Para a "Voz dos Açores" em direto de Santa Bárbara - 2015/08/29

SANTA BÁRBARA (in “Voz dos Açores”)


Santa Bárbara da Terceira

Santa Bárbara - ilha Terceira


É torre de oração
É raio de amor somente
Relâmpago de saudação
No meu verso repetente.

Fez martírio à filha
Nem o seu pai ficou vivo,
Santa Bárbara hoje brilha,
Visitá-la é bom motivo.

Está em festa a freguesia
Com os de cá e os de fora
É motivo de alegria
Pra quem os abraça agora.

Bárbara santa, Bárbara feliz,
Rodeada de amigos
Que fazem da sua raiz
A memória dos antigos.

Dos novos também se fala
Porque são a geração
Da festa que nos regala
Por amor à tradição.

Não há tempo a perder
Cada um é como é
Mas é sempre bom viver
O cantinho da nossa fé.

Euclides Álvares e senhora
Estão na ilha dos amores
Em direto, sem demora,
Na linda “Voz dos Açores”.

“Voz dos Açores” o programa
Com gosto de alma inteira
E de quem fala e ama
Santa Bárbara da Terceira.

Outras ilhas, outros lares,
Outros trilhos mundiais,
Na língua dos insulares
Na palavra dos jograis.

Um abraço de alegria
Troveja do coração
Direto da freguesia
Saudando qualquer Nação!

Vinte e nove de agosto do ano de 2015
Rosa Silva (“Azoriana”)

Programa das Festas de Nossa Senhora dos Milagres - Serreta - 2015

SÁBADO (12 de setembro)


19:00 - Desfile da Filarmónica Recreio Serretense (do Pico ao Santuário)


20:00 - Novena


20:45 - Abertura da Iluminação e Bazar


22:00 - Concerto da Filarmónica Recreio Serretense


Filarmónica Recreio Serretense


23:30 - Tradicional Fogo Preso


00:00 - Missa


 


DOMINGO (13 de setembro)


06:00 - Missa / Alvorada (zona abaixo do Santuário)


10:00 - Missa


16:00 - Missa Solene em Louvor da Nossa Senhora dos Milagres, seguida da Procissão


20:45 - Abertura da Iluminação e Bazar


21:30 - Espetáculo Musical com o Grupo "Bel Cantus"


Bel Cantus


SEGUNDA-FEIRA (14 de setembro)


06:00 - Alvorada (zona acima do Santuário)


11:00 - Missa


17:00 - Tradicional Tourada na Praça do Pico da Serreta
             (com 4 toiros puros de Marco Nogueira
              abrilhantada pela Filarmónica Recreio Serretense)


Domingo e Segunda-feira


20:45 - Abertura da Iluminação e Bazar


21:00 - Noite Infantil com Insufláveis, Pinturas e Balões


21:30 - Espetáculo Musical com o Grupo "What Up"


What Up


TERÇA-FEIRA (15 de setembro)


12:00 - Tradicional Bodo de Leite


18:00 - Missa seguida de Procissão em Louvor de Santo António


19:00 - Bodo das Brindeiras


Brindeiras


20:45 - Abertura da Iluminação e Bazar


21:30 - Grandiosa Cantoria Açoriana com os Cantadores:


             Bruno Oliveira, Carlos Andrade,


             José Eliseu, Marcelo Caneta,


             Fábio Ourique e Tiago Clara,


             acompanhados pelos tocadores:


             Osvaldinho P. Lima, Osvaldo M. Lima, Tiago e Paulo


 


QUARTA-FEIRA (16 de setembro)


11:00 - Excursão ao Tentadero Francisco Sousa


17:30 - Tourada à Corda com Toiros de F.S., E.R., R.B., C.A.J.A.F.


 


QUINTA-FEIRA (17 de setembro)


16:00 - Tradicional Vacada na Praça do Pico da Serreta


             (com vacas de Marco Nogueira


              abrilhantada pela Filarmónica Recreio Serretense)


20:45 - Abertura da Iluminação e Bazar


21:30 - Concerto de Pasodobles pela Filarmónica Recreio Serretense


 


SEXTA-FEIRA (18 de setembro)


20:45 - Abertura da Iluminação e Bazar


21:30 - Espetáculo Musical com o Grupo "Só Forró"


             oferecido pelo Sr. José Gabriel Mendonça


Só Forró


SÁBADO (19 de setembro)


17:30 - Tourada à Corda com 4 Toiros Puros de Rego Botelho


             oferecida pelo Sr. José Gabriel Mendonça


 


Tourada extraordinária


 


* After Party junto à Praça de Toiros - Animação de rua pelos "Fun Guys Band" *


Fun Guys Band


 


 


APOIOS:


Junta de Freguesia da Serreta


Junta de Freguesia das Doze Ribeiras


Câmara Municipal de Angra do Heroísmo


Sociedade Filarmónica Recreio Serretense


Proteção Civil e Bombeiros dos Açores


 


ATENÇÃO:


FECHO GERAL DO TRÂNSITO


SÁBADO - DAS 18:00 ÀS 02:00


DOMINGO - DAS 15:00 ÀS 21:00


 


FELIZES FESTAS EM LOUVOR DA SENHORA DOS MILAGRES


SERRETA 2015


N. S. Milagres da Serreta

Coração de vaga ardente

coracao_de_vaga_ardente


 


mais um dos meus livros (não editados)



Rosa Silva ("Azoriana")

Panfleto - frente e verso

Panfleto frentePanfleto verso

Para leitura clique em cada imagem


 

Lenda do Monte Brasil - Terceira (em verso)

Como reza a tradição
Da bela ilha Terceira
Havia uma paixão
Numa lenda pioneira.

O Atlântico apaixonado
Pela Princesa Baía
Acabou “enlutado”
De alegria vazia.

Era Príncipe dos mares
Como assim o conheciam;
Foi deitando seus olhares
A quem não correspondiam.

Princesa de belos cabelos,
Louros e cadenciados,
De amor, sem atropelos,
Por outro dos seus amados.

O ciúme incendiou
Nosso Príncipe apaixonado;
Atlântico então chamou
Uma Fada para seu lado.

Violento e desordeiro
Pra mudar acontecimentos:
A Fada foi quem primeiro
Fez magias, feitiços e ventos.

Nada conseguiu então
E o Príncipe dos Mares,
Furioso, deu expulsão
A Fada pra outros lugares.

A Princesa por entre olhares
Trocou o primeiro beijo;
Acorda Príncipe dos Mares,
Com sussurro relampejo.

Fazia da rocha seu leito,
Basalto e vulcânica areia,
E acordou de um jeito
Que a coisa tornou-se feia.

Até a Fada voltou
A este reino terceirense
Apaixonada já se mostrou
Mas o Príncipe não convence.

Queria vingar-se também
Do Príncipe, Senhor do Mar;
Ele apenas queria bem
À Princesa pra seu par.

Vendo-o tão furioso
A Fada se ofereceu
Para vingar o seu ditoso
Que contra a terra se bateu.

Cego de raiva e ciúme
Com mais ódio disse à Fada:
“Correi e fulminai”, como lume,
“Quem roubou a minha amada”.

“Mas…” ainda na voz dele,
Afirmou sua intenção:
“Lembrai-vos, só a ele,
Mal… À minha amada não!”

A Fada aceita o desafio,
Até convida o Senhor;
Acena a cabeça, que ele viu,
E leva p’la mão seu “amor”.

Na praia dois apaixonados:
A Princesa, ao sol poente,
Com os cabelos dourados,
Reclinada ao amor somente.

A Fada soltou sua mão
Do Senhor do Mar e foi…
Num encanto de magia, então,
O Monte ela constrói.

Monte Brasil fica a ser
Aquele eterno rochedo,
Altivo, sem mais prazer,
Coberto pelo arvoredo.

Jamais a Princesa o deixou,
Ficou sendo sua Baía
Angra que de paixão ficou
Reclinada de noite e dia.

Para sempre estão unidos
Milénios de romantismo;
E agora são conhecidos:
Lenda de Angra do Heroísmo.

Embalados pelas marés
Está aquele par romântico,
Soluçando a seus pés
O Senhor do Mar: Atlântico!

Não é triste esta história
É uma lenda de valor
Que a moral sejam a glória,
Fidelidade e amor.

Quem o Mal quer provocar
Acaba na ratoeira;
Esta lenda é exemplar
Porque ergue uma bandeira
Ao Bem que, sem lutar,
Se deitou à cabeceira,
Tanto ao sol como ao luar,
Do Monte que na Terceira
Tem a Baía pra amar
Muito além da vida inteira.

Rosa Silva (“Azoriana”)


Nota: Inspirada na “Lenda de Angra do Heroísmo - Terceira", na página da Casa dos Açores do Ontário, Canadá.


Lenda do Monte Brasil


 

A propósito de uma pesquisa cujo termo é "Hino"

À Casa dos Açores de Ontário - Canadá

Confesso deu-me alegria
Esta Casa que encontrei;
Antes não a conhecia
Mas garanto que gostei.

Honram as nossas raízes
E as boas tradições;
Pra sempre sejam felizes
Ficam em nossos corações.

O trigésimo aniversário
Em 2015 se conta:
Um evento extraordinário
No fim do ano se aponta.

Em Ontário sempre honrosa
Com dedicados valores:
Por Deus seja gloriosa
Vossa Casa dos Açores!

Vosso dia se festeja
Em dezembro em plenitude
Esta Rosa vos deseja
Flores de alegria e saúde.

Se a rima em mim chove
Como flores na primavera
Parabéns pró dia nove
De dezembro desta era.

Nesse dia se cá estiver
Florescendo em doce rima
Hei de voltar para ver
Se me leram com estima.

Mérito e maiores louvores
Dou à vossa Comunidade;
Da Terceira, dos Açores,
Grande abraço de amizade.

Rosa Silva ("Azoriana")

Santa Bárbara em Festa!

