Cachos azuis de afago
Recheiam pedras de lava
Hortênsias que não estrago...
No verso que se desbrava.
Frescas como num lago
Perfeitas que tanto amava
Também por elas é que trago
A Serreta que não me trava.
Azul, verdes, do meu encanto,
Pousam lindos com espanto,
No caminho de nascença.
Logo eu fico admirando
O que o meu chão vai dando...
A flora de paz imensa!
Rosa Silva ("Azoriana")
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Flora da Serreta
Ao Kanal ilha 3
Pela ilha com dois ou três
Convidados de talento...
Um também tem sua vez
Depende qual o evento.
Mais um Kanal da Terceira
Para quem gosta de ver
Em amena cavaqueira
Cada qual dá seu saber.
É dos Biscoitos de lava
A freguesia do vinho
Agora p'ra gente grava
E nunca fala sozinho.
Só não sei se é preciso
Dar alguma indicação
De falar do improviso
De gente que canta ou não.
Vem aí o Carnaval
Vamos muitos pró salão
Mais à frente é natural
O Pezinho onde eles vão.
O dom de improvisador
Não se estuda nem aprende
Pode ser só amador
Da quadra que surpreende.
Luís Sousa meus louvores
Por também fazer história
Em divulgar dos Açores
O que merece memória.
Em vida faço homenagem
Porque em vida sabe bem
Dá trabalho a filmagem
Mas cá fica o que convém.
Rosa Silva ("Azoriana")
Zé Nandes

Chegaste onde querias
Ó meu primo Zé Nandes
Nas asas de melodias
Num país dos grandes
Recorda-me nos teus dias
Em que melhor te expandes.
Da ilha para o Canadá
Vai um abraço apertado
Se não mais vieres cá
Sempre serás lembrado
Na vida quando se dá
Também se é recompensado.
Se um dia te lembrares
Do meu verso que rima
E para o céu olhares
Verás algo lá em cima
Se uma lágrima pegares
Será saudade e estima.
Um dia a teu lado
Me quiseste a cantar
Foi tão do meu agrado
Soubeste me encantar
Agora serás aclamado
Em terras de além-mar.
Na Serreta à Senhora
Cantaste maravilhas
Está contigo agora
Mesmo longe das ilhas
Que tenhas pla vida fora
A melhor das partilhas.
Quando olho para ti
Vejo o dom que comanda
Agora que está aí
Contigo alguém sempre anda
Aquela que tens aqui
A tua mãe Fernanda.
Não chores, não lamentes,
Segue o que tens direito,
Outro forma não tentes,
Estás no palco perfeito
Zé Nandes o que tu sentes
Está enraizado no peito.
Te peço Zé humildemente
Lembra-te que cá estou
E lembra a tua gente
Para ti o céu brilhou
O horizonte é quente
Por isso um aplauso te dou.
Rosa Silva ("Azoriana")
À Benny (amiga)

