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Ilha taurina
Bravo toiro que ateia
O pó da nossa atenção
E o ilhéu incendeia
Duma brava atração.
Com guarda-sol o capinha
Atiça bravo serviço
E do toiro se adivinha
O seu novo reboliço.
Uma aficion terceirense
Que nenhuma outra imita
A bravura nos pertence
E a quem a acha bonita.
Bravos ilhéus que festejam
Uma magia de cores
Louvados p'ra sempre sejam
Ganadeiros e pastores.
No caminho da investida
Uma dezena de pastores,
A corda só é comprida
Se a pancada causa dores;
Um toiro só brilha em vida
Por quem mostra seus valores.
Veraneio de folia,
Um imenso festival;
Um passo maior se cria
Em defesa do animal;
Todos querem alegria
No redondel arraial.
Rosa Silva ("Azoriana")
Luís Carlos (Luca)
2014/06/25
Com amor eu te criei
Como prima fortaleza
Quando hoje te visitei
No Museu, da grã riqueza
Uma lágrima brotei
No silêncio da realeza.
Sentada num cadeirão
Com meus ares de espanto
Vendo a ilha da Região
Que num sismo sofreu tanto
Nas raízes do teu chão
Que hoje parece santo.
De um sismo renasci
Onde tiveste o berço-sorte
Olhando agora por ti
E plas contas do teu norte
Trabalha bem e faz aqui
O melhor e o mais forte.
Tua mãe, Rosa Silva, com a alcunha "Azoriana" (o "z" é uma letra internacional, enquanto que o "ç" pode surgir como um símbolo).
A ilha Terceira sobrevive à custa de tantas e tantas obras e festas que envolvem a população interna e externa. É nesta sorte que vivemos e sem ela tudo perdemos. Nunca percas o teu chão natural, o teu valor humano, o teu regalo de ser e estar na ilha mais festiva do arquipélago.
Somos o que somos onde quer que o olhar poisa.
Esta nota foi criada posteriormente à dedicatória e tem a data do dia de S. Pedro, a freguesia citadina onde acertámos passo e pousio - 29 de junho de 2014.
"cinco dedos de poesia", de Jorge Morais
Eu quero ao mundo dizer
Em palavras de estima
Que devem todos conhecer
O livro que ora encima.
Jorge Morais, em cadeia,
Faz a palavra brilhar,
É poeta de alma cheia
Que me prende o olhar.
O olhar e o sentimento
Na leitura de "cinco dedos
De poesia", de talento,
De augustos [in]segredos.
Corre a tinta entre folhas,
Corre a semente do ser,
E correm suas escolhas
Pelos olhos de quem o ler.
Bravo! Parabéns!
Angra do Heroísmo, 2014/06/28
Rosa Silva ("Azoriana")
Aos meus filhos...
Aos Meus Filhos:
Luís Carlos,
Aida Alexandra
e Paulo Filipe...
Os filhos que Deus me deu
Tem o céu em sintonia
No olhar de maresia
No sentir de ser ilhéu
E ainda em cada dia
No ar que eles tem de seu.
***
Cada vez que me acompanham
Seja lá aonde for
No meu coração desenham
O prestígio do amor
E oxalá que sempre o tenham
Como pétala duma flor.
Não é preciso abraçar,
Nem é preciso frequência
Na forma de contatar
Haverá sempre evidência
No que a voz pronunciar
Em louvor da existência.
Não digo que tem valores
Nem digo que são troféus
Só direi que são mentores
Destes meus ares ilhéus
Nascidos pelos Açores
Tem tudo o quem vem dos céus!
Rosa Silva ("Azoriana")
Terceira, minha terra! [Escrito na Praça Velha. Junho, 2014]
Minha terra é uma prenda
Um convite a festejar
É valor, arte e lenda
De um povo a navegar.
Minha terra beija o mar
Seja de noite ou de dia
Salgado a murmurar
E doce na companhia.
Venha ver o sol crescer
Na bainha da aurora
Para quando adormecer
Deixar sua cor cá fora.
