Gosto de escrever cantando
Nas parcas horas medonhas
E assim vou costurando
Umas páginas risonhas.
Portugal é uma fogueira
Que a muitos entristece
‘Inda bem que na Terceira
Isso não nos acontece.
Por entre vales e mágoas
A festa segue a preceito
Por cá abundam águas
E calores ao nosso jeito.
Mantém-se a janela aberta
E a porta escancarada
Há sempre alguém alerta
A quem passa na estrada.
Atrás de alguma tristeza
Chamamos a alegria
Pão e vinho sobre a mesa
Junto a alguma iguaria.
A bandeira alvorada,
O tapete de mil flores,
O foguete em debandada
Na festa das nossas cores.
As colchas pelas janelas,
Os arcos pelo caminho,
E as pessoas tão belas
Num sorriso em que alinho.
Há ventura nos olhares,
Nas alas em procissões,
Saem Santos dos altares
Entre cantos e orações.
Ó ilha da maresia,
De folguedos enfeitada,
Da trova e da melodia
No meu peito ancorada.
Ó rima abençoada
Nas vozes da cantoria
Por vós seja acarinhada
Nos palcos da alegria.
Rosa Silva ("Azoriana")
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