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Ao meu filho Paulo Borges: Trompista (de harmonia)
Nasceste para a música e com a trompa de harmonia será mesmo a tua regalia.
Que SAUDADES!
Que Saudades...
Dessa linda tabuleta
Que transforma a nossa mente
Santo Amaro e a Serreta...
São meu ontem tão presente.
Capital do meu afecto
E de tantas alegrias
Desse monte de grã tecto
Que via por tantos dias.
Hoje fico na saudade
Que me aperta o coração
E não sei quando é que há-de
Romper esta dura paixão.
Lembro o mar beijando a costa
Lembro o porto harmonioso
E tudo o que a gente gosta
Nesse lar tão saudoso.
Primos, tias e amigos,
Casas, ruas e colinas
Os mistérios tão antigos
E as águas cristalinas.
Quero voltar para ti,
Renovar o meu abraço
Se ainda estou aqui
Feliz seria em teu regaço.
Rosa Maria, neta da Maria Vieira,
Filha do Carlos "Picaroto"
Que optou pela Terceira
Sempre com o Pico no goto.
Beijos para todos
Aniversário da amiga Joanina
Já que temos o virtual
No desencontro real
Neste dia tão querido:
Venho dar-te os parabéns
Por mais um ano que tens
E que ele seja divertido.
São Pedro também festeja
E contigo sempre esteja
Com a chave da alegria;
És amiga especial
Hoje é teu o festival
PARABÉNS canto no dia.
Cantas tu e canto eu
E canta quem tem o teu
Coração com um sorriso;
A vida é uma graça
Quando por ti hoje se faça
A festa do improviso.
Muitos beijinhos e abraços
Da tua amiga Rosa Maria
Marchas de São João 2010 - Angra do Heroísmo
Vejam e talvez me encontrem pela rua da Sé.... (aqui a recordação)
"Aqui & Agora" - o blog de Carlos Tavares
Um blogue que prima pelas excelentes imagens e do qual fiquei fã. Através do FB (facebook) fui apreciando a categoria das fotografias e das mensagens.
A primeira fotografia que Carlos Tavares captou da Azoriana foi no dia do Pezinho em Angra do Heroísmo - Sanjoaninas 2010. Cabe-me agradecer o registo deste encontro casual e amigável.
Ver "Aqui & Agora"... com comentário:
Adoro as suas imagens
Numa objectiva perfeita
Um regalo de vantagens
A que Angra se sujeita.
Angra é linda vista assim
E de qualquer outro olhar
É justo que diga enfim
Bela terra beijando o mar!
Rosa Silva ("Azoriana")
Vinte dias depois... (2010-06-06)
"já não gosto de CHOCOLATES". Álamo Oliveira, 1999. (ver)
2010-06-26
Acabei, nesta data, de ler este tesouro literário. No fim, enxuguei as lágrimas teimosas da emoção e abracei o meu amor, sem comentários. Amaldiçoei a morte e desejei ficar abraçada ao meu amor, sem tempo e sem pensamentos.
Álamo é o meu escritor de eleição. Cada palavra, cada frase, parágrafo e páginas são autênticas pérolas que já não dispenso. Agora percebo o "já não gosto de chocolates" como uma arte extraordinária de uma verdade nua e crua ao redor da emigração.
Há uma parte do livro que li, reli e tornei a ler, deixando um sinal para facilmente lá voltar. Não pedi autorização ao seu autor mas julgo que não me condenará se a destacar neste artigo, com os devidos créditos:
(...) "Como gostaria de voltar a ver aquela pequena cidade sumida no meio de árvore, as suas casinhas pintadas da mesma cor e a sua igreja que, pomposamente, guardava a imagem da Senhora dos Milagres. Durante três dias, Gustine transformava-se no centro do mundo, a Serreta da Terceira em faz de conta. Ali, afluíam os ilhéus de toda a Califórnia, arrastados por uma devoção de réplica, travestidos da saudade dos ares nevoentos da Serreta, ouvindo sinos em repiques festivos, ladaínhas em latim, gentes pagando as promessas da aflição, emigrantes sortudos que viviam a festa real, o ar aromatizado pelo incenso das faias, das belas-donas, pelas alcatras, pela massa sovada e a Senhora dos Milagres, muito pequenina, cada vez mais milagrosa e rica, muito prezada com cordões de oiro, no seu andor forrado de flores, passeando no caminho sobre um tapete de pétalas, verduras e farelo de madeira. Seguiam-na as filarmónicas da ilha, com seu músicos fardados a rigor, interpretando o "Salvé, nobre Padroeira", enquanto os foguetes, estalando no céu, provocavam o berreiro dos anjinhos e cheiravam a dinheiro queimado. Os milagres da Senhora eram pagos piedosa e monetariamente, ficando os votos cumpridos na tourada do pico, pejado de mil cores, onde a bravura do toiro era confrontada com a coragem do capinha, o amor resistia às arrefiadelas do caipora e a amizade era bebida num copo de vinho na tasca. "Nossa Senhora dos Milagres, rogai por nós!""
