1 de Janeiro de 1980: Trinta anos depois...

Terra tremeu em Janeiro


Dum tempo sempre em sentido;


Nosso choro foi inteiro


Perante tudo caído.


 


Dia de Santa Maria


E da Paz se anunciava...


Ano-Novo de agonia


Na tarde que balançava.


 


Oitenta, ano de dor


E maior consternação;


Grupo central em furor


Só via destruição...


 


Um casaco amarelo


Lembro que me abafou,


Da minha mãe (era belo),


E pra sempre me marcou.


 


Eu tremia tanto, tanto,


E o medo se acendeu...


O Divino Espírito Santo


E a Senhora nos valeu.


 


Outra dor me percorreu


Ao saber duma rapariga:


Caiu-lhe pedra... morreu...


Zita, minha boa amiga.


 


Chorei tanto a sua morte,


Das Doze, a melhor colega,


Na escola era forte


Lembro bem da sua entrega.


 


Mais tarde soube então


Que uma prima altarense,


A Aida da Conceição,


Enluta o lar terceirense.


 


E outras mortes mancharam


Outros lares de amargura


E os parentes choraram


Triste sina à sepultura.


 


Trinta anos contam agora


Da tragédia insular;


Reconstrução, sem demora,


Pôs todos a trabalhar.


 


Muitas ajudas de fora,


Do Continente e estrangeiro,


Merecem a toda a hora


Nosso Louvor verdadeiro.


 


E as nossas Entidades,


Forças Vivas e Armadas,


Gente das Comunidades


Sejam pra sempre louvadas.


 


[Para o dia 1 de Janeiro de 2010]


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigada pela visita! Volte sempre!