Santa Bárbara se enfeita
Para a Festa asseada
Com sua vinda será feita
Uma Festa partilhada.

Com honra e circunstância
Vem Euclides festejar
Recordando a sua infância
Mata a saudade do lar.

Santa Bárbara é freguesia
Com grandes melhoramentos
Zona de lazer é alegria
Pra comemorar eventos.

E a Senhora da Ajuda
Abençoa os visitantes
Em boa hora nos acuda
E à saudade dos emigrantes.

Cada um dá do que tem
Numa onda de fé viva
O regresso à casa mãe
É a dádiva festiva.

Parabéns p'la sua vinda
Da Califórnia de valores:
Dou mais valores ainda
À longa "Voz dos Açores"!

Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para Rádio Portugal USA.

Festas de S. Carlos lança programa hoje

Festas S. Carlos 2015


 «A Comissão de Festas do Império de São Carlos 2015, apresenta no dia 23 de Agosto, próximo domingo, pelas12h30m, no Largo de São Carlos, o Programa de Festas de São Carlos 2015.

Para o efeito convidamos todos os Irmãos, interessados e muito particularmente os órgãos de comunicação social,canais locais de televisão e rádios locais.

Agradecemos desde já a vossa presença.»


Minha dedicatória

S. Carlos tem o Divino
Na sua Festa anual
Quer-se um alegre hino
De amizade fraternal.

Toda a sua Irmandade
Quer honrar o seu Império
Com duzentos anos de idade
Louva Deus e seu Mistério.

A Santíssima Trindade
Dá-lhe gosto, tira o pranto;
À divina santidade
Pai, Filho e Espírito Santo!

Canta a nossa alma inteira
Um hino de caridade
Pra S. Carlos da Terceira
Que se une à Cidade.

Rosa Silva ("Azoriana")

Lançamento do livro de Paulo Jorge Martins Ávila

Paulo Jorge

Lançamento do livro de Paulo Jorge Martins Ávila

Hoje é dia importante
Cada um tem seu alforge
Quando chegar mais adiante
Vou ter o livro de Paulo Jorge.

Paulo Jorge é bom amigo
E também boa pessoa
A poesia traz consigo
Cantador de rima boa.

Hoje vou-te abraçar
E saber o que preciso
Como é o teu olhar
No louvor do improviso.

Sempre chegou o teu dia
De elevares tua grandeza
No que toca à poesia
Eu vou gostar de certeza.

Parabéns que bem mereces
Nesta digna ocasião
E sei que bem reconheces
O que se faz com paixão.

A paixão pela escrita,
Vai ser sempre nossa amiga;
Mais popular e favorita
Divulgar cada cantiga.

Rosa Silva ("Azoriana")



 


 

Falar da Serreta - 2012 e 2015

20150821Falar_da_Serreta


 


 Espero que goste! Visita-a na segunda semana de setembro de 2015.


Falar da Serreta

2015/08/20 "As crónicas de Mariquinhas", com Hildeberto Franco da TV12 Ribeiras

Nesta edição (e a meu pedido) o Hildeberto leu a minha dedicatória à D. Mariquinhas Roseira. Dos 04:45 aos 05:16 minutos ele leu o seguinte:

Parabéns à D. Mariquinhas
E ao Hildeberto também
Por mostrar as estrelinhas
Que a nossa Terceira têm.

Papas na língua não tem
Diz o que tem a dizer;
Fala de tudo por bem
A ninguém quer ofender.

Que em próxima semana
Que fales com a Mariquinhas
Diz que a Rosa Azoriana
A saúda em rimas, minhas!

É uma dama engraçada
No que fala a toda a gente
Por mim fico encantada
E a graça é permanente.

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: A Rosa da Serreta, como foi dito e gostei. Volto a agradecer por mostrarem o que há de mais genuíno na nossa terra, num canal que não se perde pitada. O vídeo está disponível para visão seguindo a hiperligação.

Euclides Álvares, amigo emigrante barbarense em aniversário

Aniversario_Euclides_Alvares


 


 

20/08/2015 A minha oferta a José Fonseca de Sousa, em livro

Acabei agora mesmo de compilar e escrever tudo o que consegui sobre o amigo das ilhas dos Açores, natural e residente em Lisboa, cujo nome já é muito falado, sobretudo, na ilha Terceira, pelos amigos do improviso: Pezinho, Cantoria, Desgarrada, "Velhas" e tudo o mais que seja da Cultura Popular Açoriana.

José Fonseca de Sousa sempre foi um seguidor do meu blogue desde que travámos a primeira conversa telefónica, por me ter encontrado nestas vias. Já encadernou alguns livros meus, não editados, em que faz dois exemplares, uma para ele e outro para mim. Hoje chegou a vez de eu retribuir todo o carinho que me presta.

Oxalá goste do que fiz com todo o contentamento e empenho.

Basta folhear o livro que fiz a José Fonseca de Sousa, em jeito de dedicatória e/ou homenagem. Com 67 folhas ei-lo:


JFS O amigo dos Açores


 
Abraços terceirenses,

Rosa Silva ("Azoriana")


************************


Escrito recebido de José Fonseca de Sousa, após tomar conhecimento do livro que lhe dediquei:


Cara amiga Rosa Silva,

Não tenho palavras para lhe agradecer!

Só a sua bondade era capaz de realizar uma coisa destas a meu respeito.

Penso que não serei assim tão merecedor.... como disse um dia o Ti João.

De qualquer forma foi a melhor "recompensa" que recebi pela minha dedicação aos Açores.

Bem-Haja


Um grande abraço,


José Fonseca de Sousa
Lisboa. 21/08/2015

Serreta: Convite 2015

Venham Capinhas capear,
A Serreta vos espera,
Para puderem ficar
Na história da nova era.

Venham os aficionados
De qualquer uma opção
Que estejam vocacionados
Pra taurina diversão.

Venham filhos emigrados
Da Serreta que vos chama
E tenham os olhos virados
Para a Mãe que vos ama.

Venha o povo da nossa ilha
Que desde que eu me lembro
Faz da Festa a maravilha
Na segunda semana de setembro.

Venham de carro ou a pé,
De urbana ou à boleia:
Basta só trazerem fé
Que o resto é casa cheia.

Venham cantos, venham rezas,
Venha alguma devoção,
Mas se isso tu não prezas
Venha ao menos em excursão.

Na vinda tem tabuleta
A indicar o caminho
Na partida a silhueta
Vai contigo com carinho.

Bebe água e te consagres
Pelos caminhos do bem:
A Senhora dos Milagres
Tem uma flor pra ti também.

E das flores que trouxeres
Para o jardim do Altar
Na certa quantas puderes
Hão de a Virgem perfumar.

Ó Serreta da nossa alma,
Do mais pequeno ao maior
Fazei do lírio e da palma
A aurora no seu melhor.

Estrela da Romaria
Será sempre o seu lema
E para a Virgem Maria
Haverá sempre o poema.

Poema de esperança,
Poema de admiração
Declamado com voz mansa
Pela Mãe dupla oração.

Rosa Silva ("Azoriana")

Homenagem a José Manuel "Caracol" tocador de violão regional

A minha dedicatória ao grande amigo do Pézinho, Cantoria, Desgarrada, Velhas e, também, do Carnaval Terceirense, participando em Danças e Bailinhos - José Manuel Correia dos Santos "Caracol", a meados de agosto de 2015, porque ele merece por toda a sua paixão ao seu violão e boa atuação.


Porque as homenagens querem-se em vida divulgo a minha dedicatória com biografia, rimas e imagens com oito páginas.


Apreciem e não esqueçam que:



Em vida alegramos o rosto
De alguém em homenagem;
Quando é feita com gosto
Vale o dobro à personagem.

Rosa Silva ("Azoriana")


José Manuel Correia dos Santos, mais conhecido por “Caracol”, nasceu a vinte e oito de dezembro de 1953.

Aos catorze anos de idade começou a aprender música na Recreio dos Artistas, em Angra do Heroísmo, onde tocou trompa durante vários anos.

Aos dezoito anos começou a tocar violão, sendo o único instrumento de corda que toca com gosto e paixão.

Nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Conceição, em Angra do Heroísmo, da ilha Terceira, dos Açores e tem residência atual na freguesia da Terra-Chã.

Se questionado sobre o número de colegas com quem já tocou é-lhe impossível descriminá-los todos, principalmente no que respeita a Danças ou Bailinhos de Carnaval e Páscoa.

Na parte respeitante ao Pézinho e Cantoria Açoriana, desde criança que convive com improvisadores, porque frequentava, assiduamente, a casa do seu tio Francisco (o Ferreirinha das Bicas), que era irmão do seu pai. Desde essa altura veio a criar uma grande amizade com todos os improvisadores e nos dias de hoje não conhece nenhum improvisador para quem nunca tenha tocado, tanto com os residentes nas nossas ilhas como no estrangeiro.

Já lhe foram prestadas homenagens, tanto no Canadá como na ilha Terceira, por organizações de Danças ou Bailinhos de Carnaval.

Tenho particular felicidade de lhe ter feito uma homenagem com umas quadras que divulguei no meu blogue e, posteriormente, na rede social Facebook. De outras entidades ainda não teve esse contentamento.

Quem lhe dedicou um poema foi o nosso querido poeta, já falecido, Hernâni Candeias, que ficou gravado no coração de ambos, pese embora já não termos a presença do amigo dos cantadores e tocadores, e, sobretudo da poesia: Hernâni Candeias.

A alcunha de José Manuel é curiosa - Caracol. Todos que querem falar dele ou com ele basta chamarem por carinhosa alcunha e responde sempre com prontidão. É uma alcunha que já vem de outra geração e continua a diferenciar a sua presença assídua nas Cantorias, Pezinhos, Desgarradas, Velhas e quaisquer outras atuações em que o seu valor seja apalavrado.

