Perpendicular, sem vento, a chuva amaina os campos, alegra as flores, desperta as plantas, lava os olhares e dá-lhes encanto, reforça o colorido dos verdes múltiplos e faz-nos pousar a mente em mil pensamentos apaziguadores. Gosto da chuva, sem vento, retilínea, sem sobressaltos.
Só não gosto é do gelo que nos provoca um espirrar contínuo (ou quase) sobressaltando o pó que me circunda de milhões de árvores devastadas ao abrigo da chuva e do sol. Mas é assim que sobrevivem milhares de ideias, projetos, números e letras de ontem, de hoje e que perdurarão enquanto a chuva não for tocada a ventanias e outros tumultos que invadem as profundezas de uns quantos metros quadrados.
Começa mais uma semana limpa e bordada de pensamentos, no rescaldo de alguns sonhos noturnos.
Ó meu março marçagão
Inda agora começaste
Salvo melhor opinião
Já a muitos alagaste.
Ó meu março de alegria
Na chuva que ora cai
Que até deste um dia
Para se cantar o Pai.
Quando caem frias águas
Que lavam a natureza
Também irão lavar as mágoas
De falhas tenho a certeza.
Ó meu março, de “m” pequeno,
Da terra e também da arte,
Da primavera em terreno
Para acalmar o deus Marte.
Rosa Silva ("Azoriana")
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