Cinco Ribeiras

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Cai a tarde sombreada
Paralela ao meu olhar
Acinzentado o mar
Numa pausa comentada.

Vai a nuvem engalanada
Como se fosse a voar
Numa corrente lunar
Na parede pendurada.

E o coração bate forte
Prisioneiro à minha sorte
De estar noutras fronteiras.

O som que ouço me acalma
Na hora que cada alma
Me vê nas Cinco Ribeiras.

Rosa Silva ("Azoriana")

Cota asseado



Primogénito querido
Desde a hora da ideia
Que é ter a casa cheia
De um desejo vencido.

Com esse ar divertido
Onde a graça incendeia
Fazes rir de volta e meia;
Que bom tu teres nascido.

Do fundo do coração
Ergo a justa oração
Que em verso te sublima.

Que tenhas boa saúde,
Sempre a melhor atitude
Prá oferta flor de rima.

Rosa Silva ("Azoriana")

Vinte anos



Há que tirar parecenças
Desse rosto luminoso
Mas não vou dar-te sentenças
Fico pelo ar bondoso.

Espero que tudo venças
Tens de ser estudioso
O que for demais dispensas
Basta não ser ocioso.

Em Coimbra estudante,
Da ilha és emigrante,
Lembrando dos teus amores.

Brevemente irás voltar
Às raízes do teu lar:
Tua Terra é os Açores!

Rosa Silva ("Azoriana")

Natural painel



Rosto de alegria,
Olhos de brilhante,
Que até contagia
O seu semelhante.

Rosto de princesa,
Sorriso de mel,
Aida natureza,
Natural painel.

Tem serenidade,
Paz no seu olhar,
Cópia de mar.

Digo à-vontade:
Minha filha linda,
Querida e bem-vinda!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Angra natalícia

Angra está iluminada
Com uma chuva de estrelas
De presentes decorada
Bolas rubras podeis vê-las.

Até o Anjo que anuncia
O presépio que se tem
No adro da alegria
Que chama quem lhe quer bem.

Um trabalho valioso
Linda luminosidade
Que seduz toda a cidade.

Acho o Menino vaidoso
Mesmo que não possa ser...
Seu brilho dá gosto ver.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ser mãe

Sou uma mulher feliz
Pelos filhos que eu tenho
Desejei-os com empenho
E tê-los sempre eu quis.

Muito por eles já fiz
E erros também desenho
Mas os erros não mantenho
Só mantenho a matriz.

Ser mãe é querer o bem
Aos filhos que jamais vão
Sair do meu coração.

Outra prova que ser mãe
É sobreviver à tristeza
E abrir braços à surpresa.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sanjoaninas 2017 - o Cartaz



É muito nobre, leal
É Angra sempre constante
De quem vem é imigrante
Dos de cá é natural.

Angra é linda sem igual
Ao colo seu diamante
Que a fez ser tão brilhante
Cruz de Cristo triunfal.

Quando Angra é visitada
É, por tantos, admirada
Jóia de recordação...

Quem com ela canta e dança
É Festa, doce esperança
Que agrada a São João!

Rosa Silva ("Azoriana")

Clarinetista e Trompista

É verdade!

E tudo muda
E tudo vira
Quem se escuda
Já está na mira.

E nada fica
E tudo cai
Quem se dedica
Também se vai.

Porque a mudança
Sempre assim foi
Vem de criança
Em velho dói.

Hoje é meu
Assim se diz
Amanhã teu
Mal não te quis.

A vida é bela
Se te cuidares
Nem dás por ela
Nem noutros ares.

Levantar cedo
Faz muito bem
Guardar segredo
Também convém.

Rosa Silva (“Azoriana”)