Abrem-se portas ao desespero
Catapultam risos de vergonha
Acendem-se rasgos de tédio
Cortam-se esperanças novas.
Abrem-se covas sem fundo
Criam-se ares de bruma;
Plantam-se achaques tamanhos
Na serpentina do ser.
Moldam-se tardes de pranto
Em horizontes de anil
Cavam-se dores de vidro
Nas mentes que nada tem.
Dobram-se planaltos, colinas,
Ravinas de sonho empedrado,
Soltam-se amarras modernas
Perdidas de alma e sorte.
E eu? Que faço aqui?
Bordando palavras de vento?
Sonhando deserta do tempo
Na palma da mão marulhada…
E tu? Que fazes além?
Olhando os ares de vulto
Manhãs coroadas de espanto
No canto da sã madrugada…
Último dia útil de setembro do ano feliz (para alguns)
Rosa Silva (“Azoriana”)

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