Venha ouvir nossas gaivotas
Sobrevoando as marés
De certeza que bem notas
Beleza de lés-a-lés.
Rosa Silva ("Azoriana")
Aos cantadores do Pezinho Joanino
Cantadores do Pezinho das Sanjoaninas 2014. 27 de junho:
À vista (da esquerda para a direita): Tiago Clara, Lénio Parreira, Maria Clara Costa,
José Esteves, Bruno Oliveira
À posteriori: o emigrante Victor Santos e José Eliseu.
De caras "ensarilhadas"
Como o Esteves nos diz;
Por dentro abençoadas
Com a rima mais feliz.
Cada olhar tem um mistério
Cada lábio uma palavra
E neste vosso império
A boa rima se lavra.
Cada um veda o sorriso,
Nesta hora e momento,
No átrio do pensamento...
Quando solta o improviso,
É como ave que voa
Leve em verso que apregoa.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nada mais (que ornamento natural)
Nada mais é que uma flor
Nada mais do que é preciso
Nada mais que o meu amor
Nas asas do improviso.
Nada mais que dupla cor
Nos varais feitos de siso
Nada mais que o Pastor
Do jardim do Paraíso.
E pra contudo ser nada
Numa cantiga rimada
Com o tom da natureza...
É um nada já com tudo
Do verso, que sem estudo,
Em quase nada vê beleza.
Rosa Silva ("Azoriana")
Muros de Angra joanina
Vejo lágrimas pendentes
Que tomam a cor lilás
Que fazem lembrar as gentes
Que não voltaram para trás.
**
Vejo abertas sementes
De beleza eficaz
Mesmo que sejam cadentes
Só de olhar trazem a paz.
**
Ó que pétalas divinas
Trazem as Sanjoaninas
Aos muros da tradição.
**
Ó que saudades eternas
De quem as achava ternas
Cores santas por S. João.
**
Rosa Silva ("Azoriana")
O mote joanino
Caneta ao baleeiro
Da montanha majestosa
Caderno onde o ponteiro
Aponta quadras da Rosa.
Caneta de marinheiro
Que do mar fez sua prosa,
Caderno que é o primeiro
A beber rima amistosa.
Quando um dia eu me for
Podes ver todo esse ninho
Com as notas de carinho...
Até lá deixa-o estar
Na minha mente a voar
Construindo o meu caminho.
Rosa Silva ("Azoriana")
A nossa "Voz dos Açores"
A nossa "Voz dos Açores"
Tem de Euclides permanência
E sei que tem admiradores
Que louvam a persistência.
Leva a alma açoriana
Aos seus fiéis ouvintes
Que se infiltra na americana
Com todos os seus requintes.
Eu adoro aqui estar
E estarei até puder
Enquanto ele me deixar
Na expressão amanhecer.
A expressão declamada
Dos ventrículos da paixão
É como flor coroada
Por laços da Região.
A Região de cada ilha
É feita de arte e som
E quando isso se partilha
Multiplica o nosso dom.
Ai quem me dera louvar
Quem na Região se formou
E na América cantar
Tudo o que Deus me doou.
Na chegada abraçar
Uma terra tão famosa
Os emigrantes beijar
Como pétalas de rosa.
Um abraço ou um beijo
Quando se dá de verdade
É dado com mais ensejo
E abranda a SAUDADE.
A Saudade é comovente
Se não tem à sua beira
Algo que faça presente
Um cheirinho da Terceira.
Ai quem pudesse voar
Na alma da poesia
E convosco logo estar
Numa doce maresia.
Ai quem pudesse chegar
Ao coração de vós todos
E convosco partilhar
Nossa ilha e seus bodos.
Minha vida se desfolha
Na rima que me seduz:
Grata estou a quem me olha
E vê a ilha de Jesus!
Rosa Silva ("Azoriana")
Humildemente vos rogo... (por setembro)
Se da ilha amigo é
De mim até poderá ser
Leve-me para o seu pé
Se tiver algum poder
E verá a minha fé
No canto a florescer.
