Após vir à tona o meu artigo, intitulado – Ó Senhora da Boa Hora – Santo Amaro – Velas – São Jorge, de 10 de maio de 2012, e como já vem sendo habitual, António Oliveira “Mintoco”, não se conteve e abeirando-se da viola e do violão imaginários, começou o que se pode chamar de cantoria virtual, que é nem mais nem menos do que umas quadras e umas sextilhas pelas linhas tecnológicas com exposição aos olhares do mundo cibernauta. Confesso que de início não pensei que durasse tanto.
De 11 a 15 de maio, geraram-se uma mão cheia de cantigas estendidas pelo mural dos comentários do blog. Assim, resolvi copiá-las e guardá-las, ordenada e sequencialmente, em forma de artigo para me dosear o efeito.
Espero que gostem tanto quanto eu deste improviso quase que a roçar o despique, tão comum nas cantorias ao desafio que vão ganhando novos adeptos e novos cantadores nesta ilha (e noutras) do arquipélago dos Açores.
Açores são uma coroa de ilhas beijadas pelo lindo mar atlântico que tanto pode estar com ares amistosos como com algum alvoroço. Ultimamente até tem levado com outras tonalidades por via das intempéries que grassam e levam a terra toda à sua frente, volta abaixo, sem dó nem piedade. São tempestades a que estamos sujeitos porque contra a força da natureza não há grande coisa a fazer e só Deus nos pode valer.
A seguir, deixo-vos com os cantares de “MINTOCO” e “AZORIANA”.
O começo. 2012-05-11
MINTOCO:
1
Se perguntasses a Maria Qual seria a sua opinião Que maneira é que ela queria Que se desse a Deus devoção Sei muito bem que ela diria Adora a Deus e a mim não
A imagem pode ser bonita Mas a Deus ninguém conduz Podes decorá-la com manto e fita Não dá nem um raio de luz.
Quem tira muito proveito São os fabricantes de imagens, É um negócio que dá muito jeito Enquanto houver festas e romagens.
Olhando para os seus pés Posso ver três bonequinhos Que dizem que lá nos céus São chamados de anjinhos.
Eu sei que há um arcanjo Querubins e Serafins E que Deus formou um anjo Que foi o pai dos nefilins.
Foi este anjo que um dia Também quis ser adorado Eu não acredito que Maria Quisesse tomar o seu lado.
Maria era uma adoradora Que adorava a Deus de coração Por isso Deus a achou merecedora De ter toda a sua aprovação.
Os dez mandamentos claros são Quando se fala neste sentido Que imagens na adoração Por Deus não é permitido.
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AZORIANA.
Caro cantador:
2
É livre de opinar E não lhe tiro a razão: Mas dá gosto em criar Do fundo do coração.
Nossa Senhora é só uma E foi a Mãe de Jesus Não há mal em coisa alguma Se Ela a todos seduz.
Porque a sua sedução É feita de Amor puro Nunca tem má intenção E garante o futuro.
É Senhora feita Bela Imagem pra contemplar, Por isso gostamos dela Ao ponto de lhe cantar.
Um canto feito na hora Fruto da inspiração Já vem dos tempos d'outrora E reluz na afinação.
Deus a quis cheia de Graça E a deu a conhecer Tudo a que a gente Lhe faça Para Ele também vai ser.
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2ª VOLTA. 2012-05-12
MINTOCO: Para a Dona Rosa Silveira Pela qual tenho admiração.
3
És uma grande cantadeira Mas não entres em religião Porque uma coisa verdadeira Não mistura com a tradição.
Para se falar de religião É preciso ter muito cuidado É como não dar atenção Andando num campo minado.
Não interessa a experiência A cautela é sempre pouca Mesmo com toda a inteligência Há sempre quem diga que és louca.
Não te esqueças que no mundo Não são todos da mesma fé Há alguns que vão bem fundo Para descobrir o que a verdade é.
Há quem não vai com palavras Eles querem ver as provas Aconselho-te que a boca não abras Se não aceitas coisas novas.
Eu por mim tenho muito cuidado Quando faço as minhas quadras Por isso eu uso um livro inspirado Que são as escrituras sagradas.
Este livro que nos foi dado Por nosso pai que está no céu Para o cristão ser guiado E defender a sua fé.
Por isso quando falares de Deus Ou de maria e dos anjos Lembra-te que lá nos céus É Deus quem faz os arranjos.
A última quadra que a Rosa fez Na sua linda conclusão Gostava que perguntasse a Deus Se ele tem a mesma opinião.
Isaías quarenta e dois Diz lá coisas engraçadas Se leres o sete e oito depois Falam de imagens entalhadas.
