Está quase, quase....
Até lá desejo-vos boas saídas e MELHORES ENTRADAS
FELIZ ANO 2016
Está quase, quase....
Até lá desejo-vos boas saídas e MELHORES ENTRADAS
FELIZ ANO 2016
Parabéns à Filarmónica Recreio Serretense, pelo dia de ontem, 4 de dezembro, dos seus 142 anos de existência, pelo que é das mais antigas em atividade.
Fundação da Sociedade
Filarmónica Serretense
Tem uma longa idade
Que só a ela pertence.
Foi a quatro de dezembro
Mil oitocentos setenta e três
Que recebeu cada membro
Que a outros deu sua vez.
Teve farda toda branca
E outra branca e azul
De azul agora é franca
E anil traz norte ao sul.
Aos músicos e direção
Ao maestro que é bom
Parabéns dou-vos então
Pelo primoroso som.
Que a Senhora padroeira
Esteja em vosso compasso
Vai tão linda na Bandeira
E também no vosso passo.
Dos Milagres da Serreta
Dos Milagres da Região
Do Hino e da silhueta
Que tendes no coração.
Rosa Silva ("Azoriana")
É com "coração aberto"
Genuíno e muito belo
O passado está perto
Lá na Quinta do Martelo.
Ao olhar eu já desperto
Pró nosso modo singelo
No fazer que estava certo
Que eu lembro e apelo.
Sendo assim a boa Quinta
Presenteia quem visita
Cuidada e tão bonita.
Neste papel cai a tinta
Que me sai do coração
Por quem ama a tradição.
Rosa Silva ("Azoriana")
Imagem # 1 - Simbolizando
Imagem # 2 - Familiarizando
Imagem # 3 - Estrelando
Imagem # 4 - Decorando
O resto?!... Depois se verá!
Rosa Silva ("Azoriana")
A 24 de novembro de 2015 deu-me para vasculhar gente minha cuja maioria já não está entre os vivos. Destas fotos restam minha irmã e eu, e alguns primos. Do passado resta a lembrança do que vi e do que ouvi dizer. Há rostos que ainda lembro na sua plenitude. Há saudade!
Fui vasculhar o passado porque tenho um bom motivo. Faz hoje precisamente vinte e cinco anos que a minha única irmã casou. Parabéns, minha irmã e cunhado! Comemoram o que eu gostaria de ter também comemorado mas não comemorei por rompimento aos dezasseis anos.
Fui vasculhar o passado porque os meus pais casaram a 31 de julho de 1960 e comemoraram as Bodas de Prata no dia do meu 1º casamento datado de 28 de julho de 1985. Eles comemoraram felizes num dia que também eu estava feliz. Depois perdi o fio da felicidade.
Fui ao encontro da minha gente, gente que me deu a vida e os antecedentes que deram vida a vidas que já se foram. Dá saudade! Não dá saudade do sofrimento que vi passar mas dá saudade dos sorrisos e das alegrias.
Foi uma alegria ter uma irmã e vê-la completar 25 anos de matrimónio com horas de todas as qualidades.
Do 2º casamento completei as Bodas das Flores e Frutas (4º aniversário). Se Deus quiser virão mais…
"Agora deu para ver gente morta”… É verdade! Que os vivos sejam mais, mas muito mais felizes que os que já partiram.
Muitas Felicidades minha irmã e cunhado pelas vossas Bodas de Prata!
24/11/2015
Rosa Silva (“Azoriana”)
Álamo. Poeta dos Folhadais

Quem d'Angra vai ao Raminho
Encontra muita harmonia
Sobretudo a poesia
É o laço de carinho.
O carinho de Oliveira,
Álamo de cortesia
Que bem lavra a freguesia
Do maior dom da Terceira.
E viver assim somente
No meio dum mar de gente
Apetece o verbo amar.
À sombra dos Folhadais
Com rima nos seus portais
Mais apetece louvar!
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Dedicatória para Álamo Oliveira, um grande poeta, amigo e ícone de todos os tempos da poesia. Bem-haja! E parabéns à freguesia do Raminho pela sua página de grande valia.
Ver também “Tempo do Espírito Santo”, de Álamo Oliveira, que faz parte integrante do seu livro “Raminho dos Folhadais”, que recomendo a leitura. É lindo!
Um documentário completo na MEO Cloud sobre a minha página pessoal da Serreta, sem fins lucrativos, por minha vontade e a título póstumo, numa homenagem à minha falecida mãe que sentia um amor incalculável pela sua freguesia natal e à qual dedicava o melhor de si, mesmo sofrendo de uma doença incurável. A fé dela contagiou-me e agrupei muito do que já publiquei com a inspiração da minha musa - Matilde Rosa Cota Correia.

28/10/2003, com 63 anos.
Faz 12 anos, hoje, 28/10/2015.
Ano do 75º aniversário em 14/03/2015.
Reparo nos olhos dela
No cabelo ondulado
No sorriso que por ela
Tanta vez lhe foi cortado.
As dores que já partiram
Novas alegrias são
Noutra dimensão subiram
Como rosas em botão.
É assim que eu a vejo
Florindo meu pensamento
Porque a Rima é desejo
Que não escolhe momento.
Partiu aos sessenta e três
Faz hoje a dúzia de anos
Noves fora desta vez
O três vem sem ter enganos.
Pai, Filho, Espírito Santo
A Santíssima Trindade
Que adoça o meu canto
À Matilde de outra idade.
Cornucópias "saudade",
Alvo creme preferido:
Hoje à Rima dão vontade
E ao verso dão sentido.
Rosa Silva ("Azoriana")
Bom dia, boa tarde ou boa noite conforme o estado da hora que, ainda, me visita. Talvez ainda tenha algumas visitas. O importante mesmo era começar a ter muitas visitas acompanhadas de cliques, em cima ou em baixo, para me tornar uma "blogger" "famosa", salvo seja, não por mim mas por uma FESTA. Sim, por uma FESTA no ano que ainda nem começou mas já começa a mexer com as minhas ideias, desde o dia que fui escolhida para me juntar com mais três amigos da Senhora da Serreta.