Em setembro sei de festa
Que louva o cantador
Uma homenagem se presta
Seja lá aonde for
Se estiver presente nesta
Darei todo o meu Amor.
Em setembro das vindimas,
Que não se querem vinagres,
Em setembro, mês de rimas,
Pululando nos cantares,
Em setembro onde encimas
A Senhora dos Milagres.
Em setembro de louvores
De gargantas afinadas,
De seculares cantadores
Que deram dons e toadas,
Para lembrar nossos Açores
Em terras mais visitadas.
De mares e de marés,
De ventos e ventanias,
De afagos sem revés,
De valores e garantias,
Quem me dera ser como és
Na saudade desses dias!
Rosa Silva ("Azoriana")
Feitiço de mar
Junto ao mar de S. Mateus
Numa paisagem marinha
Parece que vejo Deus
Nas asas duma andorinha.
E o mar no seu bailado
Que não perde o seu compasso
Pela maresia é beijado
E recebe o meu abraço.
Mar da ilha, mar celeste,
Mar bravio, mar anil
Mar de valsa ao quadril.
Mar que de azul se veste,
De espuma apaixonada
Que me deixa enfeitiçada.
Rosa Silva ("Azoriana")
"My name is fair play", lema de Paulo Almeida
AO LUSO-AMERICANO, DA TERCEIRA, AÇORIANO
Bravo homem lutador
Tua vida é um troféu
Que nas asas do açor
Melhorou além-ilhéu.
Bravo e são desportista
Com um lema por inteiro
«Fair Play» e otimista
Pelo que é verdadeiro.
A Paulo Almeida saúdo
Desde a ilha que o gerou
Por defender seu escudo
E o brasão que cá deixou.
Lusa paixão açoriana
No seu coração é rica
Tem também a soberana
Estadia na América.
América é mesmo um sonho
Até um sonho frequente:
Se um dia olhos lhe ponho
Há de haver abraço ardente.
Um abraço desta ilha
Colar-se-á ao teu peito
Um hino, uma maravilha,
Que conheces o efeito.
Paulo Almeida eu te juro
Antes que a morte me leve
Se nos virmos no futuro
Muito disso a ti se deve.
Tu vens cá com tal amor
Que me causas emoção
Vou pedir-te um favor
Em nome dessa paixão.
Por mensagem enviarei
Um abraço por escrito
E algo mais te direi
Por tudo o que me tens dito.
Love your FAIR PLAY
Love your friendship;
More I could not say
I wish soon we could meet.
Rosa Maria Silva ("Azoriana")
Encontro com as Bicas [por Ferreirinha]
Eleição de duas quadras proferidas pelo conhecido cantador de improviso - FERREIRINHA DAS BICAS (Francisco Ferreira dos Santos) - num grande desafio entre ele e o CHARRUA, por ocasião das Festas ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, que se venera na Caldeira de Santo Cristo, na ilha de S. Jorge, no ano de 1953:
POIS A AVE ÁGUA DESEJA,
E O VERME DESEJA LODOS,
POR ISSO NÃO HÁ QUEM SEJA
AGRADÁVEL PARA TODOS.
***
A ÁGUA, O AR E A LUZ,
FÉ, ESPERANÇA, CARIDADE,
SÃO SEIS GRAÇAS QUE JESUS
CONCEDE À HUMANIDADE.
FERREIRINHA DAS BICAS
Agora apetece-me dizer, em rima:
QUEM SOU EU PARA FAZER
ESTANDARTE DE LOUVORES
E COM A RIMA TECER
O MELHOR AOS CANTADORES?!
NÃO SE DEVE É ESQUECER
NOSSOS IMPROVISADORES.
SOU AQUELA QUE ESCREVE
COM A MELHOR INTENÇÃO
SOU AQUELA QUE NÃO DEVE
ESCONDER SUA PAIXÃO
POSSO TER A RIMA LEVE
MAS DOU FORÇA À REGIÃO.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Poderá gostar de ler o artigo relacionado, publicado anteriormente.
