Ao meu filho Paulo Borges: Trompista (de harmonia)

Nasceste para a música e com a trompa de harmonia será mesmo a tua regalia.
Adorei ouvir-te na tua exibição final na Escola Tomás de Borba. Parabéns a ti, ao teu professor e ao teu maestro. O João Marcelino foi quem te deu as melhores oportunidades na tua vida de músico. Nunca esqueças isso ao longo da tua vida. A mãe é a tua primeira fã e mais virão, tenho a certeza.
Dou uma sugestão a quem de direito: que tal uma nova audição?






Obrigada ao António, ao João,
Ao professor e teus colegas,
A música está no coração
E a ela tu te entregas.

És dotado de harmonia
E na trompa tal e qual
Dás com pompa e alegria
O afino que é ideal.

Continua o teu encanto
E vai dando o teu melhor;
Oxalá que entretanto
Na humildade sejas maior.

Conserva o teu sorriso,
Tua paz e alegria,
O teu gosto mais preciso:
Trompista de harmonia!

A tua mãe
Beijinhos

Que SAUDADES!

 


Santo Amaro do Pico (in Facebook)

 




Que Saudades...


 


Dessa linda tabuleta
Que transforma a nossa mente
Santo Amaro e a Serreta...
São meu ontem tão presente.

Capital do meu afecto
E de tantas alegrias
Desse monte de grã tecto
Que via por tantos dias.

Hoje fico na saudade
Que me aperta o coração
E não sei quando é que há-de
Romper esta dura paixão.

Lembro o mar beijando a costa
Lembro o porto harmonioso
E tudo o que a gente gosta
Nesse lar tão saudoso.

Primos, tias e amigos,
Casas, ruas e colinas
Os mistérios tão antigos
E as águas cristalinas.

Quero voltar para ti,
Renovar o meu abraço
Se ainda estou aqui
Feliz seria em teu regaço.

Rosa Maria, neta da Maria Vieira,
Filha do Carlos "Picaroto"
Que optou pela Terceira
Sempre com o Pico no goto.

Beijos para todos

Aniversário da amiga Joanina

Já que temos o virtual
No desencontro real
Neste dia tão querido:
Venho dar-te os parabéns
Por mais um ano que tens
E que ele seja divertido.

São Pedro também festeja
E contigo sempre esteja
Com a chave da alegria;
És amiga especial
Hoje é teu o festival
PARABÉNS canto no dia.

Cantas tu e canto eu
E canta quem tem o teu
Coração com um sorriso;
A vida é uma graça
Quando por ti hoje se faça
A festa do improviso.

Muitos beijinhos e abraços
Da tua amiga Rosa Maria

"Aqui & Agora" - o blog de Carlos Tavares

Um blogue que prima pelas excelentes imagens e do qual fiquei fã. Através do FB (facebook) fui apreciando a categoria das fotografias e das mensagens.


 


A primeira fotografia que Carlos Tavares captou da Azoriana foi no dia do Pezinho em Angra do Heroísmo - Sanjoaninas 2010. Cabe-me agradecer o registo deste encontro casual e amigável.


 


Ver "Aqui & Agora"... com comentário:


 


Adoro as suas imagens
Numa objectiva perfeita
Um regalo de vantagens
A que Angra se sujeita.

Angra é linda vista assim
E de qualquer outro olhar
É justo que diga enfim
Bela terra beijando o mar!


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Vinte dias depois... (2010-06-06)

"já não gosto de CHOCOLATES". Álamo Oliveira, 1999. (ver)


 


2010-06-26


 


Acabei, nesta data, de ler este tesouro literário. No fim, enxuguei as lágrimas teimosas da emoção e abracei o meu amor, sem comentários. Amaldiçoei a morte e desejei ficar abraçada ao meu amor, sem tempo e sem pensamentos.


 


Álamo é o meu escritor de eleição. Cada palavra, cada frase, parágrafo e páginas são autênticas pérolas que já não dispenso. Agora percebo o "já não gosto de chocolates" como uma arte extraordinária de uma verdade nua e crua ao redor da emigração.