Aproveito a onda para lhe dedicar mais umas quadras de tom sincero e agradecido.


 


Não andas com casa às costas
Mas andas com o violão
E até faço apostas
Que jamais há separação.

A homenagem quer-se em vida
A um grande tocador
Que se entrega sem medida
Ao amigo cantador.

Ele um dia já me disse,
Que eu cantasse sem temor
Que o tom que me seguisse
Era ciência do tocador.

José Manuel Correia dos Santos
Tem afinco ao violão
Já tocou para tantos, tantos,
Que não tem conta então.

Já conheço pelo olhar,
Que indica ao colega,
Parece tudo afinar
E ao cantador se entrega.

Parabéns mais uma vez
A meados de agosto
Pelas vezes que me fez
Sair o tom de meu gosto.

16 de agosto de 2015

Rosa Silva (“Azoriana”)



Homenagem que lhe fiz, por escrito, em 21/06/2011

Não é grande em estatura
Mas é grande tocador
Muito mais que a sua altura
Homem de grande valor
Lado a lado com a cultura
Deste povo triunfador.

José Manuel Caracol,
É deveras conhecido,
Cordas brilham como sol
Do tocador destemido
Que já conta no seu rol
Quase meio século corrido.

Ao lado do Emanuel
E de mais outras violas
Cumpre inteiro o seu papel
Ouvi-lo tu te consolas
Timbre doce como mel
Mas os dedos não esfolas.

Lhe faço minha homenagem
Se alguém ainda não fez
Esta vida é uma passagem
Faz-se bem de quando em vez,
Caracol tua imagem
É de amigo muito cortês.

Rosa Silva ("Azoriana")


Homenagem a José Manuel Caracol.pdf


Claro que muito mais podia acrescentar mas creio, sinceramente, que esta pequena dedicatória o fará também feliz e sorrir dedilhando as cordas da sua paixão. Ele bem podia improvisar uma grande verdade:


Ó querido violão
Que de cedo me acompanhas:
És brio da minha ação,
Dás-me alegrias tamanhas!




São Carlos - Angra do Heroísmo, 16 de agosto de 2015
Dedicatória de Rosa Maria Correia da Silva
("Azoriana")

Lagoínha da Serreta

Lagoínha da Serreta


Fonte da imagem: siaram.azores.gov.pt


Eu que sou natural da Serreta nunca tive ocasião para entrar no palco, chamado de Lagoínha, nem sequer abrir os cortinados verdes para espreitar o musical da natureza em toda a sua plenitude, altitude e atitude. Falta-me ver a tal "estrelinha" que dizem ser pássaro raro que povoa o teatro com actos de verde e azul, cores frias num ambiente húmido, fresco e atraente.

Aproximar-me da Lagoínha, digo mais, desse cantinho do céu, como eu lhe costumo chamar, é ainda um dos maiores desejos, pese embora a dificuldade estar patente nos membros inferiores que, no fundo, são o que nos levam ao mirante lindo, à paisagem natural intacta e ao sonho de ouvir as melodias das águas cristalinas abençoadas pela Mãe padroeira, que tudo ama, que tudo protege.

Um dia, quem sabe, alguém me ajuda nesse percurso tão desejado, nem que seja acompanhada por um bordão feito na hora.

Será difícil esse pedido atendido? Só Deus e Nossa Senhora sabem e podem dar o toque a alguém, quer seja residente ou caminhante.

Rosa Silva ("Azoriana")

Terra minha


Quando eu for a sepultar
Só a terra vai ser fria
Vou continuar a amar
Quem me deu mais alegria.

A terra vim povoar,
E a terra é que nos cria.
Do mar só pude avistar,
Dele veio meu pai um dia.

Terra e Mar são ascendentes
Porque são os meus parentes
E deles eu não me arredo.

Nessa Terra que era minha
Mora também a <<estrelinha>>
Meu rosário e meu Credo!

Rosa Silva ("Azoriana")

Lagoínha da Serreta

Homenagem e Inauguração da campa de Charrua - 14/08/2015

Vários cantadores (e tocadores) cantaram na moda da Cantoria e do Pezinho, uma quadra por cada um, respetivamente. A Maria Clara e eu estávamos presentes entre a maioria masculina de veia poética nata da Cantoria Açoriana, dos mais antigos ao mais novo, Valentim Aguiar.

Presidente da Associação dos Cantadores e Tocadores dos Açores, representante da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Junta de Freguesia das Cinco Ribeiras, Liduino Borba e outras entidades, bem como, o neto, esposa e amigos da família de Charrua, entre outras pessoas que gostam desta arte popular genuína. Os intervenientes disseram palavras honrosas para o momento esperado e meritório.

Entre os cantadores estavam: António Mota, Manuel de Fátima, Hélder Pereira, António Mendes, Pedro Beleza, José Fernando, Jorge Sebastião (Pico), Maria Clara, Carlos Sousa "Maurício", John Branco, José Esteves, Valentim Aguiar, Rosa Silva, José Amaral, Samuel Borges, Paulo José Lima, Marcelo Dias, Manuel Vitória "Sardinha", Isidro Lima (chegou mais tarde), João Leonel.

Na moda da Cantoria seguiram-se cantando.

António Mota

Venho cantar ao Charrua,
Que não morreu, meus senhores,
Porque ainda continua
A ser o maior dos Açores.

Manuel de Fátima

José de Sousa Charrua
Que tanto tens cantado
E hoje as pedras da tua rua
Pra todos aí está gravado.

Hélder Pereira

Hoje tiraste o teu véu
Tudo em ti se renova
Estás debruçado no céu
Vendo a tua campa nova.

António Mendes

Aqui canta-se com alegria
No caminho ou na rua,
Matar saudades de quem está na terra fria
Que é o famoso Charrua.

Pedro Beleza

Nesta campa jaz o Charrua
Está deitado lá no fundo
Esta fama vai ser sempre tua
Enquanto o mundo for mundo.

José Fernando

Este Charrua é dos tais
Que o Povo nunca esquece
E hoje não lhe fazemos mais
Do que aquilo que ele merece.

Jorge Sebastião (Pico)

Na derradeira morada sua
A quem rezo e dou flores
A este grande Charrua
Que foi o rei dos cantadores.

Maria Clara
Deus Pai que estás no céu nobre
Abre os portões principais
Pró Charrua ver o que cobre
Agora os seus restos mortais.

Carlos Sousa "Maurício"

Em vida não te dei um abraço
Mas abracei muitos que cá estão
E cada quadra que eu te faço
É como se fosse uma oração.

John Branco

Ó rei da nossa Cultura
Mestre da poesia
Está no fundo desta sepultura
O mais alto da cantoria.

José Esteves

O que é esta sepultura
Alguém me perguntou um dia:
É o trono da Cultura
Com o rei da Cantoria.

Valentim Aguiar

O Charrua Sousa Brasil
Ele cantava com brio
Ainda hoje é o número mil
Em cantigas ao desafio.

Rosa Silva

Ó que linda sepultura,
Valha-me Nossa Senhora!
Porque fica a Cultura
Com o verso da "Aurora" *

* (quer dizer que finalmente fizeram a vontade da Turlu em deixar seus versos na campa do marido, a quem ele chamava "Aurora" e ela a ele de "Sol Nascente")

José Amaral

Aqui descansas em paz
Ó imortal glória
Ficaste e sempre estás
Na página da nossa História.

Samuel Borges

É debaixo desta terra
Deste trono escuro e frio
Que mora a paz da guerra
Das cantigas ao desafio.

Paulo José Lima

"Já fui tigre, já fui fera”
Dizia o Charrua no seu final
Consciente de quem era
No panorama cultural.

Marcelo Dias

Podemos percorrer sol e lua,
A terra e o mar estival,
Para encontrar mais um Charrua
Mas não existe outro igual.

Manuel Vitória ("Sardinha")

Pra mim foste o melhor cantador
Sábio e de fina estampa;
Cada rima uma flor
Viemos pôr na tua campa.

João Leonel

O Charrua nos deixou
A verdade não engana
Foi um vulto que marcou
A Cultura Açoriana.

Fim da 1ª parte

Na moda do Pezinho seguiram-se cantando.

António Mota

No fundo desta sepultura
Há uma ossada, é normal,
Pertencente à criatura
Que tem um nome imortal.

Manuel de Fátima

Na frente de tanta gente
Foste pessoa hospitaleira;
Morreu Camões no Continente
E tu morreste na Terceira.

Hélder Pereira

As tuas quadras ainda embalam
As conversas pela rua
Porque as bocas não se calam
Lembrando o velho Charrua.

António Mendes

Eu saio daqui com vaidade,
Julgo até que estou é na lua,
Só em vir matar esta saudade
Do nosso famoso Charrua.

Pedro Beleza

Eu sei que estás aí deitado,
Por isso, canto em tua memória,
E pra sempre serás gravado
Nos anais da nossa História.

José Fernando

Tiveste de nos deixar,
O morrer é natural,
Quem sabe se pra ires cantar
Pró reino celestial.

Jorge Sebastião (Pico)

A cantar fazia brigas,
Este rei dos cantadores,
Mas deixou suas cantigas
Nas nove ilhas dos Açores.

Maria Clara

Terceira do teu coração
Terra aonde tu crescias,
Se tivesse um Panteão
Era pra lá que tu ias.

Carlos Sousa "Maurício"

Tu aqui foste sepultado
Mesmo aqui à minha frente,
E pra sempre estarás guardado
Na memória da tua gente.

John Branco

Estabelece-se um critério
Pra quem morre e é especial
Como o Charrua este cemitério
É um Panteão Nacional.

José Esteves

É cantando que exalto
O mestre dos mestres da rima,
Canto-te aqui do alto
Enquanto me escutas de cima.

Valentim Aguiar

É aqui que estás sepultado
E vejo as bandeiras
Mas ficarás sempre lembrado
Nas belas Cinco Ribeiras.

