Definição de Azoriana e LOBOS, na Serra da Ribeirinha

Há um vazio por preencher
Que mesmo que preenchido
E mesmo depois de morrer
Nunca há de ter morrido.


 


Eis a definição que encontrei, hoje, da minha existência enquanto terceirense de rimas a roçar a lírica. Dizem as páginas dos significados que a lírica é maioritariamente feita de rimas onde o poeta fala diretamente ao leitor dos sentimentos e do estado de espírito, embora como em toda regra, existam exceções.


 


[Não vou a talho de faca
Nem quero vê-la em mim
Já passei por muita vaca
Que me fez rimar assim.]


 


Digamos que as musas da inspiração que pior me influenciaram foram as vacas (ditas racionais) porque as irracionais, muitas das vezes, conseguem ser melhores que as que andam por esse mundo, onde a perdição se atenua com a rima da conversão.

O lirismo é uma exaltação do ser que ser quer melhor e sossegado, no canto admirado. Não me perguntem se os meus escritos são redondilhas, odes, glosas, cantigas, sextilhas, sonetos, quadras, oitavas, quintetos, duetos, sei lá que mais… Apenas digo que são a inspiração instantânea do momento de Miravento (talvez um pseudónimo?!)


 


Há uma doce ventania
Que me planta uma emoção
Quer se faça em maresia
Ou em lava de vulcão.


 


Também não quero deixar nenhum testamento ou cousa tanta semeados nos circuitos tecnológicos ou nalgumas folhas de pergaminho no fundo de algum baú. Não tenho baús. Tenho simplesmente uma arrumação proporcionada por alguém que quer muito bem aos meus louvores rimados. Ainda bem que alguém surgiu no patamar da minha vida. Nem sei se “os de casa” se molestam com o possível enferrujamento das linhas escritas sujeitas aos bolores, humidades e cortes de eletricidade.


 


Toma bem conta de mim,
E das minhas criações
Não deixes que tenha fim
O álbum de recordações.


 


É assim que vou desaguando os sentimentos, que nem tinha dado conta deles num passado recente. Quem diria que a filha do mestre Carlos e da Matilde havia de ser um rosário de escritos à mercê da tempestade e da bonança, de uma festa ou de uma dança, de um desafio ou do gosto de ouvir ler o que foi criando… Por isso está mais que provado que cada autor tem uma rima de amor nem que seja pelo lirismo da existência.


 


Quando eu vesti de branco
No alvor da existência
Foi-me dado o solavanco
Do lírico, não da ciência.


 


É verdade! Não sei nada para além do que já esqueci…


 


Quando for dia cinzento
Na neblina que nos lavra
Que possa ser o momento
De amares minha palavra!


 


Angra do Heroísmo, 4 de outubro de 2013 (sexta-feira, dia que estou convidada para a cantoria na Serra da Ribeirinha, na Festa do Caçador, dos Lobos da Serra).


 


Em cada lobo que eu vejo
Há um nobre sentimento
Agora o que mais desejo
É afinar com seu evento.



Rosa Silva (“Azoriana”)

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