de nova jornada.

Cristo Rei imaculado
Com a Santa Mãe ao lado
Perdoa a minha atitude.

Cristo Rei da Terra e Mar
Que meu "nada" seja Amar
E fazer mais do que pude.

Rosa Silva ("Azoriana")