Ora bem! Tanto paleio para quê?! Porque estou em pulgas para saber se eu e os outros vamos conseguir levar este grande "andor" para a frente.
Está marcada a 1ª reunião, para amanhã, 28 de outubro de 2015, precisamente no dia do 12º aniversário do falecimento da minha mãe que já me "alertou" para algo especial que se comemora em 2016 - o 10º aniversário da elevação a Santuário Diocesano de Nossa Senhora dos Milagres. Foi em Maio de 2006 mas, claro que, em setembro merece entusiasmo pois foi em setembro que foi feita a contagem de milhares de peregrinos que naquele mês costumam povoar a freguesia dos emigrantes, forasteiros, romeiros, residentes e passantes por quase todos os dias do ano. Há sempre alguém com os olhos postos no altar da Senhora mais linda que eu conheci desde que a vi, a primeira vez que tomei a consciência de que Ela estava ali por nossa causa.
Se a causa é nossa, se cada vez mais queremos dar-lhe o que melhor temos, que sabemos que Ela, a imagem, representa tudo o que é Bom, Santo e Feliz, então todos os que creem, adoram e esperam a bondade, a santidade e a felicidade precisam de se unir a nós, os quatro, para que se organizem as noites e dias de festividade do Povo e da sua Mãe. A festividade religiosa é sempre idêntica e só não se realiza caso haja temporal.
Temos que trabalhar por Nossa Senhora, pela festa profana com apoio de todos.
Tenho fé que todos queiramos festejar a Mãe da Serreta, da ilha, dos Açores, dos emigrantes, e do mundo que recorre a Ela "n" vezes e tantas é atendido com uma simples prece: "Mãe, preciso de ti! Ajuda-me, por favor!".
Rosa Silva ("Azoriana")
A imagem da capa está em Fotos SAPO
Foi um prazer talhar isto
Do fundo do coração
Desta forma não desisto
Tenho por ela paixão.
Quem fez a caricatura
Em tempos que já lá vão
Nem sabia tal ventura
Para capa de eleição.
Meu queixo proeminente
O cabelo sempre curto
São a prova evidente
De que este é o meu surto.
Faltam óculos que bem sei
Mas vejo à minha maneira
Para a rima que plantei
Mesmo sem ver corre inteira.
Rosa Silva ("Azoriana")
A última atuação do Festival "Açores a cantar"
António Isidro, da ilha de S. Jorge, e José Eliseu, da ilha Terceira
2015/10/17. Olavo Esteves Competições

Parabéns pela beleza do palco!
Apresento o meu pensamento:
Tal pena o meu talento
Ter ficado pelo caminho
Agora neste momento
O meu canto está sozinho.
"Novo talento" não sou
Porque disso já dei prova...
Se a voz não ecoou
É porque já não sou nova.
Mas gostava de cantar
A rima que tanto amo
Com isso só vou sonhar
E nem por isso reclamo.
Desejo a todos sorte
Aos que vão iniciar
O canto que se for forte
Há de o mundo alcançar.
Rosa Silva ("Azoriana")

Para 2015/10/17
Mais um livro a ser lançado
Coleção de Improvisadores
José Santos laureado
Como Elo dos Cantadores.
Desejo todo o sucesso
A este senhor da rima
Sextilhas que dele meço
Merecem a minha estima.
Desejo estar presente
Porque o convite aceito
E ler para toda a gente
Algo que pra ele foi feito.
Bem-haja ao cantador
Que preza a sua terra
Que nos une ao exterior
E na união não erra.
Rosa Silva ("Azoriana")
Outono de inspirações é o título de mais uma publicação in MEO Cloud.
Se gostar pode comentar que fico muito grata pela sua opinião.
Rosa Silva ("Azoriana")
A Serreta tem pouca gente
Mesmo não precisa mais
Pois ela recebe enchente
No tempo dos araçais.
Mesmo quando a tourada
Vem animar o cenário
Do Terreiro aficionada
É neste mês do Rosário.
Eu agora vou pra lá
Porque o berço me chama
Melhor que ele não há
Pra quem lá nasceu e ama.
Mesmo perto da cidade
Seja a minha moradia
Quando há uma saudade
Vou à linda freguesia.
Rosa Silva ("Azoriana")
ORAÇÃO DE MÃE
Tenho motivo pra louvar
Esta imagem tão querida
Que me ajuda a caminhar
Pelos caminhos da vida.
Ó minha Mãe eu te guardo
Junto às contas do Rosário
Quando o dia está pardo
Tua Luz abre o cenário.
Dos Milagres, Mãe bondosa,
És o grito universal;
Hoje te pede esta Rosa
Salva nosso Portugal!
De Portugal é Rainha,
Do Rosário é também:
Ouve esta oração minha
Uma oração de mãe.
Rosa Silva ("Azoriana")
Tenho a terra lavrada
Com ajuda de alguém
Hoje nem estou cansada
Fazer muito não convém
Temos tarde de tourada
O resto virá por bem.
Ontem passeei na ilha
Terceira de Jesus Cristo
Foi mesmo uma maravilha
Afinal eu gosto disto
Um casal fez a partilha
De um almoço que registo.
Foi na Quinta dos Açores
Um almoço ajantarado
Até fiquei com calores
Mas andei por todo o lado
Na Praia rimei amores
No facho de braço dado.
Nossa ilha é tão bonita
Depois de estar na clausura
A paisagem é favorita
Misturando com doçura
Em cada canto, acredita,
Há pezinho de Cultura.
Que não seja publicidade
Isto que escrevo aqui
É uma forma de amizade
Que relato do que vi
E também da caridade
E do gosto que senti.
Hoje apetece rimar
A lava vem de seguida
É como a onda do mar
No rochedo sempre erguida
Só falta mesmo é cantar
O que sinto p’la cantiga.