 


Há uma parte do livro que li, reli e tornei a ler, deixando um sinal para facilmente lá voltar. Não pedi autorização ao seu autor mas julgo que não me condenará se a destacar neste artigo, com os devidos créditos:


 


(...) "Como gostaria de voltar a ver aquela pequena cidade sumida no meio de árvore, as suas casinhas pintadas da mesma cor e a sua igreja que, pomposamente, guardava a imagem da Senhora dos Milagres. Durante três dias, Gustine transformava-se no centro do mundo, a Serreta da Terceira em faz de conta. Ali, afluíam os ilhéus de toda a Califórnia, arrastados por uma devoção de réplica, travestidos da saudade dos ares nevoentos da Serreta, ouvindo sinos em repiques festivos, ladaínhas em latim, gentes pagando as promessas da aflição, emigrantes sortudos que viviam a festa real, o ar aromatizado pelo incenso das faias, das belas-donas, pelas alcatras, pela massa sovada e a Senhora dos Milagres, muito pequenina, cada vez mais milagrosa e rica, muito prezada com cordões de oiro, no seu andor forrado de flores, passeando no caminho sobre um tapete de pétalas, verduras e farelo de madeira. Seguiam-na as filarmónicas da ilha, com seu músicos fardados a rigor, interpretando o "Salvé, nobre Padroeira", enquanto os foguetes, estalando no céu, provocavam o berreiro dos anjinhos e cheiravam a dinheiro queimado. Os milagres da Senhora eram pagos piedosa e monetariamente, ficando os votos cumpridos na tourada do pico, pejado de mil cores, onde a bravura do toiro era confrontada com a coragem do capinha, o amor resistia às arrefiadelas do caipora e a amizade era bebida num copo de vinho na tasca. "Nossa Senhora dos Milagres, rogai por nós!""


 


In páginas 106 e 107 do livro "já não gosto de CHOCOLATES", de Álamo Oliveira, que me foi enviado junto com uma bonita colecção que me veio encher de contentamento. Ele acabou por saber da minha ânsia em possuir uma mão cheia de livros com a perfeição literária do meu "vizinho" do Raminho. E mais não sei escrever a quem tanto o sabe fazer, apenas AGRADECER emocionada. Obrigada!

A grande homenagem ao cantador JSBCharrua na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo

Eis o desenvolvimento da Homenagem Póstuma no Centésimo Aniversário do Nascimento de José de Sousa Brasil CHARRUA, levada a efeito pela Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, no dia 25 de Junho de 2010. Foi inaugurada a Exposição Comemorativa deste Centenário com o espólio literário e fotografias deste cantador, que foi chamado de Mestre do Improviso, pelo cantador João Ângelo que também nasceu a 24 de Junho, dia de São João.


 


Jamais esquecerei esta efeméride e evento de capital importância para a nossa Região e para quem ama a nossa cultura popular e, mais propriamente, as cantigas de improviso. O Director da Biblioteca fez a apresentação digna desta Exposição, estando presentes o Director Regional da Cultura, o Presidente da Junta de Freguesia das Cinco Ribeiras, cantadores da actualidade, nomeadamente António Mota, Marcelo Dias, Agostinho Simões, José Fernando, Eduíno Ornelas, Manuel Castelão, Eng. José Eliseu Costa, Hélder Pereira, Maria Clara, João Leonel e João Ângelo, tocadores José Domingos Mancebo e António Martins, a família de Charrua – a filha Maria do Socorro Costa Brasil, o neto, a neta, a bisneta, funcionários da Biblioteca e outras pessoas convidadas para este evento, onde me incluo.


 


Foi assinado o livro de recordações pelos presentes e postos à disposição panfletos e uma biografia com transcrição fiel e exata das notas pessoais do poeta Charrua.


 


Após a apresentação seguiu-se as cantigas de improviso em homenagem ao maior cantador de todos os tempos. Perdoem-me as falhas na captação escrita do momento. Eis o que consegui anotar para vos dar a conhecer:


 


Primeira rodada de cantigas com cantadores actuais acompanhados pelos tocadores José Domingos Mancebo e António Martins.


 


1º António Mota


 


Boa tarde nossa gente


Que com a gente continua


Que presta sinceramente


Homenagem ao Charrua.


 


2º Marcelo Dias


 


Charrua homem que ainda brilha


Lhe presto homenagem com afecto


Saudando a sua filha,


Sua nora e seu neto.


 


3º Agostinho Simões


 


Charrua tanto que cantastes


Só nos resta recordar


Mas é pena que não deixastes


Quem faça o teu lugar.


 


4º José Fernando


 


Foi um rei sem usar coroa


Foi um doutor entre os sábios


Graça a tanta coisa boa


Que saiu dos seus lábios.


 


5º Eduíno Ornelas


 


... Camões no Continente


Com fama na sua poesia


Mas o Charrua no meio da gente


Tem a mesma categoria.


 


6º Manuel Castelão


 


Charrua pessoa pioneira


Conheci-o ... profundo


Porque levou o nome da Terceira


Às quatro partes do mundo.