Rosa Silva

Eu vim aqui com muito afeto
Trazer-te rosas de alegria;
Cumprimentar também teu neto
E os amigos da Cantoria.

José Amaral

Eu aqui vou-te deixar
Ó meu rei do improviso
E apenas vou-te encontrar
Só no reino do Paraíso.

Samuel Borges

Nasce o sol e morre a lua,
Morre o velho, nasce o novo,
Mas o nome de Charrua
Não morre nas bocas do Povo.

Paulo José Lima

Deixaste tantos valores
Nas tuas quadras rimadas;
Escola prós cantadores
Seguirem tuas pisadas.

Marcelo Dias

A tua fama ainda brilha
Cantor que não se pode igualar;
Que estejas no céu com tua filha
E com a Senhora do Pilar.

Manuel Vitória ("Sardinha")

Da rima foste uma raiz
Talvez o rei das poesias,
Ainda hoje ninguém diz
Metade daquilo que dizias.

Isidro Lima

Fizeste tanta cantoria,
Foste poeta, ó Charrua,
Ainda mesmo debaixo da terra fria
A tua fama continua.

João Leonel

Deus a contas te chamou,
Contas pra dar quem não têm?!
Se Lázaro ressuscitou
Devias ressuscitar também!

Fim

Nota: Peço desculpa se algum verso tem falhas. Se alguém encontrar alguma falha é favor avisar-me que farei a correção. De qualquer forma seria muito importante fazer uma brochura para memorizar textualmente esta efeméride.

Agora digo eu:

Tudo merece o Charrua
E os amigos da Cantoria
Em cada verso atua
A grandeza de um dia.

Charrua teve vantagem
Porque amou até morrer
Na sepultura a imagem
Que fica pra gente ver.

Os versos da sua "Aurora"
Turlu que também me encanta
Pena que não teve hora
De ter uma beleza tanta.

Beleza de sepultura
Com vontade do divino
Fez-se tudo pela Cultura
Com tantos e Liduíno.

Liduíno que bem falou
É nosso historiador
Seu olhar também mostrou
Que é digno de louvor.

E louvemos outros mais
Quer da ilha ou Continente
José Fonseca é dos tais
Que louva também a gente.

Estou certa que ele gosta
Desta escrita que captei
No livro já se aposta
E a pensar tudo anotei.

A nossa Associação
De cantadores e tocadores
Merece uma ovação
Por honrar improvisadores.

Rosa Silva ("Azoriana")

Homenagem ao Charrua - 14/08/2015


Opinião


Hélio Vieira


Homenagem a Charrua


Por iniciativa da Associação de Cantadores e Tocadores ao Desafio dos Açores vai decorrer hoje, no cemitério das Cinco Ribeiras, uma homenagem a José de Sousa Brasil, conhecido como Charrua.

Considerado por muitos como a figura maior da cantoria ao desafio dos Açores, Charrua foi também um grande poeta popular, estando parte do seu espólio depositado na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo.

Natural das Cinco Ribeiras, Charrua nasceu a 24 de junho de 1910 e faleceu e falecei a 05 de janeiro de 1987.

Embora não tenha completado a escolaridade básica, Charrua interessou-se pela leitura de autores como Camões, Camilo Castelo Branco, João de Deus, Guerras Junqueiro, Cesário Verde, entre outros.

Esse contacto com autores da literatura romântica terá sido determinante para o estilo e sentido poético que sempre empregou nas cantigas ao desafio que deixou nos terreiros desde 1927, ano de estreia nas cantigas.

Sem perder a sua matriz de cantador popular, Charrua procurou ir sempre além do tempo e do espaço em que estava inserido por isso sempre foi admirado.

O facto de se manter durante muitos anos um relacionamento amoroso com Maria Angelina de Sousa (Trulu), outra figura mítica das cantigas ao desafio, também teve influência na sua singularidade. Nesse âmbito, merece realce o facto de Charrua e Trulu terem casado quando ambos estavam viúvos e com mais de 60 anos de idade.

Ao longo dos últimos anos, Charrua tem sido alvo de várias e justas homenagens com a publicação de livros que enaltecem o seu percurso singular de poeta popular.

Até há pouco tempo esteve sepultado numa campa rasa do Cemitério das Cinco Ribeiras sem qualquer referência. A partir de hoje, será possível localizar facilmente a última morada de um dos mais importantes poetas populares dos Açores.


Fonte: Diário Insular, de hoje, SEXTA o 14.AGO.2015


 


Restos mortais sepultados em campa no cemitério das Cinco Ribeiras


 


Cantadores e tocadores ao Desafio
promovem homenagem a Charrua


 



José de Sousa Brasil, conhecido como Charrua, vai ser homenageado pela Associação de Cantadores ao Desafio dos Açores.

A homenagem terá lugar hoje, pelas 19h00, no cemitério das Cinco Ribeiras, com uma nova sepultura onde estão os restos mortais de Charrua.

O presidente da Associação de Cantadores e Tocadores ao Desafio dos Açores, José Santos, disse ontem ao DI que a nova campa "pretende dignificar o espaço onde repousam os restos mortais daquele que é, unanimidade, considerado como o maior cantador açoriano de sempre".

José Santos referiu que Charrua foi sepultado numa "campa rasa" que foi, posteriormente, adquirida pela família de uma pessoa que foi suputada no mesmo espaço.

"Foi possível fazer a transladação dos restos mortais dessa pessoa para o cemitério de Angra do Heroísmo, de modo a que a campa pudesse ser adquirida pela nossa associação. Graças ao apoio de diversas entidades e pessoas que gostam da cantoria ao desafio foi possível concretizar esta homenagem", referiu.

Resolvidos os entraves legais com a colaboração das juntas de freguesia das Cinco Ribeiras e de São Bento, a Associação de Cantadores e Tocadores ao Desafio dos Açores decidiu construir uma campa em mármore onde para além das referências a Charrua se pode ler alguns dos seus versos.

"Convidamos todos os cantadores e tocadores que queiram participar no Pezinho de homenagem a Charrua, bem como, todas as pessoas interessadas em participar na homenagem", referiu José Santos.

Pelas 20h30, haverá um convívio no Retiro dos Cantadores e Tocadores, na Vinha Brava, com a realização de cantorias.

Natural das Cinco Ribeiras, onde nasceu a 24 de junho de 1910, José de Sousa Brasil começou a participar em cantorias em 1927, ficando conhecido como Charrua.

Durante o seu percurso como cantador, Charrua destacou-se pelo facto de fazer versos com sentido poético, o que não era muito habitual entre os cantadores da sua geração.

Manteve durante muitos anos um relacionamento amoroso com Maria Angelina de Sousa (Trulu), outra destacada figura das cantigas ao desafio, com quem casou, em dezembro de 1973, quando ambos estavam viúvos tendo vivido durante muitos anos nos Estados Unidos.

Charrua faleceu a 05 de janeiro de 1987.


 



Fonte: Diário Insular


 

Doces momentos rimados

docesmomentosrimados


 


Doces momentos rimados

Noite de Cantoria - São Mateus da Calheta 9/8/2015

CANTORIA: Festas São Mateus
(9-8-2015)

Autor da gravação: José Correia
Duração da gravação: 33:46
Cantadores: Carlos Andrade “Santa Maria” e Maria Clara

1. Carlos Andrade “Santa Maria”

Da mais pequena traineira,
Ao porte do grande Cruzeiro:
Boas noites prós da Terceira,
Prós que vêm do estrangeiro.

2. Maria Clara

Mergulhando no mar da poesia,
Faço da onda uma quadra bela,
Pra saudar os da freguesia
E os de fora que estão nela.

3. Carlos Andrade “Santa Maria”

Pra quem veio ouvir cantar,
À filha de Angra do Heroísmo,
Façam das águas do mar
As águas do seu batismo.

4. Maria Clara

É um povo como não há,
Que honra cada uma traineira;
São Mateus é e sempre será
Um orgulho da Terceira. (aplausos)

5. Carlos Andrade “Santa Maria”

São Mateus fala mais alto,
Mais alto porque afinal,
Fez das rochas de basalto
Sua pia batismal.

6. Maria Clara

São Mateus nunca dá castigos,
Adoro esta freguesia;
Onde se juntam os amigos
Há sempre festa e alegria.

7. Carlos Andrade “Santa Maria”

Eu pergunto àquele que queira,
E a vocês, e amigos meus:
O que é que era da Terceira
Se não houvesse São Mateus? (aplausos)

8. Maria Clara

Era um lugar empobrecido,
Sem São Mateus lhe dá valores,
Com um porto reconhecido
Nas nove ilhas dos Açores.

9. Carlos Andrade “Santa Maria”

Se olharmos, e Angra se aguenta
Por cidade de primeira,
Mas São Mateus é que sustenta
Grande parte da Terceira.

10. Maria Clara

Os que aqui seguem pró mar,
Honrando a sua verdade,
Sabem-nos sempre prestigiar
Com um peixe de qualidade.

11. Carlos Andrade “Santa Maria”

Vocês aqui são uns leões
Pra defender a terra mãe,
Muitas vezes sem condições
Que podiam ter, mas nunca têm.

12. Maria Clara

Carlos essa é das tais questões
Que eu levo pra caminhos diferentes:
Porque aqueles que são leões
Hoje estão todos contentes. (aplausos)

13. Carlos Andrade “Santa Maria”

Só que esses leões não caçam,
E estão todos consolados
Só que muitos deles não passam
De gatinhos disfarçados.

14. Maria Clara

Minha sinceridade aqui fica,
Sabendo que o leão és astuto,
E eu como sou do Benfica,
Vim de preto, estou de luto. (aplausos)

15. Carlos Andrade “Santa Maria”

E é um pensar traiçoeiro,
Por falares dessa maneira,
Tinhas passado o ano inteiro
Com o preto na algibeira.

