Carlos Cândido (da Silva)

Somos filhos desta Terra
Jesus aqui nos plantou

De vez em quando descerra
Tudo aquilo que se encerrou.

 

Do meu pai não falo tanto

Pra não mexer na saudade

Saber dele dá-me encanto

Lembra-me de outra idade.

 

Deveras trabalhador

Com um génio quanto baste

Crente em Nosso Senhor

Ainda bem que dele falaste.

 

Quem o sabia levar

Tinha dele tudo o que queria

Para sempre o vou amar

Enquanto houver noite e dia.

 

De dia ele trabalhava

À noite fazia serão

Poucas falas ele me dava

Mas deu-me a grande lição.

 

Admirei toda a sua arte

De tudo saber fazer

Trabalhou em toda a parte

Antes mesmo de morrer.

 

Muitas vezes, a seu lado,

Eu via o que ele criava,

Uma janela ou um arado,

E mais que a madeira dava.

 

Seguia com atenção

O serrote ou a enxada

E quando ele perdeu a mão

Ao desgosto deu entrada.

 

Mesmo assim, com essa dor,

E um desgosto profundo,

Continuou com seu valor

A trabalhar neste mundo.

 

Em Fevereiro, dois mil e um,

Numa cama hospitalar,

Perdia o senso comum,

Mas não esquecia o lar.

 

Adeus, Pai da minha vida,

Adeus meu progenitor,

Adeus da filha sentida

Com uma lágrima de dor.

 

Esteja ele onde estiver

Saberá das minhas falhas,

Oxalá a sua mulher

Não o deixe assim ao calhas.

 

Um casal de sofrimento,

De valores e de paixão,

Seguiram cada momento

Com forte abnegação.

 

Hoje canto a sua vida,

Heróis de terra e mar,

Com a frente sempre erguida

À Mãe Santa do altar.

 

Rosa Silva ("Azoriana")

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