Eu tinha 15 anos. Corri pouco antes para a rua porque ouvi o trator do meu padrinho a subir a Canada da Vassoura, porque nos vinha visitar. Nem deu para entrarem. Nesse momento a natureza era uma onda gigante que parecia querer engulir tudo. Eles acenaram e nem entraram. Regressaram porque queriam saber se havia estragos na casa deles. Na nossa havia algumas rachas mas não oferecia perigo imediato. O medo instalou-se e ficávamos todos na sala, sem pregar olho. As réplicas e as notícias eram uma agonia. O liceu adiou as aulas (que bom para mim, que não gostava de estudos). Daí para a frente foi o recuperar de tanto estrago.
Nos dias primeiros de Janeiro tenho sempre presente a zoada e a ruína das vinte para as 4 horas na Serreta, arredores, nesta e as outras duas ilhas vizinhas.
Chorei a morte de uma colega da escola das Doze Ribeiras.
Hoje tudo está (ou quase tudo) reconstruído e melhorado graças à força de um povo ajudado pela tropa e dádivas externas.
E Deus olhou por nós. A ilha é assim mas gostamos de cá estar.
Bom Ano!
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