Às vezes, no recôndito da palavra, ainda me vem à mente o tempo dos caracóis da inocência e deixo-me naufragar no pensamento de que esses dias fixaram âncora na madrugada de minha vida. Recordo que o espelho sempre foi uma peça que me atraía. Um espelho não nos mente mas ilude-nos numa visão ora apoteótica ora apocalíptica. Bastava o deslizar de um pente para ornamentar os fios de cabelo, um sorriso para alegrar o visual e uma palavra jubilosa para encantar todo o rosto. Jamais o rosto da infância se repete mas há traços que ganham melhores contornos se a felicidade marca o tempo de vida. Por vezes, a felicidade ocupa só espaços esporádicos que nem chegam a cimentar tais marcas. O rosto é o tumulto dos dias negros e pesados. O rosto é a brisa fina dos dias simpáticos. O rosto é o véu da saudade. O rosto é a ave dos sonhos e a poesia dos versos que florescem na aurora das letras unidas por momentos reais.
Fui criada com cautelas
No vale de baixa serra
Vi passar tantas mazelas
Aos que baixaram à terra.
Por vezes, as letras ressoam o que a oralidade não diz… Eu sou a polpa do vento onde ainda me invento. Eu sou do mar o regaço na senda de um abraço… Eu sou do céu a cratera que no fundo não sei se me espera… Um dia, quando me for, quero apenas deixar o que fervilhou em mim.
Fui pérola sem diamante,
Fui concha em terra batida
E fui a rima constante
Nos retalhos de uma vida.
No nascimento de novo ano e no seu segundo dia fico absorta em mil pensamentos e volto para vasculhar o que de bom me aconteceu no velho ano que não terminou bem. Foi badalado o “fim do mundo” e, para alguns seres, foi-o.
A vida que nos é dada
Traz consigo um mister:
É tão bonita a chegada
Não finda é como se quer.
E porque a vida é feita de marcas, eis que vos deixo alguns dos títulos que fui criando ao longo do ano de 2012. Sem preocupação de maior, sem querer ser exaustiva, apenas selecionei o que pretendo que chame maior atenção.
Nos caminhos da criação
Há algumas sentinelas
Pra serem recordação
Do que já passou por elas.
Rosa Silva ("Azoriana")
| meses | - | Título do artigo com hiperligação: |
| janeiro | - | Quinta do Galo - um ninho de inspiração e emoções |
| fevereiro | - | Dou por mim... |
| março | - | Acordei com: Sonetilho (soneto filho) |
| abril | - | Apontamento alusivo ao livro de Liduino Borba "1958 - Tragédia na Serreta" |
| maio | - | Ó Senhora da Boa Hora Santo Amaro - Velas - São Jorge |
| junho | - | No Dia da Criança - Pézinho da Serra da Ribeirinha, concelho de Angra do Heroísmo |
| julho | - | Cantoria na Cova (da Serreta) |
| agosto | - | Homenagem a José Fonseca de Sousa - Lisboa |
| setembro | - | Romaria dos Altares visitou a Serreta e Ivo Silva captou as imagens [150 anos da freguesia da Serreta] |
| outubro | - | A mão |
| novembro | - | Folhas brancas |
| dezembro | - | Às "Memórias de Portugal" de Manuel Ivo Cota e sua equipa |
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