Apetece-me escrever muito, muito...

Entre quatro paredes, entre pensamentos aos molhos, entre ideias enclausuradas na mente, entre um não sei quê de não sei quantos, apetece-me escrever letras sem rumo, sem tarelo, sem nada... Vazias de tudo e cheias de nada. Não consigo talhar nem um parágrafo sequer que tenha essa virtude: ser. O nosso ser é tão minúsculo que mete dó a quem o olha. A vida é uma montanha russa, uma corrida desenfreada para não sei onde. Nascemos, fomos criados, desenvolvemos capacidades, perdemos alegrias e abraçamos algumas tristezas... No fim, apenas vemos o filme todo de uma só vez, sem intervalos nem publicidades. As palavras emudecem hoje nas teclas que per si sabem tonalizar a frase sem lágrima alguma. Secaram as fontes, as ribeiras, as arquinhas de uma vida de tantas vidas. Secaram momentos tingidos de longevidade amarga. Secam-me as palavras que não consigo reanimar. Quero recordar, apenas, as orações da minha avó…


 


"Com Deus me deito, com Deus me levanto, com amor e graça do Divino Espírito Santo"


 


Com Deus te deitaste?! Com Deus terás acordado?! Pelos que deixaste talvez terás chorado?! … … …

26-12-2012

tarde fria...de cinquenta e seis.

Entre laços, luzes e fitas

Há canções tão bonitas
Que o Natal ressuscita
Entre laços, luzes e fitas
Faz a quadra favorita.



A terra se ilumina
E festeja o Redentor
Puro de graça divina
Verdade, luz, vida e amor.


 



Pede-se tanta coisa a Ele
Entre cânticos natalícios
Pois toda a gente vê nele
O Rei de tantos ofícios.


 


Dedilhando a guitarra
E nossa viola da terra
A palavra não se amarra
Solta-se do mar à serra.


 


Solta-se também a voz
Nos terreiros da alegria
Festeja-se Deus entre nós


S. José e a Virgem Maria.


 


São momentos joviais
Alegrias renascidas
Crianças entre os demais
São estrelas coloridas.



Rosa Silva ("Azoriana")

Às "Memórias de Portugal" de Manuel Ivo Cota e sua equipa


 



 


Saudade é dor imensa
Que se prende ao coração
E torna ainda mais intensa
A insular saudação.

Saúdo a nossa comunidade
De saudosos emigrantes;
Devem saber que a saudade
Aproxima os mais distantes.

Dou graças ao Deus Menino
Pela data que se festeja...
Seja qual for o destino
Rogo que connosco esteja.

A todos em especial
Bem-haja e um Bom Ano
Às "Memórias de Portugal"
Meu louvor açoriano!

Nesta bela ocasião
Que maior saudade chama
Na margem do coração
Vai rimando quem vos ama.

O amor pelo improviso
Na escrita repetente
Vai para onde for preciso
Num abraço a toda a gente!

Rosa Silva ("Azoriana")

Recordações de Natal

feliz natal


 


Que o nosso Natal seja
Uma beleza de alma
Em cada lugar se veja
A estrela que nos acalma.


 


Que os lares mundiais
Tenham Paz nesta altura
Que as trovas dos jograis
Incendeiem de ternura.

Que a gente se anime
E o Natal sempre mime
Na consoada feliz

Reúna em cada lar
Alguém que queira ajudar
A levantar o País.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ao João da Agualva

Quero deixar gravado neste blog um comentário que deixei no Facebook de um amigo da nossa cultura popular: João Mendonça, conhecido pelo João da Agualva. Ele presenteou-nos com um "Presépio" feito de maravilhosas sextilhas que ornamentam qualquer mente que as leia e perceba o quão maravilhosa é a sua arte e sabedoria, seja qual for a sua ação. Eis, então, a minha resposta:


Caro amigo João
Boas Festas aqui estão
Quase, quase nesse dia
Parabéns te quero dar
Teu "Presépio" gabar
Tua arte e sabedoria.

Lembro que a tua Agualva
Onde brota água alva
Permanece no coração
Sei disso porque a Serreta
Pode até ser toda preta
Mas é minha clara paixão.

Quando eu era pequenina
E seguia a doutrina
Em teoria e ação
Lembro que o meio da casa
O presépio estava à rasa
Com a minha ajuda então.

Hoje sinto a nostalgia
Nesta época, quem diria,
Que isso ia acontecer
Perdi toda a meninice
E a crise outra chatice
Que deitou tudo a perder.

Às figuras juntava o galo
Da capoeira o regalo
No cimo, bem nas alturas,
Os reis magos e a estrela
E eu volta e meia a vê-la
Mesmo que fosse às escuras.

Tenho pena amigo João,
Dos meus filhos, nesta estação,
Não pensarem como eu...
Fruto desta nova era
Sabem talvez os que os espera
Num "presépio" como o meu.

Abraços a toda a gente
Dos Açores e Continente
E um pouco mais além
Emigrantes saudosos
Desses tempos maravilhosos
Do Menino de Belém.

Desculpem minha ousadia
Mas tocou-me a magia
Do Presépio do João
Este nosso bom artista
Merece que lhe assista
Toda a melhor saudação.