 


7º Eng. José Eliseu Costa


 


Foi contido na alegria


Comparsa no divertimento


Foi sublime na poesia


Profundo no pensamento.


 


8º Hélder Pereira


 


A sua sã sabedoria


Trouxe à vida algo de novo


Agora a sua poesia


Vive na mente do povo.


 


9º Maria Clara


 


Minha homenagem já está aí


E vou saudar todos vós


Pois hoje posso e senti


Que ele está entre nós.


 


10º João Leonel


 


Quem seu passado conhece


Na sua curta passagem


Sabe bem que ele merece


Esta humilde homenagem.


 


11º João Ângelo


 


Deixou a imagem marcada


Que ainda hoje continua


E a moda a ser tocada


É sempre a moda do Charrua.


 


 


Segunda rodada:


 


1º António Mota


 


Morreu já não está cá


Jão não mexe mais o lábio


Creio que tarde será


Que nasça um outro sábio.


 


2º Marcelo Dias


 


Cantou na América e Canadá


Nesses Estados está presente


E não morreu porque ainda está


No pensamento da gente.


 


3º Agostinho Simões


 


Foi forte na poesia


Vou-vos dizer a verdade


E pra qualquer que o ouvia


Só lhe resta a saudade.


 


4º José Fernando


 


Para o Charrua toquei


E olha que foi mais que um dia


Tal pena que não cantei


Com esse Rei da Cantoria.


 


5º Eduíno Ornelas


 


Povo que está à minha beira


Minhas senhoras e senhores


Foi a beleza da Terceira


E a beleza dos Açores.


 


6º Manuel Castelão


 


Foi a beleza dos Açores


E deu-nos doutas maneiras


Foi até pai de cantadores


E glória das Cinco Ribeiras.


 


7º Eng. José Eliseu Costa


 


Ele foi no último milénio


O cantador mais erudito


Para mim ele foi um génio


E julgo que está tudo dito.


 


8º Hélder Pereira


 


Foram grandes saberes seus


Desde o mar até à serra


Hoje canta junto de Deus


E que não foi dito na terra.


 


9º Maria Clara


 


O Charrua calou o pio


A cantadores de Portugal


E a cantar ao desafio


Não haverá outro igual.


 


10º João Leonel


 


Penso estar escutando


Incutindo o meu respeito


Continua passeando


Na calçada do meu peito.


 


11º João Ângelo


 


Muitas cantigas ele fez


Pelos salões e pelas ruas


Eu nem sequer uma vez


Fiz uma igual às suas.


 


Terceira rodada:


 


1º António Mota


 


A vida ligeira corre


Os vivos desaparecem


Mas uma pessoa só morre


Quando os vivos o esquecem.


 


2º Marcelo Dias


 


Foi poeta de grandes obras


Talvez o melhor português


Eu só queria metade das obras


Que um dia o Charrua fez.


 


3º Agostinho Simões


 


Agora amigos meus


Nesta hora morta e calma


Eu só quero pedir a Deus


Que dê paz à sua alma.


 


4º José Fernando


 


Foi Charrua que lavrou


Muitos regos com magia


E a seguir neles semeou


As sementes da poesia.


 


5º Eduíno Ornelas


 


Doutor tens vantagem


E nela tens categoria


De fazeres esta homenagem


A gente da tua freguesia.


 


6º Manuel Castelão


 


A homenagem está perfeita


Certo peso em nós aqui recai


Porque a sua filha aceita


A sabedoria do pai.


 


7º Eng. José Eliseu Costa


 


Qualquer que fosse o tema


Fazia com elevação


De cada quadra um poema


Do poema uma lição.


 


8º Hélder Pereira


 


Muito andou por essa rua


Subiu aos palcos afinal


Mas onde cantava o Charrua


Estava cheio o arraial.


 


9º Maria Clara


 


A Charrua dizem obrigado


Pois agradava a toda a gente


Ele foi cantador no passado


Mas está vivo no presente.


 


10º João Leonel


 


Às vezes eu ficava raivoso


Dizia ao Charrua quem sou eu


Mas hoje sinto-me orgulhoso


Das lições que ele me deu.


 


11º João Ângelo


 


No estrangeiro ou nos Açores


Que a gente tenha algum juízo


Quando se falar em cantadores


Ele é Mestre do Improviso.