16. Maria Clara

O Leão agora conduz
Portugal, sem precisar de ajudas,
Treinados por um Jorge Jesus
Ou devo dizer Jorge Judas?!

17. Carlos Andrade “Santa Maria”

E ó meu Deus, que minha cruz,
Que culpa é que a gente tem,
Só acredito num Jesus,
Esse nasceu em Belém.

18. Maria Clara

Se nesse Jesus queres falar,
Eu posso afirmar-te já,
Que Ele boa viagem te vai dar,
Amanhã, pró Canadá.

19. Carlos Andrade “Santa Maria”

Mais logo eu vou embarcar,
É esta como outra vez,
Mas juro que eu vou levar
Saudades de vocês.

20. Maria Clara

Diz-me sem muito demorar,
Já que vais prás terras distantes,
O que mais da ilha vais levar
Pra dar aos nossos emigrantes.

21. Carlos Andrade “Santa Maria”

Levo dor, levo os meus passos,
Levo abonos importantes,
Levo beijos e abraços
De vocês prós emigrantes.

22. Maria Clara

Leva contigo alguns retratos,
Leva saudades e demências,
Leva o verde dos nossos matos
E as cores das nossas hortências.

23. Carlos Andrade “Santa Maria”

Levo os amigos meus,
Desta terra hospitaleira;
Levo beijos de São Mateus
Levo abraços da Terceira.

24. Maria Clara

Leva o azul do nosso mar,
Como se levasses um troféu;
Leva o ar pra respirar
E o sol que vemos no céu.

25. Carlos Andrade “Santa Maria”

Eu vou levar uma visita,
Prós que gostam da verdade,
E levar uma carta escrita
Com as letras da saudade. (aplausos)

26. Maria Clara

Tu assim que tiveres chegado,
Tua imagem presenciada:
Serás um postal ilustrado
Ou uma carta cantada.

1. Carlos Andrade “Santa Maria”

Vou levar pão do proveito,
Levo o pão da amizade;
Vou levar no pão eleito
Da nossa comunidade,
Pois lá fora o pão é feito
Com fermento da saudade. (eu aplaudo)

2. Maria Clara

Leva contigo beijo querido,
Dado por toda esta gente;
Leva o coração partido
Da ilha que não os tem presente
E leva contigo o pedido
Deles virem cá novamente.

3. Carlos Andrade “Santa Maria”

Depois de lá ter chegado,
Se for da graça de Deus,
Eu dou um abraço apertado,
Em todos os amigos seus,
Levo gotas do mar salgado
Do porto de São Mateus. (aplausos)

4. Maria Clara

Essas gotas eles adoram
Vão adorar quando chegadas,
Mas por tais gotas não imploram,
Já têm as vistas cansadas,
Porque as lágrimas que eles choram
Também são gotas salgadas. (aplausos)

5. Carlos Andrade “Santa Maria”

Quantos deles vão ouvindo,
E, no fim, se aperceberam
Que ao Deus do céu vão pedindo,
P’la terra que os conceberam,
Vendo as lágrimas caindo
Sobre as cartas que escreveram.

6. Maria Clara

Muito já temos embalado
P’ra tua viagem assim,
Mas um pedido é questionado
Antes disto chegar ao fim,
Leva um abraço apertado
Aos que perguntarem por mim.

7. Carlos Andrade “Santa Maria”

Eu não queria dizer
Que a saudade, que me parece:
É ter força pra sofrer
Embora nem sempre o merece,
Saudade é tentar esquecer
Aquilo que não se esquece. (aplausos)

8. Maria Clara

A saudade vem de um amor,
Que antes da lágrima trazer,
Tinha um sorriso de vasta cor
Mas depois de tudo acontecer
Transforma-se numa dor
Que nunca deixa de doer. (aplausos)

9. Carlos Andrade “Santa Maria”

E a justificação certa,
Pra saudade, minha gente,
Quando em hora que ela aperta
Faz o nosso corpo doente,
E é como uma ferida aberta
Que sangra constantemente.

10. Maria Clara

Ela a nossa alma ata,
Sufocando constantemente;
É uma ferida que é chata,
Uma da outra é diferente,
Que há saudades que a gente mata
Outras é que matam a gente. (aplausos)

11. Carlos Andrade “Santa Maria”

Portanto pra terminar,
Mais uma razão cá está,
Prós que não podem voltar
À terra que tudo dá,
É isso que eu vou levar
Amanhã pró Canadá. (aplausos)

12. Maria Clara

Leva aquilo que o povo implora,
Do seu berço, do seu espaço,
Que viajes em boa hora,
Sem agonia, sem embaraço
Mas antes de ires embora
Carlos vem dar-me abraço. (dão o abraço)

13. Carlos Andrade “Santa Maria”

Mais uma digo aos senhores
E às senhoras preciosas,
Se as saudades fossem valores
Em vez de horas dolorosas,
Eu levava dos Açores
Milhões de cravos e rosas. (aplausos)

14. Maria Clara

Na hora de dizer adeus,
Pra outros virem pró improviso:
Digo que o porto de São Mateus
Tem tudo aquilo que eu preciso;
É um cantinho das mãos de Deus
Um autêntico paraíso. (aplausos)

15. Carlos Andrade “Santa Maria”

Paraíso à beira-mar,
Num cantinho que fez Deus,
Que devemos preservar,
Nossos, nossos, vossos, seus,
Pra amanhã abraçar
Lá fora os de São Mateus.

16. Maria Clara

Amanhã será outro dia,
Este, por agora, já finda,
Se ele encontrar os que dizia
Deste lugar que a vós brinda,
Diz-lhes que a sua freguesia
Está cada vez mais linda. (aplausos)

17. Carlos Andrade “Santa Maria”

Boas noites e obrigado,
Grandiosas assembleias;
Eu gostei de ter cá estado,
Expressar minhas ideias,
Que as ondas do mar salgado
Sejam sangue em vossas veias.

18. Maria Clara

Sejam saúde pra Comissão,
Sejam pró povo uma amizade,
Sejam sempre pra cada serão
Horas de mais simplicidade,
Sejam eterna inspiração
Pró nosso Carlos Andrade.

19. Carlos Andrade “Santa Maria”

Eu me despeço agora,
Pra semana volto outra vez.
Mas posso dizer que implora
A alma pelo que fez,
Mas vos juro que eu lá fora
Eu vou falar em vocês.

Oitava final

Maria Clara:                          Adeus ó tão linda imagem
Carlos Andrade “Santa Maria”:  Senhoras e meus senhores;
Maria Clara:                          Te desejo boa viagem
Carlos Andrade “Santa Maria”:  Quando eu partir dos Açores;
Maria Clara:                          Quem me dera ter a coragem
Carlos Andrade “Santa Maria”:  Tens coragem dos cantadores;
Maria Clara:                           Leva contigo a imagem
Carlos Andrade “Santa Maria”:  Do berço dos pescadores. (aplausos)

Fim

Noite de Cantoria - Festas de Santa Beatriz das Quatro Ribeiras 2015

Cantadores: Fábio Ourique e Carlos Andrade "Santa Maria"


4/Agosto/2015


Produção: Kanal das DOZE
Edição e imagem: Hildeberto Franco
Duração: 33:21


Cantoria composta por 41 quadras (21 de Fábio Ourique e 20 de Carlos Andrade “Santa Maria”); 13 sextilhas (7 de Carlos Andrade “Santa Maria” e 6 de Fábio Ourique,) e 1 oitava final começando com Fábio Ourique e terminando com Carlos Andrade “Santa Maria”.


Tema principal: Saudade.


 


1. Fábio Ourique

No dia quatro de agosto,
Em mais uma noite de Verão,
Envio pró vosso rosto
Um beijo da saudação.

2. Carlos Andrade “Santa Maria”

Depois da quarta ribeira
Entrar no Descobrimento,
Nasceu o berço da Terceira
Aonde eu vos cumprimento.

3. Fábio Ourique

É bom ver almas amigas,
Sentir que geram coisas boas,
Melhor é ver um pátio de cantigas
Tão completo de pessoas.

4. Carlos Andrade “Santa Maria”

E é lindo ver-vos sorrindo,
Das pessoas que aqui têm;
E ao Fábio sejas bem-vindo
À minha segunda mãe.

5. Fábio Ourique

Esta terra não me arrasa,
Em noite de linda lua,
E faz-me sentir em casa
Numa casa que já foi tua.

6. Carlos Andrade “Santa Maria”

Toda a gente se encaminha,
aquele que bem se sente,
A Terceira não é minha
Ela é de toda a gente.

7. Fábio Ourique

Tu que saíste daqui,
Prós Biscoitos foste morar,
Mas este povo gosta de ti
E convida-te para cantar.

8. Carlos Andrade “Santa Maria”

Juro, também, gosto disto,
E por viver em lugar diferente,
Pois Cristo que era Cristo
Não agradou toda a gente.

9. Fábio Ourique

Só estiveste a afirmar
Aquilo que o meu verso tem,
Porque a gente só gosta de voltar
Aonde nos sentimos bem.

10. Carlos Andrade “Santa Maria”

Mas a vida é mesmo assim,
E a vida que a gente fez,
Podem não gostar de mim
Mas eu gosto de vocês.

11. Fábio Ourique

Um homem acompanhado ou sozinho,
Costuma sempre a tropeçar,
Porque existem pedras no caminho
Que as temos que ultrapassar.

12. Carlos Andrade “Santa Maria”

Se esta terra já foi minha,
Se ela por mim espera,
Mas por morrer uma andorinha
Não se acaba a primavera.

13. Fábio Ourique

Ninguém meteu-te na rua,
Escolheste outro norte,
E esta terra será tua
Até à hora da morte.

14. Carlos Andrade “Santa Maria”

Será sempre recordado,
Será sempre a terra querida,
Pois dela eu tenho guardado
Pedaços da minha vida.