Ter um sonho é maior que o desejo
Quem é que não sonha? Quem é que não teve um desejo? Entre um e outro há escudos e muralhas que muitas das vezes impedem qualquer realização.
Sempre pensei que ter um desejo é quando se anda nos braços do dia, e, por outro lado, sonhar é melhor quando o temos no desfile do sono calmo, na horizontalidade repousante.
Hoje realizei um sonho que se misturou com o desejo, após ter recebido um convite surpresa: Declamar o que previamente escrevo, instantaneamente, em formato de dedicatória, e cantar na moda do Pezinho e da Cantoria regionais, terceirenses, no meio de outros sete cantadores do sexo masculino - João Leonel, José Eliseu, John Branco, Luís Carlos Ferreira, João Ângelo, José Borges e Victor Santos. Eu era a única voz feminina com o desejo de me sair bem com o improviso, imediato e acompanhado pelos nossos tocadores locais - Emanuel Coelho e José Manuel (Caracol) e uma filha do emigrante, Chelsie Santos, que muito estimo e gosto da sua voz sonante e que sobressai bonita e entusiasta: Victor Santos.
O convívio foi para homenagear um aniversariante, que muitos conhecem e presenteiam com o que tem de parentesco e amizade. Eu conheci-o pessoalmente hoje, bem como à sua esposa. Fiquei fã do primeiro olhar, cumprimento, abraço e declamei o que desejei declamar e cantei as rimas de enquadrar. Senti-me bem que até sonhei que os novos amigos, João e Cecília Pires, me levassem no coração...
No coração de ilhéu cabe tudo o que é por bem e o deles sei que tem o Amor que vem do céu.
24/06/2014
Rosa Silva ("Azoriana")
Falar, cantar, dançar na ilha hoje é o de sempre: um FESTEJO
S. João versa alegria
Estampada no seu dia
Em cada ponto ou esquina.
É tão nosso festejar
E pela rua marchar
Na Festa Sanjoanina.
Parabéns a quem faz anos
Em moldes açorianos
Na ilha de Jesus Cristo;
Batizados por João
Comungam do seu torrão ...
Que de louvar não desisto.
Para quem fica por casa
E sente a mecha da brasa
Que surge na gente agora...
Podem crer que são lembrados
E os tempos já são dados
P'ra nos marcar vida fora.
Falar, cantar e dançar,
Escrever o que inspirar
De tudo o que cá se vê?!
É fazer do dia-a-dia
Um ramo de alegria
Para dar a quem nós crê!
Terceira ilha que faz
Da sua flor tão lilás
Um bouquet de amizade;
Quem nos visita e abraça
Colhe toda a nossa graça
Que reluz festividade.
Viva a Festa principal
De uma Angra mundial
Que se faz em otimismo,
Seja sempre recordada
E por tanta gente amada
Linda Angra do Heroísmo!
Rosa Silva ("Azoriana")
Louvor a CHARRUA
* Nos 104 anos de nascimento *
Poeta e cantador
Tido por extraordinário:
Hoje ergo outro louvor
No dia de aniversário.
Se vivesses como vives
Junto à estrela do céu
Do meu verso eras ourives
Me tiravas o chapéu.
Mas eu não sou como tu
Nem sequer sou parecida
Muito menos como a Turlu
A tua musa em vida.
Não importa o que eu diga
Importa é a ocasião:
Haja sempre uma cantiga
Por ti e por S. João!
Rosa Silva ("Azoriana")
Ao nosso ilustre cantador aniversariante: João Ângelo Vieira
Transcrevo na íntegra o email recebido do amigo dos Açores e dos cantadores de improviso - José Fonseca de Sousa, que neste caso especial do aniversário de João Ângelo Vieira, um cantador favorito, fenómeno terceirense e açoriano:
"Amiga Rosa Silva,
Como há dias lhe disse o Ti João Ângelo faz 79 anos no dia 24-06-2014.