 


Agradeço reconhecidamente a todos que contribuíram para a felicidade e emoção que, de certeza, estavam estampadas no meu rosto, nomeadamente ao convite que me foi dirigido pelo Dr. Marcolino Candeias para estar presente neste acto inaugural. Agradeço também ao amigo Luís Brum, autor do blog “Bagos d’Uva” pela cedência de algumas fotografias que tanto pode ver no seu blog como no meu álbum de fotos do SAPO.


 


 


Charrua


1910-2010


 


Não deixem de visitar


Esta nobre Exposição


Espólio a perpetuar


O Cantador de eleição.


 


Uma homenagem sentida


Feita por quem lhe quer bem


Lembrarei por toda a vida


O poeta que o céu tem.


 


Estas quadras repentinas


Carregam o meu afecto


Português das cinco quinas


Meu cantador predilecto.


 


Charrua, ilustre poeta,


Rico de tantos louvores,


Atingiste a tua meta


Muito além dos teus Açores.


 


Hoje tiveste ternura


Nas cantigas de homenagem


Na exposição que inaugura


Teu espólio e imagem.


 


Meu amor pela Cantoria


Já deu provas cordiais


Hoje maior alegria


Trouxe para os Folhadais.


 


No Bilhete de Identidade


Tinha o ano rasurado


A mim deu felicidade


Plo toque que me foi dado.


 


Se for viva em Agosto


No dia da tua freguesia


Quando o sol se fizer posto


Cantarei como alguém queria.


 


Angra do Heroísmo, 25 de Junho de 2010


 


Rosa Silva (“Azoriana”)


 


 


P.S.: Eu já tinha escrito outro texto e quadras, mas devido à emoção perdi tudo o que tinha escrito. Voltei a escrever e surgiram novas quadras. Começo a acreditar em coincidências…

Dia do Pezinho - 24 de Junho - Sanjoaninas 2010. Apontamento de Liduino Borba

Depois de alguns meses


 


JOÃO ÂNGELO VOLTA A CANTAR


 


Liduino Borba (*)


 


Depois de alguns meses afastado dos coretos da Terceira, João Ângelo voltou a cantar, no dia 24 de Junho, dia do seu 75º aniversário, no Pezinho das Sanjoaninas. Esteve convidado para a cantoria do dia 20, também das festas da cidade, que se realizou no Jardim Público da Terceira, mas a tosse forte que o atacou fez cancelar a sua presença.


Os meses de interregno ficaram a dever-se, em primeiro lugar, à operação a que foi submetido em Dezembro, e, em segundo, à morte da única irmã que tinha, mãe da, também, única sobrinha que tem.


No Pezinho, participaram sete cantadores: Mota, Eliseu, José Fernando, Maria Clara, Hélder, Retornado e João Ângelo. Começou junto da Câmara Municipal, na Praça Velha, depois caminhou pela Rua Direita até ao Sport Clube Angrense, subiu a Rua de São João e cantaram ao Santo das Festas, seguindo-se a Sé Catedral dos Açores, o Sport Clube Lusitânia, e terminou em frente do Secretariado das Festas. Em todos os lugares, e de todos os cantadores saíram cantigas dignas de registo. Das doze que cada um improvisou ficam aqui algumas.


António Mota, junto da Câmara, sua entidade patronal, disse para a Andreia Cardoso, a presidente:


 


Esta Câmara é tão bela


Revestiu-se de linda cor


Quem olhar p’rà porta dela


Vê a mais bonita flor.


 


João Ângelo, ainda junto da Câmara, terminou com esta quadra, aludindo às brasileiras e ao negócio dos chineses:


 


As senhoras são mais melgueiras


Tem sempre mais delicadezas


De noite temos as Brasileiras


E de dia as Chinesas.


 


O Eliseu, também funcionário do quadro da Câmara, com a categoria de Engenheiro do Ambiente, disse na Rua de São João, junto do Angrense, referindo ao Luís Gonçalves:


 


O Angrense actualmente


Honra todas as condições


E tem um presidente


Que fica lindo de calções.


 


José Fernando, tesoureiro do Município Praiense, cantou junto da imagem de São João, no canto da mesma Rua, e disse:


 


São João ao nascer


Era filho de Zacarias


Para depois de morrer


Ser santo nos nossos dias.


 


E João Ângelo, como os outros, aludiu à fraca beleza da imagem:


 


Eu por acaso nasci


Na data de São João


Mas quando olho p’ra ti


Tenho dó dessa posição.


 


O Retornado, ainda junto de São João, não deixou de criar as rimas de sentido profundo, como ele sabe fazer:


 


Isabel deu-te à luz


Que era prima da virgem mãe


Se és primo de Jesus


És nosso primo também.