Elas caem uma-a-uma
As cantigas que escrevo
Se não tem graça alguma
A mais eu até nem devo
Mas que sejam como pluma
Ou semente do meu trevo.
Eu sinto tanto encanto
Pela nossa Região
Nossa ilha é um espanto
No que toca à tradição
Cada vez que eu a canto,
Na escrita, dá paixão.
Mas não posso mais maçar
Quem isto está a ler
Nem gosto de atiçar
O que não me possa ver
Cada um no seu lugar
Há de a Rosa entender.
Para terminar em par
As sextilhas que urdi
Vem esta pra completar
O ramalhete que escrevi
E a todos saudar
Mesmo sem serem daqui.
2015/09/28 (tarde da Tourada de S. Carlos)
Rosa Silva (“Azoriana”)
A baía é um abraço
Da Praia a quem visita
Um oásis no regaço
E cada vez mais bonita.
Uma visita fez à Praia
Fonseca e D. Guiomar
Que mais visitas atraia
O amor ao nosso mar.
Este mar que aconchega
A maré da amizade
Para mim é uma achega
Para quem vem à cidade.
Ó Praia de Santa Cruz
De valores sem igual
És da ilha de Jesus
És facho de Portugal.
Rosa Silva ("Azoriana")
A “catedral dos cantadores”
Pezinho de Luís Bretão em memória de Marcelino Gaspar, falecido em junho de 2015.
Foi com grande emoção que Luís Bretão falou do seu braço direito, o grande amigo Marcelino Gaspar, que durante dezasseis anos o ajudou na organização do seu Pezinho, principalmente na parte que diz respeito aos “sacos de Luís Bretão”, oferta que não pode faltar como forma de presente aos cantadores que cantam uma (ou duas quadras) na moda do Pezinho, no seu Museu, ou como o próprio disse desta vez, a catedral dos cantadores.
É, para mim, uma honra também responder ao convite que o amigo Luís Bretão me faz desde que encetei conversa telefónica com ele, no ano de 2008, fez agora sete anos.
Nesta quinta-feira de setembro, dia 24, estava ladeado na sua mesa de honra, por José Fonseca de Sousa, amigo dos Açores e vindo do Continente propositadamente para estar com Luís Bretão e família no Pezinho que junta um número extraordinário de amigos ou outros convivas que encontram a porta sempre aberta a convidar à entrada, e, do outro lado, estava Roberto Gaspar, em representação do falecido pai - Marcelino Gaspar (uma pessoa fantástica, disse Luís Bretão a todos).
Este foi, sem dúvida alguma, um Pezinho para ser registado na história da Festa do Império de São Carlos, na memória coletiva e no coração de todos os presentes no Museu de Luís Bretão que esteve à cunha, para confraternização e audição do discurso do próprio e das cantigas de um grande punhado de cantadores e tocadores, bem como da Filarmónica que acompanhava o grupo.
Passo a dar-vos, agora, um relato escrito das cantigas que foram tecidas durante a presença dos cantadores, quer integrados no Pezinho da Festa, quer convidados e amigos de Luís Bretão. Todos são bem-vindos! Peço desculpa se alguma das quadras seguintes não estiver conforme o que foi cantado e isso só se deverá a não ter percebido bem o verso ou palavra. Vou ser o mais fiel possível à audição da gravação que foi feita, tanto por Fernando Pereira como por Hildeberto Franco. O primeiro é assíduo a este evento, e o segundo penso que terá sido a estreia. A rádio “Voz dos Açores” também se fez representar com Ildeberto Rocha.
“É muito bom ter amigos. A todos, obrigado pela vossa amizade! Muito obrigado”, disse Luís Bretão.
Cantadores por ordem de atuação e com a fita de recordação do Pezinho (Bruno Oliveira e Valentim Aguiar foram estreantes):
António Mota
E como é natural
As minhas cantigas vão
Desta vez na catedral
Da Casa do Luís Bretão.
José Eliseu
Por tudo o que eu já senti
E as minhas memórias consulto
Cantarmos Pezinho aqui
É quase um momento de culto.
Ludgero Vieira
Agora um brinde eu proponho,
Acreditem que é verdade,
Se a amizade é um sonho
Tu tornaste-a realidade.
Valentim Aguiar
É ao Divino Espírito Santo
Esteja no teu coração
E por ser a primeira vez que canto
Na Casa do Luís Bretão.
John Branco
Canto a Luísa e Luís Bretão
E ao Duarte com amizade,
Porque formam uma união
Como a Santíssima Trindade.
José Fernando
Do céu tu recebeste a graça,
O alívio prás tuas dores;
Que o Divino te faça
O que fazes p’los cantadores.
Marcelo Dias
Cantar em Casa do Luís Bretão
É sempre o nosso destino,
Mas cada quadra seja uma oração
Por alma do Marcelino.
Paulo José Lima
O Pezinho do Luís Bretão
É um historial de coisas antigas,
Um arraial de tradição,
Um solar para as cantigas.
Liduíno Borba
Boa noite meus senhores
E a todos que aqui estão,
O dia de alguns cantadores
Da segunda divisão.
Fábio Ourique
O Luís é pessoa pura,
Homem de bom coração,
Quando se fala em Cultura
Fala-se em Luís Bretão.
Rosa Silva
Que o meu verso seja um hino
Ao amigo Luís Bretão,
E em memória de Marcelino
Que tanto lhe deitou a mão.
Bruno Oliveira
E o Luís é homem forte,
Amante da Cantoria,
E se eu mandasse na morte
O Luís nunca morria.
Eduíno Ornelas
Pedi a S. Francisco Xavier
Na viagem me botasse a mão
Pra ver teu filho e a tua mulher
E cantar para ti Luís Bretão.
Roberto Toledo
Saúdo neste serão,
Saúdo com doçura,
Saúdo o Luís Bretão
Que é o rei da Cultura.
João Leonel
Tu és arado que lavras,
És vaga que tem marés;
Quem me dera tem palavras
Pra descrever tu quem és.