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AZORIANA:
4
Se Deus escolheu Maria P’ra ser a Mãe de Jesus Com certeza não queria Que lhe déssemos nova cruz.
Eu a cruz não lhe vou dar Nem a si, caro Oliveira, "Mintoco" está a cantar Testando minha maneira.
Eu canto mesmo a escrever E canto o que eu sinto Mas se for para combater Eu juro que lhe não minto.
Aprendi de pequenina A amar Jesus e Maria Todos com graça divina E o mal ninguém queria.
Não cantemos opiniões, Cada um toma a que quer A respeito das religiões Defenda como quiser.
Não se destrua a alegria Porque alegria é vida E com Deus por companhia Feliz sou e mais divertida.
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3ª VOLTA. 2012-05-13
MINTOCO. OLÁ DONA ROSA aí vai a resposta:
5
Deus escolheu a Maria Para ser a mãe de Jesus Porque ele muito bem sabia Que o mundo precisava de luz.
Deus sabia muito bem Que Jesus vinha para sofrer Porque aqui não havia ninguém Que por nós quisesse morrer.
E mesmo que houvesse alguém Ele não se qualificava Porque o valor que alguém tem Nem a si mesmo comprava.
Por isso era necessário Que uma criatura perfeita Entrasse neste cenário E pagasse a despesa feita.
Eu não te estou a testar Porque isto são coisas sérias Só que tu costumas cantar Com quem tem as tuas ideias.
Isto é um campo diferente Que não estás acostumada Mas se andares sempre em frente Vais achar a coisa engraçada.
Tu cantas mesmo a escrever E eu a escrever também canto Com cuidado para não te ofender Mas não sou nenhum santo.
Amar Jesus e a Maria Foi coisa que aprendeste Mas não precisas usar idolatria Se fazes isso já os ofendestes.
Numa coisa estou resolvido É as coisas direitas por E quando uma coisa faz sentido Ninguém lhe tira o valor.
Um dos frutos do Espírito Santo É o fruto chamado alegria Que traz decoro e encanto Quando usado na cantoria Mas que muitos o usam tanto Para exaltar a idolatria.
Eu tenho uma mensagem Para vocês aí nos Acores Mas ela será na linguagem Que só conhecem os cantadores.
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AZORIANA:
6
"Amar Jesus e a Maria Foi coisa que aprendeste Mas não precisas usar idolatria Se fazes isso já os ofendestes"
Não quero ofender Jesus Nem de propósito nem a brincar, Cada um toma sua cruz Para vir aqui cantar.
Pró "mintoco" me ofender É se usar palavrões Não fez nada pra eu morrer Com as suas opiniões.
Se eu uso "idolatria" Já muitos a mesma usaram E se foi na cantoria Foi porque então cantaram.
Se me atirar pedregulhos Que eu não possa suportar Atiçará meus barulhos No teclado a cantar.
Mintoco não me faz mossa Canta muito ao de leve Talvez eu até nem possa Ir contra ao que escreve Se me quiser dar uma coça A resposta não entra em greve.
Gosto destes desafios Embora não os tenha usado Assim vai-me dando fios Para um canto engraçado Se eu lhe causar arrepios Pode vir a ficar calado.
Se eu o conseguir calar Nesta cena de improviso Sem resposta para me dar Muito mais do que preciso Fica então a encalhar O que traz no seu juízo.
Se mandar aos cantadores Uma mensagem serena Irá encher os Açores De lírios e uma açucena Mas cuidado se são dissabores Porque não valerá a pena.
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4ª VOLTA. 2012-05-14
MINTOCO:
7
A dona Rosa é destemida É uma mulher de coragem Mesmo sabendo que esta perdida Continua a sua viagem.
Costuma-se ouvir dizer Que para a frente é o caminho Mas sei que te vais perder E eu vou ficar aqui sozinho.
Só uma coisa eu não sei Porque respondes ao Mintoco Uma profecia te mandei E é a mim que tu dás o troco.
Eu não tenho culpa nenhuma Daquilo que está escrito A não ser que a responsabilidade assuma E diga que é um mito.
Eu por mim não vou invalidar A palavra do Criador Só para acomodar As ideias de um cantador.
Eu sei que pensas estar certa Na tua resposta bem elaborada Escreves de uma maneira que alerta Mas ao mesmo tempo ficas calada.
Eu queria dar-te uma mensagem Mas não quero ouvir o teu rogo De joelhos diante de uma imagem Para eu não arruinar o teu blogo.
Tu podes ficar descansada Que isso eu não vou fazer Mas a mensagem vai ser dada Mas só no meu blogo a vais ver.
