Vivenciar a solitude

Solitude não é solidão. Solitude é querer estar só mas partilhando companhia favorita. É um estado de presença apenas e só.

Cada vez temos mais amplitude de técnicas várias. Uma delas, o objeto mais cabal e atual, é o telemóvel e todas as funcionalidades incorporadas de forma a termos o mundo na nossa mão, ao alcance de um toque mágico da polpa dos dedos, sejam mais carnudos ou não.

Conseguimos ver em tempo real o que o outro está a fazer se o vídeo for possível.

Conseguimos "enganar" apenas o sentimento oculto no ser, mas que pode transparecer no olhar e na atitude e/ou movimentos mais ou menos percetíveis. Quem seria o inventor da solitude?

Todos!

Exceto os solitários física e mentalmente.


 


Na solitude eu me invento
No trilho de cada momento
Na vivência diária
Porque a vida é mesmo assim
Toca a todos e a mim
Duma forma solidária.

Solitude é diferente
Da solidão que presente
Pode dar cabo de nós
Solidão é isolada
Não se quer vista em nada
Nem tão pouco alta voz.

Solitude é de quem
Partilha o que de bem
Sente em profundidade
Pode calar o segundo
Mas o verbo é fecundo
No que toca à amizade.

Viver um passo adiante
Torna a vida interessante
Exceto na solidão;
Esta é mais prisioneira
Enquanto vejo a primeira
Ser parente da união.

Rosa Silva (“Azoriana”)

1 comentário:

  1. A solitude é um ensaio sobre a existência.
    E como tal deve ser limitada no tempo e na frequência.
    Será um estado de alma, ou um estado mental?
    Será o querer ser?.  Os estados de alma tendem a descontextualizar o real.
    Solitude só se entende associada à reclusão, com propósito,  tempo e espaço definidos.
    Solidão é  pena suspensa, transitória ou perpétua conforme as circunstâncias e o querer.
    Nesta o poder da  mente é mais importante que na solitude, porque é um estado mental real;  caso contrário  será patológico.
    A solidão inflingida aos vulneráveis  deveria ser considerada crime.

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