É meiga e amorosa
Não faz qualquer mal
Já dormiu com a Rosa...
Calada, não deu sinal.
Dorme e quer-se quentinha
Junto à sua lareira
Vai dar a sua voltinha
Com seu dono à beira.
Parece que entende
O que nós dizemos
A sua língua estende
E o sorriso lhe vemos.
Um dia se Deus quiser
Voltarei a vê-la
E as voltas que der
Será como uma estrela.
Benny é raça competente
Podem dizer que é má
Mas esta é diferente
Como ela não vi cá.
Em Fafe ela se diverte
Com a dona Alvarina
Que sempre ela desperte
Com mimos de "menina".
Ela merece agora
Versos da sua tia
O Carnaval não demora
Precisa fantasia.
Quando vier o Verão
Tem sua piscina
Pra dar um "mergulhão"
Na água cristalina.
Em dois mil e dezassete
Visitei a cadelinha
Na mente a cassete
Com a fita melhor que tinha.
Agora me despeço
Com mil e um agrado
E aos seus donos peço
Deem abraço apertado.
Rosa Silva ("Azoriana")
Homenagem à Turlu (Maria Angelina de Sousa)
Minha homenagem à Turlu Gostava de ver parentes Da cantadeira Angelina Que estivessem presentes Nessa cantoria fina E o retrato dos ausentes Quando ela era menina. Jamais serei cantadeira Com a garra que ela tinha Da rima sou tecedeira Nem conto a que é minha Rimei tanto na Terceira Só Turlu é que é rainha. José Santos leva à cena Uma justa homenagem Sei que não será pequena E vem gente de viagem Por mim só tenho uma pena Da voz calar a coragem. Louvo a Turlu, grã mulher, Poetisa e cantadeira, Ilustre pra quem quiser E sabe que é a primeira; Diga-se o que se disser Foi orgulho da Terceira. De mim o que posso dar São os versos de papel Feitos como que a cantar Na tecnologia fiel As rimas são como o mar A bater no meu batel. Venha o Sol por cortesia A Aurora abrilhantar; Venha o Mar e maresia Temperar a quem cantar: À grande Turlu, Maria… Coração de terra e mar. Venha o povo que bem ama Cantigas ao desafio Que no coração são chama E também são arrepio Porque quem nasce pr'á fama Lavra mais calor que frio. S. Carlos, no Pavilhão, Situado à minha beira, Louvo em antecipação, Mui sincera e verdadeira: Os cantadores de eleição S. Miguel, Pico e Terceira! 24/02/2019 Rosa Silva ("Azoriana") |
Poemante (a Pinhal Dias)
Não existe palavra mais doce
Do que a dita poesia
Quem dera que ela fosse
Minha por mais que um dia.
Poemante eu quero ser
Ter da letra a minha parte
Que voa para conhecer
O caminho de nova arte.
Poemas sinais de brio
Como um doce desafio
Colorindo a nossa vida.
É assim que no regaço
Tanta letra eu abraço
De poemante incontida.
Rosa Silva ("Azoriana")
Born land

Nasci no quarto virado ao mar que a seta indica, onde o sol me acenava antes de adormecer ao nível do horizonte, entre as ilhas S. Jorge e Pico, e mesmo em frente, a ilha Graciosa. Lugar pacato, verde, frio de Inverno e prazeiroso de Verão. Ótimo para olhar a estrada de mar com a "baixa" a rebentar espuma alva. Dá-me lembranças de estar na varanda silenciosamente a ouvir as melodias da natureza natal. Jamais será a mesma coisa. Ficam os retalhos vincados na mente de dias felizes e sem pressas... tudo era aquela hora, aquele dia entre a Terra e o Mar ao alcance do olhar e coração.
Mote (imagem da Serreta)
☆ A minha mãe era a Terra
O meu pai veio do Mar ☆
☆ Eu nasci perto da Serra
Que abençoou o meu Lar. ☆
Glosa
☆ A minha mãe era a Terra,
Com sofrimento mas bela,
Que ainda lá se encerra,
P'lo tanto que gostou dela.
Da Terra ela não sai...
☆ O meu pai veio do Mar;
Por ela mais que o meu pai
Gosto tanto de rimar.
Tanto que a rima me berra
Parece amor sem medida:
☆ Eu nasci perto da Serra,
Perto dela vi a vida.
Uma vida sem ter pressa
Deixei-a p'ra me enganar...
Tal Terra foi a promessa
Que abençoou o meu Lar. ☆
15/02/2019
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Obrigada mãe pela linda inspiração. Deus te dê Paz eterna.
Visita a Senhora!
Visita à Senhora
Mãe da aurora
Dona da Luz
A linda flor
Altar de Amor...
E de Jesus.
Hoje abençoa
Cada pessoa
Cada lugar
Quero-te bem
Ó minha Mãe
Mãe exemplar.
Tira a dor
Ao sofredor
Dá alegria
Eu agradeço
A quem conheço
Neste bom dia.
Viva a chama
Daquele que ama
E trata bem;
Virgem Maria
Flor de alegria
Viva também!
Rosa Silva ("Azoriana")
Ponta da Serreta
Dizem Ponta da Baleia
Para mim é Bico de Ave
Que dia-a-dia chilrreia...
Sob o sol da sua clave.
Dizem que na lua cheia
Vê maresia à-vontade
Meu coração incendeia
Com a chama da saudade.
Foi quadro da minha rima
Das linhas da minha estima
Chilrreio do meu encanto.
Foi e é a tela de artista
Com Maria à sua vista
Inspiração do meu canto.
Rosa Silva ("Azoriana")
Matilde Rosa Cota Correia
Mãe, Mãe... ó linda Mãe!
Perdoa a tua filha
A flor que deste à ilha...
[E outra deste também.]
Mãe, Mãe... ó doce Mãe!
Sem vida de maravilha:
O teu ser sempre em quilha
De males que não convém.
Hoje santa me pareces
E creio que não me esqueces...
[Brilhas na intimidade.]
Que esse brilho seja o Céu
Azul nas flores de ilhéu
Que me inspiram de verdade.
Rosa Silva ("Azoriana")
Bem-nos-quer e Flores florindo