15. Fábio Ourique

Se és um homem capaz,
Eu te digo neste dom,
Mete o que é mau para trás
E recorda o que é bom.

16. Carlos Andrade “Santa Maria”

A vida não é sofrimentos,
Também é linda e cortês,
Eu guardo os bons momentos
Que eu vivi junto a vocês.

17. Fábio Ourique

Os conselhos que te dão,
Dou-te mais um, por amizade:
Dá boa noite à solidão
E bom dia à felicidade.

18. Carlos Andrade “Santa Maria”

Bom dia seja a quem for,
É um gesto de humildade,
Mas abraçando o amor
que tens felicidade.

19. Fábio Ourique

Aproveita a cantar,
Segue sempre o bom norte:
Dá boa noite ao azar
E um bom dia à sorte.

20. Carlos Andrade “Santa Maria”

Dá desprezo à vaidade,
E ao mau gosto também,
Dá bom dia à amizade
P’ra vida te correr bem.

21. Fábio Ourique

Vive a vida com certeza,
Põe de lado a nostalgia:
Dá boa noite à tristeza
E bom dia à alegria.

22. Carlos Andrade “Santa Maria”

Quando vou cumprimentando
P’los conselhos que me dás,
Que às vezes fico pensando
Ao tempo volta p’ra trás.

23. Fábio Ourique

Vive cada amizade,
Não faças pouco, nem reclamas:
Dá boa noite à saudade
E abraça quem tu amas.

24. Carlos Andrade “Santa Maria”

A saudade a meu ver
É algo que não favorece:
É passar a vida a esquecer
Aquele que nunca se esquece.

25. Fábio Ourique

A saudade é um porquê,
Que anda na nossa mente,
É algo que a gente não vê
Mas a nossa alma sente.

26. Carlos Andrade “Santa Maria”

E é pura realidade,
Que sentimos quando avança,
Que às vezes sinto saudade
Dos meus tempos de criança.

27. Fábio Ourique

É um sentimento bruto,
Pró direito e pró coxo:
A saudade é um luto
É um cortinado roxo.

28. Carlos Andrade “Santa Maria”

É uma dor que atormenta,
É algo que nos castiga;
É uma corda que rebenta
E que nunca mais se liga.

29. Fábio Ourique

Saudade ninguém merece,
Mesmo os que têm mais vaidade;
Tudo passa tudo esquece
Mas nunca morre a saudade.

30. Carlos Andrade “Santa Maria”

É uma dor que se esconde,
Que agoniza e nos trai,
Que nasce não sei aonde
E não sei para onde vai.

31. Fábio Ourique

Carlos, pessoa querida,
Te pergunto sem maldade,
O que é que nesta vida
Te traz mais saudade?

32. Carlos Andrade “Santa Maria”

Saudade de quanto vive,
Tenho saudades dos meus pais,
Doutras coisas que eu já tive
E não vou ter nunca mais.

33. Fábio Ourique

Tenho saudade de me acalmar,
Nos momentos em que sufoco:
Tenho saudades de tocar
Naquilo que já não toco.

34. Carlos Andrade “Santa Maria”

A saudade e o amor,
Visto em termos reais,
Por vezes só damos valor
Mas já é tarde de mais.

35. Fábio Ourique

Tenho saudades de viver,
Dando um abraço e um beijo,
Tenho saudades de ver
Aquilo que já não vejo.

36. Carlos Andrade “Santa Maria”

E as saudades nunca morrem,
Podem crer que isso é verdade,
E as lágrimas que no rosto correm
São o suor da saudade.

37. Fábio Ourique

Tenho saudades de amar,
Cada pessoa, cada pedaço,
Tenho saudades de abraçar
Aqueles que já não abraço.

38. Carlos Andrade “Santa Maria”

Vocês sabem a verdade,
E o que é que eu acho mais certo:
Tenho dó de quem tem saudade
Daquilo que está tão perto.

39. Fábio Ourique

A saudade digo a vocês,
Aquilo que já devem saber:
Ela nasceu com o português
E connosco há de morrer.

40. Carlos Andrade “Santa Maria”

Quem as saudades nos chama,
Pode ter muita verdade,
Só a pessoa que não ama
Esse é que não tem saudade.

41. Fábio Ourique

O que disseste é verdade,
E eu aprofundo mais então:
Aquele que não tem saudade
Não tem um bom coração.


1. Carlos Andrade “Santa Maria”

Qualquer um pode sentir
Saudade de mães e pais,
Pode até se exprimir
Dentro dos termos legais,
Saudade é vermos partir
Quem não regressa cá mais. (aplausos)

2. Fábio Ourique

A saudade não tem hora,
Já dizia o mais antigo,
A saudade em mim mora
Em vocês e neste amigo,
Tantas vezes a mando embora
E ela fica sempre comigo.

3. Carlos Andrade “Santa Maria”

Há saudades importantes,
Há saudades diferentes,
E há saudades mais distantes,
Que são saudades de ausentes,
Como a dos emigrantes
Saudades destes ambientes.

4. Fábio Ourique

Há saudades que fazem bem,
Há outras que nos tiram o brilho,
Há saudade que não convém,
Que faz perder o nosso trilho,
Há saudade de uma mãe
Que deixa de ver o filho.

5. Carlos Andrade “Santa Maria”

Vejam o que a saudade fez,
Fez nós cantarmos aqui;
Faz regressar o português
De terras que eu já vi,
Tinha saudades de vocês,
De tudo o que eu já perdi.

6. Fábio Ourique

Tinha saudades verdadeiras,
De momentos de nostalgia;
Tinha saudades inteiras
Que já vos conto neste dia:
Das lindas Quatro Ribeiras
E deste, “Santa Maria”. (aplausos)

7. Carlos Andrade “Santa Maria”

Dissestes duas verdades,
Aos compatriotas meus,
Seguindo as necessidades,
És amigo, graças a Deus,
Domingo eu mato as saudades
Contigo em São Mateus. (aplausos)

8. Fábio Ourique
De mim já tens um pedaço,
Em nome da nossa amizade,
Tenho-te sempre no meu regaço,
Isso traz-me felicidade,
Por isso, dá-me um abraço,
Pra matar uma saudade. (aplausos)

9. Carlos Andrade “Santa Maria”

Se é isso que tu desejas,
Eu te abraço com prazer,
Para que um dia tu vejas
O que te acabei de fazer,
E pra que um dia tu sejas
Aquilo que sonhas ser.

10. Fábio Ourique

A despedida vem e nos diz
Pra acabar com a cantoria;
E eu olho pra Santa Beatriz
E lhe peço, neste dia,
Que faça sempre feliz
O povo desta freguesia. (aplausos)

11. Carlos Andrade “Santa Maria”

Nós deixamos as saudades,
Paramos aqui de vez,
Mas quem sente tais verdades
E às vezes que a vida fez,
Desejo felicidades
Às famílias de vocês. (aplausos)

12. Fábio Ourique

Amigos eu gostei tanto,
De hoje estar ao vosso lado;
A saudade não traz encanto
Mas é um choro consagrado,
Porque o sal do nosso pranto
É o sal do mar salgado. (aplausos)

13. Carlos Andrade “Santa Maria”

E agora pra terminar,
Eu vos mantinha proposto
Depois de nas saudades falar
Sem nada de maldisposto,
Não deixem as lágrimas secar
Antes de correr no rosto. (aplausos)


Oitava final:

Fábio Ourique: Vem o fim com maldade,
Carlos Andrade “Santa Maria”: E a final da cantoria,
Fábio Ourique: Obrigado p’la vossa amizade
Carlos Andrade “Santa Maria”: E p’la vossa companhia
Fábio Ourique: Povo bom com dignidade
Carlos Andrade “Santa Maria”: De amizade e de harmonia
Fábio Ourique: Eu já tinha tanta saudade
Carlos Andrade “Santa Maria”: E eu desta freguesia. (aplausos finais)


CANTORIA_QuatroRibeiras4_8_2015_Fabio_e_SantaMaria


 


 

Aos cantadores

Vou tecer linhas diretas
Na tela de improvisadores
Na ilha há bons poetas
No palco de cantadores.

Há objetivos e metas
Que atingem bons valores
São certeiros como setas
Da cultura dos Açores.

Tantos queria elogiar
Nesta hora e neste dia
Pela excelsa cantoria.

Perdoem não os nomear
Mas meu coração aponta
Tantos que perdi a conta.

Rosa Silva ("Azoriana")

Nota: A propósito da cantoria entre Carlos Andrade - "Santa Maria" e Maria Clara, em 9/8/2015, em S. Mateus da Calheta, concelho de Angra do Heroísmo.

Serreta em rimas (e cores)

Podem publicar a brochura "Serreta em rimas" (2015/05/30 a lembrar 2004/05/30) mas tem de me dar prévio conhecimento, em comentário ou por outra via de comunicação.


Serreta_em_rimas_com_imagens


Pede que eu dou, sem pedir não vale!


 


Segundo número em agosto de 2015.



PARTE I
1
Benzo-me p’ra começar
A ladainha dos versos;
Ao Sacrário vou rezar
P’ra que eles sejam diversos.
2
Pensando, na minha cama,
Já o sol ia bem alto,
Com um sonho pela rama,
À Serreta dei um salto.
3
E com o livro na mão
Do bom Pedro de Merelim
Deixei-me ir na descrição
Desde o começo ao fim.


4


”Um sorriso do Bom Deus
Alegrou torva paisagem”
Estes não são ditos meus
Mas senti-os na passagem.


5


Vivi lá minha infância
E também a juventude,
Garanto que a distância
Traz saudades amiúde.


6


Pese embora os nevoeiros
Que assombram a freguesia
’Inda se veem terreiros
Na melhor parte do dia.


7


E ao som das badaladas
Que reuniam as gentes
Muitas palmas foram dadas
Nas festas sempre presentes.


8


Paredes, de pedra solta,
Deram lugar ao cimento
Nas casas ali à volta
Há o capricho do momento.