Tinha imenso prazer que publicasse no seu Blogue o (poema?) que junto, nesse mesmo dia, e fizesse um comentário seu acerca do assunto.
Também gostava que a Rosa Silva fizesse um dos seus belos poemas ao Ti João, e também o publicasse no seu blogue.
Estarei a pedir muito? Talvez, mas o Ti João é merecedor, e devemos pedir a quem sabe.
Um abraço
José Fonseca"
Eis o poema de José Fonseca para o Ti' João, como amigavelmente lhe chamamos:
Para o meu amigo, João Ângelo
(pela passagem do seu 79º Aniversário)
É Homem de letra grande
Um exemplo a imitar
Sua amizade se expande
Como uma a flor a brotar.
Deus lhe vá dando saúde
Porque ele, bem, o merece
Pois, na vida, a sua atitude
A dignidade enaltece.
Improvisador de grande valor
No mundo da cantoria
É poeta, é cantador
É filósofo, é simpatia.
Os anos, lá, vão passando
Nossa amizade, vai crescendo
É o que vou desejando
Enquanto formos vivendo.
É um amigo sincero
Difícil de se encontrar
E o que eu, somente, quero
É a nossa amizade, preservar.
José Fonseca de Sousa
24 de junho de 2014
E não me excluo da homenagem. Eis a minha sincera dedicatória para este dia fabuloso:
A João Ângelo Vieira
(Aniversariante joanino)
S. João e seu cordeiro
É por nós reconhecido;
Ti João no cancioneiro
É por todos aplaudido.
Setenta e nove primaveras
São na minha opinião
Motivo para sinceras
Honras ao Mestre João.
É Mestre de Cantoria,
De «Velhas» e Desgarrada,
Do Pezinho e da folia
Que nos provoca risada.
Parabéns, caro amigo,
Que guardo no coração;
Lembro do Pezinho antigo
Na Serreta, na Função.
E lembramos tanta vez
Sua cordialidade
A vinte e quatro deste mês
É nossa celebridade.
O melhor dele se diga:
Tem bondade no sorriso,
Tem beleza na cantiga
E reina no improviso.
Rosa Silva ("Azoriana")
Em Angra do Heroísmo: Por S. João há bom quinhão!
Hoje a rima não se atrasa
Para vos cumprimentar
Tenho o coração em brasa
Pela festa popular.
S. João salta a fogueira
Leva junto o seu cordeiro
Porque a brasa da Terceira
Toma o passo dianteiro.
Vamos todos para a rua
À esquina do seu trono
Porque hoje sei que a lua
Jamais pegará no sono.
Vão brincar a noite toda
Com os ares mais felizes
A sardinha fará boda
Festejando nossas raízes.
E pra quem não puder ir
Para a lilás brincadeira
Também poderá assistir
Pela TV a noite inteira.
Leva o manjerico ao peito
E teu amor pela mão
E roda a saia de um jeito
Que toque no coração.
Se tropeças dás cambrelas
Pela rua engalanada
Não te vão fazer mazelas
Estás feliz nem sentes nada.
Por Angra do Heroísmo,
Pela nossa ilha festeira,
Com graça e com civismo
Vais erguer tua bandeira.
Bandeira de S. João,
Bandeira de amizade,
Trinta anos de missão
Por Angra, nossa cidade.
A verdadeira amizade
É rica de alegria
Digo com sinceridade
Estou feliz por este dia!
Não me canso de louvar
Todos os que cá festejam
Peço a S. João para dar
O melhor que nos desejam.
Terra linda majestosa,
Ornamentada de flores;
Hoje sinto-me orgulhosa
Por seres dos nossos Açores.
Açores terras de espanto,
Terras de cordialidade,
Terras do Espírito Santo,
Símbolo da comunidade.
Saúdo os emigrantes
Presentes neste arraial
Hoje estão menos distantes
Do lindo berço natal.
Em cada olhar que vejo,
Em cada sorriso aberto,
Só sobressai o desejo
De vos ter sempre por perto.