Bem-nos-quer
Linda Mãe que me visitas
Na magia em melodia:
Hoje dás-me alegria...
E sorrindo o sol imitas.
São alvas as Tuas fitas,
És a flor que o Amor cria;
Da Serreta é que irradia
A rima de vozes ditas.
Meu Amor por Ti é tal,
Rainha de Portugal,
Padroeira da Serreta…
Agradeço a boa hora,
Agradeço a Ti Senhora...
Bem-nos-quer [na silhueta].
Rosa Silva ("Azoriana")

Flores florindo
São flores do coração
Que moldam a freguesia
Onde nasci eu um dia...
Fruto duma boa ação.
Quiseram-me Rosa então
Outro também me servia
Na hora foi o que havia
E a flor se fez opção.
Foi o perfil pioneiro
Que me consola o olhar:
Da Terra se vê o Mar.
Sou do campo por inteiro:
Mãe e Pai talvez sorrindo
No Céu em flores florindo.
Rosa Silva ("Azoriana")
Senhora dos Milagres - Serreta
És a nossa salvação
Rainha maravilhosa
A mais linda e pura rosa...
Com Jesus em união.
Teu Rosário na Mão
Esfera tão luminosa
De contas misteriosa
Chama o povo à oração.
A fé de rima decora
O que não guardo em gaveta
Por ser verso num segundo.
Madrinha, Mãe, ó Senhora
Dos Milagres, da Serreta,
De Portugal e do Mundo.
Rosa Silva ("Azoriana")
Milagrosa Flor
Abençoa o crente
Abençoa o povo
Abençoa a gente…
Do velho ao novo.
Perdoa-me então
Se há pecador
Seja o perdão
Milagrosa flor.
Rosa Silva ("Azoriana")
Rosas de Mãe
O Jardim do altar-mor
Exala perfume doce
Em setembro o melhor...
Canteiro que alguém trouxe.
Cada flor é uma oferta
Para ser Rosa de Mãe
O seu perfume desperta
A alegria de quem vem.
A ideia foi lançada
E se cumpre anualmente
Jardim da Senhora amada
Perfuma de amor a gente.
O dia que eu me calar
Na escrita inspirada
Com certeza vou ficar
Sem o perfume de nada.
Rosa Silva ("Azoriana")
Serreta linda

Serreta linda Serreta
Cantinho que vejo bem
Bonita é de silhueta
A torre da nossa Mãe.
No centro reúne a fé
A chave de um soneto
No meio já estive ao pé
Do simbólico coreto.
Do coreto ora pequeno
Para o tamanho da Banda
A ele ainda aceno
Lembra-me pai que comanda.
Ó imagem de valor
Império doce oração;
Santuário de Amor,
Da Mãe do berço cristão.
02/02/2019
Rosa Silva ("Azoriana")
