Triste por estar adoentada
E sem vintém para nada
Nem sequer uma cantoria...
Peço a Deus Nosso Senhor
Que me faça o favor
De me dar nova alegria.
Quase ninguém quer saber
Dum aplauso oferecer
Em homenagem sentida.
No dia é que tem valor
Recordar o cantador:
Charrua a todos convida!
Sei que sou Rosa Maria
Que abraço a cantoria
Num reduto de amigos;
Por cantar a escrever
Instantâneos podem crer
Nunca tiveram castigos.
Hoje sinto na amizade
Uma força de verdade
Pra levar estro avante;
Se não tiver companhia
Serei só Rosa Maria
Com este dom no semblante.
Se eu melhorar depressa
Deixo aqui uma promessa
De cantar à luz da lua
Com o fiel cantador
Que siga o meu fervor
Em louvar nosso Charrua.
Este fogo que me ateia
É como uma candeia
Que mantém viva a chama;
Mas a dor quando é forte
Transparece a pouca sorte
Se nos prende a uma cama.
Meu destino é rimar,
A sorte faz-se a sonhar
Com aplausos de mão cheia;
Com o ouvido obstruído
E o nariz entupido
Sou como um grão de areia.
Mesmo que não tenha cura
Se me sentir mais segura
Pra de novo ser cantadeira...
Irei com as mãos unidas,
No coração as batidas
À moda da ilha Terceira.
Rosa Silva ("Azoriana")
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