João Ângelo
A Casa do Senhor Bretão
Com o enchente que aqui está
Parece na Base um avião
Que veio da América ou Canadá.
Aplausos finais.
Até para o ano se Deus quiser!
Rosa Silva ("Azoriana")
Por amizade
Cumprimento o meu amigo
Que já está no seu cantinho
Só resta dizer que o sigo
Com elevado carinho.
À vista daquele Coreto
Fiquei na mira da gente
Sei agora onde me meto
Na Festa daqui pra frente.
Junto com três elementos
Quatro na totalidade
Teremos de ter proventos
Pra maior festividade.
Doravante publicidade
Não falte e quanta queira
Pois o mote da saudade
Há de encher nossa Terceira.
Podem vir “filhos” da terra
Que aqui tiveram luz
No vale da pequena serra
Desta ilha de Jesus.
O que agora me compete
É pedir quem nos ajuda?
Nesta hora se remete
Um pedido que nos acuda.
Sempre que alguém quiser
Enviar seu contributo
Tenha em mira esta mulher
Grão-a-grão venha seu fruto.
A família emigrante
Da Serreta freguesia
Mesmo estando distante
Tem amor e a mais-valia.
Sóis nosso elo bendito
Bendita a Virgem Maria
Quero o seu largo bonito
Como bonito é seu dia.
Setembro dois mil e seis
Começa a partir de agora
Sejam pobres ou sejam reis
Vossa graça nos decora.
UMA BÊNÇÃO
Quantas flores abençoadas
São pétalas de oração
Suas cores espalhadas
Adornam a Procissão.
Quantas mãos são calejadas
Em girassóis do Verão
P’los vizinhos partilhadas
No alindar deste chão.
Toda a gente ou quase toda
Se apresta, que bem lembro,
Na Festa que é de setembro.
Todos saem para a boda
Que de flores continua
A ser a bênção da rua.
Nossa Senhora dos Milagres da Serreta
Tu vieste ó Mãe clemente
Por terrenos sossegados
Até chegares ao poente
Chilreios esvoaçados.
Depois viste tanta gente
Com os pés tão calejados,
Por rumar a ocidente
Pelos Teus dotes sagrados.
É por Ti, doce Maria,
É por Teu imenso Amor
Que Te canto este louvor.
Ajuda-me e dá a guia
A toda a Humanidade
Prá visita da Saudade!
Artesão
De vimes secos fizeste
A cesta para o trabalho
E agora até me deste
Palavras para o que talho.
Talho versos enlaçados
Como enlaçavas o vime
Em serões que foram fados
Só pra quem o fado estime.
Agora vivo lembrando
Passagens de outras eras
Que meu pai me foi legando
Em cestinhos de quimeras.
Não aprendi seu ofício
Que levava a preceito
Mesmo tendo sacrifício
Era feito com seu jeito.
O Pão
É farinha, é fermento
E tantos nomes lhe dão
Canto o feliz alimento
Que baila de mão-em-mão.
É de água, papo-seco
Ou carcaça, ou de leite,
Só não consta do livreco
Pão com bolor por enfeite.
Massa doce, bem sovada,
Massa sovada popular
A rosquilha arredondada
É de igual paladar.
Pão de véspera, dormido,
Pão de sol, sabe a aurora,
Que graça eu ter comido
Ázimo que não como agora.
Vem o pão da padaria
Não do forno entre o lar
Ai que bom que me sabia
Ele saindo a escaldar.
Pão da alma e da vida,
Pão de Cristo Redentor;
Pão numa mesa sofrida
Sabe a pouco e tem valor.
Pão dos Homens, Pão de Deus,
E da pobre criatura;
Pão que se dá “Pamordês”
Tem sempre graça futura.
Pão do sonho, pão talhado
Com a forma do talento,
É no mundo admirado
É do povo o sustento.
Se não fosse o nosso chão
Que ao trigo deu franquia
Hoje a nossa Região
Ter mais pão até podia.
Mas o trigo importado
Cai na saca que tem fundo:
Pra muitos ele é sagrado
Para outros vagabundo.
Repara bem se puderes
Tu que tens bom pão na mesa
Reparte só quando deres
O pão à nossa pobreza.
Há o pão que não tem dono
Fica sempre “ao deus dará”;
Há quem o faz quando o sono
É de outros que não estão lá.
“Coma bem, viva melhor”
É um lema que eu sei;
A parte sempre maior
É Pão, cereal de lei.
Quem sabe talhar o pão
É feliz, eu sei que sim,
Põe na mesa, à refeição,
Pão nosso é um festim.
Rosa Silva ("Azoriana")
P.S. Artigo relacionado
É costume ouvir dizer, sempre que se fazem peditórios para a Festa da Serreta, que se realiza na segunda semana de setembro de cada ano, que o Santuário é “rico”, que tem dinheiro para fazer as festas de âmbito civil ou profano e podia dar um grande quinhão para todos os dias da festa noturna. E porque não o tem feito ou faz?! Espero um milagre!
Se o faz com algum “donativo” é se tem ordem superior ou vontade de quem comanda os destinos das promessas. Cada pessoa que dá ouro em brincos, anéis, etc e dinheiro em numerário ou outro tipo de valores é porque passou por grande desgraça e se despoja dos bens materiais como forma de agradecimento a Nossa Senhora dos Milagres pela graça obtida. Usar esse dinheiro para a festa profana é como que fazer daquela ação um divertimento, que o próprio peregrino não tinha essa intenção. Penso que o pagador da promessa não irá ficar satisfeito de ver a sua oferta por outros caminhos. Enfim, a Festa da Serreta propriamente dita realiza-se de sábado a quarta-feira, conforme a tradição. A exceção tem acontecido na quinta-feira com uma vacada que alguém resolva patrocinar.
Deixa ver se explico bem a mensagem que quero passar ao povo da ilha, da freguesia e fora dela, nomeadamente aos emigrantes, “filhos” da freguesia da Serreta:
“Vamos trabalhar por Nossa Senhora” é o lema que constantemente me assalta a mente.