Bem-haja este ilhéu
Que em tudo o que é seu
Merece bravos elogios
Por mim faço o que posso
Por defender o que é nosso
Nos meus parcos desafios.

Para acabar em dezena
A sextilha que acena
À brava população
Fiquem bem nos vossos lares
E cantem pelos altares
Ao Natal do bom cristão.

Rosa Silva ("Azoriana")

E as rosas, senhor.... E as rosas...


 


Se clicar na imagem nova pétala virá...


 


 



 


Comentário de José Fonseca de Sousa acerca deste meu artigo:

e as rosas, senhor... e as rosas ..., e eu acrescentava e a ROSA (azoriana) senhores... que consegue proporcionar a quem a lê momentos de grande paz de espírito, como é no caso do seu extraordinário "trabalho" que conjugando o seu sublime poema "O Brinde da Natureza" com as interpretações Mariah Carey sobre o Natal, é de um bom gosto incalculável a que é muito difícil ficar indiferente.

Os meus sinceros parabéns.

* Por vezes pergunto-me: Será que a cara amiga dá dimensão devida às coisas extraordinárias que consegue realizar?


José Fonseca de Sousa
Lisboa - 21-12-12

Sentimento ilhéu

Eu sinto um não sei quê, um não sei quanto,
Pousada numa tarde cinzelada...
Pasmei boquiaberta junto à fachada
Nada vi que me avistasse algum espanto.

Um não sei quê de fim que dura tanto
Sem dar transtorno à sorte rascunhada
Nas linhas breves onde sou amada
Por quem as lê e salva se vê encanto.

Quando eu sinto, sinto porque sinto,
E juro que hoje, enfim, juro e não minto,
Se te disser que foste a minha aurora...

Do tempo que cantei cada palavra
Do tempo que criei como quem lavra
O fim que não o foi e que em todos mora.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Agradecimento

Ao lindo "Anseio de Natal" de Clarisse B. Sanches

Lindo! Muito lindo amiga!
Deus sorri pra tua candeia
Até a mim essa luz abriga
E a alma me incendeia.


A tua luz brilha ao mundo
Faz esquecer tanta desdita
Verso medido e profundo
Numa quadra tão bonita.

Feliz Natal boa Clarisse
Que o Menino é contigo
Sorrindo em tenra meiguice
Para sempre é teu Amigo.

A todos ao teu redor
Mesmo poucos sejam bons
Viva Deus Nosso Senhor
Benditos sejam seus dons!

Beijos
Rosa Maria

Desafio: a vossa leitura preferida de 2012


(...) "o que vos cativou e faz recomendar esse livro" (...)

in Blogs do SAPO.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


O que vos quero dizer
Mesmo que não seja estrela…
Ao desafio vou responder:
Será que poderei vê-la?!

Há estrelas que são linhas
Em livros que a gente lê
Se as leres nalgumas minhas
Há de haver algum porquê.

Porque se escreve com fé
Porque fé é acreditar
Que a gente tem ao pé
Estrelas que irão brilhar.

Serreta na intimidade
Livro de dois mil e onze
São linhas que na verdade
Saíram com o meu bronze.

Viva a equipa do SAPO
Que aloja o meu diário
Com tanto artigo no papo
Já parece um escapulário.

Tenham isto em atenção
E com modéstia aparte
Se não fosse vossa missão
Não vinha à luz minha parte.

Não fiquem emocionados
Porque vocês bem merecem
Elogios redobrados
Por tudo o que nos fornecem.

Dar o nosso com humildade
Não é castigo porém
Serreta na intimidade
É vossa leitura também.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Rosas de Teresinha...


 


"... Pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela".
- Frase de Teresinha. Há mais aqui...

JFS responde à musa com uma análise

Cara Amiga Rosa Silva (Azoriana)


 


 


Em conformidade com a análise que venho fazendo à sua obra literária, quer em prosa, quer em verso, afigurasse-me que não se deve incomodar muito com o aparecimento da sua Musa, pois como, quando escreve, fá-lo de uma forma narrativa, descritiva e interventiva, que o mundo e os acontecimentos que diariamente à sua volta decorrem, são a “Musa” que procura.




A inspiração virá dos próprios acontecimentos que tem vindo a relatar, (em verso ou em prosa) e do dom com que o Divino a presenteou.


Por isso narre, descreva e intervenha, porque a cultura popular açoriana bem precisada está da sua contribuição.


 


 


Um grande e amigo abraço


 


José Fonseca de Sousa


Lisboa – 11-12-12

Fazes-me falta... Musa minha! (in quadra natalícia)




in Quadra natalícia


 


Musa minha, inspiradora
Onde estás que não te vejo?!
Estás no Sol que a manhã doura
Ou nos traços de um beijo
Quando o Sol se vai deitar
Na almofada do luar!...

Musa minha, dá-me ensejo
Pra de novo me inspirar
E viver tudo o que vejo
Desde a manhã até ao luar.

Musa minha, dá-me paz
Dá-me luzes de ribalta
Faz com que eu seja capaz
De animar quem me faz falta.