In páginas 106 e 107 do livro "já não gosto de CHOCOLATES", de Álamo Oliveira, que me foi enviado junto com uma bonita colecção que me veio encher de contentamento. Ele acabou por saber da minha ânsia em possuir uma mão cheia de livros com a perfeição literária do meu "vizinho" do Raminho. E mais não sei escrever a quem tanto o sabe fazer, apenas AGRADECER emocionada. Obrigada!
A grande homenagem ao cantador JSBCharrua na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo
Eis o desenvolvimento da Homenagem Póstuma no Centésimo Aniversário do Nascimento de José de Sousa Brasil CHARRUA, levada a efeito pela Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, no dia 25 de Junho de 2010. Foi inaugurada a Exposição Comemorativa deste Centenário com o espólio literário e fotografias deste cantador, que foi chamado de Mestre do Improviso, pelo cantador João Ângelo que também nasceu a 24 de Junho, dia de São João.
Jamais esquecerei esta efeméride e evento de capital importância para a nossa Região e para quem ama a nossa cultura popular e, mais propriamente, as cantigas de improviso. O Director da Biblioteca fez a apresentação digna desta Exposição, estando presentes o Director Regional da Cultura, o Presidente da Junta de Freguesia das Cinco Ribeiras, cantadores da actualidade, nomeadamente António Mota, Marcelo Dias, Agostinho Simões, José Fernando, Eduíno Ornelas, Manuel Castelão, Eng. José Eliseu Costa, Hélder Pereira, Maria Clara, João Leonel e João Ângelo, tocadores José Domingos Mancebo e António Martins, a família de Charrua – a filha Maria do Socorro Costa Brasil, o neto, a neta, a bisneta, funcionários da Biblioteca e outras pessoas convidadas para este evento, onde me incluo.
Foi assinado o livro de recordações pelos presentes e postos à disposição panfletos e uma biografia com transcrição fiel e exata das notas pessoais do poeta Charrua.
Após a apresentação seguiu-se as cantigas de improviso em homenagem ao maior cantador de todos os tempos. Perdoem-me as falhas na captação escrita do momento. Eis o que consegui anotar para vos dar a conhecer:
Primeira rodada de cantigas com cantadores actuais acompanhados pelos tocadores José Domingos Mancebo e António Martins.
1º António Mota
Boa tarde nossa gente
Que com a gente continua
Que presta sinceramente
Homenagem ao Charrua.
2º Marcelo Dias
Charrua homem que ainda brilha
Lhe presto homenagem com afecto
Saudando a sua filha,
Sua nora e seu neto.
3º Agostinho Simões
Charrua tanto que cantastes
Só nos resta recordar
Mas é pena que não deixastes
Quem faça o teu lugar.
4º José Fernando
Foi um rei sem usar coroa
Foi um doutor entre os sábios
Graça a tanta coisa boa
Que saiu dos seus lábios.
5º Eduíno Ornelas
... Camões no Continente
Com fama na sua poesia
Mas o Charrua no meio da gente
Tem a mesma categoria.
6º Manuel Castelão
Charrua pessoa pioneira
Conheci-o ... profundo
Porque levou o nome da Terceira
Às quatro partes do mundo.
7º Eng. José Eliseu Costa
Foi contido na alegria
Comparsa no divertimento
Foi sublime na poesia
Profundo no pensamento.
8º Hélder Pereira
A sua sã sabedoria
Trouxe à vida algo de novo
Agora a sua poesia
Vive na mente do povo.
9º Maria Clara
Minha homenagem já está aí
E vou saudar todos vós
Pois hoje posso e senti
Que ele está entre nós.