Para o ano de 2016 fui nomeada mordoma da festa, com mais três elementos: Paulo Simão, Sónia Melo e Dinarte Pavão.
Seja com rifas, seja com festivais (alcatras disto ou daquilo, sopas, etc.), ofertas, donativos e patrocínios diversos, são ideias para o melhor caminho a procurar para financiamento da festa diurna e noturna. Vejamos:
* No sábado é tradição haver o concerto da Filarmónica Recreio Serretense e o fogo preso.
* No domingo da missa solene e da procissão da Nossa Senhora dos Milagres, a parte noturna é patrocinada por apoios de quem quer ajudar a ter algo para diversão.
* Na tradicional segunda-feira (e que vem tendo despacho governamental para tolerância de ponto para a ilha inteira) há a tourada na praça, abrilhantada pela Filarmónica Recreio Serretense. Há custos que também tem de ter apoios de aficionados ou não. À noite convém continuar a divertir o povo que não se quer triste porque já bem basta alguns dias tristes do ano.
* Na terça-feira é ocasião também para o tradicional Bodo-de-Leite, com o que melhor se puder arranjar, mas que tenha alguns animais para serem benzidos pelo Reitor do Santuário, ou então nada feito. Da parte da tarde há a procissão de Santo António com a distribuição de merendeiras (“brindeiras”) e a brilhante atuação da Filarmónica de Recreio Serretense. Claro que à noite é necessário divertir o público que espera sempre ter algo de jeito para ver e ouvir.
* Na quarta-feira, vem de longa data, a tourada na via pública, junto ao Santuário, com um arraial marcado com os riscos nos lugares habituais e em todos as canadas, início e fim da mesma, e com toda a espécie de licenças e taxas, segundo ouço falar. Nunca estive integrada numa ação destas mas vai caber-me, junto com os restantes mordomos, essa tarefa que custa mais a quem a dá do que a quem a vê.
* Se for para continuar com uma vacada na quinta-feira só se for implorada e patrocinada em tudo, porque é sempre mais a gosto dos emigrantes que voltam à sua freguesia natal e estão saudosos de ver “uma brincadeira” na praça da Serreta.
O fim é que é nostálgico… Vê-se a Serreta cheia e barulhenta e depois fica o silêncio de casas, ruas e pessoas. Talvez só fiquem descansados os que foram nomeados mordomos, depois de tanto fazer para ter uma festa apresentável e digna de boa lembrança, e com caminhos varridos de toda a espécie do que se “atira ao caminho”. Precisa zelar-se pelo ambiente e não lixá-lo.
Valha-nos Nossa Senhora dos Milagres e os que sabem orientar-nos na execução de tudo a gosto do freguês, por já terem feito as mesmas tarefas de angariação de fundos, em anos anteriores.
O “Pão-por-Deus”, o S. Martinho, o Natal, o Carnaval, a Páscoa, os Bodos do Espírito Santo, o Dia da Freguesia, a oferta dos “filhos” emigrados da freguesia, os peditórios anuais, etc, serão sempre oportunidades de se fazer algo a favor da Festa da freguesia mais pequena na população e maior na devoção.
O que de ti desprenderes
Mesmo em pouca quantidade
Serve para ofereceres
À nossa necessidade
E serve para receberes
Honras da localidade!
Escrito em 22 de setembro de 2015, com validade prolongada e ao vosso dispôr desde agora até 2016.
Rosa Silva (“Azoriana”)
(desconheço o autor, por favor, avise-me se é o autor da imagem)
O “meu” Pico é lindo de mais
Catedral de excelsa beleza
Que inspira os nossos jograis
A cantar a sua realeza.
Pico alto é de formas tais,
É montanha da nossa riqueza;
Não t’esqueço ó Pico, jamais:
Tu és pão e rosquilha na mesa.
Estás assente no reino de pluma
De azúis e alguns cinzelados;
Me cativas por todos os lados.
Espiral de chapéu há só uma
Numa união celeste, ao céu…
Ó que lindo é o Pico ilhéu!
Rosa Silva (“Azoriana”)
Muito há para contar depois desta ausência feliz. Em vez de palavras, troco-as por imagens que podem aceder através do meu Kanal, com o que consegui captar através do meu telemóvel e com a emoção contente. Estive ausente para o lado ocidental da ilha Terceira, escusado será escrever que foi para a Serreta e sua Festa anual, na segunda semana de setembro.
A maior das surpresas de uma terça-feira p.p. é que fui nomeada mordoma das Festas de 2016, junto com três elementos: Paulo Simão, Sónia Melo e Dinarte Pavão. Ideias não faltam, tradições a manter, trabalho nos espera. A Festa tem de se fazer com a colaboração dos residentes (poucos), dos amigos da Serreta e quem de nós se lembrar.
Uma coisa é certa... a nossa porta está aberta para vos receber.
Por agora fiquem com as imagens em slide e em vídeo, no vosso aparelho televisivo.
Também no Facebook se encontram alguns vídeos e imagens com a qualidade que se pode arranjar com o meu meio de captação.
Parabéns à Comissão das Festas da Serreta 2015 e que o seu testemunho nos possa abrir caminhos de inspiração.
Rosa Silva ("Azoriana")
Aos onze dias do mês de setembro do ano de dois mil e quinze chegou-me à mão e visão, por via dos CTT de Angra do Heroísmo, um livro de noventa e seis páginas, cujo título é “Histórias d’Assombração”, do autor Luiz Fagundes Duarte, que, por sorte, é meu conterrâneo desde que calcorreei os mesmos caminhos e ruelas que ele, pese embora a faixa etária ser um nadica diferente.
Logo de início, página 14 (1+4=5) encontrei algo que me fez pensar. A data de março de 1986, quatro meses antes de o meu primogénito nascer. Tem data de 22 a 30 de março e o primogénito nasceu a 25 de setembro. Deu-me logo um toque no coração. Que distraída estava eu para não saber destas escritas que tanto gosto de ler com todas as atenções.