Agora para findar
Esta onda repentista:
Viva o balão pelo ar,
Viva S. João Batista!
Rosa Silva ("Azoriana")
Os Tarolas - hoje, às 19:30, em Angra do Heroísmo
Muito cedo o pessoal
Se juntou para ensaiar
O que todos afinal
Gostam de ouvir tocar.
Vão tambores pela rua
Da Sé até velha Praça
São beijados pela lua
Que também lhes acha graça.
S. João, tão divertido
Por Angra engalanada,
Também alegra o ouvido
Pr'ós Tarolas em desfilada.
Gostamos muito do tom
Com que brindam nossa gente
Cada toque é um dom
Cada passo marcha contente.
Vão adultos e crianças
Cumprindo a sua missão
Ficam nas boas lembranças
Das festas de S. João.
Rosa Silva ("Azoriana")
Sanjoaninas 2014 estão quase começando em Angra do Heroísmo
Num mar de azul celeste
Qual bandeira regional
Angra da Sé já se veste
Património mundial.
Trinta anos a florir
Pelas ruas paralelas
Hoje dá-nos a sorrir
Uma das melhores telas.
Meu amor por nossa ilha
E por Angra do Heroísmo
Parece que até brilha
Perante tanto lirismo.
Angra pura, idolatrada
Pela gente e por ser nossa
Hoje é tanto e mais cantada
Por quem jamais lhe fará mossa.
Rosa Silva ("Azoriana")
Gaivota
Talvez um ninho fizesse
No teu peito a vida inteira
Se uma gaivota viesse
No céu da ilha Terceira.
Talvez o céu folheasse
À procura do azul
E no teu peito pousasse
O desnorte do meu sul.
Se uma gaivota eu for
Serei irmã do açor
Milhafre da minha terra...
Tua pele será meu vale
E o meu grito não se cale
Pelo vale chegue à serra.
Rosa Silva ("Azoriana")
Que belo!
Voa Espírito de Deus
Pousa em nosso coração
Protege os filhos teus
E protege nossa nação.
Fazei que minha oração
Seja alva como as flores
Que são divina atração
Nas Coroas dos Açores.
Que dos meus lábios consiga
Voar franca Avé-Maria
E com mais fé eu prossiga
Em cada hora, em cada dia.
Dai força à minha fraqueza
Dai alento ao meu viver
E à nação portuguesa
Dai o que deixou de ter.
Rosa Silva ("Azoriana")
Imagem principesca
Noutras eras uma igreja
Assentou neste lugar
Pra que toda a gente veja
Continuou um altar
Que o Espírito festeja
Pra caridade louvar.
Império de cores garridas
Para chamar a atenção
No cimo velas erguidas
À Coroa cuja função
É manter rezas unidas
Da sua população.
Abre porta e janelas
Em duas vezes ao ano
No altar há flores belas
Um retalho açoriano
Principescas e singelas
Promessas do ser humano.
Só quem nasce numa ilha
De cariz portuguesa
Percebe que a partilha
É sua maior riqueza
E o símbolo da rosquilha
Mostra a fé por natureza.
Um ilhéu passa tormentas
Um ilhéu sente saudade
Brava ilha que sustentas
A matriz da caridade
E com fé tudo enfrentas...
És Bodo duma Trindade.
Rosa Silva ("Azoriana")
Cada vez... [mais saudade!]
Cada vez que um irmão
Faz da vida uma escrita
Saboreando a Região
E toda a classe que edita
Fica rente ao coração
Numa página tão bonita.
Cada vez que me abeiro
Das folhas de ouro fino
Dum escritor pioneiro
Que escreveu com bom tino
Fico tendo um verdadeiro
Contato com o Divino.
Cada vez que me procuram
Dotados destes valores
Certamente me asseguram
A rima dos meus Amores
Que até os lábios murmuram:
Salve, salve nossos Açores!
O encanto se apregoa
E a nossa popularidade
O mote que nos ressoa
É bonito de verdade
Viva toda a pessoa
Que nos eleva a saudade!