10º João Leonel
Quem seu passado conhece
Na sua curta passagem
Sabe bem que ele merece
Esta humilde homenagem.
11º João Ângelo
Deixou a imagem marcada
Que ainda hoje continua
E a moda a ser tocada
É sempre a moda do Charrua.
Segunda rodada:
1º António Mota
Morreu já não está cá
Jão não mexe mais o lábio
Creio que tarde será
Que nasça um outro sábio.
2º Marcelo Dias
Cantou na América e Canadá
Nesses Estados está presente
E não morreu porque ainda está
No pensamento da gente.
3º Agostinho Simões
Foi forte na poesia
Vou-vos dizer a verdade
E pra qualquer que o ouvia
Só lhe resta a saudade.
4º José Fernando
Para o Charrua toquei
E olha que foi mais que um dia
Tal pena que não cantei
Com esse Rei da Cantoria.
5º Eduíno Ornelas
Povo que está à minha beira
Minhas senhoras e senhores
Foi a beleza da Terceira
E a beleza dos Açores.
6º Manuel Castelão
Foi a beleza dos Açores
E deu-nos doutas maneiras
Foi até pai de cantadores
E glória das Cinco Ribeiras.
7º Eng. José Eliseu Costa
Ele foi no último milénio
O cantador mais erudito
Para mim ele foi um génio
E julgo que está tudo dito.
8º Hélder Pereira
Foram grandes saberes seus
Desde o mar até à serra
Hoje canta junto de Deus
E que não foi dito na terra.
9º Maria Clara
O Charrua calou o pio
A cantadores de Portugal
E a cantar ao desafio
Não haverá outro igual.
10º João Leonel
Penso estar escutando
Incutindo o meu respeito
Continua passeando
Na calçada do meu peito.
11º João Ângelo
Muitas cantigas ele fez
Pelos salões e pelas ruas
Eu nem sequer uma vez
Fiz uma igual às suas.
Terceira rodada:
1º António Mota
A vida ligeira corre
Os vivos desaparecem
Mas uma pessoa só morre
Quando os vivos o esquecem.
2º Marcelo Dias
Foi poeta de grandes obras
Talvez o melhor português
Eu só queria metade das obras
Que um dia o Charrua fez.
3º Agostinho Simões
Agora amigos meus
Nesta hora morta e calma
Eu só quero pedir a Deus
Que dê paz à sua alma.
4º José Fernando
Foi Charrua que lavrou
Muitos regos com magia
E a seguir neles semeou
As sementes da poesia.
5º Eduíno Ornelas
Doutor tens vantagem
E nela tens categoria
De fazeres esta homenagem
A gente da tua freguesia.
6º Manuel Castelão
A homenagem está perfeita
Certo peso em nós aqui recai
Porque a sua filha aceita
A sabedoria do pai.
7º Eng. José Eliseu Costa
Qualquer que fosse o tema
Fazia com elevação
De cada quadra um poema
Do poema uma lição.
8º Hélder Pereira
Muito andou por essa rua
Subiu aos palcos afinal
Mas onde cantava o Charrua
Estava cheio o arraial.
9º Maria Clara
A Charrua dizem obrigado
Pois agradava a toda a gente
Ele foi cantador no passado
Mas está vivo no presente.
10º João Leonel
Às vezes eu ficava raivoso
Dizia ao Charrua quem sou eu
Mas hoje sinto-me orgulhoso
Das lições que ele me deu.
11º João Ângelo
No estrangeiro ou nos Açores
Que a gente tenha algum juízo
Quando se falar em cantadores
Ele é Mestre do Improviso.
Agradeço reconhecidamente a todos que contribuíram para a felicidade e emoção que, de certeza, estavam estampadas no meu rosto, nomeadamente ao convite que me foi dirigido pelo Dr. Marcolino Candeias para estar presente neste acto inaugural. Agradeço também ao amigo Luís Brum, autor do blog “Bagos d’Uva” pela cedência de algumas fotografias que tanto pode ver no seu blog como no meu álbum de fotos do SAPO.
Charrua
1910-2010
Não deixem de visitar
Esta nobre Exposição
Espólio a perpetuar
O Cantador de eleição.
Uma homenagem sentida
Feita por quem lhe quer bem
Lembrarei por toda a vida
O poeta que o céu tem.