E o resto? Ai, meu Deus e Nossa Senhora! À página 19 já as lágrimas me impediam de descortinar as letrinhas miúdas para a minha vista que se vai tornando fraca e pouca. Estou como que a ver o “filme” todo do que se passava noutras eras com a devoção a Nossa Senhora dos Milagres. Tudo escrito de forma cénica e verdadeira, como esta parte “era a senhora grande de corpo pequeno, a imagem pobre de riquezas adornada” (página 20).
Daqui para a frente até à página 28 li com atenção desmedida. Maravilhei-me como quem faz uma “descoberta” de um tesouro. Percebi, finalmente, a importância do que se deixa escrito para os vindouros e, igualmente, percebi o que “mais conto menos conto” ouvia dizer dos acontecimentos seculares que também gostava de vasculhar.
Na próxima parte, não menos interessante mas mais intrigante, continuei ávida por conhecer mais estórias… e ri-me com a página 30 (“livros na Serreta eram coisa de espanto”) noutros tempos longínquos, já se sabe. E aquela parte de “evoluções das tripas da terra” foi uma expressão de mestre, do Dr. Fagundes Duarte.
Com a mesma idade de Jesus, estagnei na mesma página 33: uma morte na Serreta! Assassínio, quem diria!? Tenho que continuar a ler… Ufa!… É esta a lava de escrita que nos faz rebentar de assombro… Continuo a leitura, é impossível parar agora, mesmo depois de apreciar a expressão poética “uma baixa à flor das ondas”. Ei que coisa linda! Ai rir que apetece na página 38… e só parar a risada na 42… Veremos se vem mais atração nas restantes.
Ai palavras que aprendi a escrever certinhas e não de ouvido… Assim é que é. Aprender até morrer.
Já em avançada leitura estremeci eu “um filho reconhece sempre a voz da mãe”… é certo, confirmo! Tenho de perceber os "sinais" da minha falecida mãe, é certo. (página 64, número corresponde aos dois últimos dígitos do ano em que eu nasci)…
A da terra tremer durante o mês de “um maio” e da procissão dos abalos sempre de 30 do mesmo mês, eu sabia, mas a expressão de “arrotos da terra” essa é novidade poética, com um “brilho” na leitura. E também foi em maio de 1760 que a Capelinha de Nossa Senhora dos Milagres surgiu na “nossa” Fajã, fez em maio de 2015 os seus 255 anos. Ninguém se importará, pois não? Fagundes Duarte e eu e mais alguém, tenho a certeza, importamo-nos e muito. Só não sei do araçaleiro que seria suposto ainda subsistir a tudo e todas as intempéries.
Querido Fagundes Duarte posso chamar-lhe assim, posso? Amei o seu livro! Adorei! Seja ficcionado ou não, seja pequenino, seja o que lhe quiserem atribuir, o que sei é que acabei com gotas escorrendo do olhar da lembrança de uma terra que me orgulha e muito de ter tido um berço na Canada da Vassoura, com um mar inteiro na minha frente e uma serra pequenina no costado.
Da próxima vez que nos virmos, frente a frente, quero dar-lhe um abraço daqueles que se sente o coração a pulsar de satisfação por ter lido as suas “Histórias d’Assombração”, tudo por causa de um tal Tavares...
Bem-haja, Dr. Luiz Fagundes Duarte!
2015/09/11
Rosa Silva (“Azoriana”)
Viva quem dá sua voz
À rádio açoriana
Com a língua dos avós,
Genuína e soberana.
"Do Atlântico para o mundo"
É o lema estruturante
Que na verdade é no fundo
Séquito do emigrante.
Viva quem faz o bem
Sem sequer olhar a quem
Com Açores em sintonia.
Santa Bárbara, Terceira,
Para quem ouve é primeira:
Voz dos Açores é alegria!
Rosa Silva ("Azoriana")
Atenção: A "Rádio Voz dos Açores" e o programa "Voz dos Açores", de Euclides Álvares estará em direto no sábado (à noite) e domingo da Festa da Serreta 2015 acompanhando o evento maior da Senhora dos Milagres. Fui convidada para acompanhar na emissão o amigo Euclides Álvares que está de férias na sua terra natal - Santa Bárbara, da ilha Terceira.
Se gostas do que é nosso e que se ouve além fronteiras sintoniza a Diáspora Group: Rádio Portugal USA e/ou a Rádio Voz dos Açores, nos diretos quase, quase em emissão (12 e 13 de setembro de 2015)
GRANDE CANTORIA NO RAMINHO
FESTAS DE S. FRANCISCO XAVIER
01/09/2015
Cantadores: Maria Clara e José Eliseu
Edição e imagem: Hildeberto Franco, do “Kanal das Doze”
Local: Sociedade Recreativa do Raminho
Duração: 46:50
Quadras: 40; Sextilhas: 18; e uma oitava final partilhada.
Quadras:
Maria Clara
Por entre os pastos verdejantes
Saúdo o povo do meu dia-a-dia,
Que hoje recebem os visitantes
A esta nossa freguesia.
José Eliseu
Na costa setentrional
Da linda ilha lilás
Desejo a este pessoal
Saúde, amor e paz.
Maria Clara
Há muita freguesia com sorte
Por ter dimensões especiais
Mas a princesa do Norte
É o Raminho dos Folhadais.
José Eliseu
As quadrículas das pastagens,
Pode haver quem o esconda,
É das mais bonitas paisagens
Da nossa ilha redonda.
Maria Clara
É uma paisagem divina
Para bom observador
Duma freguesia pequenina
Mas que pra mim tem valor.
José Eliseu
Já se foram os Folhadais
Plantados em todos os trilhos
Mas restaram os casais
Que sabem educar os filhos.
Maria Clara
Uma freguesia rural,
Com graça e até bonita,
Que se torna sempre especial
Pr’aquele que a visita.
José Eliseu
Freguesia soalheira
Quando o Verão lhe dá calores;
Berço da única cantadeira
Em exercício nos Açores.