A resposta eu te estou a dar E pela resposta à espera fico Se tu me quiseres calar É só dizer cala o bico Mas se me deixares falar O teu blogo fica mais rico.
Este blog da Dona Rosa Tem muitas coisas diferentes Porque muita pessoa famosa Deixa aqui os seus presentes E deste privilégio só goza As pessoas que tu consentes.
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AZORIANA:
8
Ah, Ah, Ah, deixa-me rir Acha que estou perdida?! Ó home inda está pra vir Quem no canto me tire a vida.
Canta o velho e canta o novo Todos têm o seu lugar Se a cultura é do Povo Venha o Povo aqui cantar.
Tem a lábia bem comprida O Mintoco de outros ares, Se me chama destemida Continue nos seus pilares.
O pilar da Virgem Mãe Não é mentira nenhuma Porque todo o Altar tem Bela Imagem em suma.
P’lo jeito que estou a ver O Mintoco não se cala Mas se for pra eu morrer Só quando perder a fala.
E se de mim se fartar Não fui eu que comecei Há de ficar a suar Pelo troco que aqui dei Mas calar não vou calar Nem que se faça uma lei.
Vaca mansa em erva brava Resiste até ao fim Até parece uma escrava Pastando num bom jardim Touro bravo na terra cava Mas não resiste assim.
E as rosas, flores mimosas, Parecem umas rainhas, Com espinhos tenebrosas Não lhe pousam andorinhas No entanto são vistosas E não se chamam daninhas.
Mintoco vou-lhe dizer Com o respeito que merece Se isto estiver a aquecer Veja lá se arrefece Pelo que estou a ver Esta dupla não esmorece.
Se quiser dar o final Estarei pronta também; Se quiser um pedestal No meu fica muito bem Mas se for para fazer mal Veja lá se se contém.
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5ª VOLTA. 2012-05-15
FIM DESTA PRIMEIRA LADAINHA
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O FINAL
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MINTOCO:
9
O melhor está para vir Tu sabes a música de cor Mas olha que o último a rir É aquele que ri melhor.
O teu blog é do povo Mas estás a comandar Porque quando há algo novo Começas logo a atacar.
Há quem não veja o perigo Gosta de se aventurar E aqui a cantar contigo Não sei onde isto vai parar.
Lá vens tu outra vez Com a tua nossa senhora Eu já te falei de Deus Mas a resposta até agora.
Nós os dois aqui a cantar A tua ideia não é a minha Já vi que gostas de puxar A brasa à tua sardinha.
Tu dizes que não me calo Eu surpreso contigo fico Se fico quieto e não falo Tu dizes que não abro o bico.
Eu de ti não me farto És uma excelente companheira Mas tu foges como o lagarto Para a abertura na pedreira Mas quando eu te der o descarte Vais chorar que nem uma carpideira.
Não nego que o teu cantar Esta além do meu alcance Mas se um de nós não parar Isto vai dar um romance.
continua
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9 (continuação)
Vou falar com teu marido Com esse homem afortunado Vou-lhe fazer um pedido Para estar do meu lado Para ele ralhar contigo E então vou ficar calado.
Tu pensas que eu não sei Que me queres ver arranhado Mas tantas vezes me arranhei Que já fiquei muito calejado Mas desta vez me piquei E está a doer um bocado.
Mas para apanhar uma rosa Não importa que rosa seja Para a picada não ser dolorosa Usa-se uma bandeja E se ela é linda e formosa Cuidado que ninguém a veja.
Para Dona Rosa vai um abraço Para seu marido e filhos também Desculpem as quadras que faço Espero não ofender a ninguém E desejo ver rosas no regaço De todos por este mundo além.
FIM
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AZORIANA:
10
Linda sextilha final Deixaste no meu regaço Cantar é intemporal E melhor até nem faço Vai pró Mintoco excecional Um beijinho e um abraço.
Agradeço ter estado Nesta humilde residência Se melhor não foi cantado Haja santa paciência Nada disto foi calculado Foi legado da Providência.
Adeus até novo dia Com cantigas a preceito E na sua companhia Cantei a torto e direito Com a sua ousadia Picou-me e fez efeito.
O meu marido e filhos Não se prendem com cantares Nem leem estes sarilhos Que içámos nestes ares Cada qual segue os seus trilhos Bem fora destes lugares.
Deus nos dê inspiração P’ra cantarmos outra vez Chamaremos a atenção A qualquer um de vocês Com rimas do coração Por Maria neste mês.
Adeus povo em geral Adeus Mintoco, bom amigo Fizemos um festival Não corremos nenhum perigo Nosso escrito no mural Passará para um artigo.
FIM
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