Estas quadras repentinas
Carregam o meu afecto
Português das cinco quinas
Meu cantador predilecto.
Charrua, ilustre poeta,
Rico de tantos louvores,
Atingiste a tua meta
Muito além dos teus Açores.
Hoje tiveste ternura
Nas cantigas de homenagem
Na exposição que inaugura
Teu espólio e imagem.
Meu amor pela Cantoria
Já deu provas cordiais
Hoje maior alegria
Trouxe para os Folhadais.
No Bilhete de Identidade
Tinha o ano rasurado
A mim deu felicidade
Plo toque que me foi dado.
Se for viva em Agosto
No dia da tua freguesia
Quando o sol se fizer posto
Cantarei como alguém queria.
Angra do Heroísmo, 25 de Junho de 2010
Rosa Silva (“Azoriana”)
P.S.: Eu já tinha escrito outro texto e quadras, mas devido à emoção perdi tudo o que tinha escrito. Voltei a escrever e surgiram novas quadras. Começo a acreditar em coincidências…
Dia do Pezinho - 24 de Junho - Sanjoaninas 2010. Apontamento de Liduino Borba
Depois de alguns meses
JOÃO ÂNGELO VOLTA A CANTAR
Liduino Borba (*)
Depois de alguns meses afastado dos coretos da Terceira, João Ângelo voltou a cantar, no dia 24 de Junho, dia do seu 75º aniversário, no Pezinho das Sanjoaninas. Esteve convidado para a cantoria do dia 20, também das festas da cidade, que se realizou no Jardim Público da Terceira, mas a tosse forte que o atacou fez cancelar a sua presença.
Os meses de interregno ficaram a dever-se, em primeiro lugar, à operação a que foi submetido em Dezembro, e, em segundo, à morte da única irmã que tinha, mãe da, também, única sobrinha que tem.
No Pezinho, participaram sete cantadores: Mota, Eliseu, José Fernando, Maria Clara, Hélder, Retornado e João Ângelo. Começou junto da Câmara Municipal, na Praça Velha, depois caminhou pela Rua Direita até ao Sport Clube Angrense, subiu a Rua de São João e cantaram ao Santo das Festas, seguindo-se a Sé Catedral dos Açores, o Sport Clube Lusitânia, e terminou em frente do Secretariado das Festas. Em todos os lugares, e de todos os cantadores saíram cantigas dignas de registo. Das doze que cada um improvisou ficam aqui algumas.
António Mota, junto da Câmara, sua entidade patronal, disse para a Andreia Cardoso, a presidente:
Esta Câmara é tão bela
Revestiu-se de linda cor
Quem olhar p’rà porta dela
Vê a mais bonita flor.
João Ângelo, ainda junto da Câmara, terminou com esta quadra, aludindo às brasileiras e ao negócio dos chineses:
As senhoras são mais melgueiras
Tem sempre mais delicadezas
De noite temos as Brasileiras
E de dia as Chinesas.
O Eliseu, também funcionário do quadro da Câmara, com a categoria de Engenheiro do Ambiente, disse na Rua de São João, junto do Angrense, referindo ao Luís Gonçalves:
O Angrense actualmente
Honra todas as condições
E tem um presidente
Que fica lindo de calções.
José Fernando, tesoureiro do Município Praiense, cantou junto da imagem de São João, no canto da mesma Rua, e disse:
São João ao nascer
Era filho de Zacarias
Para depois de morrer
Ser santo nos nossos dias.
E João Ângelo, como os outros, aludiu à fraca beleza da imagem:
Eu por acaso nasci
Na data de São João
Mas quando olho p’ra ti
Tenho dó dessa posição.
O Retornado, ainda junto de São João, não deixou de criar as rimas de sentido profundo, como ele sabe fazer:
Isabel deu-te à luz
Que era prima da virgem mãe
Se és primo de Jesus
És nosso primo também.
Junto da Sé Catedral dos Açores, foram improvisadas quadras de fino recorte, que não podem ser todas aqui inseridas. Maria Clara, com a sua juventude cheia de futuro, disse:
Como esta não há igual
Onde param os oradores
Pois é Sé Catedral
Das nove ilhas dos Açores.
O Hélder também não deixou os seus créditos por mãos alheias e enalteceu a Catedral:
Ó santa igreja da Sé
A quem canto em pormenor
Enquanto houver alguém com fé
Tu serás sempre a maior.