 


Junto da Sé Catedral dos Açores, foram improvisadas quadras de fino recorte, que não podem ser todas aqui inseridas. Maria Clara, com a sua juventude cheia de futuro, disse:


 


Como esta não há igual


Onde param os oradores


Pois é Sé Catedral


Das nove ilhas dos Açores.


 


O Hélder também não deixou os seus créditos por mãos alheias e enalteceu a Catedral:


 


Ó santa igreja da Sé


A quem canto em pormenor


Enquanto houver alguém com fé


Tu serás sempre a maior.


 


José Fernando, referido a São João e São Salvador, disse:


 


Agora dizer me resta


Uma coisa que é verdade


São João vigia a festa


São Salvador a cidade.


 


O Retornado improvisou:


 


Rezem comigo neste segundo


Minhas senhoras meus senhores


Pedindo ao Salvador do mundo


Rogai por nós pecadores.


 


E João Ângelo rematou, que nem sempre se faz o que se diz:


 


Há palavras apreciadas


Nesta fiada seguida


Que depois não são usadas


Nos dias da nossa vida.


 


Já junto da sede do Lusitânia, e antiga casa de D. Violante do Canto, a Música que acompanhava o Pezinho tocou os “Parabéns a Você”, para os 75 anos de João Ângelo.


Maria Clara soube enaltecer o grande Clube da Rua da Sé, que esteve quase a fechar portas:


 


Canto a campeões bem posso ver


Com rimas de tal tamanho


Se forem dos que sabem perder


Já têm o vosso jogo ganho.


 


E o Retornado concluiu:


 


Ele já tem seiva na planta


Pois nem tudo está perdido


Porque quem cai e se levanta


Não conta o ter caído.


 


O Pezinho terminou do lado contrário da Rua, a cantar ao Secretariado das Festas Sanjoaninas de 2010. Seguem-se as quadras de Mota, Eliseu, Maria Clara e Hélder, respectivamente:


 


Letícia das mentes finas


Não encontras obstáculo


Até agora as Sanjoaninas


Estão que é um espectáculo.


 


Tens dado passos seguros


Esses são o teu abono


E esses óculos escuros


Encobrem olhos de sono.


 


Aqui ao entrar qualquer humano


Sabe que tem trabalho profundo


Mas conseguiram este ano


Fazer d’Angra Jóia do Mundo.


 


Tu tens mostrado que és capaz


De montar toda esta cena


Depois tu vais olhar p’a trás


E pensar que valeu a pena.


 


 


(*) Autor do livro “João Ângelo – O Mestre das Cantorias”, e outros.

Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo - Homenagem a Charrua - 25 de Junho a 24 de Setembro de 2010

Exposição





 


É com elevada satisfação que soube que irá ser inaugurada a exposição de HOMENAGEM a José de Sousa Brasil CHARRUA desde o dia 25 de Junho até ao dia 24 de Setembro de 2010, comemorando assim o centenário do seu nascimento.

Este evento foi possível graças ao empenho do Director da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, Dr. Marcolino Candeias, que também era vizinho de Charrua, nas Cinco Ribeiras.

Fico muito feliz por me ter informado desta excelente notícia que, espero sinceramente, seja do agrado de toda a população que gostava de o ouvir, e recentemente de ler, sobre o poeta popular repentista da nossa ilha e Região.

Um bem-haja ao Dr. Marcolino Candeias e todo o pessoal envolvido neste evento extraordinário.

O cartaz supra já está colocado na fachada do Palácio Bettencourt, desde 14 de Junho, na esquina da rua da Rosa com a Carreira do Cavalos.

A inauguração será a 25, devido à agenda das Sanjoaninas para o dia 24.

A minha criação

José Santos escreveu-me

Olá Rosa,

Hoje é o Grande dia. Dia de celebrar o Charrua. Sei que a rosa tem feito de tudo para que o Dia 24 seja lembrado, e por isso muito Obrigado.


 


Aqui no Canadá vamos fazer uma festa em Memória do Charrua, no próximo Sábado.




 




José Santos


ANGRA DO HEROÍSMO, 24 de JUNHO - José Sousa Brasil Charrua e João Ângelo Vieira - Aniversariantes do dia

Parte I
José de Sousa Brazil - Charrua



Nem sei como começar...

Eis homenagem sentida
Por quem fez e faz enlaçar
Os versos de uma vida.


 


Charrua se fosse vivo
Hoje lhe dava um abraço
Talvez seria motivo
Pra chorar em seu regaço.


 


Ao Dr. Clélio Meneses
E aos demais deputados:
Saudações, sem revezes,
Na Assembleia apresentados.