Na época que é propícia
A uma quadra natalícia...


Feliz Natal com o Menino
Tão festivo e divino!

Rosa Silva ("Azoriana")





     

Boas Festas


Feliz Natal

2012


 

 



Árvore de Lisboa, por José Fonseca de Sousa

Depois de ler no seu blogue a sua intervenção de cidadania, sobre o Natal veio-me a lembrança o que vi no dia 01-12-12 na Praça do Comércio em Lisboa.


 


 


 


A propósito de Natal e da Árvore de Natal, foi com grande “satisfação” que vi na Praça do Comércio em Lisboa, uma árvore dita de Natal, mas que não passa de um enorme triângulo vidrado que pelo menos tem a grande virtude que é a de poder refletir no seu espelho as imagens de quem diante dela se coloca.


Assim a esmagadora maioria do povo trabalhador há-de ver refletida a sua imagem de grande desespero, de grande cansaço, de grande sofrimento e consequentemente de grande revolta pelo que lhe está ser feito pelos poderosos e seus lacaios, nesta famigerada Crise que os Troikanos nos impuseram.


Por sua vez os poderosos e os seus lacaios, se não fecharem os olhos, hão-de ver, forçosamente, a sua imagem refletida como uns tiranos, uns hipócritas, uns ignóbeis, e tantos outros nomes que tinha vontade de dizer, mas que evito, por educação.


 


 


 


 


José Fonseca de Sousa


Lisboa, 03-12-12

Balbucia-se a palavra "Natal"...

Este fim-de-semana, primeiro do último mês do ano de dois mil e doze, com início num sábado, feriado, trouxe consigo o balbuciar da palavra “Natal”, uma vez que pode-se começar a preparar o festejo do nascimento de toda a obra espiritual. Aproveitando a quadra, já se começam também a ver inúmeros peditórios para os menos abonados… Afinal, somos todos e pedimos para dar o que nos fará falta a todos. Dei comigo com um saco plástico na mão para ali colocar algo para outrem. Fi-lo convicta de que me fazia falta. Quem dá ao próximo empresta a Deus. E como Deus é Amor, certamente retribuirá o que se dá, noutras situações. Queria ter uma réstia de esperança em dias melhores, coloridos pelos piscas-piscas de uma iluminação citadina ou campónia. Mas prefiro pensar que o melhor, ou o mais sensato, era nem acenderem a dita iluminação para que não doa os dias seguintes, após o festejo do nascimento de um Deus Maior. Esse Deus que eu julgo intocável na sua essência mas sujeito, também, às modernices e crises atuais, e/ou também, sujeito a novo “apedrejamento” de ideias que nem lembra nem ao demo. (Lembram-se daquela cena de se retirar o burro e a vaca?! Pois… é assunto que cala outros assuntos maiores e por desventura, mais graves). À custa de uma boca aberta outras bocas se abriram e disseram raios e coriscos de um ser cuja ação é seguir a Cristo/Deus no seu estado de Bem. Que mal fizeram os ditos: burro e vaca?! Depois de saber desta novidade recente, em todo o lado que passo e vejo o dito burro e a dita vaca correm-me mil e uma palavras humoradas e/ou de tristeza por uma fatídica boca proferida perante os ouvidos de uns tantos ouvintes. Mas porquê, logo agora, que o que me restava de alegre, perante tanta tristeza mundial, era precisamente armar um presépio que se encontra exposto numa parte da residência permanente, para não ter de re (inventar) o que já está sobejamente aprendido e conhecido ou conhecido e aprendido. E não é que o dito burro e a dita vaca lá estão como que numa permanência apetecida para completar o sinal dos tempos. E agora excelência reverendíssima, sua santidade, o que devo fazer?! O melhor será esquecer tal arrombamento e deixar pastar a vaca e zurrar o burro. Deixar os animais intatos tal como o nascimento de um Ser Maior e Melhor que dá o exemplo a muitos que navegam em berços de ouro. Que se distribua o ouro, o incenso e a mirra por quem nem tem carvão nem palavras que entoem com a vivência do dia-a-dia. Que se faça algo a favor da humanidade. Que se faça algo a favor do bem-estar de uns quantos sem abrigo, mesmo vivendo debaixo de um teto, por vezes, envergonhados da situação a que chegaram, fruto de umas cabeças que tarde deram conta do mal que fora feito aos da mesma espécie.

Estamos todos descamisados, estamos todos num presépio desprovido de tudo… Sem manjedoura, sem palhas, sem proteção alguma… Apenas restam os animais, ditos irracionais, para nos fazer companhia nas noites escuras e nos dias cinzentos. No lugar do Burro e da Vaca, colocarei os gatos Yoshi e Pompom, porque são eles que correm para mim e percebem quando estou moribunda na alma, bem como o nosso Menino Jesus que interiorizo no meu coração e rogo por compaixão dos viventes de um mundo sem ponta por onde se pegue.


 



Imagem #1: gato Yoshi novinho; Imagem #2: O "Faraó" ocupou a cabana do Menino...

E sobre o Natal nem mais uma palavra, nem mais uma chama, nem mais uma linha…

Rosa Silva ("Azoriana")