José Fernando, referido a São João e São Salvador, disse:
Agora dizer me resta
Uma coisa que é verdade
São João vigia a festa
São Salvador a cidade.
O Retornado improvisou:
Rezem comigo neste segundo
Minhas senhoras meus senhores
Pedindo ao Salvador do mundo
Rogai por nós pecadores.
E João Ângelo rematou, que nem sempre se faz o que se diz:
Há palavras apreciadas
Nesta fiada seguida
Que depois não são usadas
Nos dias da nossa vida.
Já junto da sede do Lusitânia, e antiga casa de D. Violante do Canto, a Música que acompanhava o Pezinho tocou os “Parabéns a Você”, para os 75 anos de João Ângelo.
Maria Clara soube enaltecer o grande Clube da Rua da Sé, que esteve quase a fechar portas:
Canto a campeões bem posso ver
Com rimas de tal tamanho
Se forem dos que sabem perder
Já têm o vosso jogo ganho.
E o Retornado concluiu:
Ele já tem seiva na planta
Pois nem tudo está perdido
Porque quem cai e se levanta
Não conta o ter caído.
O Pezinho terminou do lado contrário da Rua, a cantar ao Secretariado das Festas Sanjoaninas de 2010. Seguem-se as quadras de Mota, Eliseu, Maria Clara e Hélder, respectivamente:
Letícia das mentes finas
Não encontras obstáculo
Até agora as Sanjoaninas
Estão que é um espectáculo.
Tens dado passos seguros
Esses são o teu abono
E esses óculos escuros
Encobrem olhos de sono.
Aqui ao entrar qualquer humano
Sabe que tem trabalho profundo
Mas conseguiram este ano
Fazer d’Angra Jóia do Mundo.
Tu tens mostrado que és capaz
De montar toda esta cena
Depois tu vais olhar p’a trás
E pensar que valeu a pena.
(*) Autor do livro “João Ângelo – O Mestre das Cantorias”, e outros.
Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo - Homenagem a Charrua - 25 de Junho a 24 de Setembro de 2010
É com elevada satisfação que soube que irá ser inaugurada a exposição de HOMENAGEM a José de Sousa Brasil CHARRUA desde o dia 25 de Junho até ao dia 24 de Setembro de 2010, comemorando assim o centenário do seu nascimento.
Este evento foi possível graças ao empenho do Director da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, Dr. Marcolino Candeias, que também era vizinho de Charrua, nas Cinco Ribeiras.
Fico muito feliz por me ter informado desta excelente notícia que, espero sinceramente, seja do agrado de toda a população que gostava de o ouvir, e recentemente de ler, sobre o poeta popular repentista da nossa ilha e Região.
Um bem-haja ao Dr. Marcolino Candeias e todo o pessoal envolvido neste evento extraordinário.
O cartaz supra já está colocado na fachada do Palácio Bettencourt, desde 14 de Junho, na esquina da rua da Rosa com a Carreira do Cavalos.
A inauguração será a 25, devido à agenda das Sanjoaninas para o dia 24.
José Santos escreveu-me
Olá Rosa,
Hoje é o Grande dia. Dia de celebrar o Charrua. Sei que a rosa tem feito de tudo para que o Dia 24 seja lembrado, e por isso muito Obrigado.
Aqui no Canadá vamos fazer uma festa em Memória do Charrua, no próximo Sábado.
ANGRA DO HEROÍSMO, 24 de JUNHO - José Sousa Brasil Charrua e João Ângelo Vieira - Aniversariantes do dia
Parte I
José de Sousa Brazil - Charrua
Nem sei como começar...
Eis homenagem sentida
Por quem fez e faz enlaçar
Os versos de uma vida.
Charrua se fosse vivo
Hoje lhe dava um abraço
Talvez seria motivo
Pra chorar em seu regaço.
Ao Dr. Clélio Meneses
E aos demais deputados:
Saudações, sem revezes,
Na Assembleia apresentados.
No Blog "Comunidades"
Na Academia Virtual
No GACS as novidades
Deste ícone regional.
E "No dia dos teus anos"
In livro das Confidências
Turlu deu-lhe, sem enganos,
Sextilha de excelências.
Rosa Silva ("Azoriana")
"Bem-haja o que tens ditado,
Ou escrito com o teu punho,
Do povo, és admirado,
Seja para sempre lembrado
O Vinte e quatro de Junho!"