 


No Blog "Comunidades"
Na Academia Virtual
No GACS as novidades
Deste ícone regional.


 


E "No dia dos teus anos"
In livro das Confidências
Turlu deu-lhe, sem enganos,
Sextilha de excelências.

Rosa Silva ("Azoriana")


"Bem-haja o que tens ditado,
Ou escrito com o teu punho,
Do povo, és admirado,
Seja para sempre lembrado
O Vinte e quatro de Junho!"

In página 294, do livro de Mário Pereira da Costa:


"AURORA E SOL NASCENTE - Turlu e Charrua Confidências"


 


Nossa Angra é luminosa
Com os seus versos de rua
É uma jóia famosa
P'lo centenário de Charrua.


 


Mar de gente na escadaria
Da luzente Sé Catedral
Onda de alegria presente
Neste imenso arraial.



Leia o "Voto de Saudação" apresentado pelo Dr. Clélio Meneses e aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa Regional ,no dia 17 de Junho de 2010, Horta - Faial.


 


 


 


VOTO DE SAUDAÇÃO


 


 


A cultura de um Povo vive na alma daqueles que o corporizam e fica registada nos retratos de uns poucos que, tendo a fortuna dos génios, selam para os vindouros a marca de um tempo e de um espaço, no modo como viveram e expressaram a vida.


 


Alguns têm a oportunidade das universidades levando e trazendo a Cultura que enforma a identidade das comunidades.


 


Outros têm, apenas, a oportunidade da Vida, encimando os palcos dos homens com a superioridade da sua existência.


 


Aqueles e estes, na genialidade que encerram, são exemplos de homens e mulheres que, pela profundidade de pensamento e elevação dos desígnios, ilustram uma terra e a sua gente!


 


Porque de gente da terra se tratam, os cantadores populares, ao desafio, ou improvisadores, constituem uma das maiores riquezas da cultura açoriana.


 


A 24 de Junho de 1910, nascia na Ribeira do Mouro, freguesia das Cinco Ribeiras, na Ilha Terceira, um dos mais ilustres representantes desta casta de homens, José de Sousa Brazil, que, em vida e pelas vidas de milhares de açorianos, foi conhecido por “Charrua”.


 


Faz para a semana cem anos, que viu a luz do dia alguém que, com as suas palavras, deu luz a muitas noites das ilhas e à vida de milhares de açorianos que acorriam aos terreiros e aos coretos para o ouvir e sentir.


 


Da rudeza das terras que desmatou ao calor da padaria onde fez pão, da Base das Lajes onde conheceu outras gentes e outros costumes ao Canadá onde viveu, como tantos dos nossos que às Américas aportaram para construir novas vidas, sempre manifestou a delicadeza dos sentimentos e cantou a eloquência das palavras e do conhecimento, extraordinária para quem tinha passado apenas três anos na escola.


 


Quadras que ele próprio classificava:


 


Elas são brancas como os lírios


Duras como as verdades


Coxas como os martírios


E negras como as saudades!


 


Na métrica perfeita das quadras, quintilhas, sextilhas, oitavas, décimas e sonetos, “Charrua” marcou um tempo e, desse modo, a própria forma de cantar de improviso, fazendo com que a própria música que identifica as “cantorias” fosse outra antes e depois do cantador das Cinco Ribeiras.


 


Na verdade, a música das violas e violões teve de adaptar-se à força das palavras, da voz e da inteligência de “Charrua”.


 


Foi, também, pioneiro na introdução de um vocabulário superior, inspirando jovens que, por causa dele, foram e são cantadores, constituindo aquilo que se pode chamar de uma escola de cantar e de vida!


 


Sensato e “genioso” no génio do temperamento e da inteligência, “Charrua”, também, tinha sentido político revelado, por exemplo, quando, nos alvores da democracia e da autonomia, perante um parceiro de cantoria que elogiava o Estado Novo, afirmava cantando:


 


Mas nós fomos maltratados


Por governantes anteriores


Hoje somos governados


Por quem conhece os Açores!


 


Com um apurado sentido de justiça e desprendimento pelas coisas materiais da vida, que só alguns têm a dita de viver Charrua cantava:


 


 


Já tive pão na sacola,


Saí de casa em jejum,


P’lo caminho dei de esmola


A quem não tinha nenhum.


 


A sua vida foi, do mesmo modo, marcada pela paixão e pelo desassombro com que assumiu o amor com aquela a quem se deverá chamar a rainha das cantorias. Maria Angelina de Sousa – A Turlu – foi companheira de cantorias com quem protagonizou quentes e acirrados despiques nos terreiros e palcos da ilha.