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: A propósito da leitura do maravilhoso livro de Gervásio Lima, "A Turlu na Califórnia" 1938.
O folião
Mês de junho folião
Pró citadino e campónio
De S. Pedro e S. João
Mas primeiro Santo António.
S. João tem seu teatro
Na esquina da nobre rua
Feriado a vinte e quatro
Na cidade minha e tua.
Bem disse eu que primeiro
Santo António se festeja
O santo casamenteiro
Com as noivas sempre esteja.
No fim, o santo da chave
Que abre as portas da festa
S. Pedro, oxalá não lave
A folia que nos resta.
Com a chuva impertinente
Que teve aviso amarelo
Se vier daqui pra frente
Vai molhar o que é belo.
A S. Pedro e a S. João
Vou pedir com sentimento
Que deixem sorrir o Verão
Ao invés de chuva ou vento.
E lindos estão nos altares
Num templo à nossa beira
São os SANTOS POPULARES
Os foliões da Terceira.
Dia 13, 24 e 29
António, João, Pedro, os santos;
Tanta gente já se move
Ensaiando marcha e cantos.
Rosa Silva ("Azoriana")
Portugal, Camões e as Comunidades Portuguesas
Portugal de tanto herói
Que navegou pelo mar;
Hoje tanto já se foi
E tende a não mais voltar.
Louvo quem preserva a Língua
Que mátria terra lhe deu
Nem deixou morrer à míngua
O berço onde nasceu.
Camões ficou no memória
Legou douto manuscrito
Que engrandece a História
E dele muito se tem dito.
Louvo as Comunidades
Nossas irmãs Portuguesas
Juntem-se às solenidades
Que hoje brilham, de certeza.
Rosa Silva ("Azoriana")
DIA DOS AÇORES
Ó Açores da minh'alma
Hoje é grande a tua palma
Ciranda em mar de amores
A beleza dita AÇORES!
Ó ilhas do nosso espanto
Um Museu que vale tanto;
Ciranda por entre flores
Culto chão dito AÇORES!
Açores de nove irmãs
Cantando pelas manhãs
Um hino de esplendor...
Indo além cantam saudade
Alegria, paz, amizade...
A seu jeito cantam AMOR!
Rosa Silva ("Azoriana")
Recordações de maio
Muito obrigada pela recordação de maio de 2014
Imagens captadas por John Baker @2014
Pentecostes na ilha Terceira
Hoje anda "meio mundo"
Comungando a tradição
E o foguete é no fundo
Anúncio da devoção.
Na Igreja ou Santuário
Já se toca a Deus um hino
Ao Império vai o vigário
Dar a bênção do Divino.
Reunidos no terreiro
Recebem o bento pão
E o pelouro do Primeiro
Bodo vai selar esta união.
Padre, Filho, Esp'irto Santo
Vinde em nossa companhia
E àquele que sofre tanto
Dai um pouco de alegria.
Pai nosso que estás no céu
E no crente coração
Abençoa o povo ilhéu
E quem ama a Região.
Reúne à tua beira
Tantos dos entes queridos
Que partiram da Terceira
E jamais serão esquecidos.
Lembro o Ti' Manel da Lília,
Que tanto se alegrava
No Terreiro uma folia
Quando comigo dançava.
É o vinho um folião
Que anima toda a gente
Repartido em bom quinhão
Faz um Bodo mais contente.
Rosa Silva ("Azoriana")
Com os olhos postos no Espírito (fim-de-semana especial de quatro dias)
Que se tente ser feliz
Nesta ilha de magia;
Há muito tempo se diz
Que a partilha é alegria.
Mesmo que ela escape
Por entre o alvo dos dentes
O coração não esfarrape
Nestes rochedos contentes.
Venha o verso inspirador
Adornar lavas de vida;
A paz é uma fina flor
De alegria colorida.
Vivemos em correria
"E pouco é o que faço…"
Adeus até outro dia
Aceite(m) hoje meu abraço!
Rosa Silva ("Azoriana")