In página 294, do livro de Mário Pereira da Costa:
"AURORA E SOL NASCENTE - Turlu e Charrua Confidências"
Nossa Angra é luminosa
Com os seus versos de rua
É uma jóia famosa
P'lo centenário de Charrua.
Mar de gente na escadaria
Da luzente Sé Catedral
Onda de alegria presente
Neste imenso arraial.
Leia o "Voto de Saudação" apresentado pelo Dr. Clélio Meneses e aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa Regional ,no dia 17 de Junho de 2010, Horta - Faial.
VOTO DE SAUDAÇÃO
A cultura de um Povo vive na alma daqueles que o corporizam e fica registada nos retratos de uns poucos que, tendo a fortuna dos génios, selam para os vindouros a marca de um tempo e de um espaço, no modo como viveram e expressaram a vida.
Alguns têm a oportunidade das universidades levando e trazendo a Cultura que enforma a identidade das comunidades.
Outros têm, apenas, a oportunidade da Vida, encimando os palcos dos homens com a superioridade da sua existência.
Aqueles e estes, na genialidade que encerram, são exemplos de homens e mulheres que, pela profundidade de pensamento e elevação dos desígnios, ilustram uma terra e a sua gente!
Porque de gente da terra se tratam, os cantadores populares, ao desafio, ou improvisadores, constituem uma das maiores riquezas da cultura açoriana.
A 24 de Junho de 1910, nascia na Ribeira do Mouro, freguesia das Cinco Ribeiras, na Ilha Terceira, um dos mais ilustres representantes desta casta de homens, José de Sousa Brazil, que, em vida e pelas vidas de milhares de açorianos, foi conhecido por “Charrua”.
Faz para a semana cem anos, que viu a luz do dia alguém que, com as suas palavras, deu luz a muitas noites das ilhas e à vida de milhares de açorianos que acorriam aos terreiros e aos coretos para o ouvir e sentir.
Da rudeza das terras que desmatou ao calor da padaria onde fez pão, da Base das Lajes onde conheceu outras gentes e outros costumes ao Canadá onde viveu, como tantos dos nossos que às Américas aportaram para construir novas vidas, sempre manifestou a delicadeza dos sentimentos e cantou a eloquência das palavras e do conhecimento, extraordinária para quem tinha passado apenas três anos na escola.
Quadras que ele próprio classificava:
Elas são brancas como os lírios
Duras como as verdades
Coxas como os martírios
E negras como as saudades!
Na métrica perfeita das quadras, quintilhas, sextilhas, oitavas, décimas e sonetos, “Charrua” marcou um tempo e, desse modo, a própria forma de cantar de improviso, fazendo com que a própria música que identifica as “cantorias” fosse outra antes e depois do cantador das Cinco Ribeiras.
Na verdade, a música das violas e violões teve de adaptar-se à força das palavras, da voz e da inteligência de “Charrua”.
Foi, também, pioneiro na introdução de um vocabulário superior, inspirando jovens que, por causa dele, foram e são cantadores, constituindo aquilo que se pode chamar de uma escola de cantar e de vida!
Sensato e “genioso” no génio do temperamento e da inteligência, “Charrua”, também, tinha sentido político revelado, por exemplo, quando, nos alvores da democracia e da autonomia, perante um parceiro de cantoria que elogiava o Estado Novo, afirmava cantando:
Mas nós fomos maltratados
Por governantes anteriores
Hoje somos governados
Por quem conhece os Açores!
Com um apurado sentido de justiça e desprendimento pelas coisas materiais da vida, que só alguns têm a dita de viver Charrua cantava:
Já tive pão na sacola,
Saí de casa em jejum,
P’lo caminho dei de esmola
A quem não tinha nenhum.
A sua vida foi, do mesmo modo, marcada pela paixão e pelo desassombro com que assumiu o amor com aquela a quem se deverá chamar a rainha das cantorias. Maria Angelina de Sousa – A Turlu – foi companheira de cantorias com quem protagonizou quentes e acirrados despiques nos terreiros e palcos da ilha.
Depois do calor de anos de desafios improvisados, Charrua e Turlu, viveram os últimos anos da vida casados e, assim, terminando as suas existências com a coroa dos sentimentos que, na verdade, deram força ao brilho dos versos que cantaram.