 


Depois do calor de anos de desafios improvisados, Charrua e Turlu, viveram os últimos anos da vida casados e, assim, terminando as suas existências com a coroa dos sentimentos que, na verdade, deram força ao brilho dos versos que cantaram.


 


Cantou pelos Açores, aqui e lá longe onde a saudade mata as distancias, cantou com tantos e tantos daqueles que foram e são os cantadores das ilhas, e cantou para as multidões que até aos oitenta anos de “Charrua” iam longe e ficavam horas a escutá-lo.


 


Os Açores são o que são pelas ilhas que tem e pelas pessoas que os vivem.


 


Devemos, pois, exaltar o que de melhor e mais representativo temos!


 


José de Sousa Brazil, o “Charrua”, é um dos melhores e daqueles que melhor representa o que foram, são e serão os Açores.


 


Assim, o Grupo Parlamentar do PSD, ao abrigo das disposições estatutárias e regimentais aplicáveis, propõe à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, um Voto de Saudação pelos 100 anos do nascimento de José de Sousa Brazil, o “Charrua”, pelo que a sua vida representa para a Cultura açoriana.


 


Horta, Sala das Sessões, 19 de Janeiro de 2010


 


 


Os Deputados Regionais


 


 


**************



Parte II


João Ângelo Vieira


João Ângelo neste dia
Canta seu aniversário
Que o goze com alegria
E gosto extraordinário.


 


Se for às Sanjoaninas
No Pezinho da cidade
Cantará quadras divinas
Sorrindo à nova idade.


 


O amor pela Cantoria
É sua especialidade
O seu rimar contagia
A nossa sociedade.


 


E a mim o seu sorriso
E olhar tão incidente
Provoca o improviso
Na minha alma contente.

Hoje lhe mando um abraço
Com grande admiração
Há rimas em seu regaço
Que são dignas de ovação!


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Sanjoaninas 2010 - Angra do Heroísmo

As nossas festas já vão na sua 3ª noite. Vi a primeira pela RTP-Açores e, ontem, estive presente na Cantoria (ao desafio) entre Maria Clara e João Leonel, José Fernando e Helder Pereira (ambos das Fontinhas), António Mota e novamente João Leonel. No fim deste glorioso conjunto de quadras a desafio foram todos para o palco do Jardim Municipal de Angra do Heroísmo e terminaram, em conjunto, com uma divertida desgarrada.

As 0 horas já tinham soado na Sé Catedral quando os amantes da Cantoria, à nossa moda, foram deixando o recinto para se dirigirem às suas casas ou a outros pontos da festa.


 


Fui até ao Cerrado do Bailhão e notei que este ano não havia tanta abundância de gente como em anos anteriores ou, então, estavam repartidos por diferentes locais, a gosto. Consegui ainda perceber o fado de Mariza, pese embora estivesse barricada por não ter a dita cuja pulseira que me daria acesso a vê-la e ouvi-la mais de perto.


 


Noto que as festas Sanjoaninas deste ano estão bem organizadas e primam pelo aproveitamento de todos os espaços da melhor maneira possível recorrendo ao menor custo mas noto, por outro lado, menos adesão de pessoas. Em momentos de crise económica, Angra Jóia do Mundo, é a melhor metáfora que se pode pôr nas ruas da Cidade Património Mundial. Sim, Angra tu és Jóia, foste Jóia e serás sempre a Jóia dos que nascem, crescem, vivem, emigram e retornam à sua pérola encantada de versos engalanada, até à última gota de alegria deslizar no rosto da vida.


 


Angra do Heroísmo mesmo que esteja nos meus aposentos vejo-te linda e preciosa, nossa e do mundo!

Maria Socorro Costa Brasil, filha de José de Sousa Brasil Charrua

Excelentíssimos amigos, leitores e visitantes,


 


É com grata satisfação que vos comunico que hoje, 20 de Junho de 2010, a quatro dias do centésimo aniversário do nascimento do falecido cantador Charrua, fui até à freguesia de Santa Bárbara do concelho de Angra do Heroísmo procurar a filha deste famoso poeta popular. Não sabia exactamente onde vivia mas hoje tive essa consolação e dei-lhe os cumprimentos que há muito queria. Pese embora a idade já ser avançada e encontrar-se numa cadeira de rodas, dependente da ajuda da nora e filho (netos de Charrua), está lúcida e muito simpática com as visitas. Que grande emoção tinha eu... Finalmente, chegou o dia (e que belo dia!) de realizar um sonho: conhecer a descendente de um cantador/poeta/improvisador que nos legou um importante repertório de uma vida de desafios.