Maria Clara
Um berço ao qual tenho amor,
Um berço que tem bons senhores,
E que recebe o melhor cantador
Em exercício nos Açores. (aplausos)
José Eliseu
Porque ter Maria Clara Costa
Nestas nossas cantorias
É ter uma mesa posta
Com as melhores iguarias.
Maria Clara
Porque ter Eliseu Mendes Costa
É sempre motivo pra honrar,
Que todo um povo gosta
De ouvir em qualquer lugar.
José Eliseu
Quero que os raminhenses sigam
De cabeça erguida pra aí,
Porque mesmo que não o digam
Eles se orgulham de ti.
Maria Clara
Ainda não dou muito tafulho
Nesta história de cantoria,
Mas tenho sempre muito orgulho
De ser desta freguesia.
José Eliseu
Quando de S. Bartolomeu sigo
Para o Raminho, no Verão,
Se me põem a cantar contigo
É um presente que me dão.
Maria Clara
Por tu a mim cantares castigo
E por ajudares toda a gente;
Quando me põem a cantar contigo
Pra mim é melhor do que um presente.
José Eliseu
Quando chegamos a qualquer Festa
E encontro esta donzela
Dou-lhe sempre um beijo na testa
Dizendo que estou com ela.
Maria Clara
O beijo ele hoje me deu,
Esse beijo, em mim, sempre sobressai;
O beijo na testa do Eliseu
É como pedir a bênção ao pai. (aplausos)
José Eliseu
Estás na idade dos desejos,
Como já a teve este Eliseu;
Estás na fase dos beijos
Mas na testa é só eu. (aplausos e risos)
Maria Clara
Um beijo na testa tem valor,
Há muito que sempre o tens feito;
Sinal de apreço e de amor
E um grande sinal de respeito. (aplausos)
José Eliseu
É bom sempre me respeitares
E aceitares beijos pacatos,
Se os quiseres em outros lugares
Arranja outros candidatos. (risos)
Maria Clara
Outros beijos trarão temor,
Outros beijos em outra Festa,
Nunca terão o valor
Daqueles que me dás na testa. (aplausos)
José Eliseu
Sou uma pessoa acarinhada,
Eu beijo idosas e miúdas
E podes ficar descansada
Que não é o beijo de Judas.
Maria Clara
Beijas sempre o arraial inteiro
E eu já ouvi alguns rumores,
Seres o cantador mais beijoqueiro
Das nove ilhas dos Açores. (aplausos)
José Eliseu
Tomo a iniciativa
De beijar, à minha vontade,
Porque na minha saliva
Não há vestígios de maldade.
Maria Clara
Uma senhora já me dizia,
Pus à escuta o ouvido meu,
Que ela só vinha à cantoria
Pra ter um beijo do Eliseu. (aplausos)
José Eliseu
Há dias uma veio pra mim
Antes de uma cantoria
Beijei-a, ela disse assim:
Eu já ganhei o meu dia!
Maria Clara
Nas plateias muito tenho descobrido,
Que algumas senhoras têm rancores,
Que nunca beijam o marido
Mas beijam os cantadores. (aplausos)
José Eliseu
Minha esposa me pôs à rasa,
Como facto que eu destaco,
Que há dias aparecia em casa
Com batom no meu casaco.
Maria Clara
A tua esposa muito aguenta
Tantas saídas que tens no caminho,
Que se ela fosse ciumenta
Já estavas a morar sozinho. (risos)
José Eliseu
Minha esposa tem ensejos,
Embora não venha à Festa;
Eu também lhe dou muitos beijos
Só que nunca é na testa. (aplausos e risos)
Maria Clara
Acabei de reparar aqui,
Estava olhando aqui sozinha,
Tens um pouco de batom vermelho aí
Juro que não foi culpa minha.
José Eliseu
Tu comigo usas meiguice,
Até mesmo sobre escombros;
Maria eu já te disse
Pra não me beijares os ombros. (risos)
Maria Clara
Minha desculpa se manifesta,
Juro que não foi por ser louca;
Tu esticas-te pra me beijar a testa
Enfias-me o ombro na boca. (risos)
José Eliseu
O assunto está divertido
Porque na diversão tu bem lavras;
Maria um beijo sentido
Vale mais que mil palavras. (eu aplaudo)
Maria Clara
Um beijo eu, bonito olhar,
Como já fiz alguns aqui,
Tem o poder de aproximar
Até quem não gosta de ti.
José Eliseu
Porque o beijo tem ternura,
Grande magia ele tem,
Basta pensarmos na doçura
Do beijo da nossa mãe. (aplausos)
Maria Clara
O beijo da mãe não é em vão
E ao filho nunca causa tédio,
Que nas horas de aflição
Ele é o único remédio. (aplausos)
José Eliseu
Até o pai para beijar
Torna-se mais cuidadoso,
E se for depois de ralhar
O beijo é mais saboroso. (eu aplaudo)
Maria Clara
Beijo de pai traz alegrias,
Beijo da mãe traz-nos prazer,
Deles eu tenho todos os dias
E em breve vou deixar de ter. (aplausos)
José Eliseu
Até por consideração,
Que a juventude me perdoe,
Era bonito beijar a mão
E o “Deus te abençoe”. (aplausos)
Sextilhas:
Maria Clara
Acredito que o beijar a mão
É sempre um ato sentido,
Que faz parte da educação
P’lo menos daquela que eu tenho tido,
É um exemplo de tradição
Que não se havia ter perdido. (muitos aplausos)
José Eliseu
Em tempos que já lá vão,
A minha mãe me dizia
Que na nossa Região
Um velho costume havia,
Até de se beijar a mão
Ao padre da freguesia. (aplausos)
Maria Clara
Aquilo que pensa a Maria,
É que há coisas que não se aguenta,
Beijar ao padre da freguesia
É demais e não se sustenta,
Mas também creio que hoje em dia
Foi de oito para oitenta. (aplausos)
José Eliseu
Meus caros concidadãos,
Ao som de cada lindo arpejo,
Digo que além de beijar as mãos
Em casa ou num festejo,
Há o beijo entre irmãos
Eu nunca provei esse beijo. (aplausos)
Maria Clara
O beijo explico porque o senti,
Irmão tua mãe não quis dar,
Sempre que minhas irmãs vi
É sentimento, sem se explicar,
Há uma que beijo sempre aqui
E outra que não posso beijar. (aplausos)
José Eliseu
A tua mão me seduz,
Apesar de não estar erguida,
Abre a tua mão para a luz
E beija na despedida
Esse que está preso na Cruz
E és feliz pra toda a vida!
