Para Jorge Morais, o cantador do papel

Não vem isto a propósito
Nem se trata de depósito
De coisas que são d'outrora:
Eu te peço um favor
Com teu verso criador
Canta o que já se foi embora.

Na Rua Direita eu te vi
Noutros tempos que por ti
Passaram gentes da ilha
As lojas que já fecharam
E as outras que mudaram
O cheiro que era maravilha.

Lembro que havia um café
Cujo cheiro levava ao pé
Filas das nossas aldeias
Se por acaso lembrares
Divulga por estes lugares
As lojas e tuas ideias.

Havia lojas de fazendas
Engraxadores para emendas
Dos sapatos já velhotes
Havia polícia sinaleiro
Rabo Torto pioneiro
E outros quantos caixotes.

Lembro que bem nos servias
Sorrindo com alegrias
Cheguei a ir alguma vez
Pena que te vejo agora
Um pouco assim à nora
Sem ver bem o fim do mês.

E de barco também eu ia
Fazendo alguma travessia
Em que ias acompanhado
Nessa altura não pensava
Que nesta volta rimava
Num regresso ao inesperado.

E doutras coisas eu lembro
Da linda festa em Setembro
E de tantas romarias
Subia as Doze Ribeiras
Suando pelas ladeiras
Das mais altas freguesias.

Guarda esta recordação
Porque a fiz com emoção
Espero ser do teu agrado.
E na Canada de Belém
Trabalhaste muito bem
No Império, tão animado.

Espero que esta surpresa
Que é longa, com certeza,
Não te deixe emocionado...
Nem sabia a tua graça
Mas hoje teu nome passa
A ser no peito guardado.

Algum dia se rumares
A São Carlos, com bons ares,
Podes meu nome chamar.
A casa tem campainha
Tem sala e tem cozinha
Os Folhadais podes visitar.

Abraço a Jorge Morais e família
Rosa Silva ("Azoriana")

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