Se o cantar me ajudasse
Na vida a sobreviver
Talvez medo não passasse
Do medo que temo ter.
Este medo me acompanha
Desde a hora em que nasci
E no peito me desenha
A falta que tenho de ti (*).
Se fosse mais arrojada
E cantasse sem temer
Talvez a voz fosse nada
Comparado com o saber.
Sem saber eu me criei
Junto à berma da valeta
E dos passos que já dei
Comecei-os na Serreta.
A Serreta é lugar frio
Que aquece o coração;
Se eu cantar ao desafio
Quero ver-te na multidão.
Multidão sei que não tenho
A ouvir as minhas rezas;
Se tiver bom desempenho
Sei que a vida me prezas.
Eu hoje estou desalmada
Para rimar sem tafulho
“Por favor fica calada
Porque já falta o embrulho”.
O embrulho de uma mãe
Que gostava de cantigas…
O fundo sei que não tem,
Nem vê joio, nem ortigas.
Ó minha mãe fostes cedo
Desta vida para fora…
Só tu sabes o segredo
De eu estar cantando agora.
Rosa Silva (“Azoriana”)
(*) minha mãe.
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