(aplausos e Maria beija a Cruz)
Maria Clara
É sempre bom tê-lo na mão,
Nas minhas contas sempre alisto,
Tenho-o junto ao coração,
Mas muitos beijos não registo,
Porque os meus lábios dignos não são
De poder beijar Jesus Cristo. (muitos aplausos)
José Eliseu
Beija sempre Aquele que gostas,
Porque quem beija não erra;
Se no beijo tu apostas
Beija nem que seja a serra,
Como o mar beija as costas
E a chuva beija a terra. (muitos aplausos)
Maria Clara
Quando eu vou cantar num salão,
Ou num arraial que se estendeu,
Pra ter minha inspiração
Muito nunca peço eu:
É o crucifixo na mão
E um beijo na testa do Eliseu. (muitos aplausos)
José Eliseu
O Raminho dá-me a rodos
Amizade e alegria,
Gosto de vir aos seus Bodos
Ou de visitá-lo qualquer dia;
Como não posso beijar todos
Então beijo a Maria.
(muitos aplausos e José Eliseu dá beijo na Maria)
Maria Clara
A freguesia não carece
De boas pessoas, sem fim,
Mas elas entre muito aquece
Quando chegas e sorris assim,
Que o Raminho muito agradece
Tudo o que tens feito por mim. (muitos aplausos)
José Eliseu
O Raminho tem de te olhar,
Para que eu também possa;
O Raminho tem de te beijar
Porque esta poetisa é nossa;
O Raminho tem de amar
Esta jóia que é vossa. (muitos aplausos)
Maria Clara
Eu vou deixar a freguesia,
Por mais de um ano e de um mês,
Saudar a minha companhia,
Saudar este povo cortês,
Mas não vai passar um só dia
Que eu não pense em vocês. (aplausos)
José Eliseu
E quando as malas fizeres,
Vais ter esta atitude,
Tu irás beijar se puderes
Tua mãe, mulher de virtude,
Para que o beijo que lhe deres
Lhe traga muita saúde. (muitos aplausos sentidos)
Maria Clara
Deixar o meu pai me conduz
A uma tristeza assim,
Mas deixar aquela que me deu à luz
É mais uma dor que não tem fim,
Porque essa enfrenta uma cruz
Que precisa tanto de mim. (muitos aplausos sentidos)
José Eliseu
Que até mesmo os alfarrábios
Tenham livros desta cantadeira,
Já estás no galarim dos sábios,
Por isso vem pra minha beira
Porque vais ter dos meus lábios
Um beijo da ilha Terceira.
(muitos aplausos e José Eliseu dá-lhe um beijo na testa)
Maria Clara
Depois do beijo que ele veio dar
Em nome dos que se manifestam,
Em seguida meus pais vou beijar
E outros amigos que prestam
Porque eu tenho que aproveitar
Os últimos dias que restam. (muitos aplausos)
José Eliseu
Tua dignidade não belisco,
Nem tão pouco o teu encanto;
Nem tão pouco corres o risco
De beijares, no entanto,
A imagem de São Francisco
E a Coroa do Espír’to Santo. (aplausos)
Oitava partilhada:
Maria Clara: E adeus eu digo a sorrir
José Eliseu: Adeus solteiros e casais
Maria Clara: Adeus porque temos que ir
José Eliseu: São as estrofes finais
Maria Clara: E antes de outros aqui ouvir
José Eliseu: Com redondilhas fundamentais
Maria Clara: Juntos nos vamos despedir
José Eliseu/Maria Clara: Do Raminho dos Folhadais.
Aplausos gerais e os cantadores dão o abraço final.
Não é de agora, sempre foi assim. A água desce, não tem travão, acelera até chegar à meta, em descida. Quanto mais baixa for a descida mais a água acelera.
Ainda recordo, como se fosse hoje, as alturas que chovia a cântaros e a rua da Miragaia não suportava o caudal de água, ao ponto de, nos entrar todo o tipo de sujidade por casa dentro. Tínhamos tudo encharcado no “andar de baixo”, como se dizia, e a água trazia o que de pior os nossos olhos queriam ver, pois além do que era nosso, trazia o que era alheio.
Enfim, essa foi uma das tristes lembranças que ficaram quando a água volta a ser tema de susto e debate.
Calçada sem estar bem “colada” em lugares pontuais de escoamento brusco de águas é de acautelar com cimento e pronto.
Portas com entrada rasa com o passeio é de pensar ter uma “aba” implantada para fazer a água mudar o rumo e não infiltrar-se portas adentro.
Tampas de esgoto no interior da residência é um chamariz para a desgraça. Devem ser mudadas para o exterior, em zona que ligue ao esgoto geral, com “fechadura” interna, em caso de chuva forte.
Não sou técnica, nem percebo de obras desse porte, mas imagino que todas as vezes que vier um “dilúvio” vai haver sempre o mesmo espetáculo aflitivo e dantesco.
As forças da natureza são impossíveis de travar de forma “baratinha” ou fácil. Há que investir, primeiro em bons técnicos e depois, em matéria que mude o estado da calamidade.
Já se sabe que construções ao pé de ribeiras e grotas são de risco elevado. Já se sabe que água e fogo são os maiores prejuízos que temos pela frente quando surgem de repente. Perante essa perceção não há santo que nos valha, só mesmo o valimento de quem trabalha com boa orientação técnica.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: A propósito do artigo do DI - Diário Insular de hoje (8/9/2015)