9


Na fé e prosperidade
Assentou esta freguesia;
Era eu de tenra idade
Tive uma grande alegria.


10


George Pompidou passou
Numa grande caravana
A Estalagem o hospedou
Na triunfante semana.


11


Neste lugar pitoresco
Propício à solidão
Tranquilo e muito fresco
Fez da lenda devoção:


12


Um padre de muita idade
Fez na Canada das Vinhas
Nascer a solenidade
Por entre ervas daninhas.


13


Refugiou-se com a Imagem
Da Virgem Nossa Senhora;
Prestou sua vassalagem
Pelo milagre d’outrora.


14


Ao século dezasseis
Remonta tosca ermida
Mas com a força dos fiéis
Sua Igreja foi erguida.


15


Mas foi p’ras Doze Ribeiras
Que a Senhora foi levada
Sem padre e sem maneiras
Da capelinha foi retirada.


16


Foi na zona do Queimado
Bem pertinho do Farol
Que aquele ser exilado
Via a Virgem e o sol.


17


Naquele santo esconderijo
Onde a Virgem se aninhou
Trouxe a fé e o regozijo
A quem dela mais se abeirou.


18


E nas margens da ternura
E nas flores de Maria
Paraíso de verdura
Fez surgir a romaria.


19


Desde então idolatrada
Como Nobre Padroeira
Na Serreta deu entrada
Vai além da ilha inteira.


20


São Jorge era o Orago
Da Igreja que a resguardou
Para tantos o afago
E a quem votos lhe prestou.


21


”Irmandade dos Escravos”
Foi assim reconhecida
Nos seus votos foram bravos
A promessa foi cumprida.


22


Padre Silva Figueiredo
Livro da Irmandade lavrou,
Do voto não fez segredo
E tudo mais se registou.


23


De Curato a Freguesia
No reinado de D. Luís
A Igreja se concluía
Com D. Carlos mais feliz.


24



  1. Luís quem governava
    Os destinos da Nação
    Na Serreta se cantava
    Uma grata oração:


25


”Oh Glória da nossa terra
Que tens salvado mil vezes
Enquanto houver portugueses
Tu serás a salvação”.


26


E no último reinado
Entra o rei D. Manuel
Dom Carlos assassinado
Finda assim o seu papel.


27


Doze anos a construir
O Templo alicerçado
Para em Agosto abrir
Ao culto abençoado.


28


Das esmolas decorrentes
E das preces atendidas
A matriz do povo crente
Vê suas pedras benzidas.


29


De Angra vinham romeiros
Para a “Sintra terceirense”
Com amigos hospitaleiros
Na estadia serretense.


30


Continuavam amigos,
Por muitas e boas festas
E desde os tempos antigos
Há amizades como estas.


31


Um centro de veraneio,
Que acolhia os Angrenses,
Cediam-lhes, com asseio,
As casas e seus pertences.


32


Imenso bouquet de flores
Tinge o Pico da Serreta
Lindo jardim de amores
Num cenário vedeta.


33


Numa moldura de graça
Aquelas flores humanas
Que veem toiros na praça
Ao tom das festas profanas.


34


Variedade de tons
Num quadro surpreendente
A natureza tem dons
Que cativa toda a gente.


35


Século e meio já fez,
A subida a freguesia
Logo no primeiro mês
Do Curato então saía.


36


Mais antiga do torrão
É também a Filarmónica
Que enfeita a Procissão
Numa alegria histórica.


37


Igreja em Centenário
Agosto – dois mil e sete -
Subiu a Santuário
Muito mais se lhe promete.


38


Ó nossa Mãe tão querida
Rainha de Portugal
Amar-Te-ei toda a vida
E Teu Filho por igual.


39


Sua porta sempre aberta,
Para o povo peregrino;
Sua Graça nos desperta,
O amor pelo Divino.


40


Na moldura deste verso
Mudo agora de assento
Bendita Mãe do Universo
Vou seguir noutro momento.


PARTE II


41


No sopé da fina serra
Estendida aquém-mar
Fica um bom naco de terra
O mote deste rimar.


42


O teu toque matinal
Num oásis de chilreios
É um dom celestial
Que alegra os nossos meios.


43


És a doce freguesia
Do folar e da rosquilha
Pão alvo na flor do dia
Que chama o resto da ilha.


44


Princesa do noroeste
Sonhando com a cidade
Belo berço que me deste
P’ra cantar com mais saudade.


45


Serreta tão pequenina
E de encantos tamanhos
Em cada ponto ou colina
O fulgor dos teus desenhos.


46


Em frente à Casa maior
Que nada fará ruir
Faço vénias ao Senhor
P’ro meu canto descobrir.


47


Santuário da Serreta,
Onde brilha a Padroeira,
Em Setembro na praceta
Brilha de outra maneira.


48


É na sua Procissão
Pelos arcos coroada,
Que se cumpre a missão
Para que foi destinada.


49


Destinada para amar
E também p’ra ser amada,
Quando volta ao Altar
É, por todos, aclamada.


50


Pelo caminho que passa
Abençoa todo o Povo
Quando dá a volta à praça (*)
Seu rosto brilha de novo.


51


(*) A praça daquele Pico
Que dá feriado à ilha
Um postal que lhe dedico
Colorida maravilha.


52


Um sorriso p’ra ex-Escola
Outro p’ra Sociedade
E p’ra outra portinhola
Casa do Povo e Trindade.


53


Em Outubro, Escola fecha,
E vão p’ras Doze Ribeiras,
Ainda há quem se queixa,
E dá-lhe negras bandeiras.


54


O luto do coração
É o que mais ali se sente
Fecha-se mais um portão
Cada vez falta mais gente.


55


Trindade é na Despensa
P’ro pão, vinho ou Bazar:
Espírito Santo a crença
Que bendiz este lugar.


56


A Junta de Freguesia
De Bandeiras enfeitada
Mérito e honra no dia,
Da casa muito estimada.


57


Mas eu tenho cá p’ra mim
Que depois do belo Império
Lança sorrisos sem fim
Ao mar e ao cemitério.


58


Cemitério centenário
Já tem Casa Mortuária
Dois mil e treze, o cenário
Entra na rota diária.


59


E p’ra jamais esquecer
A estreia desse “salão”,
Logo uma flor viu morrer
Tanto se chorou então.
60


Quase dois meses se contavam,
Pela porta ter aberto
Tantas lágrimas brotavam
Pela vizinha de tão perto.
61


Mas quem na terra faz bem
A morte não tira nada
Foi p’ra junto da sua Mãe
Pois na terra somos nada.


62


Agora eu vou voltar
A sorrir para Maria
Enquanto puder rimar
Rimarei pelo seu dia.


63


O Sorriso de Maria
Encanta qualquer paisagem
E nas lágrimas do dia
Emoção e homenagem.


64


E na senda da lembrança
Faz-se outra caminhada
Recordando a Briança
E cantadores na estrada.


65


José Fagundes “Palhito”
Por ser de casta pequena
Na percussão favorito
E na rima que lhe acena.


66


Presente na cantoria
Do Pezinho, mais o Simões,
Na Briança que seguia
O ritmo das procissões.


67


À frente, vão enfeitados
Os bezerros das promessas
Atrás muito animados
Os cantadores sem pressas.


68


O Simões do Porto Judeu,
Dá um ar da sua graça
Esse dom que Deus lhe deu
Está na rima que abraça.


69


Um espírito que impera
Junto à maior divindade
A seguir à primavera
Vem a flor de caridade.


70


É assim que eu te vejo,
Freguesia dos meus avós,
Agora nasce o desejo
De selar os nossos nós.


71


Com nossa Banda tocando
Melodias de outrora
A natureza vibrando
Com gente que vem de fora.


72


Que passam pelo caminho
Não importa o transporte
Doze Ribeiras e Raminho
Ladeiam a nossa sorte.


73


Da Fajã até à Mata
E na Ponta do Farol
Verde e azul só desata
Se a nuvem cobre o sol.


74


É na Ponta do Queimado
Que se ergue o tal Farol
Deixa o mar iluminado
Na despedida do sol.


75


Lugar bom para pescar
Muito alto nestas bandas
Mas também pode matar,
Porque ali não te comandas.


76


De resto é o paraíso
Que reina em terra e mar
É de perder o juízo
Tanto, tanto recordar:


77


Fontenário da Mata
”O Velho” junto da Igreja
De outras bicas ando à cata
E mais chafarizes eu veja.


78


Do Alves como lhe chamam
Mais um da praça de touros
Do Gaiteiro e Negrão vinham
As águas dignas de louros.


79


Terreiro e nos Biscoitos
Vala, Canada das Lapas,
Chafarizes eram oito,
E outras torneiras captas.


80


Fonte na fenda de lava
- Dizem de água azeda -
À beira-mar se quedava
E perigosa se queda.


81


No mirante a Estalagem,
Lá no alto a Lagoínha
E p’ra quem vem de passagem
O Altar da Mãe Rainha.


82


E n’“Aldeia dos Macacos”,
Onde em julho há tourada,
Se alguém fica em cacos
É pela festa animada.


83


Gente amiga e ordeira
Que guardo no coração,
Um Cantinho da Terceira
Que merece esta ovação.


84


Importa ainda cantar
O povo da freguesia
Quem foi e quem quis ficar
No rasgo de cada dia.


85


A Serreta me desperta
Um sorriso de ouro fino
A saudade quando aperta,
Solto o verso peregrino.


86


Minha mãe quando me inspira
Sinto o amor da Serreta
P’la fé na Mãe não me admira
Que esse amor não derreta.


87


Dos Milagres conhecida
Sem pecado original
Louvo-A, ó Mãe querida,
Por todo este ideal.


88


E quando por lá passares
Podes tirar o teu chapéu
Brilham foguetes p’los ares
A honrar a Mãe do Céu.