Cantou pelos Açores, aqui e lá longe onde a saudade mata as distancias, cantou com tantos e tantos daqueles que foram e são os cantadores das ilhas, e cantou para as multidões que até aos oitenta anos de “Charrua” iam longe e ficavam horas a escutá-lo.
Os Açores são o que são pelas ilhas que tem e pelas pessoas que os vivem.
Devemos, pois, exaltar o que de melhor e mais representativo temos!
José de Sousa Brazil, o “Charrua”, é um dos melhores e daqueles que melhor representa o que foram, são e serão os Açores.
Assim, o Grupo Parlamentar do PSD, ao abrigo das disposições estatutárias e regimentais aplicáveis, propõe à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, um Voto de Saudação pelos 100 anos do nascimento de José de Sousa Brazil, o “Charrua”, pelo que a sua vida representa para a Cultura açoriana.
Horta, Sala das Sessões, 19 de Janeiro de 2010
Os Deputados Regionais
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Parte II
João Ângelo Vieira
João Ângelo neste dia
Canta seu aniversário
Que o goze com alegria
E gosto extraordinário.
Se for às Sanjoaninas
No Pezinho da cidade
Cantará quadras divinas
Sorrindo à nova idade.
O amor pela Cantoria
É sua especialidade
O seu rimar contagia
A nossa sociedade.
E a mim o seu sorriso
E olhar tão incidente
Provoca o improviso
Na minha alma contente.
Hoje lhe mando um abraço
Com grande admiração
Há rimas em seu regaço
Que são dignas de ovação!
Rosa Silva ("Azoriana")
Sanjoaninas 2010 - Angra do Heroísmo
As nossas festas já vão na sua 3ª noite. Vi a primeira pela RTP-Açores e, ontem, estive presente na Cantoria (ao desafio) entre Maria Clara e João Leonel, José Fernando e Helder Pereira (ambos das Fontinhas), António Mota e novamente João Leonel. No fim deste glorioso conjunto de quadras a desafio foram todos para o palco do Jardim Municipal de Angra do Heroísmo e terminaram, em conjunto, com uma divertida desgarrada.
As 0 horas já tinham soado na Sé Catedral quando os amantes da Cantoria, à nossa moda, foram deixando o recinto para se dirigirem às suas casas ou a outros pontos da festa.
Fui até ao Cerrado do Bailhão e notei que este ano não havia tanta abundância de gente como em anos anteriores ou, então, estavam repartidos por diferentes locais, a gosto. Consegui ainda perceber o fado de Mariza, pese embora estivesse barricada por não ter a dita cuja pulseira que me daria acesso a vê-la e ouvi-la mais de perto.
Noto que as festas Sanjoaninas deste ano estão bem organizadas e primam pelo aproveitamento de todos os espaços da melhor maneira possível recorrendo ao menor custo mas noto, por outro lado, menos adesão de pessoas. Em momentos de crise económica, Angra Jóia do Mundo, é a melhor metáfora que se pode pôr nas ruas da Cidade Património Mundial. Sim, Angra tu és Jóia, foste Jóia e serás sempre a Jóia dos que nascem, crescem, vivem, emigram e retornam à sua pérola encantada de versos engalanada, até à última gota de alegria deslizar no rosto da vida.
Angra do Heroísmo mesmo que esteja nos meus aposentos vejo-te linda e preciosa, nossa e do mundo!
Maria Socorro Costa Brasil, filha de José de Sousa Brasil Charrua
Excelentíssimos amigos, leitores e visitantes,
É com grata satisfação que vos comunico que hoje, 20 de Junho de 2010, a quatro dias do centésimo aniversário do nascimento do falecido cantador Charrua, fui até à freguesia de Santa Bárbara do concelho de Angra do Heroísmo procurar a filha deste famoso poeta popular. Não sabia exactamente onde vivia mas hoje tive essa consolação e dei-lhe os cumprimentos que há muito queria. Pese embora a idade já ser avançada e encontrar-se numa cadeira de rodas, dependente da ajuda da nora e filho (netos de Charrua), está lúcida e muito simpática com as visitas. Que grande emoção tinha eu... Finalmente, chegou o dia (e que belo dia!) de realizar um sonho: conhecer a descendente de um cantador/poeta/improvisador que nos legou um importante repertório de uma vida de desafios.
