Há bem pouco tempo li um artigo que, qual metralhadora, disparava uma série de acontecimentos passados com repercussões no presente e futuro local, nacional e até internacional, em fileira e penso que corretos, tal não fosse a sabedoria de quem os escreveu. Naturalmente que o respetivo autor tem a ver com os espíritos iluminados da nossa sociedade. Não vou mencionar o nome dele porque ele também nem me conhece bem… Talvez só conheça algum dos meus descendentes e julgo que deve nutrir alguma amizade laboral. Enfim, adiante… Aquele artigo contagiou-me e impeliu-me a escrever algumas linhas tomando, precisamente, o términus do seu artigo: nós que vivemos por aqui no meio do Atlântico, o mar só é calmo às vezes.
Se o mar desse peixe e a serra desse lenha estava o caldo feito para destemperar a tal crise em tudo o que é onda. Se o caldeirão fosse de ferro e o fogão de chapa antiga, com um forninho por baixo, já se dispensavam muitos dos fogões a gaz ou elétricos e as máquinas de secar roupa (e a da roupa se a pia fosse de lavadouro jeitoso para as mãos esfregarem os fundilhos de umas quantas indumentárias de qualquer sexo). Se não fosse a tal bem apregoada crise, sendo a mesma uma maldita, talvez fosse possível o ser humano ser tolerante q.b. perante algumas circunstâncias da vida. Ora vejamos:
Tiraram a uns quantos os subsídios de férias e de Natal e reduziram outros consoante a “cara” tarifária do freguês e, ao invés, não pensaram em deixar ficar o subsídio de refeição dos dias em que a ausência, por férias ou por dias religiosos, não é contada para esse efeito. Não é justo! Não, não é.
E por escrever dias religiosos, vêm-me à mente, uma efeméride única e atrativa. Nem sei se serei viva na tal efeméride, mas a sê-lo, teria todo o gosto em permanecer na freguesia (que ainda é e creio que ninguém se atreverá a mexer com as coisas de Deus para deixar de o ser), mas escrevia eu, que teria todo o gosto em permanecer na freguesia do denso nevoeiro (que já não é tanto assim), para a festividade de século e meio. Sou natural e não residente mas serei uma eterna amante daqueles dias em que a Serreta parece um céu na terra.
O cheiro das colinas, das alcatras, da massa doce, a alvura das casas, os palcos, as luzes, as cores, as gentes, os abraços, os beijos, o sino, a música, a tasca, os foguetes, os tapetes de flores, as colchas acenando às janelas, os ramos, os altares vistosos, as flores de Maria, o perfume inebriante do Santuário, os cânticos, o Hino, a novena, as orações temáticas, o incenso, a Palavra, o grupo coral, os sermões votivos, as lágrimas, os risos, as tocatas da Filarmónica na alvorada, a Procissão com uma alegria de Filarmónicas visitantes (oxalá este ano fossem quase todas, graciosamente), a tourada do Pico da Serreta, a tourada da quarta-feira com a ida ao Mato, num convívio que reúne os de lá que visitaram os de cá, a quinta-feira da saudade e a sexta-feira do regresso com um cansaço feliz e inesquecível, também para o meu benjamim que, nesses dias, nem dorme direito para atuar com a sua trompa de harmonia… É lindo! É mesmo o céu, esse é o céu que eu vivo ano-a-ano.
Rosa Silva ("Azoriana")

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