89


Na verdade deste verso
Fecho agora o assunto
Bendita Mãe do Universo
Agradeço este conjunto.


PARTE III


90


Para quem vai à Serreta
Da frescura não desata
E onde quer que se meta
Acaba sempre na Mata.


91


À Mata vou de passeio
De encontro à natureza
O verde reveste o meio
O azul dá-lhe pureza.


92


É centro de veraneio
P’rós de cá e os d’além
De certeza tal passeio
Nunca faz mal a alguém.


93


Tanta gente ali passou
E levou-a na lembrança
E nos versos me inspirou
As raízes de criança.


94


O antigo fontenário
Não escapa aos olhares
Quando viras ao contrário
Tens o Raminho e Altares.


95


À frente casa de abrigo
Noutro tempo importante
Ao lado teto amigo,
P’ro momento repousante.


96


Baloiços e escorregas
P’ra gosto da pequenada
Ao prazer tu não te negas
Duma boa petiscada.


97


Coroadas de chilreios,
As folhas desta pureza,
Os sentidos ficam cheios
De cantares e da beleza.


98


Na ilha é um tesouro
O Farol lá bem na Ponta
Com vista do Miradouro
Que da terra ao mar aponta.


99


No nicho Nossa Senhora
Que protege o caminhante
Outra veio noutra hora
Trazida p’lo viajante.


100


Tosca Capela na Canada
Perto da rocha e do mar
Para as Doze foi levada
Para melhor se aclamar.


101


Duas ermidas e Igreja
Abaixo da atual,
São Jorge bem lhe deseja
Nas Doze, foi ideal.


102


Mas o sonho da Rainha
Nossa Mãe e Santa Virgem
Nesta tese que é minha
É voltar sempre à origem.


103


Façam vénias à Senhora,
Quando forem ao Raminho
Presente a qualquer hora
Nesse nicho do caminho.


104


Um adeus ao povo amigo
Que ama a Cantoria
É um cantar já antigo
Mas que tem sempre valia.


105


Quem dera que o Pavilhão
Da pequena freguesia
Fizessem folia então
Com cantares da alegria.


106


Cada cantador convidado
Com vontade, sem vaidade,
Como quando foi lançado
“Serreta na intimidade”


107


Um livro que é primogénito
Na escrita de rima sã
Ficou sendo benemérito
Da Estrela da manhã.


108


Luís Bretão apresentou,
Luís Nunes fez brilharete,
Liduino Borba muito ajudou
No içar deste foguete.


109


Um foguete de cultura,
Como tantos já tem dado;
Fagundes Duarte a ternura
No Prefácio doado.


110


Escrita de Victor Rui Dores
Veio da ilha do Faial
P’ra Terceira dos Açores
Ter no livro bom final.


111


A Serreta ainda merece
Tudo isto e muito mais
Dela a gente não esquece
Basta olhar os postais.


112


Desde o mar até à serra
Há uma valsa de cores
Para embelezar a terra
E livrá-la de mais dores.


113


Tanta gente que visita
A freguesia milagrosa
Sobretudo quem acredita
Na Santinha tão formosa.


114


Se a olhares de lado
Conforme o teu parecer,
Verás um choro quebrado
Noutro alegria de te ver.


115


E nas flores de Maria
Que também servem a Coroa
Há a alva alegria
Do perdão que nos ressoa.


116


Duas do Espírito Santo
São Coroas com tradição,
Uma dá ouro ao canto
Outra canta a devoção.


117


Quem já partiu me dizia
Que elas tinham sua zona
P’ra cada lado da freguesia
Cada uma tinha “dona”.


118


Isso hoje não se opera
Julgo eu foi esquecido;
Interessa é quem a espera
Tenha pelouro merecido.


119


As inocentes crianças
Merecem ser coroadas
Com graça e esperanças
De alvura enfeitadas.


120


Ó Serreta és tão bonita
Inspiras o meu cantar
Neste abraço, acredita,
Meu amor te quero dar!


PARTE IV


Serreta, estrelinha


121


A Serreta é marcante
Para todo o caminhante
Que por lá passou ou passa.
Fica na recordação
A boa aceitação
Da Virgem Cheia de Graça.


122


Dr. Francisco Oliveira
Das Fontinhas, da Terceira,
Registou prosa poética
Logo a seguir ao primeiro
Dia do mês de Janeiro
Ano dois mil, com ética.


123


Seguiu com olhar atento,
Todo o bom envolvimento
Que rege uma romaria;
Desde os tempos mais antigos
Faziam-se grandes amigos
No rumo à freguesia.


124


Era tamanha a alegria
Que ali se aprendia
Deixando uma saudade;
Era doce a juventude
Que repleta de virtude
Plantava sua amizade.


125


As carroças noutra altura,
Numa viagem segura,
Ornavam o ar de festa;
De cantigas enfeitadas,
Tingidas pelas toadas,
Que um sorriso apresta.


126


Meu Deus, como é bom lembrar,
Os poderes daquele Altar,
Que atrai um mar de gente;
Romeiros da alvorada
Faziam a caminhada
Da promessa repetente.


127


Tomavam a refeição
Num ponto de eleição
Para forças recuperar:
São Carlos foi a primeira
Que o Dr. Oliveira
Resolveu retemperar.


128


Outrora os viajantes
Na coragem dos semblantes,
Tinham pontos de paragem:
Era a massa sovada
Vinho e festa animada
Que sortia a viagem.


129


O pico e sua praça
Que perfuma quem lá passa,
É centro de atenções;
Lembrava lápis de cores
Nos verdes ramos pintores
D'alegres recordações.


130


O povo de toda a ilha
Que a romagem partilha
Nunca mais dela olvida
Se junta a devoção
E ventila a oração
Tem ali santa guarida.


131


Sábado da Tradição,
Domingo da Procissão
Ao crente a alma inflama;
O sorriso da Senhora
Já vem dos tempos d'outrora
E para quem muito a ama.


132


Dos Milagres, a Rainha
Da Serreta, do «estrelinha»
Que na encosta da serra
Faz o ninho florestal
E atrai mais pessoal
À beleza que encerra.


133


Há quem ainda não viu
Esse pássaro sadio
Pelos ares da natureza;
É pequeno nesse maciço
De verdura ao serviço
Desse padrão de beleza.


134


Terreiro do Azevinhal,
Pico do Negrão central
E o Pico da Lagoínha,
São terceto deslumbrante
Para qualquer visitante
Cuja volta se adivinha.


135


Julgo que o Cedro do Mato,
Fica bem neste retrato,
De verde a perder de vista;
Fetos, Tamujo e Louro,
Folhado, Negrito são ouro,
Numa capa de revista.


136


Quem nos conta tudo isto,
Merece de Jesus Cristo,
Cristalina recompensa;
Nasci lá e nunca fui
Ao altar que em campo flui
Numa verdura imensa.


137


Sonho com a Lagoínha
Num dia de manhãzinha
Com a aurora a crescer;
O trilho sendo rupestre,
Íngreme encosta terrestre,
Gostava de conhecer.


138


Urge guardar pensamento,
Que dedico ao povo atento
À lendária ravina:
Tromba-d’água a cavou
E seus pés a Mãe lavou
Na contemplação divina.


139


A água além ficou
E também não transbordou
Embelezando o local:
O «estrelinha» é residente
Que ali vive contente
Cantando seu ideal.


140


Dr. Francisco Oliveira
Se estiver na Terceira
E voltar àquele encanto...
Pergunte então por mim
Para que no seu jardim
Preserve as rimas que canto.


141


Canto à Virgem Maria,
Que a seguir ao seu dia
Tem brava Segunda-feira;
Ela gosta de Tourada
Com a praça adornada
Da folga da ilha inteira.


142


E nasceu o novo plano,
Santuário Mariano,
D'Imagem original;
É centro de santidade
Do emigrante saudade
Quando dali natural.


143


Serreta, terra de encanto,
E dela gostamos tanto,
Mesmo antes do que lembro;
Todo aquele que é natural
Honra o santo portal
Na dezena de Setembro.


144


Avé, ó Cheia de Graça,
Livrai-nos da ameaça
E dos perigos mundanos;
Abençoa os pecadores
Que no auge de suas dores
Se rendem aos santos planos.


145


Ó Santa Virgem Maria
És a Mãe da Romaria,
És amparo das nações,
És a Mãe do Sacramento,
Da Serreta e do talento
Que povoa os corações.
És rainha imaculada
De Jesus, Mãe adorada
O Mistério universal
És uma flor dos Açores
És a fonte de valores
Rainha de Portugal.


Rosa Silva ("Azoriana")


 


Nota: Escrito em diferentes datas mas publicado a 30/05/2015, o dia que faz onze (11) anos da Coroação da minha irmã Humberta Maria Correia da Silva. Que este escrito seja pela alma da nossa mãe que queria uma Briança na Função de 30/05/2004, quando já era falecida (2003/10/28).


Que este seja considerado um sinal do seu amor à Serreta, à Senhora dos Milagres, à família e, sobretudo, às filhas Rosa Maria Correia da Silva e Humberta Maria Correia da Silva.


 


INSPIRAÇÃO DO DIA


Se és santa minha mãe
Seja esta mais uma prova
Para quem te queria bem
Esta escrita não é nova.


Traz o amor à Serreta,
Traz o amor aos ilhéus,
Traz amor à terra preta,
E um milagre dos céus.


Meus versos são tuas flores
Que queres dar a Maria
Mãe dos queridos Açores
Mãe de tanta Romaria.

Meus versos têm leves cores
P'ra se ver com distinção
O maior dos teus valores
Teu AMOR e DEVOÇÃO.

Rosa Silva ("Azoriana")


150
Ó Serreta destemida
Com Banda miraculosa
Que deu à Serreta vida
Em pauta que é bondosa
Para todos és querida
Na festa maravilhosa!


150º aniversário da Filarmónica Recreio Serretense
04/12/2023