Maria Socorro Costa Brasil sorriu... Consegui em vida vê-la sorrir e sorrir-lhe também. É isto que vale a pena, caros leitores, é isto: alegrar quem, em primeira instância, ainda está no meio dos vivos para receber as honras e palavras de uma simples mas sentida homenagem pessoal, de uma mera cidadã que ama esta forma de expressar emoções através de palavras rimadas.
Estou feliz por ter feito a visita à D. Maria Socorro como se estivesse a cumprimentar o seu pai - Charrua.
As maiores saudações à neta de Charrua pela amabilidade que teve em receber-me na sua residência. Até já a conhecia (descendente de serretense) mas não fazia ideia que fosse a esposa do filho da D. Maria.
Rosa Silva ("Azoriana")
Cantigas ao desafio - 16 Junho 2010
Após um convite simpático do senhor José Santos, gerente de uma empresa de limpezas sediada em Angra do Heroísmo, vindo de Winnipeg - Canadá, fui ao snack bar Medeiros, na Vinha Brava, habitual local de cantigas ao desafio entre amigos e simpatizantes.
Desta vez, o convite tinha uma grande intenção que, por enquanto, não me convém divulgar. caso se concretize virá a público, creio.
Após uns minutos de conversa, tive a agradável surpresa de ser convidada a cantar com o sr. João Leonel, conhecido pelo Retornado. Foi uma espécie de teste entre um cantador favorito e uma mulher que dá os primeiros acordes neste dom que é apanágio dos ilhéus e que convém não deixar perecer.
Versos em dia seguinte
Olhares fixos, ouvidos atentos,
Aplausos intercalados;
Foi outro dos bons momentos
Entre versos improvisados.
Dom natural, tom regional,
Cantigas em cada dueto,
De mote tradicional
Que só agora me meto.
Entre algum nervosismo
Perante o grã cantador,
Bastonário do lirismo
Com a bênção do Senhor.
Fez-me sorrir, também rir,
Fez-me soltar doce rima,
Feliz fiquei por conseguir
A arte da minha estima.
Tudo depende de um "sim"
A uma pergunta feita
José Santos me pôs enfim
Com a alma satisfeita.
Rosa Silva ("Azoriana")
Outros versos, novas rimas
(entre José Santos e Rosa Silva)
és sublime cantadeira
por seres a Rosa mais fresca
dos jardins desta Terceira"
Por esta, eu não esperava
Nem mereço tal oferta
Mas enquanto eu cantava
Meu coração ficou alerta.
"Continua a fazer rimas,
distribui por toda a parte
pois desta forma aproximas
quem gosta da nossa arte"
As rimas feitas aos pares
Num serão improvisadas
Renovam os nossos ares
Sendo, por bem, partilhadas.
José Santos conheço agora
Numa rima caprichosa
Com a graça da Senhora
Que ajudou também a Rosa.
Quem não ama a cantoria
Da cultura regional
Certamente não faria
Desta o papel principal.
A nossa ilha Terceira
São Miguel e outras mais
Elevam a nobre bandeira
Às rimas tradicionais.
José Santos
Rosa Silva
Assembleia Legislativa Regional: Voto de Saudação
Um Voto de Saudação
Apresentado na Assembleia
É oferta, em comunhão,
Com o Povo da Região
Que Charrua presenteia.
Centenário do nascimento
Recordado com simpatia
Merece reconhecimento
E melhor agradecimento
A favor da cantoria.
Cantador da ilha Terceira
Que reside na memória
Com a rima verdadeira
Semeou à nossa beira
As cantigas com História.
Carlos Enes, Mário Costa,
Clélio Meneses, José Santos;
Marcolino Candeias nova aposta
Que nos deixará exposta
A doçura dos seus cantos.
Obrigada!
Rosa Silva ("Azoriana")
Santo António
E com o seu testemunho
Ficamos todos contentes
Porque ardem neste Junho
Versos do amor das gentes.
Portugal é um encanto
Com seus santos populares
Eleva-se bem alto o canto
Nessas marchas populares.
Santo António de Lisboa
Ao colo traz o Menino
Que é ternura em pessoa
Bordada pelo Divino.
Euclides, nobre poeta,
“Santo António” festeja,
Na sua forma dilecta
Com o Santo sempre esteja.
Abraços
Rosa Maria