A cultura popular no role das tradições açorianas

Vem este título a propósito de outro que se seguirá um dia destes, espero. Em tempos idos, já alguém dizia: hei de cantar até que a voz me doa. E quando dói toma-se uns rebuçadinhos a ver se as cordas vocais afinam, caso contrário, vai-se ao médico para tecnicamente as salvar.

Por todo o lado há bons e menos bons cantores. Os primeiros recebem aplausos q.b., os segundos podem ser motivo de conversa num qualquer canto da ilha. Enfim, o que interessa nesta prosa é chamar a atenção dos leitores ocasionais de que nem sempre as vozes combinam com as melodias mas não seja por isso que se vire a cara ao que é genuíno e feito com gosto, o mesmo que dizer amor.

A nossa cultura popular semeada e produzida na ilha com direito até a sair-se dela continua a ser um atrativo a todos os níveis, quer interno quer com repercussões externas. Quer se afine bem a garganta, quer se fique pela mensagem alinhavada ao som das melodiosas cordas dedilhadas numa viola, guitarra ou violão, há que encarar as nossas cantigas rimadas do Pézinho e/ou da cantoria ao desafio, como um cartaz a ser apregoado nas festas de verão e nas festas locais conforme se tem visto ao longo do ano.

Não sei se alguém já pensou nisso (certamente que sim) mas se o Fado é património imaterial da humanidade, porque não o Pézinho e a Cantoria, nossas cantigas tradicionais de cariz popular não se fazem assentar ao lado de tão prestimosa classificação?!

O que é necessário para tal ser legislado?

Já existe uma Associação de Cantadores e Tocadores ao Desafio dos Açores, cuja presidência está a cargo de José Santos, coadjuvado por outros elementos sobejamente conhecidos e atuantes em matéria cultural açoriana;

Existem imensos cantadores no ativo, na lembrança e que ainda estão connosco em atuações menos abrangentes, e outros tantos quase no escurinho do café ou palco improvisado para qualquer cantoria de última hora.

Sugiro que se avance com cabeça, tronco e vozes para uma qualquer atitude que dê digno realce ao que é genuíno, tradicional e que nos faz ouvir discursos de se lhe tirar o chapéu em ocasiões que reúnem os amigos e os amigos dos amigos, os familiares e até representantes do Governo Regional.

Fica a dica!

Rosa Silva (“Azoriana”)

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