 


Maria Socorro Costa Brasil sorriu... Consegui em vida vê-la sorrir e sorrir-lhe também. É isto que vale a pena, caros leitores, é isto: alegrar quem, em primeira instância, ainda está no meio dos vivos para receber as honras e palavras de uma simples  mas sentida homenagem  pessoal, de uma mera cidadã que ama esta forma de expressar emoções através de palavras rimadas.


 


Estou feliz por ter feito a visita à D. Maria Socorro como se estivesse a cumprimentar o seu pai - Charrua.


 


As maiores saudações à neta de Charrua pela amabilidade que teve em receber-me na sua residência. Até já a conhecia  (descendente de serretense) mas não fazia ideia que fosse a esposa do filho da D. Maria.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Cantigas ao desafio - 16 Junho 2010

Após um convite simpático do senhor José Santos, gerente de uma empresa de limpezas sediada em Angra do Heroísmo, vindo de Winnipeg - Canadá, fui ao snack bar Medeiros, na Vinha Brava, habitual local de cantigas ao desafio entre amigos e simpatizantes.

Desta vez, o convite tinha uma grande intenção que, por enquanto, não me convém divulgar. caso se concretize virá a público, creio.

Após uns minutos de conversa, tive a agradável surpresa de ser convidada a cantar com o sr. João Leonel, conhecido pelo Retornado. Foi uma espécie de teste entre um cantador favorito e uma mulher que dá os primeiros acordes neste dom que é apanágio dos ilhéus e que convém não deixar perecer.


 



João Leonel (O Retornado)



Versos em dia seguinte

Olhares fixos, ouvidos atentos,
Aplausos intercalados;
Foi outro dos bons momentos
Entre versos improvisados.

Dom natural, tom regional,
Cantigas em cada dueto,
De mote tradicional
Que só agora me meto.

Entre algum nervosismo
Perante o grã cantador,
Bastonário do lirismo
Com a bênção do Senhor.

Fez-me sorrir, também rir,
Fez-me soltar doce rima,
Feliz fiquei por conseguir
A arte da minha estima.

Tudo depende de um "sim"
A uma pergunta feita
José Santos me pôs enfim
Com a alma satisfeita.


Rosa Silva ("Azoriana")


 


Outros versos, novas rimas
(entre José Santos e Rosa Silva)


José Santos




"Dona Rosa, Pitoresca
és sublime cantadeira
por seres a Rosa mais fresca
dos jardins desta Terceira"

Por esta, eu não esperava
Nem mereço tal oferta
Mas enquanto eu cantava
Meu coração ficou alerta.

"Continua a fazer rimas,
distribui por toda a parte
pois desta forma aproximas
quem gosta da nossa arte"

As rimas feitas aos pares
Num serão improvisadas
Renovam os nossos ares
Sendo, por bem, partilhadas.

José Santos conheço agora
Numa rima caprichosa
Com a graça da Senhora
Que ajudou também a Rosa.

Quem não ama a cantoria
Da cultura regional
Certamente não faria
Desta o papel principal.

A nossa ilha Terceira
São Miguel e outras mais
Elevam a nobre bandeira
Às rimas tradicionais.

José Santos
Rosa Silva



Assembleia Legislativa Regional: Voto de Saudação

Um Voto de Saudação
Apresentado na Assembleia
É oferta, em comunhão,
Com o Povo da Região
Que Charrua presenteia.

Centenário do nascimento
Recordado com simpatia
Merece reconhecimento
E melhor agradecimento
A favor da cantoria.

Cantador da ilha Terceira
Que reside na memória
Com a rima verdadeira
Semeou à nossa beira
As cantigas com História.

Carlos Enes, Mário Costa,
Clélio Meneses, José Santos;
Marcolino Candeias nova aposta
Que nos deixará exposta
A doçura dos seus cantos.

Obrigada!

Rosa Silva ("Azoriana")

Santo António

E com o seu testemunho
Ficamos todos contentes
Porque ardem neste Junho
Versos do amor das gentes.





Portugal é um encanto
Com seus santos populares
Eleva-se bem alto o canto
Nessas marchas populares.





Santo António de Lisboa
Ao colo traz o Menino
Que é ternura em pessoa
Bordada pelo Divino.





Euclides, nobre poeta,
“Santo António” festeja,
Na sua forma dilecta


Com o Santo sempre esteja.





Abraços



Rosa Maria